LiEd
1 O justiceiro do pássaro negro.
Notas iniciais
Hoje eu acordei bem cedo, antes mesmo do sol nascer. Atravessei os corredores do castelo silenciosamente. Precisava ser rápida, caso o contrário os criados que andavam pegando no meu pé pelas minhas perambulações noturnas poderiam me encontrar e estragar tudo.
Estava chegando a meu destino quando ouvi um barulho, por reflexo me virei e ali estava minha irmãzinha se sete anos de idade. Sonambula, ela andava carregando sua coberta e boneca de pano pelos corredores. A reboquei para o quarto dela e a cobri. Olhei bem para seu rosto adormecido, sentiria saudades. A abracei bem forte, meio que me despedindo. Encostei a porta e continuei meu plano com ainda mais cautela.
Entrei na salinha perto da cozinha onde eu tinha passado meses me preparando para minha fuga, tinha tecido um vestido e uma mochila sem que ninguém percebesse (até que em fim todo o trabalho que tive para aprender a tecer me serviu de algo). Lamentei-me por não ter recebido aquela triste notícia alguns meses para poder ter me preparado melhor... Mas me contentava por ter conseguido o bastante em tão pouco tempo.
Voltava para meu quarto carregando as coisas quando uma moça entrava no começo do corredor. Foi por um triz, entrei no meu quarto antes que ela me avistasse.
Coloquei algumas roupas leves e pouco volumosas dentro da mochila... Arrumei minha cama e deitei-me. Caí em um sono pesado no qual cada vez me aprofundava mais e mais…
Acordei com uma serviçal me chamando para tomar banho de espuma, ela me despiu e ajudou a esfregar minhas costas enquanto outra colocou o vestido que eu tinha escolhido sobre a cama. Para a surpresa delas eu não deixei que vestissem.
–Eu mesma quero me preparar para ele. –Menti. –Quando precisar de vocês eu aviso.
Vesti meu mais novo vestido (que caiu estranhamente bem em mim... Mesmo sendo algo que eu “normalmente” não usaria). Por cima dele coloquei um vestido verde escuro, longo até mesmo nas mangas, o que o tornava mais do que perfeito para esconder o outro vestido.
–Princesa, temos pouco tempo. Quer ajuda? – Perguntaram batendo do outro lado da porta.
–Daqui a dez segundos... –Eu disse colocando um saco cheio de moedas na mochila, Percebendo que só faltavam quinze minutos e eu ainda nem tinha me despedido. Calcei meus sapatos e coloquei um par de botas na minha mochila que guardei dentro de uma maleta.
–Princesa! Princesa Linna. –Insistiu novamente.
–Pode vir me ajudar a apertar isso? –Apontei para o espartilho frouxo e coloquei meus brincos e um medalhão com o brasão de minha família (joias, o que minha mãe acreditava ser essencial e indispensável, eu não)...
Ajudaram-me a prender meus cabelos com uns grampos e dois pentes enquanto ela quase me deixava sem ar com o aperto. Pronto! Estava toda vestida. Olhei-me no espelho e pensei aliviada que não dava para perceber a outra roupa. Distraída continuei fitando o meu reflexo... Uma jovem de pele clara e levemente sardenta cujos olhos tinham um tom raro de verde oliva junto a longos cabelos ondulados cor de mel parcialmente presos... Uma jovem que preferia fugir a se casar forçada com um estranho, uma jovem que estava pronta para deixar tudo para ser livre e viver sua primeira grande aventura... De mala na mão, pronta para sua primeira viagem sozinha... Eu não me sentia tão confiante quanto imaginava que deveria estar.
–Linna você esta muito bonita! –Comentaram me assustando.
–Obrigada. –Sorri.
Sentei-me com elegância à mesa. Tentava disfarçar o fato de meu estômago roncar ferozmente.
–Filha, você esta linda! –Minha mãe falava com a voz cheia de orgulho enquanto acariciava meus cabelos de leve para não bagunçá-los. –Mas demorou muito, assim como sua mãe faz, estou tão orgulhosa!
“Aquilo era mentira ela demorava muito mais” pensei enquanto comia qualquer coisa. Meu pai como sempre não estava à mesa, ele deveria estar cuidando de algo “mais importante”... Lucia ainda estava dormindo, estando assim, apenas eu, minha mãe e Lena, minha irmã mais velha á mesa…
–Está contente? –Lena perguntou sorrindo.
