Lição de Vida

2 Um por todos, todos por um!


Notas iniciais
Oi gente :) estou de volta! Vamos lá saber o que aconteceu com Edward! Preparem os lenços, nos encontramos no fim!

Uma música sensual tocava no ambiente e eu abri os olhos para encontrar, um quarto que não era meu! Era um quarto feminino com uma decoração em tons de rosa e lilás e cheirava a lavanda. O quarto era iluminado por várias velas espalhadas.

– Ei bonitão. – o meu olhar disparou para a porta e eu senti os meus olhos arregalarem. Parada entre as velas estava Tanya Daneli, vestindo apenas uma lingerie vermelha sexy e balançando uns pompons. – Vem cá Big Red. – ela pediu movendo o dedo indicador para me chamar para mais perto.

– Eu ...eu...- como por diabos eu estava no quarto de Tanya? Eu não me lembrava de ter vindo para cá...como se de repente o meu cérebro voltasse a raciocinar eu olhei para as pernas esticadas na cama.

– Vamos lá Ed, não quero esperar. – senti o suor descer pela minha nuca enquanto o meu olhar alternava entre o corpo atraente da loira e as minhas pernas.

– Tanya eu...

– Vamos, venha...Eu não estou atraente? – Tanya voltou a balançar os pompons e eu não sabia o que fazer. Seria um sonho? O acidente fora um sonho? Respirei fundo e peguei numa perna para pô-la no chão, repeti o mesmo processo com a outra e então dei um impulso com os braços, o som da queda foi estrondoso, mas foi rapidamente abafado pelos gritos de Tanya.

– AHH..AHHH.AHH ...Você é um inválido! – a minha cabeça parecia pesar toneladas e as palavras da loira perfuraram o meu coração e o meu cérebro como se fossem milhares de agulhas afiadas.

– Pare por favor...pare... – a minha voz saiu baixa e suplicante, exatamente como a de um inválido, mas como por milagre os gritos pararam. Inspirei e expirei tentando acalmar a minha respiração e a minha horrível dor de cabeça.

– Ei Big Red. – uma mão pousou no meu ombro e eu abri olhos para encontrar o olhar curioso de Alec. – Vamos treinar? – olhei em volta e eu estava no ginásio de Cleveland. Olhei para as minhas pernas e elas pareciam normais, eu vestia o típico calção de treino e os meus ténis brancos usados que Esme insistia em querer deitar fora, mas eu os amava, porque eu tinha começado a temporada com eles e não tínhamos perdido nenhum jogo. – Ei. – Alec já estava de pé e driblava com habilidade a bola laranja entre as mãos.

– Eu acho que... – antes que eu pudesse falar, Alec lançou a bola e antes que eu pudesse pensar o meu corpo reagiu e lançou-se contra a bola e exatamente como no quarto de Tanya as minhas pernas não reagiram.

– Oh cara... – o meu amigo correu na minha direção e ajoelhou-se ao meu lado. – Você está paraplégico. Você nunca mais vai poder jogar na vida! – de novo a dor de cabeça alucinante me atingiu.

– Cala a boca... – eu supliquei, eu não queria ouvir, eu não queria ver, eu não queria sentir. Mas o meu coração e a minha garganta estavam tao apertados que eu só queria respirar fundo e gritar.

Então algo estranho começou a acontecer várias pessoas começaram a aparecer no ginásio.

– Você não perdeu nada Edward. – Riley afirmou sorrindo, a caneta batia no bloco mais que nunca e antes que eu pudesse pedir para ele parar, a minha mãe apareceu.

– O seu hambúrguer chegou, você vai comer Ed? Você vai comer agora? Você quer mais? – Esme balançava o saco freneticamente ao lado de Riley que não parava com a caneta.

– Sra. Cullen, o Edward abandonou-me no meu quarto. – Tanya informou balançando os pompons ainda vestida com a lingerie vermelha.

– Parem por favor.... – eu supliquei ainda no chão do ginásio.

– Oh Edward, você abandonou a sua amiga? Você quer falar nisso? – e a caneta balançava mais que nunca e cada som fazia como se fosse uma martelada na minha cabeça, Esme balançava o saco da Mcdonald´s, Tanya saltava sem parar com os pompons e Alec batia sem parar com a bola de basket.

– PAREM....

Então de repente tudo desapareceu e deu lugar à escuridão, a minha respiração estava descompassada e o suor descia em cascata por todo o meu corpo.

– Edward querido. – a voz da minha mãe soou e ela entrou no meu quarto acendendo a luz, atrás dela eu pude ver o meu pai, Jasper e Emmet. – Você está bem? – e antes que eu pudesse dizer algo, eu senti o meu coração apertar a minha respiração acelerar e sem nenhum controlo o meu corpo explodiu em soluços.

– Vamos Em e Jasper, vamos tratar do jantar. – a voz do meu pai saiu imperativa e eu nem ousei olhar.

– Eu estou aqui, foi apenas um sonho. – Esme informou calmamente enquanto deslisava as mãos pelo meu couro cabeludo. Eu queria parar de chorar, a sério que eu queria. Mas as palavras da minha mãe apenas estavam me deixando mais histérico. – Eu te amo querido, eu te amo tanto.

– Me desculpe. – foi a única coisa que consegui prenunciar, imediatamente o carinho de Esme parou e os seus olhos verde esmeralda perfuraram os meus.

– Você não me vai pedir desculpa! Você não me vai pedir desculpa por precisar de mim, você não vai pedir desculpa por estar vulnerável e acima de tudo você não vai pedir desculpas por estar vivo. – o seu tom de voz era vivo e feroz.

