Libertação (Cameron Briel)

47 O nome dela é Lilian


Notas iniciais
Oi meus amores. Espero que apreciem a leitura. Nos falamos lá embaixo como sempre. Fui!

Manteve-se imóvel por mais tempo do que julgou necessário, mas ainda estava entorpecido por aquela sensação de espanto. Tinha absoluta certeza de que aqueles olhos castanhos, tinha a mesma linguagem apaixonada que via nos de sua namorada quando se cruzavam, ela o amava, mas quem era ela? Mesmo forçando sua memória, que tinha orgulho em afirmar que era muito boa, não conseguia se lembrar daquela garota.

Observou enquanto ela se afastava lentamente com os ombros tremulando em soluços de choro, e aquilo o afetava, mas por que?

Cam olhou novamente para o lago o suficiente para ver Daniel e ou outro ele se afastando, ambos envolvidos em alguma conversa animada sem sequer notarem a presença feminina que se afastava o deixando indeciso. Estava ali a procura de respostas, pensou ainda olhando para a dupla que se afastava, no entanto, aquela garota tinha chamado sua atenção e estava tentando a todo custo não sair correndo em direção a ela para interroga-la.

Saltou da árvore assim que, tanto a garota quanto a dupla de amigos estavam longe o suficiente para que não o vissem. Ajeitou a túnica curta da melhor forma possível em seu corpo atlético, antes de seguir o caminho escolhido.

(...)

Havia aprendido algumas coisas importantes naqueles poucos dias. Primeiro, que ficar sobre uma árvore boa parte da manhã não era algo muito confortável, em segundo, que aquela túnica apesar de suprir sua necessidade de passar despercebido era ridícula e apertada, a seguinte, era que seu casamento havia movimentado mais pessoas do que se lembrava, depois, que aquele boato parecia ter surgido com o vento, e agora, o mais importante dentre tudo, era que o nome dela era “Lilian”.

Havia descoberto no mesmo dia em que a tinha visto na colina e durante as manhãs que se seguiram até aquele dia, Cam seguia para aquela mesma oliveira horas antes do nascer do sol, para vê-la.

Hoje seria a última daquelas manhãs pois seria o dia de seu casamento, e diferente das anteriores estava decidido a falar com ela. Cam se posicionou na lateral oposta da árvore de modo a não ser visto antes que ela estivesse muito próxima, então iria abordá-la.

Observou o perfil bronzeado e bem desenhado dela admirando o lago tremular com a brisa da manhã, sabia que após o nascer do sol, Lilian seguiria para sua casa afim de preparar o desjejum de seu pai e irmãos menores, e seguiria para a casa da Lilith aonde servia ajudando na cozinha e nos afazeres domésticos.

(...)

Aquela manhã o sol não parecia ter o mesmo efeito revigorante dos demais dias, certamente seria o peso em seu coração que tirava a beleza e a cor daquele amanhecer.

Porque seu coração ficava agitado ao se lembrar dos olhos esmeraldas dele?

Havia evitado a presença dele o máximo após tê-lo visto naquele dia e sabia que não tinha sido percebida por ele, contundo, não conseguia evitar segui-lo com o olhar, de admirar como era belo o seu sorriso, de reparar como sua pele parecia reluzir ao toque do sol e do brilho em seus cabelos, e se culpava. Se culpava por não entender o que era aquela sensação abrasadora que envolvia seu coração quando o via, o porquê de sentir seu corpo tremer sempre que ouvia o tom grave e levemente rouco da voz dele que a fazia imaginar como seria ouvi-lo pronunciando seu nome, mas tudo se desfazia perante a crua realidade, ele era noivo.

Continuo parada em sua colina admirando o despontar sem vida do sol, quando ouviu aquela voz que fazia seu coração parar e o ar se fazer ausente aos seus pulmões, seria ele?

—É realmente lindo o nascer do sol desse lugar.

Lilian sentiu as pernas lhe traírem como naquele dia, ela girou o rosto levemente para o seu lado direito e a primeira coisa que viu foi um par de calçados estranhos e continuo seguindo o olhar constatando que a túnica daquele homem parecia não lhe servir corretamente, era curta e apertada.

Ele estava apoiado contra a árvore e mantinha o rosto baixo encoberto pelos cabelos escuros, ocultando parte de seu rosto, e mesmo, assim lhe parecia familiar.