–Evidentemente. –Ironizei.
–Vai dar tudo certo. –Ela sorriu e eu assenti. Não queria prolongar o assunto.
Lena comentava animada sobre sua lista de pretendentes. Eu me perguntava porque eu e não ela que estava sendo forçada a casar com aquele tal de Eidved (eu, teimosamente me recusava a decorar a pronuncia daquele nome dos povos do norte).
Para minha sorte elas estavam distraídas, por isso eu consegui colocar disfarçadamente alguns pães com queijo, um odre de vinho, chocolates e uma ou outra coisa pequena para dentro da minha mochila, coisas que não estragariam fácil, já que eu não pretendia passar fome tão cedo.
“Agora sim” tinha tudo que eu precisava. Dei um “até logo” a todos os funcionários do castelo que encontrava no caminho. Abracei Lena e fui junto a minha mãe até a pequena carruagem que já estava preparada para partir rumo ao castelo do Rei Carlos que se fosse como meus pais desejavam, seria o meu futuro sogro…
Olhei ao redor em busca de meu pai, mas como ele parecia estar bastante ocupado dei-lhe apenas um abraço bem rápido. Acenei dando um último adeus a todos... à minha casa... Entrei de pressa na carruagem, diminuindo minhas chances de me arrepender. Pedi para o cocheiro colocar minha maleta perto de mim e sentei encostada na parede da janela que eu tampei com a cortina.
–Ia! –O cocheiro chicoteou os cavalos e assim partimos.
–Então querida... –Minha mãe disse. – Como você esta se sentindo? Meio nervosa? Eu estava assim quando eu me casei com seu pai... –Suspirou.
– Hm... –Olhei para ela sorrindo amarelo. Ela iria contar tudo de novo...
–Ele estava ali me esperando e eu mal o conhecia. Eu tinha medo de um não gostar do outro. Mas no fim das contas me simpatizei por ele de imediato. Ele parecia ser um bom homem e eu estava certa. Viramos grandes amigos, e ele fazia de tudo para me agradar, já que era apaixonado por mim desde o início. Ele sempre me respeitou, no começo dormíamos em quartos separados... Pouco a pouco eu fui me apaixonando por ele, mas não o bastante para poder dizer que o amava. Até que em um dia de madrugada ele teve uma febre de uns 40 graus... E eu cuidei dele até ele melhorar, nunca mais queria ver ele tão desanimado e meu coração doía tão estranho... Foi assim eu percebi que o amava... Então nós renovamos nossos votos, mas dessa vez nós dois estávamos felizes estando juntos.
–Hum! –Eu murmurei, sabia que minha mãe tivera muita sorte.
–Veja pelo lado bom... Você vai ao menos conhecê-lo antes. –Ela disse otimista. –Ouvi falar que ele é interessante... Vai ver que ele não é tão ruim quanto você pensa…
–Mas se ele for...? –Solto o ar. –Mãe... Você sabe como príncipes são idiotas... –Pensava nos últimos três que eu tinha conhecido. –E o papai na verdade era o sobrinho do rei e não um príncipe, ele teve que assumir o trono já que o rei não podia ter filhos e cuidava dele como se fosse filho dele... –Eu argumentei.
–De uma forma ou outra ele ainda assim foi um “príncipe”... – Ela continuou.
–Mas não como os outros... Ele não era mimado nem possessivo. Ele não cresceu imaginando que era dono de tudo e que podia fazer o que bem tendesse... –Continuei.
–Isso é verdade! Mas nem todos os príncipes são assim... Pense mais um pouco, relaxe. –Deu um fim no assunto.
Passando alguns segundos ela me disse:
–Sabe filha... Eu não aguentei de curiosidade e perguntei para o mensageiro como ele era, na verdade meio que arranquei informações dele, mais isso não vem ao caso... Acho que você merece ter mais ou menos uma ideia de quem você vai lidar...
Eu não estava muito empolgada com a ideia, mas... eu sempre fui curiosa e acho que não faria mal tentar imaginá-lo para me distrair. Minha mãe queria me animar então eu assenti dando de ombros…
–Ai! Linna... Pelo o que ele me disse ele deve ser lindo... Enfim, acabei descobrindo que ele era um pouco mais alto do que você... Têm quase sua idade... – Ela falava tão empolgada... “Nada especifico poderia ter até uns cinco anos a mais ou a menos...” eu pensava.
