Leão do Inverno

12 Livro Um — Capítulo XI


Notas iniciais
Babi: Hey, guys! So, muitos feels, mds, me segura. Esse capítulo tá tão delícia que eu já nem sei. Tem opiniões religiosas, então segurem esses forninhos e não causem (apesar que nenhum religioso fanático leria uma fic de incesto, mas é sempre bom avisar, né.) Boa leitura! Toki: CADÊ O GRITO DA GALERA?? WOOOW O/ VOCÊS ESTÃO PRONTAS PARA INÚMEROS HEART ATTACKS? (Vão ter altos Demi Lovato feelings hj... Não, nada de lâminas, relax 'u') ENTÃO VAMOS LÁ *--* -------------------------------------------------------------- "Foi uma febre o tempo todo, um suor frio, uma pessoa impulsiva que acredita. Joguei minhas mãos para o alto, eu disse 'mostre-me algo', ela disse, 'se você se atreve, chegue mais perto'. Por aí nós vamos, diga-me agora, você sabe. (...) O motivo pelo qual me mantenho firme é porque preciso fazer este buraco desaparecer. É engraçado, você é quem está em ruínas, mas eu era a única que precisava ser salva, porque quando você nunca vê as luzes, é difícil saber quem de nós está desabando. Não tenho muita certeza de como me sentir quanto a isso, algo no seu jeito de se mexer faz com que eu acredite não ser possível viver sem você. Isso me leva do começo ao fim. Quero que você fique." — RIHANNA e MIKKY EKKO, Stay.



ANABELLE

O relógio de números vermelhos fluorescentes brilhava na escuridão, marcando cinco horas da manhã. Com os olhos enevoados de sono, Anabelle Parker desligou o alarme insistente e encarou o teto com um sorriso largo.

Não se importava de não ter dormido a noite toda. Estava nervosa e ansiosa, com o estômago dando voltas imensas de alegria.

Era vinte e um de dezembro. A cidade de Londres estava toda cheia de luzes, brilhando com a expectativa do natal. Uma geada delicada caía do céu ainda escuro, e, ao espiar pela janela, Belle não pôde evitar imaginar-se patinando no gelo com Alexandra Winter.

Era hoje. Após três anos, ela estaria, finalmente, em casa.

Fora uma decisão de ambas as partes manterem-se afastadas todo o período em que Lexi vivera em Berlim. Muitas vezes Anabelle via-se pesquisando passagens aéreas para a Alemanha, mas não queria desobedecer ao acordo que mantinham.

Mas hoje todas as horas de agonia e noites de solidão acabariam finalmente.

O voo de Alexandra chegaria ao Heathrow Airport às seis da manhã e a psicóloga esperava estar lá para dar-lhe as boas vindas.

Anabelle vestiu-se, preparando-se para o frio do primeiro dia do inverno londrino, com seu casaco escuro, cachecol vermelho, luvas de couro e botas de cano alto. Estava ansiosa demais para comer qualquer coisa e antes mesmo de o dia clarear, encontrava-se a caminho do aeroporto, sem conseguir esconder sua emoção.

Apenas respire, Belle, dizia a si mesma, esforçando-se para fazer seus pulmões trabalharem devidamente. Apenas respire.

Faltavam poucos minutos agora. E, ali, apoiada contra uma pilastra, assistindo o aeroporto começar a ganhar vida, Anabelle avistou Samantha. A gêmea de Alexandra estava parada perto da área de desembarque, mordendo o polegar, chutando o chão com a ponta da bota de veludo claro.

Ela avistou Belle, mas talvez estivesse tão ansiosa e assustada com a perspectiva de ter Lexi em casa, que não fosse capaz de se mover – a médica sentia que não era. Apenas acenou timidamente, voltando sua atenção para as portas de vidro.

Parker tinha certeza de que alguém sairia muito magoado daquele lugar, mas só lhe restava torcer para que não fosse ela mesma.

ALEXANDRA

O coturno batendo contra frio chão de cerâmica era o único som ouvido por Alexandra Winter. O Tegel Airport encontrava-se em um silêncio agonizante naquela fria madrugada.

Estava atrasada e como que para comprovar isso, uma voz sutil soou, anunciando:

“Atenção passageiros do voo BA0983 da British Airways com destino a Londres, última chamada. Embarque pelo portão dois.”

