Notas iniciais
Alguns spoilers, nada que possa estragar a história de quem não leu o mangá.

Naruto caminhava tranquilamente pelas ruas de Konoha, sendo cumprimentado por todos os shinobis1 e moradores que encontrava, a maioria dos quais não sabia sequer o nome, mas todos o conheciam. Pensava em como tudo havia mudado em sua vida.

Após o fim da guerra e a derrota de Madara e seus comparsas, havia saído em jornada pelo mundo shinobi junto de Sakura e Sasuke, para treinar e realizar sua missão de levar a paz a todas as nações, tendo sido muito bem sucedido nessa empreitada. Sasuke foi junto, pois além de ser um tipo de “pena” por seus crimes, precisava também eliminar Orochimaru, que ele havia feito o favor de trazer de volta à vida durante a guerra. Sakura os havia acompanhado porque Tsunade achara melhor não separar o antigo time 7 novamente.

Essa jornada durou três anos, e durante esse tempo, passou a conhecer e compreender muito melhor as pessoas e a ele mesmo. Sua amizade com Sasuke ficou ainda mais forte e percebeu que o amigo realmente não nutria nenhum sentimento além de amizade por Sakura. Tentou arrancar dele o porquê disso, mas o máximo que conseguiu foi uma resposta seca:

— Eu a vejo como vejo você, Naruto. Ela para mim é apenas como uma irmã mais nova irritante.

Sakura também percebeu isso. Na verdade, Naruto suspeitava que ela houvesse conseguido escutar essa conversa de alguma maneira, pois no dia seguinte não dirigiu nenhuma palavra a Sasuke e se aproximou dele próprio de uma maneira muito repentina. Com o passar dos dias, ela começou a mostrar um certo interesse em Naruto, o que em parte o deixou realmente feliz. Parecia que tantos anos de dedicação finalmente haviam valido a pena. Não ficou totalmente feliz porque viu que ela estava muito triste com a falta de interesse de Sasuke, mas com o passar dos anos, até mesmo isso pareceu não fazer mais diferença para Sakura. Agora ela agia de maneira muito mais sensata com relação a Sasuke e parecia ter superado aquela obsessão que tinha por ele. O interesse que desenvolveu por Naruto, aparentemente continuava lá, mas ele não fazia muita questão de dar nenhum passo adiante, e nem mesmo ele entendia o porquê disso. Claro que Sakura muito menos, então um dia, apenas alguns meses antes da volta deles para Konoha, ela resolveu tomar as rédeas da situação e o beijou.

Claro que aquilo mexeu, e muito, com as emoções de Naruto, mas não da maneira que ele esperava. Seu coração disparou e ele começou a suar frio enquanto ela o beijava, mas não foi uma sensação agradável, pois essas reações de seu corpo foram provocadas mais pelo susto do que qualquer outra coisa. Quando o susto passou, ele tentou se entregar às demais sensações que deveria estar sentindo, mas elas não estavam lá. Não havia paixão ou qualquer tipo de desejo naquele contato. Era estranho. Ela havia se tornado uma mulher muito bonita, e estando ele já com seus dezenove anos, sentia, como qualquer homem nessa idade, todas as necessidades físicas normais, mas não conseguiu trazê-las à tona naquele momento. A sensação que teve foi a mesma de quando beijou Sasuke na academia. Afastou-a de si com uma sensação de repugnância, tentou disfarçar isso com uma risada sem-graça.

— O que foi isso, Sakura-chan, ‘ttebayo?!

— Você não gostou, Naruto? — Sakura estava com uma expressão ofendida. — Pensei que era isso que você queria!

— Er... Eu também pensei...

— Então porque essa cara de nojo?

— Cara de nojo? Não! É só que, ahn... — Sem saber como continuar, ele resolveu ser sincero e falou rápido, de olhos fechados, já esperando pelo soco que com certeza viria depois: — Gomen2, ‘ttebayo, Sakura-chan, mas foi como beijar o Sasuke de novo...

Continuou de olhos fechados esperando pelo soco, que surpreendentemente não veio. Abriu-os devagar e se surpreendeu ainda mais ao ver Sakura encarando-o com os olhos cheios de lágrimas e uma expressão de mágoa. Ela apenas virou as costas e saiu dali, indo em direção ao acampamento que haviam montado em uma floresta perto de Takigakure3.

— Shimatta4! — Jogou-se sobre uma pedra que havia ali e ficou observando os pássaros que voavam livres e sem preocupações sobre sua cabeça, desejando ser um deles. Foi tirado desses pensamentos por uma voz próxima:

— O que aconteceu com a Sakura?

Naruto virou sua cabeça para o lado e viu que Sasuke havia se sentado perto dele na pedra. Estava tão distraído que nem notou a aproximação.

— Uma coisa que eu não esperava... — E contou tudo o que havia acontecido.

— Então você a vê da mesma forma que eu. Não é de se admirar que ela tenha ficado tão transtornada. Mas, sério, Naruto, você tinha mesmo que comparar com... aquilo?

Por sua expressão ou tom de voz, não daria para qualquer outra pessoa saber o que se passava pela cabeça de Sasuke, mas Naruto o conhecia muito bem para saber que aquilo era tão constrangedor para o amigo quanto para ele próprio. Não aguentou e começou a rir descontroladamente. Sasuke o olhava emburrado, mas vendo Naruto rir daquele jeito, não aguentou e também fez uma expressão de quem estava se segurando para não ter o mesmo tipo de reação.

