Notas iniciais
Feita especialmente para o meu primo Henrique.

Nesse momento, está de noite, com a lua cheia brilhando, e muitas estrelas. Enquanto isto, um elemento da natureza está fazendo com que as árvores, flores, grama, e tudo, sejam "levados" para a esquerda, a posição onde está indo. Numa rede amarela e estampada, é possível ouvir a voz meio infantil, fino, e doce, de uma adolescente como qualquer outra, deitada acochegantemente na frente de sua casa.

– Finalmente um vento refrescante, graças a tudo! Mas... Será que... Essa é uma das sensações... De voar...?

Curiosa, ela tem os seus curtos e castanhos escuros cabelos pouco bagunçados, franja repicada e reta nas sobrancelhas, olhos brilhantes e grandes, cujo a cor é uma mistura marrom com um tom verde escuro, e dentes amarelados bem claros, que tem um pequeno aparelho fixo.

A menina está usando um pijama branco que está acima dos seus joelhos, com mangas pequenas, quatro botõezinhos na frente dos seios medianos, tendo os dois primeiros soltos, e detalhes de "frufruzinhos" cor de rosa debaixo da roupa.

Também usa tamancos muito vermelhos, duras e pouco desconfortáveis, feita em várias "linhas" e suporte quadrado e médio atrás, e alguma espécie de "colar-laço de sapato", sem deixar de falar das artificiais e minúsculas rosas, estando duas ao lado dos mindinhos, seis nas duas ligações do pé com perna, três para cada, e uma no cordão do pescoço.

Particulamente, ela só está vestida com aquele vestuário, porque lembra de uma menina aleatória de anime. De repente, Belle, seu nome, arregalha suas órbitas observando a algo, se levanta do "trono ao ar livre" com calma, e vai verificar a única roseira existente do quintal. A plantinha é bem pobre, tanto que há somente uma única "vida", bem escura, e brilhante de magia dourada, o motivo da grande surpresa.

– Mas... Que tipo de fenômeno é esse??? — Sua cabeça ficou extremamente confusa. Aquilo era impossível na sua realidade, somente existia na ficção, nos filmes, na literatura, na imaginação, enfim.

A garota decidiu tocar em uma pétala, para saber se acontece algo, e nem se arriscar, porém seu susto foi maior, pois a "coisa anormal" entra rapidamente em seu dedo indicador direito, e some.

– ... .... ... Ah não... — Suspira profundamente e com tremores, e seu coração bate forte em medo. Nunca sabe o que pode acontecer em seguida — Vou entrar no banheiro, e tentar fazer o máximo que puder. Por favor, que não seja nada grave... — Ela está realmente preocupada consigo mesma.

Assim fez: Correu, e entrou na porta de madeira mais próxima e na do banheiro laranja e branco, desesperadamente rápida. Trancou-se dentro, para sua segurança de privacidade. A primeira ação feita é se olhar no espelho, com intenção de verificar se houve alteração. Nem acreditou no que viu: Suas íris se tornaram vermelhas.

– Como, **ralho!?!? — Falou alto.

– Olha o palavrão, Belle! — Sua mãe chamou a atenção lá fora, enquanto levava roupas recém limpas ao outro lado.

– Tá, me desculpe... — Se sentiu perturbada, triste, séria, brava de instinto, e culpada. Embora não goste disso, sabe que é o certo, ainda mais vindo de sua real e única amiga mulher. Tampouco foi só isto, já que, do nada, sente uma enorme coceira nas suas brancas costas.

– Que droga... — Foi coçando, coçando, e coçando, e este não parava — Vai logo, ***da... — O processo é repetido umas quinze vezes, e o incômodo ainda insiste. Chegou ao ponto de ela ter que retirar o "vestido" e continuar. Passou-se quarenta minutos, e o relógio da cozinha marcava 12:18 da noite.

– Ai! Para, coceira da ****a! — Reclamava o mais baixo possível, porque todos estavam dormindo agora.

Chegou a maldita dor.

– P*** que pariu... — Gemeu, também baixo, e longo, e tremendo, se rendendo de joelhos, soltando muitas lágrimas. Algo penoso foi saindo e rasgando o local cujo incomodava sem parar — Ahhhhhh...! O que eu fiz para... ***ta! — Dessa vez, não aguentou e vai gritando, mas sem ninguém ouvir direito. O piso foi se enchendo de sangue, e sua pele atingida vai se soltando em grandes pedaços. Isto durou meia hora, quando finalmente parou com o terrível acontecimento.

