Liberdade num olhar
11 Capitulo 11
Capitulo 11- Visita
– Lucas! – Chamou o General assim que ele entrou pela porta da frente.
– O que foi?
Ele estava esgotado.
Depois de ter vindo do prado, encontrou o Sargento que o fez correr 8 voltas á volta do perímetro. Desta vez não se importou. Estava a tentar tirar o aperto que de repente o tinha atingido no peito e precisava de ar para isso. Mirabelle voltou a não aparecer hoje. Assim como não apareceu a semana toda. E isso deixou-o com raiva. Mas raiva dele, tinha sido ele que estragou tudo.
– Posso falar contigo um minuto?
Lucas resmungou e entrou no escritório.
Era a primeira vez que ele entrara neste escritório, mas não era nada de anormal. Era praticamente igual ao de casa.
– O que foi que fiz desta vez? – Perguntou desabando na poltrona.
– Desta vez nada. Estás indo bem – Disse-lhe o General sentando-se á sua frente. – Parabéns.
Ele tinha ouvido mal? O General acabara de o felicitar?
– Estás a gozar certo?
– Claro que não, meu filho. O Sargento falou comigo ainda á pouco e contou-me que hoje mal conseguiu apanhar-te. E tens saído para a floresta treinar estes dias, o que me deixa orgulhoso.
– Ainda bem – Sussurrou.
Lucas sentia-se tudo menos bem.
Porque ele haveria se se sentir orgulhoso.
A única miúda com que se interessou na vida, ele a tinha afastado.
O seu pai apenas estava feliz por ele não seguir os seus sonhos.
E ele?
Ele sentia-se uma porcaria.
Mirabelle tinha razão, ele devia seguir os sonhos dele, mas que interessava isso sem ela.
– Eu falei com a tua mãe e ela convenceu-me de que merecias um descanso.
– Á sim? – Perguntou sem entusiasmo.
– Sim. Pensamos em convidar uma pessoa para vir passar uns dias connosco.
– Mais um sargento horripilante – Resmungou.
– Não necessariamente.
– Espere. A não ser que ele me ache horripilante – Ele conhecia esta voz – Mas claro, eu nunca fui feito para sargento. Prefiro uma boa tarde no meu sofá.
Lucas virou-se.
– Então priminho. Saudades?
Lucas levantou-se e abraçou Elliot.
– Mas que diabos…
– Achavas que te ias livrar de mim tão facilmente?
– Nunca na vida.
Abraçou-o mais uma vez.
– Luc? Sem ofensa cara, mas cheiras pior do que o meu caixote do lixo. – Disse afastando-se.
– Vida dura meu caro.
– Sim. Já conheci o teu novo amigo. Aquela cara assusta-me bastante.
– Ainda não és tu que treinas com ele.
– Mas isso pode mudar – Interrompeu o general. – Elliot se quiseres, podes fazer os treinos com Lucas.
– Não era suposto ser um descanso? – Perguntou Lucas.
– Sim. Mas se quiséreis posso avisar o Sargento para ficar. – Ofereceu.
– Obrigado tio. Mas eu vim para dar um sova no Luc, não para ser esmurrado.
O General sorriu.
– Como quiséreis. Agora ide lá.
Lucas e Elliot saíram directos para o seu quarto.
– Então? Como estás tudo aqui no país das maravilhas? – Perguntou Elliot desabando na cama.
– Não tem sido assim tão mau.
Lucas tomara um duche rápido.
– Estás a gozar certo? Estavas a suar como um porco e achas que eu vou acreditar que te estás a divertir? – Perguntou sentando-se na cama.
Lucas ficou a olha para ele com a t-shirt na mão. Vestiu-a rapidamente e sentou-se em frente a ele.
– Se te contar uma coisa prometes-te não dizer a ninguém?
– És meu primo. Meu melhor amigo. Nunca te faria isso. As nossas conversas são apenas isso. Nossas.
– Promete.
– Prometo cara. Agora manda. O que é assim tão secreto para me fazeres prometer?
