Liberdade num olhar
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Capitulo 13- Plano em acção
Mais uma vez, Lucas acordou com as galinhas. Mas desta vez estava determinado. Não ia desistir assim tão facilmente.
Quando saiu Elliot dormia profundamente, precisou sair devagar para não o acordar, não que isso o acordaria ou qualquer outra coisa.
A floresta estava viva com sempre.
Os pássaros, os esquilos, tudo sereno.
Mas ele hoje não estava para apreciar nada disso. Apenas queria encontrar Mirabelle. Queria tê-la em seus braços.
Assim que avistou o prado, o sue coração começou a bater ainda mais de força. Nem ele sabia que estava assim tão desesperado.
Mas para nada.
Mais uma vezes o prado estava vazio. Sem uma vida se quer.
Ele suspirou frustrado e encostou-se numa árvore.
Ele tinha que esperar por Cień. Ela era a única que sabia onde ela estava. O que ele poderia fazer?
Mas mesmo assim ele estava a espera de estar vez ele lá estar. Algo lhe dizia que ela estaria lá. Mas foi uma idiotice pensar nisso.
Virou-se para a árvore deixando a sua cabeça cair no tronco e com força dava-lhe pontapés.
Porque tudo tinha de ser assim?
Porque ele não podia ser também feliz?
– O que é que a árvore te fez? – Uma voz o interrompeu.
Ele deixou-se estar imóvel.
Ele conhecia aquela voz perfeitamente bem.
– Sabes, ela é a casa de muitos animais.
Ele olhou para cima na direcção da voz.
O seu coração parou de vez.
Mirabelle estava deitada num tronco a olhar para cima. O pé balançando da esquerda para a direita em perfeita sintonia.
– Isso não se faz. – Por fim olhou para ele – Também gostarias que te destruíssem a casa?
Ele não respondeu, não pode. Ela estava ainda mais bela do que dantes. Os seus olhos pareciam ainda mais intensos, o seu cabelo mais loiro. Era como se já não a visse á anos.
Como ele não respondeu, sentou-se, ficando com os dois pés a balançar.
– Procurando alguém? – A sua doce voz atingia-o preenchendo.
Mas ela estava a troçar dele. E isso foi a chave para o sorriso que nunca mais tinha dado.
– Sim. Uma rapariga. Conheces?
Ela encolheu os ombros, deixando aparecer a sua inocência.
– Conheço muitas raparigas. O que não faltam são raparigas.
Ele tinha de admitir, ela sabia jogar este jogo.
O seu sorrio queria aumentar, mas ele esforçou-se para parecer sério.
– Verdade. Mas ela é diferente.
– Diferente? – Uma sobrancelha ergue-se – Como assim? Ela tem cifres a nascerem-lhe ou um alguma cauda de macaco?
Ela estava a fazer isto MUITO difícil.
– Não. Apenas uma forma estranha de falar.
A boca dela caiu aberta. Lucas teve que morder o lábio para não rir.
–HÀ! Isso não é verdade – Protestou ela. Saltou do tronco e apontou um dedo na direcção dele – Eu NÃO, tenho uma maneira estranha de falar. Retira o que disseste.
– E se eu não quiser? – Desafiou Lucas cruzando os braços.
– Vais arrepender-te – Avisou.
– Á sim. E o que farias tu?
– Estás a desafiar-me? – Perguntou pondo as mãos na cintura.
Lucas teve de se enforcar para olhar para o rosto dela e não para o seu corpo.
– Estou.
Ela deu um passo para a frente
– Retira o que disseste.
– Não. – Disse recuando.
– Retira – Continuou andando até ele.
– Nunca – Ele recuava para trás, mas os passos dele eram mais pequenos que os dela.
Ele não queria afastar-se dela, apenas queria ver do que ela era capaz.
– Lucas retira o que disseste.- Eles estavam quase próximos.
– Jamais – Mas em vez de recuar avançou ficando colado a ela. – Terias de me obrigar para isso acontecer.
Eles estavam tão próximos que ele podia jurar ouvir o coração dela.
– Como queiras – Ela pareceu desistir. Virou-se e andou para longe dele.
– Uauh! Onde pensas que vais? – Ele correu para frente dela impedindo-a de sair dali.
– Pra casa. – Disse passando por ele.
– HÓ, mas não vais mesmo. – Lucas conseguiu por um braço ao redor da sua cintura e puxou-a conta o seu peito. – Tu nem penses que vais sair daqui.
A voz dele tinha saído rouca. Eles nunca estiveram tão próximos. Não assim.
– Não me podes prender aqui!- Avisou.
E por algum motivo a voz dele saiu trémula.
Lucas sorriu por ela também estar a sentir o mesmo que ele.
– Tens a certeza? – Perguntou encostando-se ao seu ouvido. Isso fez com que ele pudesse absorver o doce cheiro das flores silvestres.
– Absoluta. É crime.
Ela era esperta.
– Tens razão. Então o que tenho de fazer para tu ficares?
– Fazes qualquer coisa?
O coração dele começou a bater ainda mais.
– Qualquer coisa.
– Então retira o que disseste.
Lucas riu.
Virou-a de frente para si sem largar a sua cintura.
– És esperta demais.
Ela encolheu os ombros, um sorriso malandro iluminava-lhe a face.
– Tenho de ser. Tenho dois irmãos mais velhos e um mais novo, se não for esperta estou feita.
Lucas deitou a cabeça para trás sorrindo.
Esta miúda deixava-o louco.
– Então? Vais retirar agora ou amanhã?
Ele voltou a olhá-la.
– Muito bem. Eu retiro o que disse. Tu, definitivamente, não tens uma forma estranha de falar.
