Letters To Mr. Darcy
2 'All I ever think about is you...' - 06.07.2011
Notas iniciais
Boa leitura!
Saímos da escola ao meio-dia, em direção ao shopping da cidade. Compramos os ingressos para o filme que haviamos planejado ver — "Transformers — O Lado Oculto da Lua" — e almoçamos por lá, na praça de alimentação.
Ainda falatava cerca de uma hora para o início do filme, então ficamos conversando, após o almoço. Por ser uma tarde de quarta-feira, não havia muito movimento no shopping, o que tornava o ambiente agradável.
Não me lembro bem, mas acho que estávamos com sono e eu peguei um pequeno tarô de papel para me distrair, e achei a carta. Olhei bem para aquela folha dobrada, meio escondida no caos da minha mochila, pensando no que fazer — talvez fosse o momento.
Entreguei-a para ele que, mesmo estranhando, pegou-a, desdobrou e começou a ler.
Silêncio.
O tempo parecia ter congelado, parado — e por um instante eu quis poder 'voltar a fita'. Mas era tarde demais.
Silêncio. Eu não sabia para onde olhar, não conseguia encará-lo. O medo da rejeição, o peso da atmosfera, a garganta seca, o aperto no peito, o coração pulou uma batida.
Droga, por que eu tinha feito aquilo, mesmo? Por que ele tinha comentado que não sabia se gostava mais dela, e eu acreditei ser a minha deixa... Deus, o tempo não passava.
E, de repente, ele me olhou meio sem jeito.
– Acho que não sei o que falar numa situção dessas. — ele disse.
– Nem eu. — respondi.
– Eu imaginava que você gostasse de mim, mas não assim, desse jeito...
– Pois é... — foi tudo o que eu consegui dizer.
– Você sabe que eu vejo você como uma amiga, não?
Eu queria cavar até o pré-sal e me enterrar. Que vergonha! Mas talvez tivesse sido melhor assim, sem muitas palavras.
– Sei...
– Acho que nós devemos continuar assim, amigos.
– Claro, amigos.
Silêncio mais uma vez. Um menos desconfortável, pelo menos.
– Faltam quinze minutos pro filme, vamos subir? — falei, depois de consultar as horas.
– Okay.
Então, ele colocou a carta na mochila e nós nos levantamos da mesa, rumo ao cinema.
–-
Despois de toda aquela cena eu mal tive coragem de falar ou olhar para ele, quanto mais pedí-lo para aquecer as minhas mãos — geladas pelo ar condicionado, e o nervosismo.
Mas naquele momento — em meio a cenas de explosões e muita ação — eu soube que, por mais que ele não gostasse de mim da mesma maneira que eu gostava dele, ele seria sempre o meu melhor amigo.
Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos!
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