– Mãe olhe para mim, eu sou um “peso morto”. – meu coração é um tijolo e tudo está pesado, eu estava me odiando por revelar tudo o que ia na minha cabeça nos últimos meses, mas era como se Riley tivesse ativado o botão da verdade quando disse que eu não tinha perdido nada.

O olhar de Esme parecia estar consumido em chamas vivas e antes que eu pudesse continuar a sua mão delicada foi com toda a força contra a minha face, fazendo com que a minha cabeça tombasse para o outro lado. Coloquei a minha mão no local atingido sentindo a dor formigar.

– Nunca mais repita isso. – ela tenta dizer na sua voz mais firme, mas de repente assim como eu ela rompe em soluços.

Eu não sei quanto tempo ficamos os dois abraçados chorando, partilhando a dor, a mágoa e a revolta de tudo o que tinha acontecido. Eu não sei quando nem como, mas depois de algum tempo o meu pai entrou e sentou-se no cadeirão onde Riley se costumava sentar e não disse nada. Logo a seguir a ele, Jasper e Emmet sentaram-se no chão ao pé da cama ambas as costas encostadas na parede e todos eles me encaravam e eu os encarava de volta, eu tinha saudades da minha família.

Eu tinha saudades de descer a correr as escadas pela manhã e comer as deliciosas panquecas da minha mãe. Eu tinha saudades de ir a escola com os meus irmãos e de discutir com eles qual a melhor música para ouvir-mos pelo caminho. Eu tinha saudades de passar pelo hospital e o meu pai partilhar comigo os seus casos mais complicados. Eu simplesmente tinha saudades da minha vida.

– Bom Edward, chegou o momento de tomarmos uma decisão em família, não aguentamos mais ver você se autodestruir. – a voz do meu pai cortou o silêncio e eu sabia que este momento chegaria. Eles não poderiam ficar com um inválido em casa. Eu provavelmente teria que ir para algum centro ou escola adaptada eu sabia que não poderia ficar a vida toda na minha cama, recebendo visitas de Ryan e todas as atenções da minha família, eles tinham uma vida.

– O que vocês sugerem? – eu pergunto dando os ombros como se aquilo fosse uma reunião familiar comum, como se aquele assunto não estivesse me estrangulando lentamente.

– Você quer ficar aqui em Washington ou pretende mudar de cidade? – o aperto na minha garganta aperta mais um pouco, eu não queria me afastar da minha família, eu não queria ser um inválido abandonado numa cidade qualquer. Sem conseguir falar eu encolho ombros.

– Para onde você preferia ir, um clima quente, frio, ameno? – Carlisle continua tentando arrancar outra informação, mas eu não estava com cabeça para pensar em climas.

– Por favor, se nós vamos mudar eu voto pelo clima quente eu quero ver garotas em biquínis! Vamos votar certo? – a voz estrondosa de Emmet soou alta no quarto e a minha cabeça virou-se com tanta força que eu senti o pescoço estalar encarando-o.

– Eu não quero me mudar para um clima quente, eu queimo com facilidade. – Jasper resmungou e Emmet murmurou um “florzinha” em tom baixo. – Eu prefiro um clima ameno. Quais são as opções pai? – a minha cabeça balançava de um lado para o outro como se eu estivesse num jogo de ténis. O que fodidamente estava acontecendo no meu quarto? Eu não estava percebendo nada!

– Eu tenho de ver as cidades que têm vagas nos hospitais para mim! Mas e você querida o que preferia, você sempre gostou de São Francisco, certo? – antes que a minha mãe pudesse responder eu interrompi:

– Como assim mudar? Climas? São Francisco? Pai você está envolvido em investigações no hospital, você tem pacientes! Mãe o seu negócio está realmente dando resultado, agora! Emmet como fica o time e a sua namorada Leslie? E você Jasper o seu clube de pintura? Os seus amigos? Como fica a vossa vida? – parei tentando respirar o que é que eles estavam fazendo?

– Edward um por todos, todos por um. – Emmet e Jasper murmuraram numa sincronia perfeita como se tivessem ensaiado.

Aquela frase tinha um significado enorme na nossa família. A primeira vez que usamos aquela frase entre os irmãos Cullen foi quando Emmet veio morar connosco logo após a morte dos seus pais, nós prometemos nunca deixa-lo, nós fizemos um pacto de sangue na casa da árvore no jardim tornando-nos assim “irmãos de verdade” e evidenciamos a promessa com a frase “Um por todos, todos por um!”.

Várias outras vezes ela era usada para reforçar a nossa união e amizado.

Uma vez importante que aquela frase surgiu foi também quando Jasper foi alvo de troça na escola. Eu e Emmet eramos ambos populares e atletas ao contrário do nosso irmão caçula, depois de apurarmos quem eram os culpados nós os três nos envolvemos numa briga que nos levou a três dias de suspensão, quando Carlisle e Esme vieram tirar satisfações acerca do que tinha acontecido, a resposta foi simples “Um por todos, todos por um!”.

Aquela era a primeira vez que aquela frase era direcionada com aquela intensidade para mim e apesar de a minha vida estar completamente do avesso, apesar de eu não saber como será o futuro, apesar de eu estar invalido, apesar de tudo eu tenho uma família que me ama e que faz tudo por mim e eu só posso agradecer a Deus por isso.

Notas finais
Quero só deixar claro que quando uso termos como "inválido" não é para magoar ou desrespeitar ninguém, eu apenas quero retratar o sentimento do personagem e por vezes a ignorância de algumas pessoas. Então o que acharam? A família Cullen vai se mudar? Ou Edward vai retomar a sua vida antiga? O que acham? O que sugerem?! Por favor, por favor deixem apenas um pequeno comentário! Beijoca Sissi