Notas iniciais
História desatualizada por conta de problemas para editá-la aqui, a versão mais atual encontra-se na plataforma Spirit. ---------- Espero que gostem!

Seis da manhã, um horário tranquilo para o príncipe dos zoras de Hyrule praticar suas habilidades de natação em volta do Território Zora, exceto por um fator: Há visitantes no reino que partirão em algumas horas. Embora sair durante esse período e apenas retornar para a despedida provavelmente seria considerado ofensivo, ele decidiu que essa era a melhor opção para se acalmar.

Iniciando seu percurso, pensamentos relacionados ao que estava ocorrendo há quase um ano invadiram sua mente:

— O que realmente está acontecendo? O que exatamente mudou em meus sentimentos pela Yona?

"Francamente, é impossível refletir sobre minha vida sem mencioná-la ao menos um momento. Desde aquele dia que ela me salvou, não apenas recebi uma nova oportunidade para viver, mas também uma melhor amiga pelo resto da minha vida.

"Faz aproximadamente 70 anos desde aquela ocasião e, honestamente, eu já perdi a conta de quantas aventuras já vivemos, quantas vezes abrimos nosso coração para o outro sobre o quão desafiador e até mesmo sacrificante é a vida da realeza, tudo isso nos vendo apenas alguns dias uma ou duas vezes por ano.

"Provavelmente é isso que torna nosso vínculo tão forte: Sabemos as dificuldades que temos, então compartilhar nossos aprendizados é como decidimos superá-las, embora, sendo sincero, ela me ajuda mais do que eu consigo retribuir, pois é incrível como ela é sempre tão madura e inteligente!

"Talvez a admiração que Yona possui por minha irmã mesmo nos dias atuais, tantos anos após sua partida deste mundo, pode ter feito ela se prometer que sempre me ajudaria para que, um dia, eu me torne um rei que todos tenham orgulho, honrando assim seu legado.”

Depois de concluir o último pensamento, Sidon percebeu que, como mágica, Yona estava de pé sobre algumas pedras próximas da entrada do domínio, assistindo seu treinamento com uma leve expressão de tristeza. Parando imediatamente, o príncipe perguntou:

— Bom dia, Yona! O que a traz aqui?

— Bom dia, Sidon! Estava o procurando e o Rei Dorephan disse que provavelmente eu o encontraria aqui. Se você não se importar, gostaria de saber se você pode interromper seu treino por alguns minutos para conversarmos.

Esse convite era o que Sidon não queria ouvir, não porque ele não queria conversar com ela, mas pelo fato que ele tinha seus motivos para evitá-la desde sua chegada e pretendia seguir esse plano até sua partida hoje. Tentando não ser rude, o príncipe, claramente constrangido, sugeriu:

— Posso ao menos finalizar meu aquecimento realizando mais três voltas ao redor do território? É apenas para não deixar essa parte do treinamento incompleta.

— Infelizmente sinto que isso não será possível, eu realmente tenho um tópico importante para discutir com você antes de ir embora — recusou Yona, adotando um tom de voz mais sério.

Entendendo que não seria possível esquivar-se dessa vez, Sidon nadou até onde a senhorita estava, saiu da água e ficou em frente à Yona, pronto para o que seria discutido. Sem perder tempo, ela, novamente com seu tom sereno, começou a falar:

— Primeiramente, peço minhas sinceras desculpas por interromper seu treinamento, pois entendo que essa deve ser uma das principais atividades do seu dia.

— Fique tranquila, sou eu quem precisa se desculpar por não perceber que você precisava falar comigo — comentou o príncipe, com um leve sorriso.

— Não se preocupe, decidi que precisava ter essa conversa com você apenas na noite passada, antes de adormecer. Me perdoe se estou sendo muito intrusiva por perguntar isso, mas aconteceu algo antes ou até mesmo durante a visita da minha família?

— Até onde sei, não, nada aconteceu — respondeu Sidon, fingindo surpresa. — Algo a incomoda?

— Talvez não compreendi corretamente algumas situações, me desculpe por isso — explicou Yona, chateada e abaixando sua cabeça por alguns segundos. — Não sei como pude pensar que por alguma razão você evitaria falar diretamente conosco.

