Let's be Forever

5 Little Do You Know.


Notas iniciais
Hey little birds, a música de hoje é do Alex and Sierra - Little do you know link: https://www.youtube.com/watch?v=4bzIpYiPUUo Eu queria agradecer a Bule de Mel pela capa maravilhosa que ela fez.

Pouco você sabe, eu sei que você está machucada.

Embora eu pareça estar dormindo

Mal você sabe todos os meus erros

Estão lentamente me afogando.

***

É 2:30am e eu ainda estou acordado. É difícil dormir quando ela esta dormindo na cama ao lado e eu nem posso abraça-la como fazia antes... Antes era tudo mais fácil.

Minha mãe e a dela saiam nas sextas, meu pai quase não ficava em casa, ele era o prefeito naquela época, mas sempre foi e é um bom pai. Eu e a Alice passávamos as noites de sexta juntos, seja brincando com a pão de mel, jogando, assistindo filmes. Eu sabia todos os seus segredos, manias, até o que pensava, assim como ela sabia os meus segredos, manias, menos o que eu pensava.

Eu sempre a amei, mas naquela época era tudo muito confuso, eu não sabia o que eu sentia, eu só sabia que eu a queria só para mim, queria a sua atenção, os seus sorrisos, tudo, eu a queria e ainda quero.

Ela tinha se entregado pra mim de uma forma inocente que me deixou ainda mais apaixonado do que já estava, tanto que eu contava os minutos pra vê-la novamente, seja depois da aula, intervalo, depois da escola, eu não queria sair do seu lado.

Nessa época, meus avós ficaram muito doentes, eles estavam morrendo e eu os amava e os admirava como ninguém, às vezes eu me imaginava assim com a Alice, namorar, noivar, casar, ter filhos, ser avós e morrer juntos. Clichê, eu sei, mas né.

O problema é que eu faltava muito e acabava fazendo todos os trabalhos e lições em casa, só ia até a escola quando tinha prova. O que eu não sabia é que aqueles filhos da puta zoavam ela, a chamavam de bebê chorão e eu me culpo até hoje por ter faltado nesses dias. E o que mais me deixava e me deixa com raiva é que ela não contava pra ninguém, nem pra mãe dela.

Eu só fui descobrir que a chamavam de bebê chorão quando os meus “amigos” me convidaram para ir ao boliche. Eu falei que não podia ir por que a Alice iria à minha casa naquela noite, omitindo bastante coisa.

Eles insinuaram que eu gostava dela e que dava “uns pegas no bebê chorão” e foi ai que eu descobri essa merda toda. Eles falaram como se fosse uma coisa ruim e acabou que eu fiz a merda, falei que cuidava dela por obrigação ao invés de assumir ela, eu iria inventar uma desculpa para não ir e passar a noite com ela, mas eu a vi no canto, escondida, ela tinha escutado tudo. Fiz que eu fosse até ela, mas ela saiu correndo pra sua casa.

Mandei todo mundo pro inferno e a segui. Chegando lá, vi Carlos, o namorado da mãe dela saído da casa praguejando sobre a Alice ser mimada e que ele ia botar ela na linha, filho da puta.

Eu sabia que ela tava em casa, mas sabia também que ela iria me ignorar, mas mesmo assim liguei para o celular dela, caixa postal, liguei para o da dona Elizabeth, ela me atendeu, mas disse que tinha ido a casa da irmã dela e que a Aly ficou por lá. O que ela não fazia pela filha.

Na manhã seguinte ela me mandou uma mensagem:

“Você sabe que eu ouvi tudo, mas não se preocupe, estou bem, nunca fomos mais que amigos, né? Espero que não fique nada estranho entre nós.”

O desespero tomou conta de mim. A sensação de estar perdendo ela foi muito forte. Tentei ligar para ela, mas novamente ela me ignorou.

A semana se passou, e eu fiquei esperando ela sair de casa, mas ela não saia. Só nos vimos no dia em que a dona Elizabeth pegou a minha mãe e o Carlos, transando. Foi um choque pra todo mundo saber que a primeira dama traiu o prefeito com o namorado da melhor amiga.

Meu pai descobriu a traição umas semanas antes, então enviou uma carta anônima para dona Elizabeth. Minha mãe foi expulsa de casa, mas disse que só saia de casa se eu fosse junto, digamos que minha não tem um caráter muito bom, ta mais pra péssimo, mas okay. Meu pai disse para eu ir, pois a guarda seria compartilhada, e que qualquer coisa que ela fizesse contra a mim, era para eu avisa-lo que a minha guarda iria para ele.

Sai de casa e fui direto para o aeroporto, fui embora e eu nem me despedi dela. Segurei o Maximo que pude, mas quando chegamos à Irlanda e pousamos num hotel, eu desabei. Chorei de saudade, chorei por ter sido um babaca, chorei por ter perdido ela.