— Só você mesmo, dobe!

Aquela cena não passou em branco e rendeu mais de uma semana de silêncio de Sakura, dessa vez, dirigida aos dois. Mais uma vez ela devia ter espionado a conversa deles. Passado um tempo, ela voltou a agir normalmente, mas não sem um toque de mágoa em suas atitudes, principalmente com relação a Naruto.

Agora, de volta a Konoha, Naruto achava que deveria ter uma conversa séria com ela, para esclarecer tudo aquilo e acabar de vez com o mal-estar que se instalou entre eles. Era nisso que pensava enquanto caminhava em direção ao Ichiraku Rámen.

Entrou no local e olhou em volta, procurando algum conhecido, pois agora o lugar estava bem maior que antes. Não chegava a ser um restaurante, mas haviam colocado algumas mesas onde antes era um comércio vizinho, que Teuchi, o dono do Ichiraku, havia comprado. Avistou Karin, junto com os antigos membros da Taka5, Suigetsu e Juugo, sentados numa mesa encostada à parede e se dirigiu para lá.

— Yo, minna6!

— Yo, itoko-san7! — Karin cumprimentou Naruto com um sorriso. — Sente-se!

— Yo, Naruto-san! — Juugo também o cumprimentou com um sorriso discreto. Suigetsu, com a boca cheia apenas acenou.

— Como vão as coisas? — Naruto sentou-se ao lado de Juugo, de frente para Karin e perguntou, não se dirigindo a ninguém em particular.

— Muito bem, graças a você e ao Sasuke. — Juugo respondeu de maneira calma. — Agora posso ser livre de verdade. Sem mais prisões.

— E já se adaptaram bem a Konoha? — Naruto perguntou com um sorriso. — Estivemos longe durante todo esse tempo, mas fiquei sabendo que estão fazendo um bom trabalho. Aliás, Karin, obrigado por tudo o que fez. O clã Uzumaki ficou muito bom.

— Douitashimashite8! Tenho que admitir que fiz por mim também. Todas as pessoas que começaram a aparecer atrás do líder Uzumaki... É bom pertencer a algum lugar. Nunca tive uma família antes de você, e agora está crescendo bem rápido.

— Hontou desu9, dattebayo! Mas nunca imaginei que esse negócio de líder de clã fosse tão complicado. Menos de quinze pessoas e quatro famílias... Mais parecem os problemas de Konoha inteira!

— O que você esperava? Afinal, são todos Uzumakis! — Disse uma voz por trás dele.

— Iruka-sensei!

— Ogenki desu ka10, Naruto? — Iruka cumprimentou com um sorriso. — Quando voltou?

— Há uma semana, mas tive tantas coisas para resolver que só agora deu tempo para sair do clã. — Naruto fez um bico, mas Iruka sabia que no fundo ele estava feliz com tudo aquilo.

— Quem diria, hein, Naruto? Líder de clã agora... Mas é um bom treinamento para Hokage! — Iruka ainda estava em pé ao lado da mesa, e vendo que não havia mais lugar ali, resolveu se despedir. — Ja ne11!

— Chotto matte12! Eu vou com você, Iruka-sensei! — Voltou-se para sua “prima”. —Karin onee-chan13, se houver algum problema no clã, avise que não volto tão cedo hoje! Se você puder resolver...

Ele se afastou com Iruka e sentou-se no balcão, como antigamente. Pediu seu rámen e ficaram conversando, relembrando o passado, sob os olhares dos três ocupantes da mesa que se puseram a conversar.

— Soshite14, Karin? Desistiu de tentar conquistar o Naruto? — Suigetsu perguntou com um sorrisinho maldoso. — Lembro-me de quando você tentou fazer isso, antes dele e Sasuke partirem e...

— Urusai!15 — Karin olhou irritada para Suigetsu. — Claro que parei. Ele é como um irmão para mim agora. Seus sentimentos são tão puros que eu sei que não mereço alguém como ele...

— E o Sasuke, Karin? — Juugo resolveu se pronunciar. — Já o perdoou?

— Iie16! Ele tentou me matar!

— Devia tentar seguir o exemplo de seu “primo”. O Sasuke tentou matá-lo várias vezes e ainda assim continuam sendo melhores amigos. Aliás, ele mudou muito. Nunca imaginei o Sasuke como melhor amigo de ninguém... — Pensativo, Juugo se lembrava de Sasuke do tempo da Taka e da Hebi17.

— Concordo, Juugo. Mas por tudo o que ouvi, ele não mudou. Estava mudado quando o conhecemos, isso sim! — Suigetsu comentou, olhando Karin fixamente.

— O que estão tentando insinuar? Já disse que meu coração não é tão bom quanto o de Naruto. Não consigo esquecer o que aconteceu assim tão fácil! — Karin falou com uma expressão azeda.

— Você não é tão ruim quanto gosta de parecer, Karin. — Suigetsu falou sério. — Sei que fez até mesmo amizade com aquela garota Yamanaka e está se tornando amiga da tal de Sakura também.

— Eu me identifiquei com a Sakura. — Tentando se explicar sem mesmo saber por que, Karin completou: — Tivemos experiências parecidas, fomos rejeitadas tanto por Sasuke quanto por Naruto. E agora que estou trabalhando no hospital de Konoha, tenho muito contato com as duas.


