Libertação (Cameron Briel)
12 Apaixonada?
Notas iniciais
Abriu os olhos lentamente sentindo o toque suave dos primeiros raios de sol que adentravam pela janela, e ergueu os braços com os dedos cruzados por sobre a cabeça se espreguiçando. Sua noite tinha sido agradável, talvez por ser o dia em que teria um encontro com Cam. Ela rolou na cama tentando conter o sorriso bobo que insistia em se formar em seu rosto, enfim eles iriam ter um encontro, pensou suspirando.
“ O domingo tinha começado conturbado, quando lembrava daquele sonho, pesadelo, ou seja, lá o que tenha sido, seu coração ainda se apertava gerando uma dor sufocante. Não queria imaginar que Cam poderia pertencer a outra mulher.
Como podia ter esse sentimento possessivo por ele?
Seu dia começou a ganhar cores mais alegres quando começou a conversar com sua amiga, certo que tinha se delatado ao suspirar se lembrando dele, mas admitia que era impossível não o fazer. Cam era extremamente sexy, atraente e tinha aqueles orbes verdes esmeraldas que eram sempre tão penetrantes e cheios de promessas, e além do mais, lhe causava borboletas no estômago.
—Sério amiga? – Raquel dava saltinhos de joelhos sobre a cama – E ai?
— Nós conversamos durante algum tempo, na lanchonete aí dá frente. – Ela estava deitada fitando distraidamente o teto, era difícil se concentrar, sua mente sempre seguia até ele. – Ai Raquel, ele tem um olhar que ai meu Deus, um sorriso lindo e beija muito. – Alongou a última palavra enquanto fechava os olhos buscando relembrar aquele momento, suspirando em seguida.
—Sério Lily, você parece apaixonada. – Falou a amiga em tom admirado, desde que se conheceram, Raquel lembrava que Lilly havia beijado um cara em uma festa, e podia jurar que não havia visto nem metade do entusiasmo de agora. Era difícil se manter alheia ao fato de que via os olhos da amiga reluzirem ao falar desse tal de Cam, o que ele tinha demais?
— Você acha? – Lilly não conseguiu conter seu espanto, não sabia como era estar apaixonada. Tnha a convicção de nunca ter sentido esse sentimento agitar-se dentro de si, mas tinha que reconhecer, Cam tinha um efeito inexplicável sobre ela. Se sentou na cama tomada por um misto de assombro e dúvida, poderia estar apaixonada por ele? Se sobressaltou ao ouvir seu celular tocando e se levantou apressada revirando a bolsa sobre sua mesa de estudo, se lembraria de deixa-lo em um local mais fácil de achar.
—Alô – Atendeu baixo ouvindo uma voz aveludada e levemente rouca falando seu nome do outro lado e sentiu um arrepio percorrer seu corpo, era ele. – Cam? – Imaginou que sua voz tinha saído em um tom meigo, pois Raquel estava com um riso reprimido no canto dos lábios.
—Tô te atrapalhando? – A voz dele tinha a entonação perfeita e era tão gostosa de ouvir.
— Não eu...- Olhou para Raquel que estava a um passo de soltar uma estrondosa gargalhada, e sinalizou silêncio com o dedo sobre os lábios. – Estava conversando com uma amiga. –
“Sobre você”, ficou tentada em completar. – Mas ela estava de saída.
— Eu estava de saída? – Raquel retrucou um tom acima do necessário para que quem estivesse do outro lado do telefone ouvisse, e sorriu baixo. –É claro que eu estava. – Percebeu o rosto de reprovação da outra que a fuzilava como o olhar. – Vou deixar você falar com o seu GATO! – Disse por fim fechando a porta de maneira estrondosa atrás de si.
—Desculpa é que...- Estava envergonhada, e a risada nasalada que ouviu do outro lado da linha, confirmava que Cam havia ouvido o escândalo. – Minha amiga é meio louca, me desculpe por isso.
—Não esquenta. – Respondeu divertido. – Liguei para saber como passou a noite. Dormiu bem?
Aquela pergunta a fez relembrar aquela sensação do sonho, será que ela o queria tanto para si ao ponto de sentir aquela dor esmagadora? Não o conhecia a tempo suficiente para se sentir assim, contudo, admitia que podia se tratar de algo que fugisse de seu controle. Sua vontade era de responder que a noite poderia ter sido perfeita se tivesse continuado atada em seus braços, que loucura. Imaginou quando tinha se tornado tão ousada, talvez quando ele a apertou firme contra si e tomou seus lábios de maneira possessiva e provocante, ou quando se apertará contra ela mostrando que estava excitado assim como ela, ou certamente quando arfou sobre sua pele, tinha de reconhecer, parecia uma pervertida pensando assim. Ouviu a respiração dele pelo telefone, Cam ainda esperava sua resposta. Ela abandonou seus devaneios decidida que sua atenção toda dele”.
Haviam conversado por algum tempo naquele dia, e no seguinte, e no outro, e pelos dias que se seguiram durante aquela semana. Na maioria eram assuntos banais e sem importância, mas para ela, o prazer estava no simples fato de ouvi-lo. Lilly pegou seu celular e releu a mensagem recebida no dia anterior.
“ Cam: Você tá ocupada?
Lilly: Estou indo para o para o auditório ver o ensaio da Raquel.
Cam: Não vou te atrapalhar. Só quero te fazer uma pergunta.
Lilly: Você não atrapalha.
Cam: Topa sair comigo amanhã à noite? ”.
Já tinha tido outros encontros, o primeiro tinha sido quando tinha uns 13 anos, com um colega da escola, ele usava um aparelho odontológico externo e assim como ela, era vítima de bullying, já que muitos consideravam seus olhos violeta “bizarros”. Em resumo, tinha sido até divertido, Colin era engraçado e muito animado, mas o fato de terem comido um pão com frios e tomado um suco de limão na frente da casa dele, poderia não caracterizar realmente um encontro.
Tinha lido e relido aquela mensagem tantas vezes, e em todas sentiu seu coração palpitar em expectativa, hoje teria um encontro de verdade.
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