E hoje eu a olho dormindo como um anjo sem poder toca-la como um dia toquei, se eu ao menos tivesse coragem de dizer a ela o que eu sinto, se ela ao menos me deixasse dizer o que eu sinto, seria um sonho realizado.

***

“Meus pais estão brigando de novo, mas dessa vez é bem pior que das outras vezes. Ouço coisas quebrando, palavras horríveis sendo ditas um ao outro.

Agarro-me ainda mais ao meu snoopy de pelúcia, que eu havia ganhado da minha tia aos cinco anos, me encolho ainda mais puxando o coberto até cobrir a minha cabeça, tampando os ouvidos para não escutar mais a briga.

Ouço meu pai subindo as escadas e finjo estar dormindo, ele abre a porta, se dirige até a minha cama, passa a mão em meus cabelos e diz:

— Papai vai ter sair um pouco mas ele já já volta, okay meu anjo?

Então ele se levanta fecha a porta e sai, prometendo voltar pra minha mãe também, mas ele nunca mais voltou...”

Acordo com o coração disparando, aquela mesma sensação de perda voltou. Argh que inferno. Sento na cama, abraço os meus joelhos e encosto a minha testa neles. Respiro um pouco tentando me acalmar, mas só piorou e eu começo a chorar baixinho pra não acordar o ser maligno. Eu odeio isso, eu só queria saber o que era de tão importante para o meu pai sair que nem um desgovernado naquela tempestade.

A minha mãe sabe, assim como a minha avó também, mas nenhuma das duas quer me contar e é horrível ter aquela sensação de ignorância, de não saber o que aconteceu, é como se me deixassem no escuro sozinha.

Devo ter emitido algum som, pois vejo Gabriel correndo até a minha cama, me abraçando. Eu me agarro nele chorando mais ainda. Ele passa a mão nos meus cabelos tentando me acalmar e de fato da certo. Separamos-nos e ele põe as mãos no meu rosto, me obrigando a encara-lo.

— Hey, eu to aqui, calma, foi só um sonho.

— Não, não foi – minha voz esta rouca – sonhei com a noite que perdi meu pai... – e eu volto a chorar de novo e ele volta a me abraçar apertado.

— Entendo... Aly olha se você não quiser ir até a clinica, tudo bem, eu fico aqui com você – ele diz de forma terna.

— Não, eu to bem, nós vamos, eu só... Preciso lavar o rosto e me vestir – digo me levantando indo ao banheiro.

— Evy... – eu não acredito que ele me chamou por esse nome. Esse era o meu codinome para quando queríamos nos encontrar, o dele era Bill. Usávamos o nosso segundo nome: Alice Evelyn Grenne e Gabriel Bill Poter.

— É Alice e eu to ótima – digo ríspida – é melhor nos trocarmos rápido, estamos atrasados.

Vou ao banheiro, levando comigo as minhas roupas. Saio, calço o meu all star preto e espero o ser maligno.

Ele sai, passando a tolha nos cabelos negros. Embora eu esteja com mal humor, tenho que admitir que ele ta lindo.

Ele fica me encarando fascinado, assim como eu o encaro fascinada.

— Nossa... Você ta linda— ele diz ainda abobado.

— Obrigada – sorrio corada – você também... Vamos?

— Vamos.

***

É 9:30am e a secretária pediu para nós esperarmos o Xavier que nem ontem. Desde a saída do hotel até aqui, eu não disse uma palavra, não gosto que as pessoas me vêm chorando, principalmente o ser maligno. Da uma sensação horrível de ser fraca e frágil e isso eu não quero.

De repente sinto sua mão na minha, tento afastar, mas ele a segura forte contra a sua.

— Eu sei que você não gosta, mas odeio ver você desse jeito, eu to aqui, acredita pelo menos isso, por favor? – ele diz me encarando.

— Ta... – tento sorrir e ele também – bom espero que ela não nos expulse que nem ontem – comento rindo.

— E que ela não nos chame de crianças – ele completa.

— Ah para, eu gosto, é uma maneira carinhosa dela nos chamar.

— Eu não sei não, ontem ela falo que ia roubar meu coração, parece até canibal – ele diz rindo do seu comentário.

— Ai já é exagero, né? – digo rindo – o que será que ela fez de tão ruim? – pergunto agora séria.

— Eu já disse, ela foi uma psicopata que matava geral.

— Eu to falando sério... Tenho até medo de descobrir.

Nessa hora, avisto Xavier, vindo em nossa direção.

— Olá – ele nos cumprimenta com um aperto de mão.

— Bem... Olivia? – o ser maligno pergunta.

— Ela esta na nossa biblioteca esperando por vocês. Sigam-me.

O seguimos por um corredor, que dava a uma sala bem rústica, cheia de livros, MEU DEUS O PARAÍSO, parecia que a sala não tinha fim.

Notas finais
E ai, gostaram? Comentem, deem a sua opinião. Beijinhos de luz. Cheshire
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.