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— Sakura-chan, posso falar com você um pouco? — Naruto estava nervoso, mas determinado a resolver essa situação de uma vez por todas. Segurava a porta semiaberta, esperando uma resposta. A distância que sua melhor amiga estava mantendo dele o estava incomodando e muito. Ela estava sentada em seu gabinete no hospital de Konoha lendo um livro, e nem sequer ergueu a cabeça quando ouviu a voz do amigo.

— Pode falar.

Naruto soltou um suspiro cansado. Será que as coisas tinham mesmo que ficar tão difíceis assim? Não estava acostumado com problemas com mulheres, pelo menos, não esse tipo de problemas. Ultimamente estava fazendo tanto sucesso com as garotas quanto Sasuke, talvez até mais, já que era mais simpático, mas os problemas consistiam em fugir delas na maioria das vezes, fazendo com que ele entendesse o porquê do amigo achar as garotas tão irritantes. Não que não gostasse de atenção, mas queria um pouco de paz às vezes.

Ele entrou na sala e sentou-se em frente à amiga. Ela finalmente resolveu baixar o livro e o encarou. Naruto engoliu em seco, se perguntando se era melhor ir direto ao ponto ou tentar amenizar um pouco o que diria, mas chegou à conclusão de que não fazia seu tipo ficar de rodeios e resolveu partir para um ataque direto.

“Seja o que Kami-sama18 quiser!” — Pensou o rapaz.

— Sakura-chan, eu não aguento mais essa situação, dattebayo! Sei que está magoada comigo, mas eu não quero perder sua amizade! Gomen, mas acho que depois de esperar tanto tempo, a paixão que eu sentia por você simplesmente secou! Achei que fosse ficar aliviada com isso, você sempre desprezou o que eu sentia!

Sakura respirou fundo. Sabia que estava sendo injusta com Naruto, afinal era seu amigo e não merecia ser tratado como ela vinha fazendo ultimamente, mas ainda se sentia ferida. Não sabia se realmente havia se apaixonado por ele ou se era simplesmente uma forma de esquecer Sasuke, mas quando o beijou sentiu realmente uma coisa muito forte. Nunca imaginou que pudesse ser assim e ao ver que ele não correspondeu a seus sentimentos, sentiu-se humilhada. Por tudo o que conhecia de Naruto, tinha certeza que podia se apaixonar por ele e ser feliz finalmente, mas não podia condená-lo, pois como ele mesmo havia dito, sempre desprezou o que ele sentia. Realmente, as pessoas cansam, como ela também havia cansado de correr atrás do Sasuke. Subitamente sentiu seus olhos marejarem e abaixou a cabeça, não suportava mais encarar aqueles olhos azuis e imaginar tudo o que poderia ter sido. Sentiu-se vazia.

— Onegai19, Sakura-chan...

— Iie, Naruto... a culpa é minha. Você está certo. Eu nunca tive o direito de te tratar como sempre tratei e, afinal, não há amor que resista a isso. — Sakura voltou a encará-lo e lágrimas escorriam por seu rosto. — Não sabe como me arrependo, mas agora é tarde demais, eu entendo. Só me dê um tempo para superar, onegai...

Naruto sentiu uma pontada forte em seu coração nesse momento. Não sabia se era pelo fato de tê-la magoado ou pela perda de tudo que poderia ter acontecido entre eles, mas a dor estava lá. Sentiu seus olhos marejarem também e num impulso contornou a mesa, puxou Sakura pela mão e a abraçou. Ficaram algum tempo assim, chorando abraçados, colocando para fora toda a amargura que sentiam nesse momento. Era como se estivessem em um funeral de alguém muito querido. Talvez estivessem: um romance que mal nasceu e já estava sendo enterrado.

— Sumimasen20, Sakura-chan... — Naruto disse entre soluços.

— Gomenasai21, Naruto... — A resposta saiu entrecortada, também pelos soluços.

Alguém bateu de leve na porta, mas não obteve resposta, nenhum dos dois ouviu aquele barulho tão baixo. A pessoa que batia abriu timidamente uma fresta e olhou para os dois abraçados, e sentiu um aperto no peito. Ia fechando novamente a porta, mas um soluço sofrido a fez hesitar. Tomou coragem e resolveu se anunciar:

— Gomen kudasai22...

Naruto e Sakura se separaram e olharam para a porta. Sakura muito constrangida e Naruto de olhos arregalados.

— Hinata... — Foi apenas um sussurro de Naruto, mas aquele tom de voz conseguiu arrepiar as outras duas pessoas que se encontravam na sala, cada uma por seus motivos. Sakura queria que aquele tom fosse usado com ela e ficou com ciúmes, já Hinata sempre quis ouvir seu nome ser pronunciado daquela maneira e por aquela mesma voz, mas não naquela situação.

Hinata corou violentamente e disse gaguejando, coisa que não acontecia há muito tempo:

— N-não queria i-interromper... — Engoliu em seco tentando se acalmar e já arrependida de ter entrado. — E-eu v-volto outra hora...

Virou as costas, pronta para sair correndo dali, mas foi impedida por uma mão quente que a segurou pelo pulso.

— V-você voltou cedo da missão... — Naruto respirou fundo para controlar a voz. Não sabia se havia gaguejado por ter a voz ainda embargada pelo choro convulsivo ou se pelo nervosismo em encontrá-la. — E você está ferida, deixe que a Sakura-chan veja isso...

