Em casa não era melhor, olhar para as faces radiantes dos colegas apaixonados tornara-se doloroso, ao ponto de passar a maior parte do tempo fechado no quarto, pensando em formas de resolver as coisas. Não estaria certamente a pensar ficar naquele estado miserável para o resto da vida.

Dormir não era muito melhor, sentimentos de culpa invadiam o seu inconsciente, Nuno aparecia nos seus sonhos recorrentemente. O último fora sem dúvida algo mais estranho, imaginara-se num bar, solitário, bebendo e desabafando com barman e acabava

Acordava sobressaltado confuso, em completa negação recusando toda a ajuda possível e imaginária.

Sabia apenas que daria tudo para conseguir ter a coragem para lhe pedir desculpas e confessar a confusão sentimental que sentia, ter alguém que não o julgasse. Esperava que o seu telemóvel toca-se a qualquer momento, mas sabia que isso não iria acontecer, Nuno provavelmente nem o quereria ver pintado de ouro à sua frente, quanto mais falar com ele.

Estava na escola quando finalmente resolveu mandar uma mensagem a Nuno.

“Precisamos de falar, pessoalmente de preferência, pedir desculpas por mensagem não é lá muito bom. Pode ser amanhã no Chiclet? Ass: Fábio”

Passara o dia todo a pensar no que havia de dizer para não estragar tudo, ensaiava as suas palavras cuidadosamente tentando calcular a reacção que Nuno teria a cada expressão e não estragar tudo mais uma vez.

Aparecera no local meia hora mais cedo, encostado a uma parede e pensando alto, chamando por vezes a atenção das pessoas que passavam. Ocorriam-lhe possíveis finais para aquela conversa:

-Nuno nunca mais falaria com ele, pois Fábio era um idiota incapaz de dizer o que pensa;

- Acabaria tudo bem, e ficariam amigos e não se falava mais no assunto;

- Acabava de novo em violência idiota;

-Deixaria de ser idiota e dizia a Nuno que estava confuso relativamente a tudo, e que gostaria de ser seu amigo e talvez no futuro algo mais;