Liberdade Negra

1 C. 01 - Conhecimento


Nana gostava do Vagn.

Ela era uma jovem de cabelo negro e crespo, normalmente o usava com traças de raiz ou solto. Sua pele, negra, era bem escura e sempre parecia brilhar sob a luz. Seus olhos, castanhos médio, eram grandes e chamativos, quase fazendo todos ignorarem os inúmeros brincos em suas orelhas e sua mania de se vestir com roupas largas masculinas.

"Roupa não tem gênero" — ela sempre dizia e algumas de suas amigas concordavam.

Vang era um jovem de pele morena e cabelo negro. Ele tinha um sorriso sarcástico em seu rosto e olhos castanhos quase verdes que pareciam feitos para trapaça.

Ele tinha covinha e usava um alargador na orelha direita, além de já ter tido um piercing na língua que fora substituído por um acessório em seu nariz.

A jaqueta preta com forro de tecido e capuz vermelho-sangue-ressecado eram sua marca registrada, mas ele sempre se fazia de notar de qualquer maneira, com seu jeito expansivo e personalidade de quem sempre tem algo a esconder.

— Ainda me nego a acreditar — ele disse com as mãos no bolso da jaqueta, sorrindo sem realmente estar sorrindo.

— Porque você é um idiota teimoso — ela disse dando de ombros. — Um jegue — e olhou por cima do ombro, procurando algo.

— Você que é um ser de pouca fé, Nana — ele disse de forma quase zombeteira. — Como alguém que... ta, o que foi? Você está olhando por cima do ombro a cada 20 segundos e eu não to vendo nenhum saradão ali atrás pra ganhar essa atenção toda.

Nana o olhou feio, dando um pequeno soco no braço do rapaz que fingiu uma dor maior do que a recebida.

— Possivelmente é nada, mas... cara, não ri... sério, Vagn, para de rir.

Era impossível ele parar de rir naquele momento.

— Ok, ok, falou — ele disse em meio a seus risos. — O que foi?

Nana o olhou feio mais uma vez naquele dia, virando o rosto enquanto afundava suas mãos nos bolsos de seu moletom.

— Sei lá, cara, só to sentindo como se estivéssemos sendo observados.

Ele riu.

— Oh, claro, minha delicia — ele disse sem se preocupar em esconder sua zombação.

— Argh — ela bufou. — Eu sabia que você não ia levar a sério, mas realmente tem a droga de um cara de camisa social e óculos nos seguindo desde a escola.

— Um loirinho?

Nana o olhou surpresa.

— Você o viu?

Foi a vez dele bufar.

—Essa merda tá me seguindo a semana toda, acredita? — Ele sorriu. — Acho que sou tão irresistível que ganhei um stalker.

Nana revirou os olhos.

— Isso é sério, Vang.

Ele deu de ombros.

— O que você que que eu faça? Ir lá e falar com o cara? Correr pra um ponto de inspeção e da a louca só pra eles me mandarem pra casa com um lindo de um sedativo? Por mais que eu adore ficar "alto", os sedativos deles são um porre.

— Eles fazem isso de proposito — ela quase murmurou. — Sei lá, cara, a gente pode juntar a turma pra dar um susto nele. Só o Sol por si só já ia dar um chega pra lá nele.

Vang riu.

— Se chamarmos o sol, eu que sairei com um olho roxo.

— Ah... — Nana disse se lembrando. — Você nunca o pagou.

— Claro que não — ele riu.

— "Claro que não?", se eu me lembro bem, você... desculpe-me — Nana disse imediatamente após sentir o impacto contra o corpo de outra pessoa. — EU não estava olhando e... PORRA.

Eram Guardas Violetas.

— Porra mesmo — Vang disse.

Cinco Guardas Violetas bem na frente deles.

Cinco Guardas Violetas bem armados na frente deles.

— Vocês irão vim com a gente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.