– Po***, cass***... Deveria agradecer a tudo, por não ter morrido... — Se alivia até demais, e observa o deixado — Eita nós! — Quase capota, mas consegue se segurar na pia retangular — Que ***da que eu fiz?! — Quando ia sair do local onde estava, apenas para pegar objetos necessários para a limpeza, viu o seu reflexo na porta marrom claro. Esteve parada, inacreditada e fixa como uma estátua, e os tremores do seu músculo nobre foram se aprofundando cada vez mais: Ela tem ganhado um par de asas. Brancas como a neve e urso polar, pequenas como duas adagas finas e com curvas, e leves como papel.

– Nossa... — Ficou admirada e cheia de sensações novas, algo que nunca sentiu antes, mesmo com os treze anos de idade, estando perto dos quatorze — Ganhei... A real liberdade...? É isso...!? — Veio alguns de seus sonhos no seu cérebro rosado. Um deles é viajar para a Europa, por exemplo. Aquilo se transformou em meta, e o melhor: Não precisa pagar os passaportes. Contudo, pensou nas consequências também, cujo é extremo esforço, treinamento de vôo, e vários outros, incluindo a descoberta de seu "transporte", pela sua família.

– Hum... O que faço... O que faço... Ah, esquece... — Ela lembrou do seu pijama — Putz... Vou precisar furá-la mesmo...? — A tristeza momentânea a dominou, porém decidiu tornar a sua roupa favorita como "A roupa oficial de anjo". Então, colocou-a com dificuldade, e automaticamente conseguiu fazer dois buracos, perfeitos para movimentar os "braços extras" — Agora irei limpar esse chão cruz-credo, e depois vou testar as minhas asinhas lá fora... — Sussurrou, destrancou e saiu do banheiro, saiu da casa, pegou uma pá verde escuro e pano cinza e velho, entrou na casa de novo, deixou a porta do lugar "sujo", limpou gota por gota, recolheu a sua própria carne, vai para a cozinha, coloca o recolhido numa sacola de mercado, fecha com delicadeza e firmeza, deixando bem fechado, foi a lixeira do quintal, joga lá, foi ao tanque, lavou a pá direitinho, coloca isto no mesmo lugar, e acabou.

Ela se encosta na máquina de lavar roupa, respirando na boca e em uma velocidade incrível e boa, descansando seu frágil corpo magro e normal. No período que estava "trabalhando", Belle teve que sair "de lado", sem prejudicar ou machucar, assim, as suas asas.

Nada aconteceu por algum tempo. Quando se descansou, e viu, de longe, o relógio digital da cozinha, era 1:13. Se assustou com o "atraso".

– "O momento de teste, é agora!" — Ela pensou.

Se posicionou no centro do gramado do quintal. A hora de fazer isto é exato, pois as ruas estão completamente vazias. Algo muito raro, mas está mesmo.

Primeiro, a menina tenta conhecer o como irá fazer as "suas penas" se movimentarem. Nas primeiras tentativas, claro que não conseguiu. Tentou outras vezes, e foi por pouco. Na última tentativa, quando estava quase desistindo, porém ainda persiste, o "transporte" começou a se manifestar. Pulou de total alegria, "tampando" até seu nariz com suas mãos, querendo dar 'gritinhos', mas nem pode.

– Vei, não acredito... Não acredito... — Disse bem baixinho. A animação e esperança são grandes.

Segundo, ela precisa aprender a voar perfeitamente. Nas vezes erradas, foi caindo leve, foi caindo feio, foi caindo quase fatal, se ferindo nos joelhos, pernas, braços, mãos, abdômen, seios... Até chegar o momento de ter os seus pés do tamanho 36, suas nádegas, e todo seu corpo, fora do chão e livres, juntos. Foi uma experiência de sentimentos puros, cujo não é qualquer ser humano que pode fazer.

– Aeeeeeeeeeeeew! Finalmente! — Falou vitoriosa, transmitindo seu sorriso aberto ao máximo, e levantando seus dois braços, e mãos fechadas. Ficou testando habilidades: Uma volta, duas voltas, três voltas, pra frente, pra trás, pro lado, pro outro, pra lateral, em frente, virou, virou, pare, vire-se, volta...

Desistiu devido ao cansaço e sono, e desceu, voltando a andar.

– Ninguém jamais poderá me ver nesse estado. Vou pegar o meu celular para colocar no despertador bem cedo, e um cobertor, para cobrir o "anormal". Irei dormir na rede mesmo...

Entrou na sua residência e pegou os materiais citados, tendo que ir ao seu 'quarto-canto'. Apagou quase todas as luzes, tanto interno como externo, fechou todas as portas, ficou fora da casa, foi a sua "cama", ficou de bruço, se cobriu confortavelmente, colocou o seu aparelho eletrônico dentro da rede, encolheu as asas, e, olhando para sua gata de estimação, Mandy, acabou fechando seus olhos, dormindo igual bebê, embora tenha ansiedade. Sem mais.

***

This world keeps pushing down upon me

And I keep, hoping for a sweet dream

There's something left for me to see

There's something left for me to be

We can't ponder on this, world forever

You know we can save it, if together

Growing day by day to make it

But my time's been wasted...