Hinata foi ficando cada vez mais vermelha, até que não se aguentou nas próprias pernas e desabou. Naruto a segurou, impedindo que ela batesse no chão e pegou-a no colo.

— Sakura-chan... — Naruto olhou para ela como se pedisse desculpas.

Sakura deu um pequeno sorriso. Independente do ciúme que estava sentindo no momento, seu instinto profissional falou mais alto. Ela passou pela porta da sala e fez um sinal para que Naruto a seguisse. Abriu a porta ao lado da sua e entrou, fazendo mais um sinal para que Hinata fosse colocada na maca. Ele a obedeceu, mas parecia relutante em se afastar, o que fez Sakura soltar, mesmo sem querer, a pergunta que se passava em sua mente:

— É por causa dela, da yo ne23?

— Maa na24...

Sem dizer mais nada, Sakura aproximou-se de Hinata e a examinou. Realmente não havia nada de sério com ela, apenas um ferimento superficial no braço. Ela curou o corte e comentou:

— Ela não mudou em nada, além da aparência...

— Espero que não... — Naruto disse isso num sussurro, quase como se fosse para si mesmo. Também analisava a aparência da garota. Ela não usava mais aquelas roupas que a escondiam quase que completamente. Estava com uma espécie de bata lilás de um tecido leve, de mangas longas e largas, aberto nas laterais até a altura dos quadris. Por baixo usava uma bermuda preta com uma faixa branca presa na altura da coxa e suas sandálias shinobis eram simples, até pouco abaixo dos joelhos e salto baixo. Trazia o hataiate25 preso à cintura, o que marcava sua bela silhueta. Naruto soltou um suspiro. Seria tarde demais para ele também?

— Fique com ela até que recobre a consciência, depois ela já pode ir. Se precisarem de alguma coisa estarei em minha sala... — Sakura já saia do quarto enquanto proferia essas palavras. Não queria que Naruto visse as lágrimas que voltaram a rolar por seu rosto. No fundo, só queria que ele fosse feliz, e sabia que Hinata era a melhor coisa para o amigo. Ficou feliz por ela também, afinal, diferente de si, parecia que seu amor de infância seria correspondido.


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Hinata foi recobrando a consciência lentamente, mas não abriu os olhos. Lembrou-se de tudo em um flash, e enrubesceu. Não acreditava que houvesse desmaiado... Pensou que houvesse superado essa timidez excessiva, mas perto de Naruto, parecia que nada havia mudado.

— Que bom que acordou.

Aquela voz... ele não podia estar ali ainda, podia? Abriu os olhos lentamente e o viu sentado em uma cadeira ao lado da maca. Sentou-se lentamente sob o olhar de Naruto e foi avermelhando ainda mais no processo. Mais uma vez não conseguia encará-lo. O que diria agora? Será que ele se lembrava de sua declaração? Arriscou um olhar em sua direção e pela expressão no rosto de Naruto, parecia que sim.

— Você mudou, Hinata, está mais linda do que nunca, mas seu jeito continua o mesmo. — Ele tinha um sorriso de lado que ela não se lembrava de ter visto e a olhava com uma intensidade desconcertante.

Ela corou ainda mais e começou a suar frio. Sabia que precisava pelo menos agradecer, mas a voz parecia presa em sua garganta. Não conseguia acreditar que ele a estava elogiando daquela maneira, porém o comentário sobre seu jeito a constrangeu ainda mais. Toda a preparação psicológica a que havia se submetido não havia adiantado de nada quando estava perto dele. Respirou fundo para tentar se controlar e forçar a resposta a sair, mas ainda não conseguia olhá-lo. Se fizesse isso com certeza iria travar de novo.

— A-a-arigatou26, N-naruto-kun. — Ótimo, havia saído, mas além de gaguejante, num fio de voz. Pelo menos conseguiu dizer alguma coisa. — C-como sabia da m-missão?

— Ah, er... — Ele deu uma risadinha sem-graça e coçou a nuca. O gesto era tão característico dele que Hinata não pode deixar de esboçar um pequeno sorriso. — Pra falar a verdade eu perguntei à Tsunade baa-chan27...

Hinata não sabia o que dizer. Por que ele perguntaria por ela se estava com a Sakura? Eles estavam abraçados quando ela abriu a porta da sala... então lembrou-se do soluço que ouvira e do rosto banhado de lágrimas dos dois quando se viraram. Será que havia acontecido alguma coisa séria? Preocupou-se por talvez Naruto estar sofrendo e antes que pudesse se conter, perguntou:

— N-naruto-kun, aconteceu... alguma coisa? — Estava conseguindo controlar um pouco a voz, isso era bom.

— Como assim, Hinata?

Ela ficou sem jeito de perguntar mais alguma coisa, mas já que tinha começado, decidiu seguir em frente, afinal, precisava saber.

— É-é que você e a S-sakura-san e-estavam... — ela não conseguiu terminar a frase e abaixou a cabeça. Imaginou que estava se metendo onde não devia. — G-gomen... não devia ter perguntado...

— É claro que devia. — Ele disse com a voz suave. Levantou a mão lentamente, como se para avisá-la do toque e acariciou levemente o rosto de Hinata, enquanto observava seu rosto corar fortemente. Quando viu que ela estava oscilando, como se fosse desmaiar, retirou a mão rapidamente. — Estávamos... meio que nos despedindo... de uma coisa que nunca daria certo. Muita coisa mudou nesses últimos anos, Hinata.

