LiEd

2 Início de viajem.


Notas iniciais
Espero agradar vocês ^^

–Chegamos? –Escuto Ed perguntar.

–Sim, pode desmontar... Mas Edv, eu não entendo! Por que não estamos indo para Zuiri? –Uma voz feminina pergunta.

Eu tento me virar para ver de quem era a voz, mas não conseguia me mover ou decidir se meu corpo mais se parecia com uma pedra ou gelatina.

–Porque... ­–Ele me puxa delicadamente para baixo e antes que eu pudesse cair ele me encaixa habilmente em suas costas. –É muito longe. –Caminha puxando o cavalo.

–É por causa daquela garota, não é? –Empurra o ombro dele fazendo-o parar. –Olha para mim quando eu falo… –Choraminga e ele ignora desviando dela.

–É claro. –Ele suspira. –Não seria certo deixá-la desmaiada perto da fronteira.

–Edv, você não vê? –Bufa. –Ela só está te atrasando.

–E você reclamando. O que mais? –Dá de ombros. –Pelo menos assim eu descanso um pouco…

–Que seja… –Diz entre os dentes. –Você está pálido. É aquilo de novo? –A raiva some e sua voz é inundada por preocupação.

–Não é nada de mais. Eu estaria melhor se tivesse comido alguma coisa hoje. –Ele parece tropeçar e eu quase escorrego, mas ele me ajeita a tempo. –Você pode amarrar ele para mim. –Ela se aproxima.

–Só não exagere… –Ela sussurra se afastando com o cavalo.

–A febre está aumentando. –Murmura depois de tocar a minha testa com sua mão fria. –Melhor irmos logo.

Os passos da garota o seguem até sumirem junto aos dele e tudo o que podia ouvir é som de sua respiração pesada.

Virei de um lado para o outro em algo macio. As lembranças daquele sonho estranho estavam cada vez mais confusas. Franzi o rosto e olhei ao redor tentando descobrir aonde estava. Era um quarto simples e Ed estava deitado na cama ao lado. Ele deveria ter me trazido até aqui... Procurei por minhas coisas quase desesperadamente, só relaxei quando as vi ao pé da minha cama.

Pisei com meus pés descalços no chão frio e fui até a janela. O sol morno tocou o meu rosto quando a abri. Estávamos num vilarejo cercado por uma densa floresta e montanhas ao fundo.

–Isso é Dairus? –Murmurei para mim mesma me lembrando das aulas da geografia de Mectra que meu pai me forçara a ter.

–Exato. –Virei para ver Ed me encarar com seus olhos de abismo.

–B- bom dia. –Eu gaguejo assustada.

–Dia… –Ele dá de ombros e arruma sua cama. –Depois de terminar ele senta em cima dos cobertores e me observa fazendo o mesmo desajeitadamente.

–O que aconteceu ontem? –Pergunto tentando tirar o foco de minha falta de prática.

–Você provavelmente foi envenenada por um ramo de Herberisco. –Aponta para a pequena bandagem no meu braço. –Saqueadores às vezes usam isso para incapacitar alguém.

–Faz sentido. –Tentei imaginar quando isso aconteceu. –Obrigada por me tirar de lá.

–Acredito que você possa ficar aqui até amanhã. Depois pode voltar para sabe lá de onde você veio. –Calça suas botas.

–Não posso. –Desvio o olhar. –Estou numa jornada e preciso ir para bem longe de onde vim. –Calço meus sapatos.

–Hm… –Se estava interessado não demonstrou.

–Você pode me levar para Mistic-sen com você? –Pedi me lembrando de que ele falara sobre aquilo ontem.

–E por que o faria? –Ele para na minha frente me encarando. Havia algo como diversão em seu olhar.

–Ah! Você já está de pé seu dorminhoco? –Uma moça ruiva invade o quarto. –O almoço já está servido... –Desfaz sua longa trança sobre a barriga que mostrava claros seis meses. –Oi querida! Você está bem? Sem nenhuma dor? –Disse ao ver que eu estava acordada.

–Acho que estou... –Sorrio para ela.

–Vocês estavam exaustos... Deveriam parar de abusar desse jeito. Vocês vivem se arriscando com esses bandidos idiotas. –Desabafa. –Dormiram bem? Nossa! Que falta de educação a minha… Meu nome é Mennet e o seu?

–Meu nome é Li... –Me apresentei olhando em seus olhos dourados. –E eu dormi muito bem senhora... –Ed parecia concordar comigo.

–Não, querida me chame só de Mennet ou de mãe, Mennê, Net, ou qualquer coisa, mas não precisa ser de senhora... Vamos comer você deve estar faminta e você também Ed do jeito que você é... Eu duvido que você tenha comido alguma coisa ontem…

–Acertou Dona Mennê …–Ele disse gentilmente. –Não comi nada o dia inteiro…

–Que vergonha. –Ela suspira nos rebocando. –Você podia ter passado aqui…

Chegamos à cozinha e logo provei a comida dela... Estava explendido e não era por causa da fome de mais de vinte e quatro horas.

–Oi Ed! –Disse Mel sentando-se ao lado dele. –Muito obrigada por ontem... Conseguimos prender todos eles. –Franze o rosto quando me repara.