Inúmeras ligações ignoradas de Ethan enfeitavam seu celular. Correu para fazer o check-in e apressou-se em alcançar o portão de embarque. Sentiu algo vibrar em seu bolso quando já podia avistar a cabeleira loira de seu pai, que ao vê-la, abaixou o telefone, fazendo com que seu bolso respondesse ao ato e parasse de vibrar.

— Céus, Alex! Achei que perderíamos o voo! – Ethan suspirou aliviado e fechou os olhos por alguns segundos, tornando a abri-los para avaliar a filha. – O que isso significa? Por que está vestida dessa forma?!

O tom de voz subiu consideravelmente e Alexandra revirou os olhos.

— Não tive tempo de me arrumar devidamente. ­Saí com pressa, estava atrasada, cheguei em casa e não achei minhas coisas. Não havia bilhetes ou notas explicando que você já tinha saído e levado minha bagagem.

— Não teve tempo ao menos de colocar uma camiseta? Estamos em um local público, poderia ter ao menos o bom senso de-

O homem interrompeu-se ao ver algo diferente na altura das costelas da filha. Observou por longos segundos e percebeu tratar-se de letras. Tapou os olhos, respirando pesadamente e, com um arrepio sinistro, Alex observou uma veia em sua têmpora começar a latejar em cólera crescente.

— Alexandra Winter, não me diga que isso é uma tatuagem.

Mas ele já sabia a resposta. Era óbvio.

Alex xingou-se por não fechar a jaqueta.

— Sim, isso é uma tatuagem e me impressiona que não a tenha visto antes. Faz mais de um ano. Talvez se você fosse um pai...

— CALE-SE! – Ele gritou. O homem calmo a quem ela estava habituada desde sempre simplesmente gritou no meio do aeroporto. – Estou farto de suas atitudes estúpidas e discursos infantis de pré-adolescente!

Sua voz ressoava pelo local, atraindo os olhares dos poucos passantes. Envergonhado, mas ainda inflamado de ódio, Ethan controlou seu tom.

— Uma tatuagem? O que você tem na cabeça?

— Não sei se percebeu, mas sou maior de idade e-

— Não vou aturar mais sua rebeldia – o arquiteto interrompeu a filha bruscamente. – Se quer ser criança, será tratada como uma. Feche essa jaqueta e nós iremos ter uma séria conversa quando chegarmos em casa. Terei que lhe reeducar depois de dezenove anos.

Ethan simplesmente não podia mais suportar o comportamento hostil da garota e Alex sabia disso. Sabia que estava fora de controle e tornara-se algo irreconhecível aos olhos dele, mas todas as pessoas em sua família não passavam de meros estranhos agora.

Ela não conseguia falar nada, sempre que tentava era interrompida por um olhar cortante do pai. Fechou a jaqueta a contragosto e emburrou-se com as mãos dentro do bolso. Sentia-se uma adolescente de quinze anos novamente com o bico lhe enfeitando a face e a cabeça baixa.

Quando já estavam acomodados no avião, Ethan ordenou a ela que “pensasse no que fez”. Foi inevitável para ambos não soltar um fraco riso amargo. De certa forma, a situação era engraçada. Quinze anos? Não, estava mais para dez.

Tirando a aeromoça que a todo o momento vinha se certificar de que Ethan “estava bem” e o irritante choro incessante do bebê mais ao fundo, a viagem foi tranquila. Os headphones faziam um ótimo trabalho deixando Alexandra alheia a tudo.

No entanto, a cada minuto que se passava seu estômago parecia revirar-se mais e mais. Teve de recusar o deplorável “frango grelhado ao molho de maracujá”. Parecia estar mastigando borracha e odiava as sementes da fruta. Qual o sentido de deixarem sementes no jantar dos passageiros?! Jantar... Almoço... O que era aquilo? Não fazia ideia.

Em sua cabeça reinavam os questionamentos sobre o que lhe aguardava em Londres.

Como estaria Olivia? Seus cabelos continuavam tão macios e cheirosos como se lembrava? Thomas seria mesmo o adolescente que via pela webcam? Sabia que Belle continuava encantadora – suas longas conversas por Skype comprovavam isso, mas não podia esperar para senti-la novamente.

E, por fim, Samantha. Como estaria seu reflexo? Sinceramente não fazia ideia. Quais seriam os efeitos de finalmente reencontrá-la? Quaisquer que fossem, os temia.

