Libertação (Cameron Briel)

54 O extinguir de uma alma


Notas iniciais
Oi meus amores. Gostaria de me desculpar pela demora em postar (odeio quando faço isso pois acho que perde um pouco o ritmo da historia, tipo, o que estava acontecendo mesmo?) , mas é que estava empenhada em rivisar a fic para tentar (reforçem o tentar), excluir o máximo de erros possiveis ( espero ter consigo tirar os mais grotescos pelo menos). Depois que postei aquele capitulo monstro (mais de 2.000 palavras) e ninguém reclamou, resolvi unir os que tinha separado ( explicado o porque de 2 capitulos a menos). Não vou me extender mais por aqui. Espero que apreciem a leitura.

Sabia que a vida humana seguia uma ordem natural de início, meio e fim.

Assim o Trono havia concebido os seres mortais, e assim seriam até o fim dos tempos. Cam havia aprendido a não lamentar a morte, mas por que seu coração pesava tanto?

Não se lembrava da última vez que havia sentindo o toque quente e o gosto salgado de suas próprias lágrimas, e agora, elas escorriam desenfreadas por seu rosto.

Ele estava chorando.

Chorava porque entendia que ela era uma parte de si, que somente agora sabia que tinha perdido, e era incapaz de cogitar a eternidade sem ela. “Meu amor”, seu coração parecia gritar em seu peito.

A fala de Alexia ressoava em sua mente insistente, “Assim que ela morrer, sua alma morrerá para sempre, assim como qualquer lembrança dela”.

Não! – Um rosnado rouco escapou de sua garganta num misto de angustia e ódio.

Seu desejo era de amenos ampará-la em seus braços, enquanto a vida esvaia pelo corpo frágil e juvenil, contudo, estava preso.

Ele lutava ferozmente para que seu passado não perdesse os sentidos, mas a cada momento se tornava mais difícil. Tentou se arrastar até Lilian, mas o seu corpo estava tão pesado que se mover exigia muito de seu físico débil, além de seu passado que estava se remexendo inquieto dentro dele.

Lilly”, não sabia se aquela suplica partia de sua mente, ou de seu coração clamando por sua amada.

Logo Cam sentiu seu corpo sendo amparado e erguido sem dificuldades.

—Daniel. – Murmurou ele surpreso, enquanto o outro o apoiava melhor, passando seu braço entorno de seu ombro.

—Você se clivou em seu passado, Cam – Concluiu incrédulo.

—Me leve até ela, Dani. – Suplicou. Precisava alcança-la antes que seu tempo acabasse.

—Como posso te ajudar? – Dani não escondia sua angustia em ver se amigo naquele estado. – Você sabe que não sou especialista em clivagem, mas sei que você precisa se separar do seu passado o quanto antes.

—Eu sei. Se tivéssemos uma Starshot seria mais rápido e fácil. – Resmungou Cam omitindo o fato do quanto aquela opção era perigosa.

Ele viu Daniel remexer no interior de sua túnica e se espantou em ver um brilho dourado reluzir entre os dedos do amigo.

—Você mentiu. – Cam soltou um som anasalado ao ver a seta dourada.

—O que precisa que seja feito? — Observou Cam se manter de pé a duras penas após lançar um olhar em direção a Lilian.

—– Toque a Starshort bem aqui. – Apontou para o centro de seu peito. – Se você perfurar minha pele, sabe que isso irá me matar, não é? — Daniel concordou com a cabeça.

Cam manteve-se ereto pois sabia do risco que corria, mas confiava no amigo, mesmo que o outro mantivesse a seta entre seus dedos sem muita firmeza. Daniel seguiu as orientações e logo que atingiu o ponto exato, manteve as mãos firmes durante o processo.

Cam sentiu como se sua pele estivesse se descolando de seus ossos, enquanto via seu corpo passado sair lentamente de dentro de si. Primeiro como uma imagem borrada diante do espelho, até tomar forma tornando-se nítido antes de cair desacordado no chão.

Uma dor profunda e penetrante seguiu desde as fibras internas de suas asas, e se expandiu por todo o seu corpo. Sua visão ficou nublada, e um zunido encheu seus ouvidos. Tudo escureceu fazendo-o fechar os olhos com força, procurando retomar o controle sob seu corpo. Houve um clarão, e enfim, a liberdade.

Tudo tinha acontecido em poucos segundos, mas assim que Cam abriu seus olhos se deparou com o seu passado caído desacordado, e Daniel ainda com a seta em punho com um olhar visivelmente aliviado, apesar das mãos tremulas.

Cam passou por ele rapidamente e seguiu para junto de Lilian, ajoelhando-se ao seu lado.

A respiração dela estava pesada, as mãos delicadas repousavam sobre a profunda perfuração, em um gesto vão em conter o sangramento. Afastou as mãos dela e passou a pressionar de maneira firme o ferimento seguindo a tentativa inútil dela em refrear o sangue.

