Letal

2 Prólogo II: Júlio


Notas iniciais
Pois é. Vamos ao primeiro momento um titinho 'dramático' da fiction. Espero que não fiquem entendiados, porque eu realmente não sei escrever romance -q Capítulo que vem vou sair do prólogo. Vocês vão entrar na parte mais demorada da fiction, que é mais ou menos o "flashback" que a Kenna conta para vocês. Espero que gostem.

Acho que dois dias naquela prisão quente foram suficientes para me deixar surda. Não por causa de sons altos, nem pensar. Era o fato de realmente eu estar em um lugar sem som algum. As ondas de sons de eletricidade vindo da parede era a única coisa que eu ouvia.

Eu não conseguia nem deitar naquele cubículo. Se eu tentasse, certamente, alguma parte de meu corpo encostaria-se à Barreira, e eu seria queimada viva. Então o jeito para não pegar alguma lesão na coluna ou alguma queimadura fatal, era ficar mudando de posição sentada.

Três dias, ou dois ainda, ou até quatro. E eu perdia a noção do tempo. Não sabia se era noite ou dia. Simplesmente se eu sentia sono, eu dormia em qualquer posição. Quando acordava, trocava de posição. Ou simplesmente interrompia o sono para trocar de posição de novo e voltava a dormir.

Pelo menos as algemas já se foram. Mas eu não ligava para nada mais de bom ou ruim. Eu iria passar o resto da minha vida nessa prisão, no fundo do poço.

No meu julgamento, fiquei tendo ataques de gritos e crises, dizendo: “POR QUE VOCÊS QUEREM ME PRENDER?!? O QUE VOCÊS QUEREM DE MIM?!!!???!? O QUE MAIS VOCÊS PODEM ME TIRAR!!??!?”. Tiveram que me tirar à força da sala, e deixar os juízes decidirem por conta própria o que fazer comigo.

Foi uma injustiça terrível comigo. Mas vi que ficar gritando por ajuda não ia adiantar de nada. Ninguém ia me ouvir lá de cima.

Ser alta também não ajudava muito ficar naquele cubículo. Meus 1,72 metros só serviram para uma coisa na vida: servir de escrava para meu irmão caçula quando ele queria pegar biscoitos de cima da prateleira.

John Gankel... Lagrimei ao me lembrar de meu único caçulinha. Agora que eu já estava me lembrando do passado, me encolhi como um caracol, deixando os olhos pra fora, acima dos joelhos. E desabei em prantos.

Mataram todos. Meu irmão. Minha mãe. Meu pai. Minha família... E a única exceção dessa linha de assassinato, de pessoas que eu, Kenna, ainda amava, era o Júlio César.

Éramos namorados. Fomos separados por um destino cruel que eu mesma proporcionei.

Como ele devia estar agora? Será que ele ainda me amava? Será que ele realmente me amou? Um dos meus castigos vai ser justamente ter que me perguntar dolorosamente sobre isso todos os dias.

Quando fui presa, estávamos na época do namoro em que eu tive aquela crise de dúvidas: será que ele me ama de verdade? Júlio me tratava tão bem, tão carinhosamente, me protegia de tudo. Um menino tão inocente e doce... E tivemos uma história linda de amizade que se tornou uma união forte e amorosa. Mas aquele seu olhar misterioso guardava uma coisa que acho que nunca vou decifrar. Nunca vou saber se aquilo era um olhar de aprovação para sua própria namorada, ou falta de confiança em mim. Isso me levou a ter perguntas histéricas e doentias sobre seus sentimentos por mim. Eu era, e ainda sou louca por ele.

Quer dizer, eu confiava muito em Júlio. Ele cumpria todas as suas promessas, apesar de ser teimoso demais. Ele também era complexo. Ele tinha uma mente ampla e lia muito. Tinha um ponto de vista crítico e admirável. Além disso, era muito paciente de segurar minha mão e me explicar todas as coisas que ele aprendia... Todas as coisas que ele achava dos livros, filmes, opiniões. Ele era atencioso, crítico e sincero.

Mas havia algo naquele olhar... Algo profundo demais, que acho que nem ele poderia ser capaz de me explicar.

Fora isso, Júlio me deu um motivo muito grande para viver. Eu era uma pessoa normal e sem conteúdo. Depois que comecei a ser amiga dele, eu mudei muito. De pior para bom.

Júlio me deu um Norte. E eu consegui estraçalhar e acabar com tudo assim que fui presa. E eu tava pagando um crime que eu não havia cometido.

E foi só lembrar-se dele, do abraço dele, dos carinhos e dos beijos, dos conselhos e da voz... Que comecei a chorar desesperadamente. Acho que nem todos aqueles 22 andares descidos eram suficientes para poder-se dizer que realmente estou no fundo do poço.

Júlio era o único. Sobrou apenas ele. Já foi difícil ter que lidar com o assassinato de uma vez da minha família, agora ter em mente que Júlio estaria lá em cima me aguard... Espera.

E aí mais outra pergunta que me corroeria todos os dias: ele desistiu de mim? Não tem mais esperanças comigo? Será que ele me descartou e partiu para outra?

Não fiquei duvidando da fidelidade dele comigo. Mas... Em uma situação dessas, era como se eu já estivesse morta. Entrei na Kronos Land para nunca mais sair.

A ideia de ele ir embora para sempre de mim me assustava demais. Eu entendia, mas fiquei em dúvida se ele facilmente se esqueceria de mim, ou demoraria.

Mas o motivo de ele não ter sido morto ainda é um mistério. Outra pergunta que me voltou a assombrar: será que ele já morreu? Será que já mataram ele e eu nem vi?

Essas alternativas e perguntas me fizeram despencar de uma vez só.

Quero dizer, despencar literalmente. Mas eu não caí por causa do meu choro histérico. Era fraqueza mesmo.

Eu não comi ou bebi nada desde que entrei em minha cela. E me lembrei de algo que li em algo na internet um dia:

“Eles nunca vão te deixar morrer a não ser por velhice, na pena perpétua. Se você desmaiar, eles vão te enfiar uma agulha que vai te manter vivo.”

Do lado esquerdo, um tubo fino e comprido com uma agulha fina na ponta saía de um buraquinho na parede. Eu só havia notado agora.

Enfim. Eu não queria desmaiar e ser acordada depois com uma agulha brutalmente enfiada em meu braço. Então eu mesma fiz o trabalho. E assim que injetei na minha veia, um líquido límpido saiu da parede, escorreu no tubo e foi direto para a agulha.

Minha boca salivou. Retirei a agulha brutalmente e coloquei a agulha perto dos meus lábios. Esperei um tempão, mas nenhuma gota caiu.

Coloquei a agulha no meu braço de novo, dolorosamente. Fiquei desapontada e bufei de ódio. Pois é. Eu viveria naquele inferno para sempre. E acho que jamais vou comer ou beber na vida.

Já que eu já estava chorando e me lembrando do passado, acho melhor eu contar tudo para você e parar com o suspense.

O que eu havia feito para receber um castigo assim, tão jovem? Com 15 anos? Que crime eu cometi? O que houve com a minha família? Quem são eles?

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Vamos voltar ao dia 17 de Novembro de 2018, há quase um ano atrás. E é aí é que começa a minha história.

Notas finais
20 visualizações na minha fiction. Own... muito obrigada à todos vocês! =3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.