– Eu conheci uma rapariga. – Disse quase sussurrando.
– Uma rapariga? Aqui? No meio do nada? – Lucas sabia que ela não estava a acreditar. – É alguma empregada? É porque são as únicas pessoas aqui, para além da tua mãe.
– Não é empregada nenhuma.
– Então tu estás louco. Luc, mano, vocês são as únicas vidas aqui. Eu pesquisei antes de vir.
Lucas suspirou.
– Eu também pensava assim. Mas no segundo dia que estive cá, foi até á floresta. Acontece que mandei a bola e perdia. Depois ela voltou a aparecer. Pensava que era o meu pai, então fugi pra casa.
– Podia ter sido um dos empregados, ou o sargento.
– Não – Disse abanado a cabeça violentamente – Os empregados não podem sair da casa e o sargento teria ido contar logo ao meu pai.
– Isso não quer dizer que seja uma rapariga – Voltou a interromper.
– Importaste-te de me deixar acabar?
– Desculpa. Continua.
– Bom. Voltei lá no dia seguinte e mandei a bola outra vez para o mesmo sítio. E ela voltou. Decidi ver quem era. Quando cheguei a um prado é que a vi.
Elliot ficou de boca aberta.
– Uma rapariga? O que ela estava a fazer ali sozinha?
– Ela vive lá.
– Na floresta? – Perguntou confuso.
– Sim. Eles têm uma espécie de aldeia.
Lucas não ia contar mais do que isso. Confiava no seu primo, mas não punhas as mãos no fogo por ele.
– Uma aldeia e uma miúda. – Ele ficou em silêncio um tempo – Vais me apresenta-la não é?
Lucas não gostou dessa ideia.
Ele conhecia seu primo e sabia o mulherengo que ele era, mesmo que elas não lhe ligassem nenhuma, não queria que ele se atirasse a Mirabelle.
Ela era dele e de mais ninguém. Mesmo que ela não quisesse falar com ele.
– Não posso. Ela não fala comigo. Foi um idiota e estraguei todo. – Disse frustrado.
– Uau! – Foi a única coisa eu Elliot disse.
– O que foi?
– Essa miúda deu-te mesmo a volta.
– O que queres dizer?
– Nunca te interessas-te por ninguém. Agora estás mais ralado por ela não te ligar, do que quando perdemos um jogo. Porquê?
Porquê?
Por causa dos olhos dela, os olhos que brilhavam tanto quando ria.
Por causa do sue sorriso que a fazia parecer tão linda e tão frágil.
Pelo seu grande coração que o aceitou.
Pelas palavras que lhe dissera.
Por fazer com que ele visse a liberdade apenas no seu olhar.
Por causa de como ela é, mas ao mesmo tempo …Porquê?
– Eu não sei. – Suspirou.
– Gostas dela?
Olhou para o primo para ver se ele estava a gozar, mas em vez disso o rosto de Elliot estava sério.
– Gosto.
Elliot abanou a cabeça concordando.
– Ama-la?
– Amo. – Lucas sorriu ao aperceber de como esta palavra era verdade.
Ele amava-a. Muito.
– Então é simples – Avisou Elliot deitando-se com os braços cruzados atras da cabeça – Seja a porcaria que fizeste, resolve-a.
– Como? Ela não fala comigo.
– Tenta. Nunca te via assim Luc. Nunca. Se amas essa miúda luta por ela caraças. Tens medo de quê?
– Elliot, tu não entendes. Se meu pai descobre…
– Agora estás com medo do que ele vai pensar? A vida é tua Luc. Eu gostava de ter atua coragem, mas não tenho. Sempre foste o mais corajoso de nós, e agora vias desistir? Se essa miúda é assim tão importante para ti, porque não lutas por ela? Será que não vale a pena?
As palavras de Elliot acertaram-no em cheio.
Mirabelle valia a pena?
Claro que valia caneco!
Era a primeira miúda que amava e não ia desistir assim.
Se ela não estivesse lá amanhã, iria á procura dela, nem que para isso tivesse que ir até á sua aldeia.
Fale com o autor