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Ele é o meu executor,

Parado, a olhar para mim com dor?

Da minha vida é o autor,

Da minha morte o feitor.


Encontrou-me nas sombras,

Não havia sobras.

Em uma existência cheia de dobras,

Meus valores resumiam-se em manobras.


Cada olhar um questionar.

Em seus pensamentos um convulsionar.

Alguns medos a espionar,

E minhas ações sempre a decepcionar.


Solidão como posso sentir?

Existo, para ele coexistir.

A mim, só resta advertir,

A ele só resta resistir.


Minha loucura é sua coleira,

Dia após dia enterrado nessa sujeira.

Não há nada na floreira,

Tudo jazia na enorme fogueira.


O momento é urgente,

No céu uma estrela cadente.

Em seu disfarce aparente,

Meu íntimo não é complacente.


Com os sentidos em alerta,

Uma fúria em mim desperta.

Minha alma se alegra com a descoberta,

E prontamente recuso a oferta.


Minha esperança é gritante,

Apenas seu amor não é o bastante.

Para mim preciso ser importante,

Para ele preciso ser distante.


Amar livremente é meu objetivo,

Não permitirei que se torne só um adjetivo.

Acabou seu controle efetivo.

Quero liberdade, não um ser obsessivo.


Afaste-se preciso de ar,

Você agora vou abandonar.

O mundo quero experimentar,

Finalmente ruiu seu altar.


Sinto você fraquejar,

Esfomeada estou por seu penar.

Infeliz e solitário aqui perecerá,

Pois a este cárcere nunca mais vou voltar.


Das amarras me soltei,

As angústias superei.

Com passos fortes e certeiros caminhei,

E minha indiferença por você comemorei.

Notas finais
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