O olhar dela que antes parecia iluminado se abriu lentamente e ao se cruzarem com os dele, fizeram com que Cam sentisse falta das estrelas que tinha visto aquela manhã reluzir nele. Agora, estavam tomados por aquele tom acinzentado que ela já tinha visto incontáveis vezes, e isso fez seu coração acelerar. Sentiu a saliva descendo com dificuldade.

As mãos delicadas tocaram a suas já ensopadas pelo sangue, e seu olhar estava preso aos dela, ele a estava perdendo.

—Não chora. – Lilian articulou em um fio de voz, mas ele ouviu perfeitamente, pois toda a sua atenção era dela naquele momento.

Tentou limpar a garganta para que ela não notasse sua voz embargada, mas não obteve sucesso.

—Me perdoe Lilian, não era para ter sido assim, eu sinto tanto. – E sentia muito mais do que podia expor em palavras.

—Eu desejei tanto que seu coração…- Ela deu uma pausa longa respirando com dificuldade. – Batesse por mim como o meu por você. – Ela fechou os olhos por alguns segundos e os abriu antes de prosseguir. – O egoísmo me faz tola, ao ponto de acreditar que é isso que vejo em seus olhos. – Ela ergueu os dedos trêmulos até próximo ao rosto dele. – Eu te amo tanto, Cambriel. – Sua voz falhou tantas vezes como o coração dele ao antecipar cada segundo.

—Você não tem ideia do quanto estou com medo de te perder Lilian. – Foi sincero. – Vou arrumar algum jeito de te ter de volta. – O olhar dela estava mais estreito e a mão que a pouco tentou tocar em seu rosto começou a descer lentamente. Cam ergueu a cabeça dela delicadamente do chão. – Eu te amo, Lilian. – Ele selou seus lábios aos dela carinhosamente, sentindo um sorriso tímido curvar os lábios de Lilian entre o beijo. O corpo dela pareceu relaxar em seus braços, fazendo com que Cam abrisse os olhos lentamente até encontrar os dela fechados, em uma expressão tranquila. – Vou dar um jeito de salvar sua alma, Lilly.


(...)

Cambriel ”, tentou articular, contudo, seus lábios não se moveram.

Sua roupa parecia encharcada e grudada em seu corpo e tinha um gosto amargo na boca. As mãos dele pressionavam seu abdômen com força, Lilian não conseguia se ater em nada, além daqueles lindo olhos verdes que pareciam inundados.

Não chora”, pensou em dizer, mas a voz lhe faltou.

O que tinha acontecido?

Levou algum tempo até que sua mente assimilasse o que tinha acontecido. Era isso. Tinha transposto o caminho da lâmina empunhada por Alexia, que tinha sido destinada a Cambriel.

Lilian colocou a mão sobre as dele sentindo um liquido quente escorrendo por entre os dedos dele, deveria ser seu sangue, mas não importava, ele estava vivo.

—Não chora. – Lilian estranhou o tom sofrível em sua própria voz, sentia-se tão cansada.

Ele parecia ter entendido o que seus lábios trêmulos proferiam.

—Me perdoe Lilian, não era para ter sido assim, eu sinto tanto. – A voz dele estava embargada e carregada de sentimento.

—Eu desejei tanto que seu coração…- Precisou parar para respirar, seus pulmões pareciam ter esquecido de concluir esse ato natural. – Batesse por mim como o meu por você. – Ela fechou os olhos por alguns segundos. Por que os olhos dele pareciam repetir uma declaração silenciosa de amor? – O egoísmo me faz tola, ao ponto de acreditar que é isso que vejo em seus olhos. – Queria conseguir tocá-lo, mas faltou-lhe forças para concluir o gesto. – Eu te amo tanto, Cambriel. –Estava exausta e falar parecia lhe tomar o resto de energia que tinha, mas precisava se declarar, mesmo que foi pela primeira e última vez. Precisava ouvir em voz alta o que seu coração repetia insistente.

—Você não tem ideia do quanto estou com medo de te perder Lilian. – Aquelas palavras pareciam tão sinceras que sentiu seu coração se agitar em contentamento. – Vou arrumar algum jeito de te ter de volta. – Lutava para manter os olhos nele, seu coração havia tomado um compasso acelerado de emoção, contudo, as forças se esvaiam. Seu braço parecia tão pesado que não conseguiu mantê-lo por mais tempo suspenso o deixando cair. Cambriel ergueu sua cabeça delicadamente do chão. – Eu te amo, Lilian. – Os lábios dele tocaram os dela carinhosamente e Lilian não conteve um sorriso fraco de regozijo. Sentiu seu corpo tremer e uma corrente elétrica percorrer todo seu corpo, e seu coração disparou sendo inundado por uma onda de sentimentos.

Eu te amo”, tentou sussurrar, mas a força se fez ausente e o cansaço superou seus esforços de se manter junto dele.

Não havia dor.

Não havia som.

Somente o vazio e a escuridão.

Notas finais
Esse capitulo foi muito tenso, mas espero que tenham gostado. Nos vemos no próximo. Beijos meus anjos, amo vocês