— Posso ter planejado incorretamente meus afazeres durante esse período, então eu me arrependo profundamente por causar essa impressão em você.

Olhando melhor para o príncipe, Yona percebeu que Sidon mantinha firmemente suas mãos fechadas, claramente desconfortável por estar ali. Imediatamente a senhorita insistiu, preocupada:

— Você está com algum problema, Sidon? Eu nunca o vi agindo dessa forma antes.

Imaginando que ele estava dando sinais de sua atual condição, o príncipe escondeu suas mãos atrás de si e aparentou que iria responder algo para tranquilizar sua amiga, mas imediatamente ele concluiu que seria em vão continuar escondendo a situação. Depois de respirar profundamente, Sidon, se curvando diante da senhorita, explicou, levemente afobado:

— Eu não tenho palavras para expressar isso, nem mesmo coragem para olhar diretamente para você, mas preciso pedir que me perdoe. Permiti que alguns pensamentos me guiassem e, temendo pelo pior, decidi que a melhor opção era esquivar-me de todos durante esta visita ao invés de lidar com essa situação e agir conforme era esperado de mim. Juro que isso nunca mais irá se repetir!

No primeiro momento Yona se questionou o que Sidon tentava dizer com essa afirmação, porém alguns segundos depois, ela imaginou o que poderia ser o problema do seu amigo. Tentando não complicar ainda mais a situação, a senhorita calmamente questionou:

— Eu receio que não entendi totalmente, Sidon. Você se importaria de explicar com outras palavras o que lhe aflige, por favor?

Lentamente voltando para sua posição normal, o príncipe olhou diretamente para os olhos de sua amiga por alguns segundos e, triste, recusou:

— Infelizmente é melhor para nós que eu não tente reformular minha última afirmação. Percebo que causei muitos problemas com meus pensamentos, então a melhor alternativa para todos é esquecermos o que ocorreu nesta visita e, na próxima oportunidade, reiniciarmos como éramos antes.

Após mais uma vez não deixar clara a situação, a senhorita deduziu o que estava incomodando seu amigo. Ela também decidiu respirar profundamente e, tentando o confortar, disse:

— Durante nossa adolescência prometemos para o outro muitas vezes que sempre seríamos melhores amigos, correto?

— Claro, e sempre seremos! — assegurou Sidon, surpreso com a pergunta.

— Eu concordo, entretanto, em nossa inocência, não incluímos o fato de que um dia cresceríamos e nos tornaríamos adultos. Apenas isso, teoricamente, não seria um problema para nossa promessa, embora, honestamente, alguns outros fatores relacionados poderiam afetá-la...

Percebendo que desta vez era o príncipe que estava confuso com a última frase, Yona a explicou com um sorriso tímido:

— O que quero dizer, Sidon, é que agora eu entendo o que você está sentindo, pois posso lhe assegurar que sinto o mesmo.

Essa afirmação foi para o príncipe como se um raio tivesse o atingido. Após ficar sem reação por alguns segundos, ele, fazendo sinal com suas mãos para que sua amiga aguardasse, pensou um pouco e, ainda tentando aceitar o que havia ouvido, sugeriu:

— Eu receio que não estamos discutindo sobre o mesmo assunto, Yona. É totalmente inaceitável que nós...

Imediatamente Sidon parou de falar, não querendo completar a frase. Para a senhorita, estava claro que seu amigo se sentia culpado com o que estava acontecendo, mesmo após ela admitir que possuía os mesmos sentimentos por ele.

Sabendo que adiar essa conversa entre eles apenas os faria sofrer, Yona, olhando para os olhos de seu amigo até ele concordar em fazer o mesmo, propôs:

— Como não estamos chegando à lugar nenhum, podemos recomeçar essa conversa, agora tentando encontrar uma solução apropriada para nossa situação?

— Eu concordo totalmente, sempre alcançamos ótimas soluções dessa forma!