A música vai tocando no alto falante. Belle vai acordando pouco a pouco, tão sonolenta que foi procurando o seu celular, até achá-lo, e apertar numa tecla, parando a melodia rockeira. Se despreguiçou, estralando seus dedos, costelas, e pescoço. Após isto, observou o visor, e viu que é a hora desejada: 6:18 da manhã.

– É agora, ou nunca! — Ela está extremamente confiante. Aliás, está a prestes a sentir o vento em seu rosto e cabelos, enquanto voa de forma extraordinária! — Com certeza, irei para a floresta, na minha frente. Só preciso tomar cuidado com as linhas elétricas... — A futura ação é excelente e prazerosa, mas também muito perigosa. Nem importa tanto, na cabeça da louca adolescente.

Portanto, acaba ficando em pé no tecido macio, e consegue inacreditavelmente ter apoio, e balançar suas pequenas e várias penas brancas majestosamente, indo em direção ao seu destino, desviando dos perigos, observando o verde, os sons das aves maravilhosas, as águas escorrendo, sentindo o gelo do vento das sombras... Tudo muito rápido! As pessoas cujo viram aquela cena ficaram encantadas, assistindo aquilo em curto prazo: É simplesmente incrível. A perda, na opinião delas, é de não ter uma câmera para gravar. Uma ou duas desmaiaram, por causa "do anjo".

A garota chegou ao topo de uma montanha, como previsou. Quase chorou de emoção, porém nem fez isto, já que não é tão sensível. Todos os seus sentidos e sentimentos são despertados e escorridos pelo seu interior. Como foi? Indescritível de se falar.

Ela quer voar ao outro lugar, e escolheu o centro da cidade. O problema? Muita gente vai ver o seu poder, e a menina decidiu, refletindo o caso:

– Que se **da! Ninguém sabe quem eu sou! — Pensou um pouco mais — Tá, para prevenir, vou fazer uma máscara... — Voou e pegou uma corda perdida e uma folha grande. Fez os furos dos olhos e do nariz, e assim que concluiu seu trabalho, colocou na sua face — Perfeito. Let's GO! — Fez com que várias coisas naturais se adejassem. As asas foram velozes.

Belle ficou acima das nuvens, verificando a sensação gelada. É algo muito bom. Testou as suas capacidades de se manter. Obteve o objetivo, com demasiado sucesso.

Permaneceu desta maneira. Olhou para baixo. Viu prédios de variadas formas e cores. Soube que chegou finalmente. Desceu o mínimo, com intenção de enxergar melhor. Todavia, um fato desviou seu humor e direção, visto que, numa torre sobejo, do tipo vinte andares, havia um pinguim, e um homem do qual tem uma arma. Este sujeito atira no pobre animal, e ainda foge.

Ela ficou assustada, como igualmente ficou revoltada com a situação. Em seguida, pensou no que um bicho polar estaria fazendo no Brasil, um país quente pra burro. Jamais pensou duas vezes, e, em imediato, foi socorrer a pobre vítima.

– "Meu pai! Por que o retardado fez aquilo!? Por quê!?!?" — Cismou desesperadamente, segurando o corpo sensível e delicado da ave diferente no seu colo. Recordou que escondeu o seu rosto, mas não sua roupa — "Que ***da, vei! Como esqueci disso!?!?!? Melhor cair fora!" — Esvoaçou "em explosão". Claramente, os seres "inferiores" estão vendo tudo aquilo, de boca aberta.

– É um anjo! É um anjo! Está salvando uma alma, graças a Deus! — Comemorou uma senhora, de uns sessenta anos.

– Calma, vovó! Sei que é um 'show', mas... — Uma jovem adulta tenta controlá-la.

– Incrível, 'rapá'! — Exclamou um "mano" de boné negro, encostado na lixeira.

– Mamãe, olha aquilo! — A criança menina avisa, apontando explicitamente.

– Estou vendo, minha filha. Muito bonito... — Disse uma mulher, lagrimejando de felicidade.

– Po**a, ****lho! Vamos gravar isto, vei! — Um estudante de faculdade pega um gravador profissional, e começa a 'guardar' um pouco daquilo, estando acompanhado de três amigos.

– Nossa! — Cinco garotas falam em coro, espantadas.

– Que dahora, né? — Comenta uma adolescente "velha" de cabelos pretos, para a outra.

– Com certeza! — Sorriu a ruiva — Perdeu aquela aposta!

– Vai tomar no **, vai! — As duas riram com a "piada" besta.