—Tem razão. – Disse tentando esconder seu assombro, rezava para que não fosse realmente ele. O tinha evitado por dias e seria uma obra do destino, de muito mau gosto por sinal, se realmente o encontrasse justamente essa manhã, a manhã do casamento dele.

Rezava internamente para que estivesse errada, mas a silhueta parada ali a poucos centímetros dela, lhe causava aquela corrente elétrica que sentia nas poucas vezes em que passou próximo a ele.

Implorava para suas pernas voltarem a seguir a sua vontade, mas suas suplicas silenciosas foram extintas no exato momento em que cruzou com o olhar esmeralda, era o mesmo que lhe roubará o coração, “Era ele”. Seu coração parecia ter ganho asas, pois somente isso explicaria a luta dele em tentar deixar o seu peito.

Se repreendia por seu corpo expressar o que nem mesmo ela entendia, precisava se conter. Suspirou profundamente buscando forças internas, pois sabia que pior do que sentir alguma dor, era fingir que não estava doendo.

—Você é uma das servas da Lilith, não é mesmo? – Aquela voz atingiu novamente seus ouvidos, fazendo-a tremer internamente e seu coração disparar, o que eram todas aquelas sensações que sentia?

Aqueles olhos esmeralda que a miravam intensamente faziam com que contivesse um suspiro que insistia em querer fugir por entre seus lábios.

—Sou. – Tentou fingir naturalidade, apesar de sentir o seu coração se agitar. Ele parecia diferente, mas mesmo assim sentia aquela energia magnética que parecia atraí-la.

—Já te vi algumas vezes, seu nome é Lilian, não é mesmo? — Tinha imaginado por diversas vezes como soaria seu nome deixando os lábios dele, e agora sabia o quão doce era aos seus ouvidos. Ele sabia o seu nome. Sorriu encantada antes de se dar conta que não devia fazê-lo e abaixou o rosto alisando o vestido nervosamente, não devia continuar com aquilo, era errado.

—Eu...eu...preciso ir. Tenho algumas coisas a fazer agora cedo e ... – Sua voz morreu quando ele se afastou da árvore e seguiu dois passos para mais perto dela. Podia sentir o calor que irradiava do corpo dele devido a aproximação, o que a fez esfregar as mãos nervosamente após afastar uma mecha invisível de cabelo de seu rosto.

—Eu sei que você precisa ir. – A voz dele saiu suave feito um carinho. Cam estendeu a mão direita sem superar totalmente a distância que os separava. Ela esfregou levemente a mão úmida de suor em seu vestido, e a ergueu seguindo com o olhar o próprio movimento até que se enlaçasse confortavelmente a dele. – É um imenso prazer enfim conhece-la, Lilian.

Lilian sentiu uma corrente elétrica que parecia vir do corpo dele antes de percorrer todo o seu, sua respiração descompassou a fazendo entreabrir os lábios levemente em busca de ar, e fechou os olhos lutando contra aquela onda de sensações que a invadia.

A mão quente dele ainda envolvia a sua de maneira acolhedora, mas precisava quebrar aquele delicado laço que parecia querer se formar entre eles, era preciso. Ela ergueu o rosto e imaginou como ele era lindo, apesar de perceber algo diferente em seu olhar.

—Digo o mesmo, Cambriel. – Ele conhecia bem aquele nome que sua mente insistia em repetir diariamente, até mesmo em seus sonhos. – Mas preciso mesmo ir. – Sorriu tristemente sentindo a ausência do calor da mão dele junto a sua. – Preciso ajudar com os preparativos do seu...- Sentiu a garganta seca e as palavras pareciam arranhar, precisou suspirar profundamente procurando forças para prosseguir, no entanto, o olhar compreensivo que ele lhe lançou parecia pedir para que não o fizesse, então, deixou a voz morrer em sua garganta engolindo a palavra que causaria amargor ao ser dita. – Adeus. – Disse acenando com a cabeça revelando um tímido sorriso antes de dar-lhe as costas, e voltar para o povoado.

—Até logo Lilian. – Finalizou Cam esfregando a mão ainda sentindo aquela correte elétrica que percorreu todo seu corpo e se depositou em seu coração, assim como tinha acontecido em seu encontro com Lilly naquela festa. – Então é isso. – Constatou arrastando os cabelos negros para longe do rosto pensativo.

Notas finais
Espero que tenham gostado e espero que comentem. Beijos