Quando finalmente pisaram em solo inglês, Alex suava frio. A jaqueta estava lhe sufocando e, aproveitou a distração do pai para abrir o zíper e se abanar. Estava tão nervosa que poderia desmaiar ali mesmo!

O corredor parecia não ter fim e, quando finalmente cruzou o portão de desembarque, sentiu o coração errar as batida.

Lá estava ela! Sam estava deslumbrante. O tempo pareceu parar quando o vento fez com que uma mecha de seu cabelo voasse para o rosto, fazendo-a abaixar levemente e cabeça e colocá-la atrás da orelha. Alex queria ter feito isso por ela. Quando a mais jovem levantou o rosto, finalmente avistou a gêmea e foi impossível segurar o sorriso e os olhos marejados. Alex não teve outra opção senão retribuir.

O contato foi quebrado quando uma cabeleira loira chocou-se contra Alexandra. Thomas a apertava em um abraço sufocante.

— Tommy?! Porra, olha pra você! – Afastou-se para avaliá-lo e foi dificílimo segurar o palavrão. Tom encontrava-se do mesmo tamanho, ou até maior que a irmã. Estava forte e o cabelo desgrenhado dava um ar de charme no garoto que agora já tinha seus dezesseis anos.

— Oh, meu Deus! Isso é uma tatuagem? – Sussurrou a última parte e soltou uma melodiosa risada, abraçando Alex novamente.

Quando se separaram, Lexi mal teve tempo de respirar e outro corpo já estava se chocando no seu. O cheiro inebriante adentrou suas narinas e todos os pelos do seu corpo se arrepiaram quando timidamente passou os braços pela cintura da irmã. Escondeu seu rosto no pescoço dela e ali ficou por longos segundos, provando dos dedos delicados entrelaçados em seus cabelos e dos seios macios pressionados contra os seus.

— Senti saudades – Samantha sussurrou em meio a um soluço e a outra sentiu suas próprias lágrimas aflorando.

— Eu também senti – admitiu com a voz abafada e sentiu o sorriso da irmã.

Quando se separaram, ambas coradas, Katherine envolveu a filha em um abraço desajeitado. Alex não soube o que sentir ou como retribuir.

— Onde está sua blusa? – Kate começou a se alterar, mas Ethan envolveu seus ombros e a arrastou dali, para o alivio da filha.

Estavam prontos para deixar o local quando Alexandra estacou, incapaz de dar um único passo. Seu coração parou para em seguida recomeçar a bater em um ritmo inumano. Sua boca se abriu em um enorme “O” e não pôde acreditar no que estava vendo. Seus olhos só podiam estar pregando-lhe peças!

Ali, escorada numa das grossas pilastras, com um pé servindo de apoio, óculos aviadores escondendo os olhos, um charmoso cachecol vermelho e os inconfundíveis cabelos loiros, estava a doutora Anabelle Parker.

Ignorando os protestos, Alex caminhou arfante ao encontro da figura resplandecente.

— Belle? – Quando a americana percebeu sua presença, tudo ao redor pareceu desaparecer. – Oh, meu Deus!

Belle.

A gêmea Winter mais velha teve certeza, pelo semblante da psicóloga, que ela sentira falta de ser chamada assim. O apelido não passou despercebido por Samantha e, com a pequena fração de seu cérebro que ainda funcionava racionalmente, Alex pôde captar a expressão de incredulidade no rosto de sua irmã.

Lexi e Belle estavam envoltas em uma bolha própria. A três passos de distância elas se encaravam com enormes sorrisos, avaliando cada pedaço de seus corpos e rostos, matando a saudades apenas pelo olhar.

— Oh, Lexie!

Bastou isso para os olhos de Alexandra marejarem e ela se atirar sobre a loira. Anabelle a apertou em um abraço cheio de saudades e foi incapaz de evitar algumas lágrimas.

Alex afastou-se minimamente e envolveu o rosto sorridente e molhado da loira nas mãos. O cheiro de Chanel No. 5 continuava o mesmo, os olhos verdes ardiam num misto de saudade e paixão, os lábios vermelhos pareciam ainda mais convidativos e a mistura de todas aqueles fatores culminou numa cena que chocou toda a família Winter.

Alex descera uma das mãos para envolver firmemente a cintura de Anabelle enquanto a loira agarrava sua nuca e a puxava para um beijo. Um beijo lento e envolvente que expressava toda a saudade e paixão que ali havia.