Voltando ao principal, a de olhos vermelhos voltou a aquele local, sem demorar muito. Assim que viu um laguinho na floresta imensa, e desceu, correu muito, se ajoelhou, e colocou o ferido na frente dela. Ela fez de tudo para curá-lo: Tirou cinco penas de sua asa esquerda, molhou-as na água, passou pelo machucado do pinguim, catou uma folha, pressionou para parar o sangramento... Inclusive achou que, retirando a bala, resolveria o problema ainda mais. Fez isto com suas próprias mãos.

Infelizmente, a de cabelos castanhos se iludiu, porque foi isto que fez o 'pássaro' dar seus últimos barulhinhos e movimentações, morrendo ali mesmo, agora tendo os seus olhinhos sem brilhos.

"A anjo", sabendo de sua culpa, tornou a se preocupar, pressionando seus lábios de desgosto, tampando seu rosto, tendo suas costas tortas, se encolhendo, chorando por tudo isso. Não pôde salvar o inocente, infelizmente.

O povinho das notícias, escondidos atrás das árvores, fizeram um minuto de silêncio, tristes, em homenagem ao animal, e à heroína que teve a habilidade de resgatar o ser vivo fantasticamente.

Do nada, os músculos do morto foram relaxados, e foi liberado um ovo, grande e melequento, no orifício. Sim, o bicho era fêmea. A menina olha, estando, nesse momento, mais curiosa, que triste.

– Poxa vida... — Ela suspira ainda preocupada, abraçando o futuro filhote, campeão de sobrevivência. Os outros ficaram bem surpresos. Porém, aquela vida precisa urgentemente de um abrigo. O "líder" da equipe ousou se aproximar.

– Lamento por esta grande perda, Senhorita. Se eu não estiver te ofendendo, poderei abrigar este filhote, com a ajuda da equipe da Globo, num Zoológico de São Paulo. Lá, ele estará muito mais seguro.

– Ora, mas é claro que não está! Além disso, eu preciso disso... — Belle esclareceu — Mas... Só prometam-me que nem irão gravar uma reportagem a respeito de minhas asas. O mundo todo não pode saber disso!

– Por que não? — O repórter queria saber.

– Porque sou uma menina normal e dependente de meus pais, de treze anos, que de repente obteve as asas, e foi testá-las para ter a liberdade de voar a Europa. — Explicou resumidamente, séria.

– Europa é muito longe, não acha? Mas não importa. Nem é todo dia que vemos um anjo de olhos vermelhos como você, uma pena... Mesmo assim, iremos cumprir a sua promessa. — O homem de terno disse normal. No fundo, queria fazer a gravação, só que escuta, e é honesto nas palavras.

– Muito obrigada, senhor. — Ela demonstrou felicidade e satisfação.

– Por nada, querida. — Nobremente sorriu. Depois, se virou aos outros — Josh, ligue para o Zoológico, por favor! Vamos esperar aqui. — Ele ordenou. Se vira para a menina pela última vez — Poderá ir.

– Certo, obrigada mais uma vez! — Voou levemente, indo à sua moradia, se cobrindo totalmente, e se sentando no "telhado".

Passou-se duas horas, e o sortudo ovo foi levado de ônibus. Nesse período, Belle imaginou várias soluções para continuar a viver voando, tendo somente parentes confiáveis sabendo de seu "segredo". Já pensou em uma solução: Ia ficar coberta temporariamente. Quem sabe no futuro, poderá se relevar de vez?

A adolescente, enrolada no seu cobertor, embora sentindo calor, apenas observava. Esteve triste pelo fato ocorrido, brava por dentro, com vontade de fazer o mesmo com aquele assassino, e esperançosa com a vida boa do filhote da corajosa mãe, cujo 'se muda' ao lugar tão infernal como aqui.

– É... Desejo uma grande sorte a ele... — Ela disse isto, verdadeiramente. Por isto, apareceu um coraçãozinho voador cujo saiu no seu peito, e foi até as mãos dela, o que a assustou no começo, mas se acostumou logo após. Depois, o "pequeno" voou ao outro local, provavelmente longe. O negócio ficou mais claro quando foi refletivo demoradamente: Aquilo representa o amor. Uma parte do coração de Belle está indo ao coração do que vai receber o desejado. Isto quer dizer que o pedido dela vai se tornar real ao outro.

Dessa forma, ela nem precisará ficar pensando todo o santo dia sobre ações negativas. Este motivo a levou a se sentir alegre e livre.

***

O pai loiro e 'barrigudo' dela tem acabado de acordar. Foi pegar e abrir uma caixa de leite. Pegou um copo, encheu por completo, e bebeu "deselegantemente". Enquanto isto, a hora verde do microondas está bem marcada e chamativa: Agora, é exata e eterna 9:00 da manhã, de acordo com a notícia de breves entrevistas se passando na televisão da sala.

Notas finais
Nome da música tocada: Wake Me Up - Crown the Empire

A Belle sou eu, a autora. Meu nome verdadeiro é Isabelle.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!