–O que mais? –Me fingi interessada, para não deixá-la triste.
–Têm cabelos escuros, é forte e tem a pele bem clara... Ah! E ele não o conheceu pessoalmente, só viu de longe por uns minutos, então perguntou para um funcionário do castelo sobre a personalidade dele e ele disse que ele é cavalheiro, muito inteligente, meio reservado, que tinha um espírito aventureiro e um hábito de fugir algumas vezes pra conhecer pessoalmente o reino, o que o pai dele não gostava nem um pouco, também disseram que ele tinha parado com essa mania por um bom tempo... –Olhava para mim com expectativa e eu só conseguia pensar que ele era um birrento. –Depois disse muito vagamente uma coisa, mas eu não entendi muito bem…
–O que? –Fingi estar curiosa para não decepcioná-la…
–Ele falou que lhe falaram que ele tinha um problema sério, mas até então não muito grave de saúde ou algo do tipo... Antes dele poder continuar o interrogatório teve que voltar pra cá... Acho que ele deveria estar gripado ou algo do tipo, sabe? Deve ser nada de mais. –Imaginou me tranquilizar.
–Pois é! –Eu dei um sorriso fraco, para mim já não fazia diferença, eu iria fugir mesmo. Estava ansiosa para me sentir livre pela primeira vez na vida.
–Agora descanse um pouquinho querida, a viajem será longa…
Encostei-me mais ao fundo do banco, eu não estava disposta a mudar de opinião tão facilmente. Aquele tal de Edvargui era um príncipe legitimo e certamente seria um metido como todos os outros.
“Eu vou fugir... não quero passar toda a minha vida casada com um homem que eu não amo... Nem quero conhecer esse tal de Edwargui. Vai que me acorrentam lá! Nem vou correr esse risco”.
Puxei a cortina espiando pela primeira vez lá fora. Estranhei a mudança total de paisagem, nem parecíamos estar no nosso reino. Era tudo tão pobre e estranho a minha volta e a cada minuto ficava pior. Tinha algo muito errado ali…
A carruagem começou a desacelerar e ao que me parecia ser uma viagem sem fim, nós chegamos à fronteira Leste de Mectra, aos poucos a carruagem voltava ao ritmo normal.
–Continuo cansada! –Bocejei para dar ênfase. –Chegamos mesmo em Mectra?
–Acabamos de chegar... – Ela disse. –Melhor cochilarmos, para estarmos bem ao chegar lá.
–Tem razão. –Menti, na verdade eu estava muito acordada. “Como eu poderia dormir se eu estava apenas esperando uma oportunidade para fugir?”
–E assim estaremos mais apresentáveis. Passaremos uma boa impressão. Então filha, você já... –Ela tentou dizer…
Mas de repente a carruagem parou de forma brusca interrompendo a nossa conversa... “Acho que vão ter que olhar lá fora. Agora é provavelmente a minha única chance de fugir”.
Encostada atrás da pequena divisória de um jeito que a minha mãe não pudesse me ver eu tirei meu majestoso e desconfortável vestido verde expondo o meu de camponesa, tirei meus brincos e pentes, junto aos meus sapatos e calcei minhas botas. Pronto, agora só faltava fugir, o mais importante...
Bum! Um baque surdo interrompeu meus pensamentos. Olhei direto para a parte descoberta da janela, nós estávamos barrados por um grupo de ladrões que nos obrigaram a ficar ali.
–Fique calma. –Minha mãe murmurava olhando pela janela.
“Como posso fugir assim?” Eu me perguntava.
Quando eu já estava quase entrando em pânico eu vi um grupo de seis pessoas, todos montados a cavalo. Avançavam segurando suas espadas ou lanças e um até mesmo com um martelo e uma corda.
Estranhamente o que mais me chamou atenção, era o garoto que vinha em uma das pontas montado em um lindo cavalo negro. Esse garoto deveria ter no máximo dois anos a mais do que eu... Ele parecia concentrado e segurava firmemente as rédeas do cavalo.