Ela o olhou nos olhos, com um pouco de curiosidade. Será que ele queria dizer o que estava imaginando? Não era possível. Devia estar fantasiando novamente, como sempre fazia. Mas como para provar que aquilo não era um sonho, Naruto pegou a mão que descansava em seu colo e a apertou levemente. Ela corou, e sentiu seu coração quase parar, o que provou que não era uma fantasia, porque nelas isso não acontecia. Ele levantou sua mão devagar, ainda olhando em seus olhos e a fez tocar sua face.

Ele sentiu aquele toque em seu rosto e fechou os olhos, ainda segurando a mão de Hinata para que ela não a tirasse dali. Era um toque tão bom, e quando ela movimentou delicadamente os dedos em uma carícia suave, sentiu tudo aquilo que não conseguira com o beijo de Sakura. Naruto soltou um suspiro trêmulo. Agora podia responder sem nenhuma dúvida à pergunta que Sakura havia feito: sim, era por causa de Hinata.

Desde a declaração da garota não teve muito contato com ela, primeiro por causa da guerra e depois a partida da vila, mas nesse tempo todo não deixou de pensar em todos os momentos que passaram juntos, no carinho que ela demonstrava. Isso desde que eram crianças, mesmo de longe, sempre ali para ele. Ela era mesmo especial.

Teve um pequeno sobressalto ao sentir a outra mão de Hinata do outro lado de seu rosto e abriu os olhos, afinal não esperava que ela tomasse essa iniciativa. Ela estava muito corada e com os lábios entreabertos, mas mantinha os olhos fechados. Respirando com dificuldade ela deslizava os dedos por toda a face de Naruto, como se quisesse decorá-la. Ele fechou novamente os olhos, querendo apenas sentir tudo aquilo que o toque lhe provocava. Quando chegou perto da boca, Hinata hesitou um pouco, mas não desistiu. Tremendo ainda mais, deslizou delicadamente um indicador pelos lábios de Naruto causando arrepios nele. Era um carinho totalmente inocente, mas provocou uma reação muito forte no rapaz. Sentiu seu coração acelerar e todo o corpo esquentar, como se antecipasse muito mais.

Naruto sabia que precisava ir devagar com Hinata, seu desmaio anterior mostrava que ela não havia superado seu problema com as aproximações repentinas dele, mas resolveu arriscar um pouco, afinal, estavam dentro de um hospital. Nada de muito grave aconteceria.

Segurou a mão que ainda estava sob a sua, apenas acompanhando os movimentos da garota e, virando um pouco o rosto deu um beijo lento em sua palma. Sentiu Hinata amolecer um pouco, mas sem parar de movimentar a outra mão em sua face. Abriu os olhos e ficou olhando sua expressão. Ela parecia numa espécie de transe, mas tinha um leve sorriso nos lábios. Arriscando um pouco mais, ele segurou a outra mão dela e a puxou para que o enlaçasse pelo pescoço. Ele sentiu mais do que viu que ela perderia os sentidos novamente, e continuando o gesto anterior, a abraçou pela cintura, impedindo-a de cair, e a puxou para que sentasse em seu colo. Não sabia qual seria a reação dela ao acordar assim e só torceu para que ela não lhe desse uma cabeçada, como já havia acontecido uma vez. Deu uma breve risada com a lembrança.

— Ah, Hinata... — Naruto sussurrou de encontro ao pescoço dela. Abraçou-a pela cintura com mais força, apoiou a cabeça da garota em seu ombro e acomodou-se na cadeira com ela no colo, preparando-se para esperar o tempo que fosse preciso que ela acordasse novamente.


..............


Naruto observava atentamente Hinata para perceber quando ela acordasse, por isso viu quando ela moveu os olhos levemente e deu um leve suspiro. Ainda sem recobrar completamente os sentidos, ela apertou o tecido da camiseta de Naruto com a mão que descansava em seu peito. Ele nem conseguiu sorrir, apenas soltou um longo suspiro entrecortado, e depositou um leve beijo na testa da garota. Parecia que o que sentia no momento era totalmente desproporcional ao tamanho de seu coração, pois transbordava e invadia cada célula de seu corpo. Se aquilo não fosse amor, não sabia o que mais seria. Toda a saudade que sentira durante o tempo fora de Konoha, que na época aparecia ocasionalmente como uma leve pontada no peito, manifestava-se agora, toda ao mesmo tempo. Se a abraçasse com a força que tinha vontade, certamente quebraria algumas costelas de Hinata.

Ela abriu lentamente os olhos e o encarou. Sorriu e disse sem gaguejar:

— Naruto-kun. — Fechou novamente os olhos e se aconchegou mais a ele. — Não quero acordar ainda.

Ele não pode deixar de rir da reação de Hinata. Aparentemente ela achava que estava sonhando. Resolveu aproveitar um pouco essa situação e disse:

— E o que acontece agora? Se o sonho fosse meu, eu iria querer que você me respondesse uma única pergunta, Hyuuga Hinata...

— Qual pergunta, Naruto-kun? — A voz de Hinata estava tão meiga e a respiração tão próxima ao pescoço de Naruto que ele estava com os braços arrepiados.

Ele encostou os lábios na orelha de Hinata e disse com um sussurro:

— Você ainda me ama?

Hinata pareceu perceber naquele momento que aquilo não era um sonho. Corou como um pimentão e tentou se levantar bruscamente, mas Naruto não deixou. Abraçou-a mais forte, enterrando o rosto no pescoço dela. Com um gemido de protesto disse:

— Iie! Fique aqui. Só não desmaie de novo e responda, onegai...