As bocas se moldaram com perfeição e assim ficaram por longos instantes. Sempre que Parker tentava afastar-se minimamente para buscar ar, Winter tornava a puxá-la para si, desejando sua boca sofregamente.

Só depois de vários instantes as duas conseguiram se soltar, aos poucos.

Abruptamente, Katherine agarrou a filha pelo braço, puxando-a para longe de Anabelle. A médica cambaleou alguns passos para trás, surpresa, enquanto uma Alexandra atônita encarava a cena.

— Senhora Winter-

— Não – foi Ethan quem respondeu, encarando-a com frieza. – Não diga nada.

— Solte-me! – Alex tentou livrar-se do aperto da mãe, empurrando-a para longe. – O que pensa que está fazendo?

— Pessoas normais não são obrigadas a ver essa falta de decência – com uma força desconhecida pela filha, Katherine empurrou-a para os braços de Ethan. – Leve-os para fora. Terei uma conversa com a Doutora Parker.

O rosto da Senhora Winter estava tomado por uma tonalidade intensa de vermelho. Seus olhos castanhos pareciam em chamas queimando numa fúria animalesca.

— Não! Solte-me! – Alexandra gemeu quando seu pai apertou-lhe o braço, arrastando-a para fora com força desnecessária, atraindo a atenção dos outros passageiros. – Pai, não! Por favor, não!

— Deixe-as conversar – Ethan disse, enquanto guiava-a para o estacionamento.

Os minutos seguintes foram torturantes. O arquiteto deixou os três filhos acomodados no banco de trás do carro, esperando a mulher, sentado ao volante.

Ninguém falou, mas Thomas segurou firme a mão de sua irmã mais velha, tentando mantê-la calma – o que de fato não estava funcionando.

Quando Katherine retornou, uma eternidade depois, Alexandra, que chorava num misto de raiva e desespero, agarrou-se ao banco onde ela se sentara.

— O que você fez? – Perguntou, irritada.

— Não me dirija a palavra – a mulher retruco.

A garota ia tornar a rebater, mas Tom a agarrou pelos ombros e puxou-a para seu peito. Afundando o rosto ali, a gêmea Winter mais velha ficou o resto da viagem, controlando-se muito para não soluçar vergonhosamente, enquanto sua irmã mais jovem encarava, estática, o lado de fora da janela.

Os gritos recomeçaram assim que o carro estacionou na garagem.

— Você não tinha o direito! – Alexandra berrou, subindo para o saguão, a garganta apertada.

— Você não tinha o direito! – Kate rebateu, seguindo-a para a sala, pondo-se a frente da garota, separada por uma mesa de centro de que Alex não se lembrava. – Acha que somos todos obrigados a assistir ao seu espetáculo depravado? Aquilo foi nojento! Você é nojenta!

As palavras acertaram a gêmea Winter mais velha como um soco na boca do estômago, nauseando-a e deixando-a sem ar por vários instantes.

Não chore. Não ouse.

— Por quê?! – Lexi gritou, olhando-a com desgosto. – Porque gosto dela?! Isso é nojento para você? Afeição? Amor?

— “Amor”?! – Katherine riu tão alto que sua filha encolheu-se. – Seu show de horrores não pode ser chamado de amor!

Ethan entrou, pálido, com um aspecto cansado. Samantha parecia parte da decoração, encarando a cena como se assistisse a um filme, com expressões quase vagas, enquanto Tom, desconfortável, procurava um meio de interferir.

— Deus criou o homem para a mulher, Alexandra – Kate esbravejou, fitando-a como se pudesse lhe passar algum tipo de doença. – Eu sinto muito por ter errado com você e ter de assisti-Lo castigá-la.

— Então você acredita que o seu Deus vai me condenar pelo meu amor, mas vai perdoá-la pelo seu ódio? – Alex riu, incrédula. A cortina de lágrimas em seus olhos tornava tudo um borrão desfocado. – Quão hipócrita você e essa sua religião podem ser?

Num movimento abrupto, a Senhora Winter atirou-se na direção da filha, pronta para estapeá-la. Thomas a agarrou pela cintura, puxando-a para longe enquanto Ethan empurrava Lexi para além de seu alcance.

— Parem com essa loucura! – O arquiteto berrou, horrorizado.