– Bom – Ela assentiu e tentou virar-se, mas Lucas voltou-a de novo.
– Mas…
– Mas o quê? – Perguntou perplexa.
– Mas, tu és diferente. Isso, eu não posso negar. Tu és tão diferente quanto eu sou um idiota. – Olhou nos olhos – Sou um completo idiota.
– Á és?
– Sou. Sou um idiota porque devia ter- me desculpado assim que tive hipótese, sou um idiota porque te deixei ir sem mais nem menos, sou um idiota principalmente por só agora estar a falar contigo. Mas tenta perceber, se fosse meu pai ou alguém que ele conhece ele não me iria deixar voltar a ver-te. E eu não podia deixar isso acontecer. Nunca.
– Eu já entendi. Não tens que te desculpar.
– Tenho. – Ele encostou a testa á dela e fechou os olhos — Tenho, porque se eu te tivesse dito tudo naquele momento não teria ficado uma semana sem te ver.
– Isso não é verdade.
Ele abriu os olhos.
– Não? Se eu tivesse-te explicado o que acontecera tu terias ficado uma semana longe? – Perguntou.
Mirabelle baixou o olhar.
– Aconteceram muitas coisas depois daquele dia. Não foi só por ti. Eu apenas não queria sair de casa e…
– E?
Ele viu que ela hesitou.
– Nada. Esquece.
Ela afastou-se dele e dirigiu-se para o prado.
– O que aconteceu Mirabelle? Diz-me. Por favor. – Pediu Lucas andando ao lado dela.
– Não foi nada de mais. Como eu disse, a aldeia está uma confusão por causa do Księżyc z pożegnanie.
– O quê?
– O festival da lua. – Respondeu sorrindo.
– E o que é?
– É um festival. Comemoramos a lua e a sua magia. Durante o dia á actividades e imensa comida e á meia noite junta-mo-nos ao pé de uma fogueira para ver a lua no maior ponto da noite.
– Quando é?
– Amanhã.
– Porqué?
– Porque é o dia em que a lua é maior. A maior face da lua será precisamnete á meia noite desse dia. É incrível.
– Não é a primeira vez que a vês?
– A primeira vez que a vi tinha 5 anos. Foi há muito tempo.
Lucas pensou durante um tempo. Quando Mirabelle se assentou é que falou.
– Posso ir?
Ela olhou para ele assustada.
– Estás a gozar não é?
– Não. Estou a falar a sério – Disse sentando-se á sua frente.
– Lucas, se eles souberem que vez da civilização... eu nao sei o que vai acontecer. – A voz dela era um sussurro.
– Era assim tão mau.
– EU não sei. Sempre que um de nós faz um pergunta sobre vocês, eles ficam nervosos e dizem que nunca devemos conviver convosco. Eles dizem que...
Lucas ergueu-lhe o olhar.
– O quê? O que eles dizem?
Ela suspirou cansada.
– Eles dizem que vocês sois perigosos.
Lucas não estava a acreditar.
– Perigosos? Perigosos porquê?
– Não faço ideia – Respondeu balançando a cabeça.
Como eles poderiam dizer que eram perigosos?
Eles matem-se afastados da civilização, não sabem nada.
– Como é que eles podem dizer isso? – Lucas levantou-se furioso.
Nem todos eram como o seu pai.
Haviam pessoas que não faziam mal a uma mosca.
– Isso é tão injusto – Resmungou. – Achas o mesmo que eles? – Perguntou virando-se para ela.
– Achas mesmo que se achasse estava a falar contigo?
– Bem visto – Disse voltando-se a sentar. – Mirabelle?
– Sim.
– Se eles soubessem que falas comigo, o que te aconteceria?
Ele apenas se tinha lembrado disso agora.
Se a família dela soubesse, o que lhe aconteceria?
– Não sei. – O pensamento dela estava longe – Nunca ninguém fez isso. Provavelmente era considerado um zdrajca. Não faço ideia.
Lucas sabia que ela tinha medo disso.
O olhar dela estava tão longe.
Se eles soubessem era um grande risco, mas ele queria estar com ela.
– Posso fingir ser outra pessoa – Arriscou.
– É muito arriscado. Tu nem sabes falar polaco. – Avisou
– Sei algumas palavras. E vocês estão sempre a falar em polaco?
– Não, mas…
– Então vez. – Deitou-se para trás interrompendo-a – Podemos fingir e enganá-los por uma noite.
– Queres correr esse risco? É porque é um grande risco. – Avisou Mirabelle.
Lucas olhou-a.
Era um grande risco, é verdade. Mas também, ela valia a pena.
– Eu sei.
Mirabelle suspirou derrotada.
– Muito bem. Temos de arranjar uma história.
– Hmm, podemos dizer que sou teu primo – Tentou.
– Não ia resultar. Esqueceste-te dos meus pais? Ainda mais eu vou andar com os meus irmãos. – Explicou deitando-se no chão.
– Então se dissermos que me perdi?
– Podia resultar. Fugiste com o teu pai para cá, e no meio da viagem ele morreu, deixando-te a ti.
– E eu encontrei-te e levaste-me para lá.
– É capaz de resultar – Disse Mirabelle encolhendo os ombros.
– Então posso ir? – Perguntou sentando-se.
– Tudo bem. Mas temos de te arranjar outra roupa. – Disse olhando para ele.
– Porquê? Estou bem vestido. – Disse olhando-se.
– Sim, bem de mais até. Por isso é que temos de te arranjar outras roupas.
– Tenho de andar roto? – Disse fazendo cara de desagrado.
– Tens. Pelo menos até chegarmos á aldeia. Depois posso arranjar-te roupas.
Lucas suspirou cansado.
– Muito bem. Alinho.
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