Não sabia o que dizer, mas pelo menos Hinata tinha certeza de uma coisa: conseguiria pelo menos fazer o que ele pedia, pois com certeza não desmaiaria, dessa vez teria um infarto fulminante a qualquer momento! Quase sem forças, ela engoliu em seco e tentou fazer com que sua voz saísse para responder o que ele pedia, afinal era Naruto, e se ele pedisse a ela que enfrentasse Madara e Orochimaru juntos, sozinha, ela o faria!

— Hai... — Foi mais um sopro do que realmente uma palavra, mas o suficiente para que ele ouvisse.

— Então me diz outra vez, Hinata, eu preciso ouvir... — Enquanto dizia isso e sem se afastar muito, ele pegou as mãos da garota, que estavam soltas no colo, e a fez rodear seu pescoço com os braços. Naruto permanecia de olhos fechados e começou a deslizar o nariz delicadamente no rosto de Hinata.

Ela se sentia desfalecer com aquele carinho, era muito mais do que um dia ela sequer sonhou, achava que conhecia muito bem Naruto e não o imaginava fazendo isso. Para ter forças para dizer o que ele pediu, imaginou estar ainda sonhando e fechou os olhos.

— Daisuki desu28, Naruto-kun... — Ela sussurrou.

— Arigatou, Hinata-chan. — Naruto sorriu. — Daisuki da29... mas tem um problema. Eu não quero te beijar.

Hinata arregalou os olhos em choque e ficou olhando a face repentinamente séria que Naruto apresentava. Como assim não queria? Era o que ela mais sonhava, um beijo de seu amor, e agora após tanto carinho, ele dizia que não queria. Ficou se perguntando o que havia feito de errado e seus olhos se encheram de lágrimas.

Vendo isso, Naruto se arrependeu do que havia dito. Deu um pequeno sorriso e a abraçou novamente.

— Gomen, gomen, gomen! Não chora... eu só não quero correr o risco de te fazer desmaiar de novo. — Ele deu uma risada. — Agora parece que você já se acostumou um pouco mais a me ter por perto, mas mesmo assim...

Hinata parecia ter se acalmado, mas ainda estava decepcionada por não ganhar um beijo de Naruto depois de tudo. Ele se afastou um pouco para olhá-la e é claro que ela estava corada.

— Você não pode ter imaginado que eu não queria um beijo seu. — Ele a olhava nos olhos e segurava seu rosto com as mãos. — É o que mais quero, Hinata, mas também quero que seja especial, em um lugar especial, e não em um quarto de hospital.


..............


Karin estava na casa principal do clã Uzumaki recebendo um casal de velhinhos que reclamavam exaltados do filho de um vizinho que havia destruído seu jardim de flores exóticas. Ela estava um pouco entediada com isso, mas escutava pacientemente. Era incrível como havia mudado tanto nesse período em que havia ficado em Konoha, mas mesmo longe, parecia que a essência de seu primo havia continuado com ela, lhe dando calma e serenidade. Não que ele fosse realmente seu primo, mas era assim que se consideravam.

Após a saída do casal de velhinhos, Karin se pôs a pensar sobre o que Juugo e Suigetsu haviam dito. Deveria perdoar Sasuke? Não que ela achasse que faria diferença para ele, afinal, sempre foi frio e distante com ela e qualquer outra pessoa. Será que ele havia realmente mudado com a convivência com Naruto? Todos mudavam, será que ele era tão cabeça-dura que nem isso o faria mudar?

Ouviu uma batida na porta e foi atender, surpreendendo-se ao deparar-se com Sasuke.

— Karin? O que faz aqui? — Sasuke ficou incomodado ao encontrar Karin tão de repente. Sabia que deveria conversar e pedir desculpas pelo que havia feito, mas era muito difícil encontrar forças para isso. Naruto já havia conversado com ele sobre o assunto, porém ainda não se sentia preparado. — Onde está Naruto?

— Bem, eu vivo aqui, afinal você veio até o clã Uzumaki. — Karin respondeu séria. — Quanto a Naruto, saiu e me disse que demoraria, mas não sei onde foi. E você, o que faz aqui, Uchiha?

Sasuke não sabia o que o espantava mais, o jeito de Karin ou o fato de ela estar na casa de Naruto. Claro que sabia que ela morava agora no clã Uzumaki, mas pensava que tinha uma casa separada. Já a maneira como o estava tratando, era totalmente diferente da Karin que ele conheceu, nem irritada e nem sedutora, parecia apenas... ressentida.

“Vamos lá, Uchiha, não seja covarde e faça logo o que tem que fazer” — Pensou Sasuke.

— Posso entrar, Karin?


..............


Ele andava cabisbaixo em direção a uma área de treinamento.

Não era de seu feitio ficar cabisbaixo, mas ultimamente não estava conseguindo evitar que uma certa tristeza se instalasse em seu íntimo. Desde a volta de Naruto, Sakura e Sasuke para Konoha, sabia que seu amor não seria correspondido e era difícil abrir mão de uma coisa tão forte, que o acompanhou a partir do momento em que a conheceu.

— Yo! — A voz o tirou de suas abstrações. Levantou a cabeça e deu de cara com Naruto, que parado a sua frente parecia muito feliz com alguma coisa. — Quanto tempo, dattebayo! Mas você não parece bem.