— Perfeito! — respondeu a senhorita, sorrindo. — Em primeiro lugar, como nossa decisão de esconder o que estava acontecendo resultou no cenário atual, minha sugestão é começarmos esclarecendo tudo. Você possui alguma objeção?

— Não possuo, essa também é a melhor opção no meu ponto de vista — concordou o príncipe, aparentando estar mais conformado com a situação. — Como fui eu quem causou esse problema, posso abrir meu coração primeiro, por favor?

— Como desejar.

— Muito obrigado. Sendo honesto, não está claro para mim quais são meus sentimentos por você. Desde a visita passada da sua família percebo que algo está diferente, pois eu estava mais focado em você e sua partida fez com que eu me sentisse estranho, afinal embora sempre sinto sua falta após cada visita, da última vez foi muito mais intenso. Tentei muitas vezes entender o que estava acontecendo e a única conclusão que cheguei foi que deveria esquivar-me de todos durante as visitas seguintes até compreender totalmente o cenário atual, mesmo que claramente essa não era uma solução apropriada.

— Sim, concordo que tudo está confuso no momento — admitiu a senhorita, pensativa. — Francamente, seu relato corresponde ao que estou sentindo desde três visitas atrás, exceto pelo fato de que preferi encobrir essa situação agindo como se nada mudou, embora depois da última visita meus pais me perguntaram se algo estava me incomodando, então provavelmente falhei tentando passar essa impressão. Concluindo, como nenhum de nós está certo sobre nossos sentimentos, acredito que o melhor que podemos fazer agora é refletir mais sobre esse assunto e chegar a uma conclusão juntos quando eu visitar novamente o território. Qual a sua opinião?

— Você está certa, Yona, entretanto, se você não se importar, ao menos algo eu gostaria de lhe perguntar sobre, pois essa é minha principal razão para ser contra o que possivelmente estamos sentindo um pelo outro — explicou o príncipe, trocando sua felicidade causada pela solução encontrada por uma expressão de preocupação devido ao que ele planejava dizer.

— Claro, Sidon, principalmente porque esse assunto pode influenciar minha decisão também.

— Agradecido. Provavelmente você já pensou sobre isso, e como não consigo superar este obstáculo, gostaria de saber sua opinião: Como você está lidando com esse sentimento, considerando o fato de que durante nossa infância costumávamos tratar um ao outro como se fôssemos irmãos?

A senhorita permaneceu em silêncio por alguns segundos, demonstrando que esse assunto também a incomodava. Depois de respirar fundo, ela respondeu, reflexiva:

— Sim, eu concordo que esse é um tópico bastante delicado. O que mais me impressiona é o fato de que faz muito tempo desde que paramos de nos tratar dessa forma e passamos a agir como melhores amigos, porém tão logo passei a ter esses sentimentos por você, essas memórias retornaram.

— Digo o mesmo — confirmou Sidon, chateado.

— Não podemos ignorar o que aconteceu, entretanto, está claro para nós que algo está diferente em nossos sentimentos, então o que sempre relembro quando essas lembranças regressam é que esse comportamento fez parte apenas da nossa infância. Ao menos desde nossa adolescência até os dias de hoje consideramos o outro como melhor amigo e agora estamos discutindo nosso futuro, além de que, acima de tudo, nós não somos irmãos, então não estamos fazendo nada de errado.

— Sim, concordo totalmente — respondeu o príncipe, claramente aliviado após ouvir os argumentos de sua amiga. — Me conforta saber que não sou o único tendo dificuldades com isso, então muito obrigado por me ajudar mais uma vez, Yona!

— Sou eu quem precisa lhe agradecer, Sidon, por provar que eu precisava falar sobre isso com você e, especialmente, por estar disposto a fazer o mesmo comigo. Agora devemos levar o tempo que for necessário para avaliarmos os pontos positivos e negativos, permitindo assim, se possível, decidirmos na próxima vez que nos virmos o que é melhor para nós.

— Você está certa, e eu sei que iremos superar isso juntos, como sempre fizemos! — previu Sidon, finalizando a frase com seu sorriso característico, fazendo com que ambos rissem.

Notas finais
Agradeço por terem lido o capítulo e espero que tenham gostado!