Libertação
3 Epilogo
A estação de Hogsmeade estava a abarrotar naquela manhã. Os alunos do primeiro ano corriam de um lado para o outro com os seus malões e animais, à procura dos bagageiros. Já os alunos mais velhos, acostumados com aquela rotina, não perdiam tempo e entregavam as suas coisas á primeira pessoa que aparecesse antes de entrarem no expresso. Bella instalou-se no vagão da sonserina e olhou pela janela. A plataforma estava a começar a esvaziar. No meio de alguns alunos do sexto ano, Bella encontrou Sirius. Como se os seus olhos estivessem coordenados, ele olhou-a no preciso momento em que ela o encontrara. Lembrando-se da noite anterior, Bellatrix virou os olhos e puxou da sua bolsa um livro para manter a sua cabeça ocupada. Não resultou.
Por fim, a plataforma estava completamente vazia e o expresso iniciou viagem. Bella estava prestes a agradecer a Merlin que ninguém se tinha ido sentar com ela, quando o seu primo mais novo, Regulus, irmão mais novo de Sirius, apareceu sentado á sua frente.
— E então, Bella? Ansiosa por voltar a casa? — questionou o mais novo.
— Nem por isso. O que fazes aqui? Não devias estar sentado com os pirralhos? — Bella não conseguiu evitar a amargura das suas palavras. Regulus não devia ter mencionado a palavra “casa”. Aquela palavra começou a causar pesadelos em Bella.
— Eles estão insuportáveis por causa do natal. Prefiro ficar aqui contigo.
Bellatrix condenou a falta de educação do mais novo. Em vez de pedir para se sentar com ela, tomou iniciativa própria e chegou como se fosse tudo dele. Ali estava uma mania que ele tinha aprendido com o irmão mais velho. Os dois eram iguais naquele aspeto. E em mais alguns outros.
***
Após longas horas de viagem na companhia do primo, o expresso parou na plataforma 9 ¾, para alívio de Bella. Ela e o primo pegaram nos seus malões e animais antes de encontraram Sirius á espera, já com as suas malas e a preciosa vassoura. Bella não lhe falou nada, apenas andou por entre o mar de pais á procura dos seus. Afastados de toda aquela multidão, Bella encontrou os seus pais, Durella e Cygnus Black, enfiados nos seus trajes negros e vistosos a olhar os trouxas com puro desgosto. Ao lado, encontrava-se outro casal, Walburga e Orion Black. Ambos os casais receberam os filhos e, sem querer perder mais tempo, foram para a Mui antiga e nobre casa dos Black.
Como previra, os pais de Bella não pararam de falar sobre o quão importante o seu noivado era e que ela e Rodolphus seriam o casal mais poderoso e imponente do mundo bruxo. Bellatrix limitava-se a responder com acenos de cabeça. Quando os pais, finalmente, a deixaram em paz, ela foi para o seu quarto e começou a desfazer as malas. Os elfos teriam-no feito mas ela queria algo a mais em que pensar sem ser no rapaz algumas portas afastado. Bella e Sirius não se falaram até ao dia seguinte. O dia final. De manhã, a casa dos Black já estava a ser preparada o mais cuidadosamente possível para impressionar a família Lestrange. Os pensamentos de Bella estavam a começar a se juntar. Ela acabou por chegar a um resultado: ela queria a libertação. Liberdade para ser o que quiser no futuro e para estar com quem quiser no presente. Já era meio da tarde quando a sua mãe e tia apareceram no quarto para a ajudarem a se arrumar. Bellatrix foi colocada dentro de um vestido negro de mangas lisas, saia de renda e costas abertas. Já o seu cabelo chachado foi esticado com a ajuda de um feitiço de penteados rápidos e arrumado num coque. Graças aos feitiços de aquecimento, a casa estava em uma temperatura agradável mas, mesmo assim, Bella sentia arrepios por todo o seu corpo.