— Yo, Naruto-kun! Fiquei sabendo da volta de vocês, mas não havia encontrado ninguém até agora. Você parece muito bem.

— Tashika ni30. Aconteceram coisas muito boas. Mas por que você está tão pra baixo? Não faz seu tipo. — Naruto reparou que ele estava muito triste e nunca o havia visto assim. Lembrando-se de vários acontecimentos do passado, pensou que já soubesse qual era o motivo da tristeza, mas após tanto tempo, não podia ter certeza. Resolveu arriscar. — Por que você não vai procurá-la?

Um brilho apareceu em seus olhos com as palavras de Naruto, mas não queria mais alimentar falsas esperanças. Soltou um suspiro melancólico e respondeu:

— De que vai adiantar isso, Naruto-kun?

— Talvez mais do que você imagina. — Naruto deu um sorriso cansado. Esperava estar fazendo a coisa certa. — A essa hora ela já deve ter chegado em casa.

Uma ponta de esperança apareceu em seu coração. Se Naruto estava dizendo isso, quem sabe realmente tivesse alguma chance?

— Arigatou, Naruto-kun! Vou para lá agora mesmo! Ja ne!

Correu pelas ruas de Konoha com a mente cheia de pensamentos desconexos. Não sabia o que dizer quando a encontrasse, mas teria que pensar em alguma coisa. Parou em frente à casa e ficou olhando a porta durante algum tempo. Respirou fundo para tomar coragem e bateu. Após algum tempo de espera a porta foi aberta por sua grande paixão, o que o fez perder o ar. Ofegante, ficou a encarando por um momento para tomar coragem de fazer um pedido que já havia sido recusado tantas vezes no passado.

— Konbanwa31! Er... gostaria de jantar comigo, Sakura-san?

Ela ficou olhando o rapaz por um momento antes de um sorriso aparecer em seu rosto.

— Claro, porque não, Lee?


..............


Naruto chegou feliz no clã Uzumaki. Depois de deixar Hinata no clã Hyuuga, tendo combinado de buscá-la para sair no dia seguinte, e sugerir a Rock Lee que procurasse Sakura, esperava que tudo desse certo, não apenas para ele, mas também para os amigos. Seus pensamentos foram bruscamente interrompidos por um impacto em seus joelhos e uma voz fininha que gritava:

— Naruto nii-chan32!

Era uma garotinha de aproximadamente três anos e cabelos vermelhos. Ela havia se apegado rapidamente a ele quando voltou a Konoha, e ele também a adorava, como uma irmãzinha mais nova.

— Toya-chan! — Ele a pegou no colo com um sorriso no rosto e continuou andando. — Por que não está em sua casa, dattebayo?

— Estava te esperando.

— Tudo bem, mas agora vou levá-la para sua okaasan33! — Naruto achou uma boa ideia, afinal gostava muito da mãe da criança, que se parecia bastante com sua própria. Uzumaki Amai era muito jovem para que Naruto conseguisse considera-la como mãe, só tinha três anos a mais que ele, mas preenchia muito bem o papel de irmã mais velha, e sua identificação com ela fora quase instantânea, provavelmente devido a sua semelhança com Kushina. O pai de Toya havia morrido durante a última guerra e agora Amai morava sozinha com a filha no clã Uzumaki. Seus pais haviam falecido há vinte anos e fora criada pelo avô, que também perdeu pouco antes do início da última guerra.

— Gomen kudasai? — A porta da casa estava aberta, então ele apenas parou na soleira aguardando a ordem para entrar. Tentou colocar Toya no chão, mas a criança agarrou-se a seu pescoço, então desistiu.

— Kocchi yo34! — Veio uma voz de um cômodo mais à frente que ele sabia ser a cozinha. Tirou os sapatos e entrou, ainda com a criança agarrada a ele. Ao chegar à cozinha, Amai estava de costas terminando de lavar um prato na pia, e ao avistar aqueles longos cabelos vermelhos tão parecidos com os de sua mãe, sentiu um aperto no peito, como da primeira vez que a vira. Talvez se fossem irmãs não se parecessem tanto. Ela se virou sorrindo. Seu rosto também tinha os traços muito parecidos com os de Kushina e a diferença mais marcante era uma pinta que ela tinha do lado esquerdo do queixo. — Naruto-kun! Não esperava sua visita hoje!

— Eu também não, mas... — Ele deu um sorriso caloroso e olhou sugestivamente para Toya

— Toya, quantas vezes já te disse para não ficar incomodando o Naruto-kun? — Ela repreendeu a filha, mas tinha um sorriso no rosto, pois sabia que Naruto não se importava. Quando brincava com Toya, ele parecia mais criança que ela. — Agora vá brincar em seu quarto.

Naruto colocou a menina no chão e ela saiu correndo pelo corredor. Amai foi em direção à sala e ele a seguiu. Sentaram-se no pequeno sofá e conversaram durante algum tempo, mas Amai percebeu que Naruto estava muito distraído e às vezes ficava com um sorriso bobo no rosto. Esperou que ele dissesse o motivo, mas como não parecia disposto a isso, resolveu perguntar:

— Sorede35, Naruto-kun, não vai me dizer por que está tão feliz?

Ele deu uma risada envergonhada antes de responder:

— Dá para notar, é?

— A quilômetros de distância... — Amai deu um sorriso. Gostava muito de Naruto e era bom vê-lo feliz assim.