Na frente dele vinha um garoto loiro mais velho do que ele que não parava de lançar olhares apaixonados para uma garota ruiva ao seu lado que estava dando bronca em dois gêmeos morenos que se pareciam com ela. No fundo um homem forte montado em um cavalo que parecia ser pequeno de mais para ele cavalgava conversando com um homem magro e velho. Eles pareciam bem dispersos e certamente estavam em menor número... Sete contra uns vinte. Antes de atacarem homem velho disse:
– Vocês poderiam se entregar e poupar o nosso tempo, ou então prosseguir e irem presos da mesma forma…
A moça que parecia ser a líder dos bandidos gritou com um ar de convencimento:
–Atacar! seus palermas... Nós certamente venceremos!
Eles avançaram muito rápido... Coloquei a minha mochila nas costas aproveitando a distração para sair. Minha mãe segurou meu pulso me olhando com ar de suplica.
–Linna o que você está fazendo? Volte aqui e se esconda. Eles estão distraídos e como não sabem quem somos, talvez eles só peguem as nossas coisas e nos deixem ir...
–Não, mãe. Isso está errado. Eu não posso ir com você e deixar que vocês escolham o meu destino. Sei que pode soar egoísta, mas eu não quero chegar em um lugar estranho casar com alguém que eu não amo sem ter a chance de decidir o que é certo para mim... Você teve muita sorte, mas e se eu não tiver? Eu não vou poder lidar com isso. Eu preciso descobrir o que eu quero... quem eu sou. Agora eu vou sair por essa porta e pedir para o cocheiro disparar... –Virei o rosto. –Não espere por mim.
–Linna... -Seus olhos estavam cheios d'água. Ela só queria me proteger e eu sabia disso.
–Sinto muito mesmo. –Eu sussurrei baixinho pouco antes de dar-lhe as costas.
–Vou distraí-los. -Avisei o cocheiro que nem me reconheceu.
–Você aí! –Joguei uma pedra ao lado do homem que estava prestes a entrar na carruagem. –Mal tive tempo de me arrepender, ele se aproximou olhando fixamente para mim. –Venha aqui se não é um covarde... –Ele o fez olhando para mim com deboche. O cocheiro aproveitou a deixa para derrubar a mulher que o ameaçava e disparar com os cavalos.
–Olá garotinha. Você é bem bonita. Seria um desperdício não levar você comigo... –Disse apontando-me uma faca de ponta torta e mal cuidada um homem velho e nojento, que parecia não lavar-se a muitos e muitos meses, ou até mesmo anos…
Ele tirou algo do bolso e tentou me agarra. Senti uma pontada estranha no braço, mas ignorei, devia ser algo da roupa daquele estúpido.
–Me solte! –Eu gritei dando-lhe uma bela cotovelada entre as costelas, parecia ter dado certo, ele me soltou imediatamente.
–Arg! –Disse ele sentindo muita dor. –Nervosinha! –Raivoso largou uma planta estranha no chão e colocou uma das mãos nas costelas e apontando a faca torta para mim com a outra. –Eu te mato menina.
–Uau! Belo golpe! Para uma garota é claro... –Piscou para mim o garoto montado em no cavalo negro. Ele me puxou pela cintura me forçando a montar junto a ele, ao mesmo tempo em que me defendia de um golpe que seria fatal. Logo em seguida devolveu o golpe nocauteando o velho nojento.
–Engraçadinho... –Eu disse sorrindo e ele esboçou um sorriso.
–Mudando de assunto... Você sabe brandir uma espada? –Perguntou virado para frente enquanto concentrado, ele nocauteava mais dois bandidos no lado esquerdo. – É que pedras não me parecem boas armas numa hora dessas...
–Não muito bem... –Eu respondi com sinceridade.
–Então... É melhor você aprender agora. –Disse me dando uma espada enquanto me colocava no chão.
–Obrigada... –Eu respondi educada e confusamente.
A espada me foi mais útil do que eu imaginava apesar de eu sofrido com o seu peso e em alguns momentos ter usado seu cabo e não a ponta para me defender.
Quando me afastei o bastante fiquei boba observando-o lutar, ele tinha tanta calma e naturalidade, parecia ter nascido para isso, mas não parecia olhar muito para seus oponentes... Sua mente deveria estar vagando longe, em algo mais importante.
