Notas iniciais
Oi amores. Desculpem pela demora em postar mas é que a minha internet deu "derrame" (por causa das fortes chuvas aqui em SP), mas agora parece que instabilizou, então me desculpem pelo atraso. Espero que apreciem a leitura. Como sempre, não vou me alongar muito por aqui, então nos vemos lá embaixo. Fui!!!

Estava agradecida por suas pernas terem voltado a lhe obedecer, e apesar do tremor que ainda sentia nelas, tentou seguir para longe dele o mais firme que conseguia, não podia revelar que estava abalada com aquele encontro. Sua respiração parecia pesada e ofegante, imaginava se somente ela tinha sentindo aquela corrente elétrica percorrer seu corpo, era como quando batia o cotovelo na quina de algum móvel, mas de uma forma agradável.

Se repreendia por sua mente martelar repetidas vezes o quanto a mão dele era quente e aconchegante, de como aqueles olhos eram penetrantes e pareciam envolve-la em uma atmosfera acolhedora, da voz dele que lhe causava arrepios e como seu nome soou lindo deixando aqueles lábios. Se reprendia por ser uma jovem tola e se deixar envolver por sentimentos e sensações, ela servia a noiva dele e dali pouco tempo, Cambriel estaria casado.

Aquela manhã transcorria sob o opaco de todas as cores após aquele encontro, não havia luz, som ou calor que a tocasse, seus olhos viam somente o cinza daquelas flores sem aroma. Seus afazeres eram executados no ritmo letárgico que seu coração impunha, muitas vezes foi repreendida pelas anciãs da casa, mas mesmo relutante, não conseguia se concentrar. Quanto mais próximo estava da hora do matrimônio, mas sentia seu coração pesar e endurecer em seu peito, imaginava se após aquilo seu coração voltaria a vibrar com fez ao lado dele aquela manhã.

Depositou um vaso de lírios amarelo próximo ao altar e ouviu de fundo o pedido para que fosse ajudar a noiva a se preparar, era por isso que estava ali afinal, ajudar nos preparativos e ninguém além dela mesma era culpada por tudo o que estava sentindo. Respirou fundo e deixou o templo para seguir a ordem que lhe foi dada.

Seguiu para a tenda engolindo em seco qualquer angustia que pudesse saltar por seus olhos, tinha que aprender, não teria na vida nada além do que o destino lhe reservava, e Cambriel, não festava na lista.

Lilith era certamente uma das mulheres mais lindas do povoado, seus cabelos cor de fogo chamavam a atenção assim como seus lindos olhos azuis cristalinos, nada comparado com sua aparência comum e sem graça. Sentia-se infantil ao lado daquela exuberante mulher.

A noiva estava visivelmente feliz, tanto que começou a cantarolar um cântico sobre o amor, aquilo parecia sufoca-la, ajudar a preparar a mulher que se casaria com “ele”. Por que seu coração acelerava e doía com esse pensamento? Começou a cantarolar junto dela tentando afastar aquela dolorosa e crescente sensação, enquanto prendia pequenas flores nas tranças grossas que pediam pelas costas da noiva, Lilith girava o buquê em sua mão em um movimento nervoso até que o silêncio pairou sobre o ambiente.

—Como ela pode se casar com um ser como ele? – Falou alguém do lado de fora da tenda.

—Ele é um demônio. – Outro retrucou. Assim como ela, Lilith havia ouvido os comentários.

—Você está encantadora. – Foi sincera. A outra permaneceu calada por alguns minutos, sabia que se Lilith o amasse, estaria sentindo como se cada palavra de ofensa contra ele fosse diretamente para ela, amenos era isso que sentia em seu próprio coração “Ele não era um demônio”, sua mente afirmava.

—Obrigada Lilian. – Respondeu a noiva sem entusiasmo.

—Se me permiti, poucas pessoas são prudentes o suficiente para saberem o momento de se calarem. Não os dê ouvidos. – Finalizou deixando um sorriso doce curvar seus lábios. Ela mesma não dava ouvidos a todas aquelas tolas acusações. A outra lhe sorriu em respostas antes de se levantar e seguir para fora da tenda.

Ela suspirou profundamente e secou uma lágrima que ameaçava correr por seu rosto, saindo a tempo de ver Lilith seguido pelo rio até uma árvore na margem, era ele.

Lilian viu enquanto Alexia se afastava rumo a uma tenda montada para a avó da Lilith ali perto. Correu o olhar pelas mesas devidamente arrumadas com singelos vasos de flores sobre cada uma, os tecidos coloridos enfeitando o ambiente para a comemoração posterior a celebração do casamento.

O casamento, aquele pensamento fez com que seu olhar alcançasse o casal que estaria prestes a se encontrar e poderia jurar que aquele olhar esmeralda a miraram por poucos segundos, o suficiente para lhe roubar o ar. Estava absolta em seus devaneios que não notou que estava se movendo para próximo do lago, quando percebeu, deu a volta e seguiu em direção ao templo, mas novamente seus pés a levaram para outro caminho, eles a estavam levando para junto de Cambriel.

