Leyna

3 Capítulo 3


LEO

Leo ria como um maníaco enquanto tentava não acordar a todos no Argo. Ele se levantou, e foi até o binóculo, procurando as janelas do acampamento. Apenas algumas acesas, e, por sorte, uma delas era a de Octavian. É, ele tinha levado a sério o que Reyna pedira de brincadeira.

Quase saltitando, ele foi até uma das balistas e mirou no quarto de Octavian. Sem parar de rir, ele atirou com mira perfeita, sem acertar nenhum dos outros quartos. Depois disso, apagou todas as luzes do navio e se esgueirou até seu quarto, fingindo que estava dormindo. Podia ouvir o escândalo de Octavian lá embaixo. Tentou fingir que estava dormindo e se controlar, mas começou a sentir o navio balançar, pendendo um pouco para o lado da escada. Ele enfiou a cabeça embaixo do travesseiro, porque sabia que não conseguiria se controlar. Sua porta foi escancarada violentamente. Reyna apareceu, tentando fazer uma cara furiosa, mas sem conseguir esconder o riso.

– Valdez, que diabos foi isso?

Ele fingiu acordar. Octavian apareceu, com alguns furos e chamuscados na toga, e com fumaça saindo do ursinho que segurava.

– Reyna! Mate-o! Explode esse navio! Graecus! Eu disse que não devíamos confiar! E porque diabos você fez isso, seu... seu... seu graecus!

Leo apenas olhou para Reyna e, novamente, fez o sinal com os dois dedos na testa:

– Leo Valdez, ás suas ordens, mi reina.

Ela não conseguiu esconder o sorriso. Octavian estava furioso. Ela riu.

– Acho que eu te subestimei, Valdez.

Com a barulheira, todos começaram a aparecer lá, em seus pijamas, e Hedge gritava "Matar!" enquanto brandia uma pantufa felpuda em formato de alce. Percy foi o primeiro a entender o que tinha acontecido.

– Boa, Leo.

O legado saiu batendo os pés, e berrando.

– Isso não vai ficar assim! ... absurdo! .... atrevimento!... argh, graecus!

Depois que ele saiu, Reyna entrou no quarto de Leo, com lágrimas nos olhos de tanto rir. Ela começou a rolar na cama dele. Os outros perceberam que a pretora e ele tinham um laço, então foram saindo, até mesmo Hedge, que fez um sinal de 'estou de olho' para Leo.

– Meus deuses, Leo, isso foi incrível!

Ele corou. Ver uma garota bonita, no quarto dele, aparentemente feliz, e ainda por cima por causa dele, não era algo que acontecia com muita frequência. Ele ficou sem graça, e foi até sua escrivaninha, onde começou a construir coisas aleatórias para manter as mãos ocupadas. Ela se levantou, e foi até ele.

– O que foi?

– Nada.

Ela segurou a mão dele. Péssima ideia. Estava a ponto de pegar fogo.

– Leo, porque sua mão está sempre pelando?

– Não é sempre. Isso só acontece quando...

Chamas começaram a dançar nas pontas dos dedos dele, e queimaram Reyna.

– Ai!

Ela olhou para baixo, e viu o fogo.

– Como você faz isso?

– Poderes de filho de Hefesto. O seu... Vulcão?

– Vulcano. Mas... Isso não acontece com nenhum dos nossos campistas.

– Maldição aleatória, acontece a cada alguns séculos.

– Eu chamaria de dom. Mas você não consegue controlar?

– Normalmente. Menos quando fico irritado, nervoso, ou, mais especificamente, quando meninas bonitas e interessantes chegam perto de mim.

Reyna começou a andar na direção oposta do quarto, e se fez um silêncio até que ela respondeu, meio ansiosa.

– Então ou Octavian te deixou irritado ou eu sou bonita e interessante. Eu apostaria na primeira opção.

Leo não respondeu. Ele pegou a pequena miniatura de Festus que montou, e a programou para reproduzir uma única frase, que ele fala baixinho perto do gravador. Depois, acendeu uma chama no indicador e foi fundindo a peça. Ele foi até Reyna, e fechou a mão dela em torno do objeto.

– Sabe, temos um longo dia pela frente, acho melhor você ir embora.

A pretora saiu do quarto, parecendo um pouco triste. Leo mal se segurava de expectativas, mas se forçou a deitar e tentar dormir. Um sorriso se formou em seu rosto ao imaginar a cara de Reyna quando o pequeno dragão falasse, com sua voz, "Você é incrivelmente bonita e interessante, mi reina."