Em poucos minutos o número de ladrões “conscientes” ia diminuindo de vinte e poucos para cinco ladrões, todos já estavam desarmados e amarrados uns nos outros, entre eles estava a líder que gritou cuspindo no chão:
–Seus moleques vocês vão pagar caro por isso!
–Oh! E agora?! –Disse um dos gêmeos provocando-a.
–Ela vai nos machucar. –Completou o outro gêmeo.
–Que medo... –Disseram juntos como em uma peça teatral. – Opa! –Bateram as mãos enquanto a mulher praticamente rosnava... –Nós que somos a ameaça aqui, madame. –Completaram movendo as sobrancelhas.
–Kaê e Kaêi, parem de ser bobos. –Bronqueou a garota ruiva. –Irmãos! –Queixou-se. –Ninguém merece ter que ficar tomando conta deles o tempo todo...
–Vamos levá-los logo para uma cadeia antes que todos acordem. –Disse o homem velho. –Mel, Kaê e Kaêi fiquem aqui junto com o Berg e o Hoylli me esperando. –Apontou para a garota ruiva. Depois para o cara grandalhão e por último para o garoto loiro. -Vou trazer uma carroça.
–Antes que eu me esqueça... –Disse se referindo ao garoto de cabelos negros e olhos “muito azuis” que me salvara a vida. – Você vai partir ou vai continuar aqui?
–Eu já ajudei em tudo que o senhor me pediu, inclusive achando esses ladrões... Agora o senhor poderia me responder o que eu tinha lhe perguntado antes? –Disse sem pressa.
–Presumo que na fronteira sudoeste de Mistic-sen, mas antes disso converse com Corins em Haufabert e José em Zuiri, eu já não tenho mais tanta certeza assim... talvez um deles saiba ou conheça alguém que tenha informações mais precisas.
–Então eu vou partir. –Disse ele estendendo o braço ao lado do corpo, segundos depois um belíssimo pássaro negro que estava rondando os céus pousou em seu braço.
Foi então que eu percebi que eu estive ali o tempo todo parada segurando aquele espada pesada com as duas mãos... Mas “E eu?” pensei “O que eu faço? Para onde eu vou...?” Se têm tantos bandidos assim em Mectra (o que, assim como o fato de Mectra ser um reino sem leis, eu distraída de mais com meu plano de fuga havia me esquecido totalmente).
Todos já tomavam seus caminhos enquanto eu estava ali parada e pior de tudo eu estava sozinha! Acidentalmente eu soltei uma exclamação, o que parecia ter chamado a atenção do “justiceiro do pássaro negro” (apostava que o chamavam assim).
–Até que você não é tão ruim com espadas, já que ainda esta viva... -Passou por mim sorrindo.
–Quando eu uso o lado errado ou dando golpes aleatórios, ainda serve... Mas para algo qualificado... Não faço a mínima ideia... –Respondi fazendo careta. – Obrigada. –A estendi e ele pareceu confuso.
–De nada. –A recolhe. –Meu nome é Ed... –Ele se interrompeu com uma bicada do pássaro em seu ombro. – Ai! –Exclamou passando a mão no pescoço. –E o seu? –Perguntou gentilmente.
–Meu nome é Li...i... –Mordi a língua para não continuar, eu não podia dizer o meu nome de verdade... Logo meu sumiço seria notícia. –Somente Li. –Corrijo.
–Li? Isso não é um nome, são só duas letras –Diz me provocando...
–“Ed” também são só duas letras. –Rebato.
–Pois é... –Dá de ombros. –Então muito prazer em conhecê-la “Li”. –Diz colocando muita ênfase no “Li” enquanto apertava a minha mão.
–Não! –Eu disse. – O prazer é todo meu “Ed” –Fiz o mesmo apertando a mão dele mais forte ainda... –Notei que ele escondia um sorriso assim como eu.
–Então adeus! –Ele disse dando-me as costas e o pássaro subiu aos céus...
–Espere! –Disse enquanto ele se virava de frente para mim. –Eu... –Senti minhas pernas amolecerem. De repente eu estava tão tonta...
–Aconteceu alguma coisa? –Ele murmura confuso com uma mão atrás da cabeça pronto para descer do cavalo.
–Está tudo apagando. –Murmurei.
A última coisa de que me lembro é de uma mancha negra se expandindo ao seu lado antes dele rapidamente aparecer atrás de mim me amparando antes que eu caísse no chão...
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