Então ele contou o que havia acontecido no hospital. Falou durante algum tempo sobre Hinata, seu jeito, sua aparência e de várias lembranças antigas que a envolviam. Era bom conversar com Amai sobre esses assuntos.

— Quer dizer que meu otooto36 está apaixonado, sou da yo na37?

— Soo38... não tenho mais nenhuma dúvida. — Naruto recostou a cabeça no encosto do sofá e fechou os olhos, mas um pequeno sorriso ainda brincava em seus lábios. — Mas tem um pequeno problema.

— Que problema, Naruto-kun? Você me falou da timidez dessa garota, mas não parece ser a mesma Hyuuga Hinata que conheci... — Vendo que Naruto iria perguntar alguma coisa, ela logo completou: — Hai, eu a conheci logo que vim para Konoha há uns dois anos. Ela sempre foi extremamente gentil e quieta, mas foi mudando com o tempo, ficou mais confiante. Não acredito que ela age assim perto de você. — Deu uma risadinha divertida. — Pelo jeito, a reação que ela tem em sua presença não mudou nada!

— Hontou desu! Mas não sabia que ela tinha mudado tanto... — Naruto ficou pensativo. — O que eu faço para que ela fique mais à vontade comigo, Amai-chan?

— Que tal um tratamento de choque?

— Nani39? Como assim?

— Escute só a minha ideia! — E Amai passou a explicar seu plano. A princípio, Naruto ficou relutante, afinal achou que era um pouco demais para Hinata, mas quanto mais pensava no assunto, mais empolgado ficava. Ao final da explicação ainda estava um pouco receoso, mas tinha um grande sorriso nos lábios.

— Amai-chan, você é um gênio, mas nem quero saber de onde tira ideias tão... mirabolantes!

— Na verdade, foi daquele treinamento que você me contou que fez... — Amai correspondia o sorriso de Naruto com uma expressão diabólica.

— Aquele? Nunca pensaria em uma coisa assim...

— Eu sei que não. Talvez você precisasse ser mulher para pensar nisso. — Ela ficou um pouco corada quando disse isso, mas sua expressão não mudou.

— Doushite40?

— Ah, você sabe... Posso te considerar meu otooto, mas... você é muito lindo e gost...

— Amai-chan! — Naruto a interrompeu, mais vermelho que um tomate, enquanto ela ria de seu constrangimento. — Acho melhor eu ir agora. Oyasuminasai41!

Saiu quase correndo da casa de Amai ainda ouvindo sua gargalhada. Sabia que ela havia dito aquilo apenas para deixá-lo sem-graça, mas teve muito sucesso em seu intento. Seguiu em direção à sua casa ainda pensando no plano e deu mais um sorriso. Não via a hora de colocá-lo em prática. Estava quase abrindo a porta da frente quando ouviu vozes e pensou reconhecer a de Sasuke. Ficou curioso e resolveu investigar antes de entrar, por isso deu alguns passos em direção à janela e observou discretamente.

Sasuke estava sentado no sofá da sala com os braços apoiados no joelho e a cabeça entre as mãos. Karin sentava-se muito ereta a seu lado, com o corpo ligeiramente virado em direção a ele e uma expressão perdida no rosto.

Vendo aquela cena, Naruto ergueu as sobrancelhas, mas decidiu não interromper. Afastou-se da janela e com um pulo alcançou a varanda de seu quarto no andar superior. Estava com fome, mas foi tomar um banho demorado, pensando em comer mais tarde, quando Sasuke já houvesse se retirado.

Notas finais
Sumário
1 Shinobi ninja
2 Gomen desculpe
3 Takigakure Vila oculta da Cachoeira
4 Shimatta Droga!
5 Taka nome que Sasuke deu a seu grupo após matar Itachi e descobrir a verdade sobre ele. Significa falcão.
6 Minna pessoal
7 Itoko-san primo(a)
8 Douitashimashite de nada; não há de quê
9 Hontou desu é verdade
10 Ogenki desu ka como vai?
11 Ja ne tchau; te vejo depois
12 Chotto matte! espere aí; espere um pouco
13 Onee-chan maneira informal de chamar a irmã mais velha. Também usado entre primos
14 Soshite E então...
15 Urusai! cale a boca!
16 Iie não
17 Hebi nome do grupo que Sasuke formou após matar Orochimaru, mais tarde alterado para Taka. Significa cobra
18 Kami-sama Deus
19 Onegai por favor
20 Sumimasen sinto muito
21 Gomenasai me desculpe; perdão!
22 Gomen kudasai com licença; posso entrar?
23 Da yo ne não é?; não é assim?
24 Maa na acho que sim
25 Hataiate bandana com o símbolo da vila
26 Arigatou obrigado(a)
27 Baa-chan maneira informal de se referir à vovó
28 Daisuki desu eu te amo. Usado mais entre namorados, não significando um compromisso tão sério como casamento, por exemplo.
29 Daisuki da apenas uma forma diferente para Daisuki desu
30 Tashika ni é verdade...
31 Konbanwa boa noite
32 Nii-chan maneira carinhosa de chamar um amigo
33 Okaasan mãe
34 Kocchi yo aqui!
35 Sorede e então
36 Otooto irmão mais novo, irmãozinho
37 Sou da yo na é assim, não é?
38 Soo sim; é mesmo (afirmação informal)
39 Nani o que
40 Doushite por quê
41 Oyasuminasai boa noite (na despedida)