Liberdade
1 Capítulo
Liberta-me dos uivos nocivos do mundo. O cárcere oculta-nos o real, dizima-nos os sonhos.
Sentado em nuvens corre o fogo d'alma que não acalma. Dizem-me os ventos que o amor, ah o amor...
O amor imaculado, dissimulado, nocauteado e então corrupto, corrompido.
Asas sólidas, tenras, libertas, abrem e fecham e cospem e quebram e caem.
Peregrinos observam as estrelas pálidas, cálidas, mágicas. Descansam na Lua como filhas e filhos da Terra, brilham e somem, vivem e morrem.
Livre sou, sou? Livre.
Pegadas arrastadas pela areia perdem-se na imensidão. Céu e mar se abraçam, e eu, como o pedaço torto do desenho, me encaixo.
Pétalas flutuam pelo gás, vida e veneno. Lágrimas saem do terreno dos claros olhos que sofrem.
Vai-se o todo. Resta o nada.
Liberdade?
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