— Eu não criei você para que me envergonhasse, sua aberração! – Kate estava possuída pelo ódio, cega por um preconceito doloroso. – Não quero que pense em mim como parte da sua família. Não sou sua mãe a partir de agora!

— Que grande diferença – Alexandra murmurou, com as lágrimas escuras pela maquiagem borrando o rosto e o coração doendo pela rejeição. – Você nunca o foi de verdade.

O silêncio predominou depois disso. Tom sentiu-se confiante o suficiente para soltar a mãe aos poucos, e Lexi enxugou as lágrimas, com o orgulho ferido.

Quando ela pensou que as ofensas haviam, enfim, terminado, sua mãe acrescentou, num tom baixo e determinado:

— Você é uma sapatão depravada – as palavras de Katherine vieram impregnadas de veneno e Alex não pôde evitar se encolher um pouco. – E eu quero você fora da minha casa agora.

— Se ela for, eu vou com ela – Samantha se pronunciou pela primeira vez, desde o aeroporto.

Surpresa, Alexandra encarou seu reflexo, sem entender a atitude nobre e heroica, perdida em seus soluços degradantes, tremendo de vergonha, medo e raiva.

— Não quero você perto dela – Katherine avisou, séria.

— Sou legalmente independente e se você expulsá-la, prepare-se para nunca mais tornar a me ver – a mão de Sam escorregou para tocar a sua e a gêmea mais velha sentiu todo seu corpo reagir àquele toque.

— Ela não vai embora – Ethan declarou, rouco, coberto de suor e com uma aparência dez anos mais velha. – Ela vai subir, tomar um banho, trocar de roupa e descansar para conversarmos como uma família mais tarde.

— Ela já não faz parte da família – Katherine declarou, amarga.

— Não faço questão – Alexandra sorriu, sem humor.

Desvencilhando-se com certa relutância dos dedos de Samantha, Lexi subiu as escadas, mordendo o lábio para conter as lágrimas e saltou os degraus, quebrada, partida e indubitavelmente sozinha. Sentia nojo de si mesma e culpa pelo que realmente era.

Não queria admitir, mas esperava que as coisas melhorassem com Kate. Sentia falta de ter uma mãe, de ser amada e elogiada por uma presença feminina que pudesse apoiá-la e incentivá-la em todas as suas decisões. Que pudesse gostar dela e aceitá-la como ela era.

Poderia amar ser assim tão errado?

Ela nascera daquela forma. Era incapaz de mudar – e já tentara, por muitos anos.

Com o rosto enfiado nos travesseiros novos, Alex só sentiu Samantha entrar quando esta tocou-lhe os cabelos. Sabia que era ela por conta da reação de seu corpo, precipitado ao toque.

A mais jovem debruçou-se, beijando-lhe os fios castanhos, provocando ondas de descargas elétricas por todo seu ser.

— Obrigada – a mais velha sussurrou, virando-se para encarar seu reflexo, sentando-se e provando das borboletas agitando-se em seu interior. – Pelo que disse lá em baixo. Ela realmente acreditou.

— E você não? – A voz de Sam estava carregada de decepção. – Estava sendo sincera. Não posso perdê-la de novo.

Seu coração escoiceava as costelas com tanta força que sentia-o atrás dos olhos e no céu da boca. O desgosto de momentos antes deu lugar a uma euforia que a fez ruborizar agressivamente.

— Posso ficar aqui, se for o que você quer – Alexandra disse, sinceramente.

— Só... Não torne a partir.

Samantha sussurrou; estavam tão próximas agora que partilhavam as respirações.

— Então nunca me deixe ir – Alexandra Winter sibilou, depositando um demorado beijo no rosto da irmã.

Notas finais
Babi: Tô caída. Pela primeira vez, Samantha ganhando meu respeito. Sobre a Katherine - tenho inspiração na família, cof cof. Alguém aqui shippa Elsanna? Porque eu vou começar uma short-fic e eu queria saber se teria leitores *u* Talvez eu traduza e poste no ff.net, mas preciso de um beta que saiba inglês. Sim, isso é um convite, interessados me chamem por mp :3 SPOILER DA VEZ: "— Ah – delicadamente Samantha tirou o rosto da barriga da irmã, sentando-se na cama. – Ed – murmurou, fazendo um péssimo trabalho em esconder sua frustração pela interrupção. – Olá. Hm. Alex, esse é Edward, meu namorado." Toki: Oooww véy, consertaram meu celular *--* Não preciso mais usar fita isolante