Letargia

1 Capítulo único


A rua era precariamente iluminada, a única coisa que você enxergava eram vultos de prostitutas e drogados envoltos por uma camada fina de neblina. Com uma garrafa na mão e dinheiro no bolso, procurava algum vendedor que comprasse sua dignidade.

O frio era tamanho que penetrava em sua pele e trincava seus ossos, sua respiração condensava o ar a sua frente e o casaco que usava não era suficiente sequer para amenizar a temperatura, fazendo com que você praguejasse constantemente.

À sua volta, as prostitutas passavam a mão em seu rosto, tentando vender-lhe prazer. Acima de vocês, na janela do primeiro andar, sombras de homens segurando armas não pareciam assustar ninguém; e finalmente no final da rua, virando no último beco antes da esquina, estava exatamente quem você procurava: o colecionador de sanidade, fornecedor de euforia.

Minutos depois a troca estava feita, o resto da sua dignidade definitivamente vale um grama de excitação.

Mais adiante, jogado entre paredes você era entretido por luzes extremamente coloridas que flutuavam na linha de seus olhos. Tentava apanhá-las porém eram muito rápidas, deixando-o frustrado. Logo, as luzes foram caindo, derretendo e finalmente se transformaram em vermes. Poucos segundos depois, sentiu-os rastejar em sua perna, destruindo sua calça e atingindo sua tez, agora com cheiro de putrefação. Assustado, você se levantou tentando arrancá-los da sua pele, fazendo apenas com que eles se espalhassem ainda mais sobre sua perna atingindo sua alma, degenerando pouco a pouco o que restava dela. Segundos depois você apagau, corrompido e sem grana no meio de um beco cheio de animais iguais à você.

Notas finais
há quem diga que essa história é pesada e tal, mas eu gostei dela, rs. Bom, grande declaração e.e tomara que gostem rs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!