–Bom dia Ed! – Kaê e Kaêi sentam nas cadeiras da frente bagunçando ainda mais seus cabelos castanhos. –Quem é você? –Apontam para mim.

–Bom dia! –Diz Hoylli entrando pela portada frente.

Nós nos apresentamos e conversamos descontraidamente. Kaê e Kaêi não paravam de tentar irritar a irmã que claramente sofria de mal humor matinal. Que era aumentado pelas tentativas de Hoilly chamar sua atenção. Ed ria baixinho e comia calado alimentando também a sua bela ave.

–Vocês vão partir agora não vão? Por que você não passam mais uma noite aqui, vai ser melhor… –Dona Mennet argumenta.

–Você tem certeza de que quer vir comigo. Eu vou desviar muitas vezes do caminho até chegar lá. –Ed me surpreende retomando nossa conversa matinal. –Por que, se você não se importar com isso e não me atrasar muito...

–Sério? Muito obrigada. –Eu sorrio animada.

–Então Dona Mennê… Seria abuso de sua hospitalidade. O melhor a fazer é partir agora mesmo para não perder tempo. –Diz educadamente…

–Mas me prometa que voltará um dia desses.

–Eu prometo que farei o possível. –Ele permite que ela o abrace.

–Vou preparar um lanche para vocês levarem. Tomem bastante cuidado para não se meterem em muitas confusões. –Ela me abraça.

–Obrigada. –Devolvo o gesto.

Nós pegamos nossas coisas e nos despedimos de todos, montamos em seu cavalo. A ave que estava em seu ombro deu-lhe bicadinhas carinhosas em seu pescoço e então levantou voo, com suas majestosas asas negras, sondava o caminha, como se procurasse alguma coisa… E nós partimos rumo a Zuiri

Sem nenhuma palavra a tarde caiu. O sol atravessava o horizonte pouco a pouco cada vez mais distante de nós... Passei todo o caminho observando animada a paisagem mudar de forma e cor. O pássaro negro continuou voando sereno, quase planando perto das nuvens que mudavam gradualmente de tom.

–Chegamos!... –Disse me chacoalhando para me tirar do meu devaneio.

–Mas já! –Olho para ele e para o pássaro em seu ombro.

–É claro… –Ele ri descendo do cavalo. –Não desmonte agora.

Olhei ao redor notando que a cidade era linda, cheia de pequenos comércios abertos e pessoas por todos os lados levando enfeites e decorando as ruas... Nunca tinha visto algo assim tão de perto, estava encantada com tudo aquilo...

–Agora a estalagem, deve ter um trevo ou ferradura na placa... –Ele puxa o cavalo pela rua.

–Aquela ali? –Aponto.

–Acho que sim! Cuide do cavalo. –Ele me ajuda a descer e vai falar com a balconista.

–Vamos entrar? –Ele guarda seguramente a chave do quarto em seu pescoço...

–Agora não… Você já tinha vindo em algum dos festivais de Zuiri?

–Não. Na verdade nunca fui em um festival assim. –Eu desvio o olhar. Aquilo deveria soar bem estranho. Todos os festivais que eu já vira foram do alto do castelo. As pessoas pareciam pontinhos reunidos no meio da luz das luminárias, lojas e casinhas que até pareciam quadradinhos coloridos. Queria saber como era de perto, mas não iria pedir isso para ele.

–Nunca?! –Ele disse surpreso.

–É… –Rio sem humor.

– Uau! –Ele se dirige para os fundos da estalagem.

–Ei garoto fique aqui está bem? –Disse colocando-o no estábulo da estalagem. – E não tente fugir, certo? –Pergunta para o cavalo acariciando-o; ele relincha ao ouvi-lo...

–Fugir? –Perguntei.’

–Não o subestime, ele é muito esperto! –Ele sorri. –Vivia fugindo do estábulo, não é? –O acaricia. –Como não temos muito para fazer agora... –Vira para mim. –Não faz mal se divertir não é? Venha, vou lhe mostrar o que quiser, quem sabe até encontre o que eu quero... Aonde você quer ir primeiro?

–Ali! –Meus olhos brilharam. –Naquele monte de pessoas. –Eu seguro sua mão estranhando o jeito que a ave me encarava com seus olhos inteligentes.

Era um jovem fazendo truques com o fogo e recebendo moedas da plateia a seu redor... Eu parecia uma criança. Tudo ao mesmo tempo que familiar me parecia surpreendentemente novo.

O sol sumiu no horizonte e as pessoas comemoraram o início do festival. Agora as ruas estavam iluminadas por tochas, luminárias e velas, as lojas estavam todas abertas e as pessoas andavam alegres por toda parte...

Notas finais
Se é que alguém vai ler isso... sim, é isso que você está pensando, essa história esta em hiatus no momento. Se eu desisti dela? Não, mas acabei parando por pensar em desenvolver melhor a trama antes de postar os próximos capítulos (talvez até reescreva os primeiros capítulos). Podem puxar o meu pé a vontade, até ajuda para agilizar as coisas! Até logo, ou não...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.