O casal de noivos estava abraçado sob a sombra daquela árvore, olhando para colina mais ao longe poderia jurar que avistava três pessoas abaixadas próximas a oliveira que pareciam se esconder, talvez fossem crianças travessas se esgueirando para espiar.

O vento soprou forte contra seus cabelos, sabia que mesmo ali aonde estava não seria vista, ela nunca era, mas então se lembrou daquela mesma manhã com ele, talvez ele a tivesse notado naqueles poucos minutos.

Observou quando Daniel se aproximou do casal, conseguia ouvi-los claramente daquele ponto, sabia que não deveria continuar ali, mas como sempre, suas pernas lhe traiam.

—Como vai você, Dani? – A voz de Lilith era suave e melodiosa, quase como uma canção gostosa de se ouvir.

Daniel se ajoelhou a lado do casal, desenrolando o pergaminho contendo o contrato de casamento cuidadosamente.

—Esta parte aqui. – Lilian reparou quando Lilith indicou um ponto no contrato. – Diz que seremos casados perto do rio – ela se virou com olhar suplicante para Cam – Mas você sabe que quero casar no templo, Cam.

Todos tinham conhecimento sobre a vontade de Lilith de casar no Templo, mas para Lilian parecia mais com uma vontade de mostrar a todos que estavam errados sobre Cambriel, não sabia bem ao certo, achava muito difícil saber o que se passava na cabeça de outra pessoa, justo ela que não sabia explicar o que se passava com o seu próprio coração. O mesmo que parecia apertado em seu peito naquele momento.

Olhou novamente para os dois homens a tempo de notar um olhar cumplice ser trocado entre eles, pareciam esconder alguma coisa.

Cambriel alcançou novamente a mão da Lilith e isso fez seu coração tremer inquieto, conhecia o toque quente e suave da mão dele na sua, agora, estavam segurando a de outra.

— Meu amor. Eu já te disse que eu não posso. – Cam parecia amar muito a Lilith e o ar parecia lhe faltar em seus pulmões com aquele pensamento.

—Você se recusa a se casar comigo sob os olhos de Deus? – Nunca tinha visto Lilith usando aquele tom de voz agressivo. – No único lugar onde minha família irá aprovar nossa união! Por quê? – A voz dela se elevou alguns tons e seus olhos reluziam, ela estava enfurecida.

—Eu não vou pôr os pés lá dentro. – Cambriel parecia convicto e apontou o dedo em reste em direção ao templo.

—Então você não me ama. – Apesar da voz embargada, Lilian não conseguia discernir se a ruiva estava triste ou somente com raiva.

—Eu amo você mais do que jamais imaginei ser possível, mas isso não muda nada. – Por mais errado que fosse, Lilian sentia seu coração se partindo com aquelas palavras que deixavam os lábios dele.

Ela sentia a respiração pesada e o coração descompassado, tudo piorou quando os olhos dele pareciam se encontrar com os dela, não conseguia entender o que aquele olhar queria lhe dizer. Era como uma declaração silenciosa que ela não conseguia compreender, mas seu coração parecia ter entendido pois martelava em seu peito fazendo um suspiro fugir de seus lábios. Ele parecia, amá-la.

Se assustou ao ouvir um grito estridente fugir da garganta da Lilith, antes dela se levantar em um movimento repleto de fúria atando os pulsos de Cambriel o segurando contra a árvore. Ele não relutou e permaneceu parado.

—Minha avó nunca gostou de você. – A voz outrora melodiosa saiu esgarçada e alta. – Ela sempre dizia as coisas mais terríveis, e eu sempre defendi você. Agora eu o vejo. – Lilian sentiu um tremor correr por todo seu corpo, sua vontade era correr para junto deles os separando, tomando para si a dor dele. – Diga.

—Dizer o quê? – A voz dele soou tão fria que até mesmo Lilian havia percebido, então, Lilith aumento seu tom em desagrado.

—Você é um homem mau. Você é um...eu sei o que você é. – “Não”, o coração de Lilian resmungou. “Pare, por favor”, sua mente suplicava enquanto lágrimas corriam por seu rosto.

—Não sou nenhuma das coisas ruins que dizem que sou, Lilith. – Lilith parecia não querer entender. Como ela não enxergava que o estava ferindo? “Não faça isso, não quebre o coração dele”, Lilian sentia como se seu próprio coração estivesse sendo esmagado ou quebrado em milhões de pedaços, ela podia sentir a dor dele.

—Lilith- Daniel, suplicou afastando as mãos da mulher do pescoço de Cambriel. – Ele não é...- Prosseguiu Daniel.

—Dani. – Cambriel foi ríspido. – Nada que você diga poderá ajudar.