Ela olhava o grande relógio na parede. As horas estavam a passar muito depressa naquele dia até que, o seu pai aparece no quarto para a escoltar até a sala, onde os convidados já se tinham instalado. Bella respirou fundo de cabeça feita e seguiu o pai até a sala. Quando lá chegou, avistou os seus primos, Sirius e Regulus vestidos em ternos bem costurados. Narcissa e Lucius Malfoy também se encontravam lá e então Rodolphus entrou no seu campo de visão. Ele portava um terno negro com uma camisa vermelho vinho. A sua barba estava feita e o foi cabelo penteado para trás. Até que ele era um homem elegante mas ela já tinha feito uma escolha.
— Agora que já estamos aqui todos, é com grande prazer que a família Black recebe a família Lestrange neste dia tão importante. O dia em que as nossas famílias selam o contrato de noivado entre a minha filha, Bellatrix Black e Rodolphus Lestrange — anunciou Cygnus.
Todos os presentes bateram palmas e Lestrange ajoelhou-se em frente a Bella, antes de retirar do seu casaco uma caixa de veludo negra. Quando levantou a tampa, um vistoso anel de ouro branco e diamantes surgiu radiante por entre o tecido escuro.
— Eu, Rodolphus Lestrange, peço-te, Bellatrix Black, que sejas a minha esposa e mãe dos meus filhos, que me acompanhes nos bons e maus momentos e que te juntes a mim para honrar o nome das nossas famílias.
Rodolphus falou e tirou o anel de dentro da caixa. Estendeu uma das suas mãos para Bella aceitar que lhe colocassem o anel no dedo. Só que, para espanto de todos, ela não moveu um músculo sequer e virou a cara para Sirius, que estava surpreso com a atitude indisciplinar da prima.
— Eu não aceito — disse Bellatrix, decidida, olhando provocadoramente para os pais.
— O que estás para aí a dizer, Bella? Claro que aceitas — Cygnus estava a ficar vermelho de raiva pela atitude da filha mais nova.
— Não. Eu não me vou casar com alguém só por causa de manter o nome da família. Eu não vou ficar presa para sempre ao lado de alguém que eu não amo. Eu estou apaixonada por outra pessoa.
Após proferir estas palavras, todos arregalaram os olhos, especialmente Sirius. Rodolphus levantou-se do chão e olhou-a com raiva, tal como Cygnus e Druella Black. Regulus estava a adorar o espetáculo. Narcisa tinha uma expressão de puro horror no rosto, enquanto que o seu marido, Lucius Malfoy vislumbrava tudo em puro deleite na face. Os pais de Regulus e Sirius por outro lado, estava apenas confusos com tudo aquilo.
— E quem é essa outra pessoa? Um nascido-trouxa qualquer!? — enervou-se Cygnus, querendo dar um tapa na filha, sendo apenas impedido por Druella.
Para dar o golpe final, Bella andou até Sirius e colou a sua mão na dele. O rapaz não pode evitar sorrir com aquilo. Era aquilo que ele queria. Que ela assumisse o que sentia e não fosse apenas um fantoche no espetáculo que é a vida. Agora, Walburga e Orion olhavam os jovens com a mesma expressão de raiva e Regulus e Lucius ja não olhavam a cena como se fosse um teatro de rua. A família Lestrange estava chocada.
— Eu amo o Sirius e não me importo que sejamos primos. Eu quero viver ao lado dele e ser livre. Não quero ficar encalhada com obrigações de família para o resto da vida.
Indignados com tudo aquilo, os Lestrange saíram pela porta fora e Walburga mandou Regulus ir para o seu quarto.
— Se vocês querem viver dessa forma… desrespeitosa façam-no mas não sob o meu teto. A partir de agora os dois estão fora desta família! — gritou Orion e Cygnus concordou.
Bellatrix e Sirius sorriram em desafio e saíram pela porta fora depois de acenar cinicamente aos seus pais. Subiram em cima da moto dele e afastaram-se o maximo que puderam daquela casa e daquela família.Sirius parou a moto perto de um jardim em que ele sempre ia para pensar. Felizes, ambos deitaram-se na grama e olharam o céu estrelado.
— O que eu fiz, Sirius? Nós não vamos conseguir viver sozinhos agora. Ainda somos jovens, estamos a estudar, o qu…
Sirius surpreendeu-a, pulando para cima dela, apoiando as mãos no solo ao lado da sua cabeça.
— Nós podemos tudo. Juntos.
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