—É isso mesmo. Acabou. – A ruiva parecia aliviada por terminar com aquilo, mas Cambriel. Lilian sentiu o peso do coração dele em pedaços, como se fosse o seu próprio. — Eu espero viver mil anos e ter mil filhas de modo que sempre haverá uma mulher que poderá amaldiçoar seu nome. – Vociferou ela cuspindo no rosto dele e correndo de volta ao templo, com o seu vestido esvoaçando contra o vento.

Lilian continuou em seu esconderijo, suas pernas lhe traiam ao ponto de quase leva-la ao chão, mas conseguiu se manter de pé. Viu quando Lilith sumiu dentro do templo, e imaginou que logo o alvoroço seria instaurado no vilarejo.

Ela continuou olhando a dupla que continuava próxima ao rio, seu rosto ainda úmido pelas lágrimas que insistiam em cair.

Por que seu coração parecia querer fugir de seu peito?

Certamente devido a tristeza que via reluzir nos lindos olhos esmeraldas de Cambriel.

—Você tem uma Starshot, Dani? – A voz dele saiu áspera, era como se expressasse a dor interna que sentia.

—Não. – A voz de Daniel tremeu em sua garganta.- Você vai recuperá-la ou então...

—Eu fui ingênuo em pensar que poderia ter o amor de uma mulher mortal.- Seu peito doeu, mas naquele momento poderia jurar que os olhos dele caiam novamente sob ela, era como se aquela pilastra não a ocultasse dele.

—E se você apenas disser a ela. – Disse Daniel.

—Dizer a ela? O que aconteceu a todos nós? A Queda e tudo desde então? — Ele se inclinou mais para perto de Daniel. – Talvez ela esteja certa sobre mim. Você a ouviu falar. A aldeia inteira acha que sou um demônio. Mesmo eles não usando essa palavra. – Lilian sentiu aquela palavra ressoar novamente em sua mente “Demônio” e daquele momento em diante sua mente parecia ter se desconectado de seu corpo, pois a conversa que seguiu entre eles depois daquilo fugia de sua atenção. Aquela última palavra pulsava em sua mente “Demônio”, sua visão estava turva devido as lágrimas, então as secou da melhor da forma que pôde, tentando a todo o custo retomar o controle sobre sua respiração, mas ver a dor nos olhos dele a feriam.

—Que solitário. – Ouviu aquilo fluir com amargor dos lábios dele.

—Não é solitário – Daniel estava alterado. – É amor. O amor que você deseja para si mesmo, demasiadamente.

Lilian suspirou novamente, aqueles olhos pareciam ser capazes de vê-la, mesmo que ninguém ao redor a notasse, Cambriel sempre a encontrava com o olhar. Tinha certeza que estava escondia atrás daquela grossa pilastra de pedra.

—Eu quis dizer: Sou solitário. E muito menos nobre do que você. Algum dia receio que uma mudança está chegando. – Lilian sentia que os olhos dele ainda estavam presos nela, mas isso era claramente uma impressão, ninguém mantinha sua atenção nela, muito menos ele.

Ela sabia o que era ser solitária, pois era assim que se sentia.

—Não. – Daniel se moveu para perto de Cambriel. – Você não.

Cambriel se afastou bruscamente e cuspiu no chão.

—Nem todos nós temos a sorte de estarmos ligados à nossa amante por uma maldição.

—Vá então. Você não fará falta. – Lilian sentiu como se aquelas palavras tivessem sido diferidas como adagas em seu próprio peito, Cambriel faria falta, ele faria muito falta, a ela.

Nesse momento os dois se erguerem juntos tomados por um mesmo ímpeto, cada um voltando-se para uma direção diferente e naquele momento Lilian levou as mãos surpresas a boca, retendo assim um grito de espanto, ao ver ambos desdobrando de seus ombros asas brancas majestosas.

—Anjos. – Murmurou incrédula para si mesma, enquanto seguia com os olhos a direção de Cambriel. – Ele é, um anjo. – Repetiu reforçando o que se tornava certeza em sua mente.

Correu para perto do rio ainda o seguindo com os olhos, sentia como se seu coração partido seguisse junto dele, talvez preso a suas asas brancas que reluziam como um diamante sob o toque da luz do sol, eram lindas.

Ela viu o segundo em que o dourado pareceu reluzir em suas asas, naquele momento, Cambriel parecia ter fraquejado, ele tombou levemente para a direita ainda plainando e logo para a esquerda, como um pássaro ferido que relutava em cair. Lilian se apavorou pois ele continuava se afastando de sua vista em um voou débil e visivelmente sofrível.

—Cambriel. – Sua voz saiu em um fio. Agora diferente das outras vezes, suas pernas não lhe traiam, e naquele momento, se faziam firmes o suficiente para que corresse em disparada rumo ao estabulo da família da Lilith.

Seria repreendida e provavelmente castigada por roubar um cavalo, mas essa era sua última preocupação, a primeira era, Cambriel.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Aproveitando, não sei se conseguirei postar um novo capitulo antes do natal,então gostaria de desejar a todos um ótimo natal repleto de paz, amor e prosperidade. Beijos meus anjinhos