Let the Snow
30 Folhas e caneta
Fred não me contou o que o médico disse.
Na verdade, ele inventou uma história dizendo que o médico havia dito que estava "esperançoso com o rendimento das novas medicações", mas eu sabia que não era só isso.
Na primeira vez que tomei aquele comprimido gigante de cor laranja e cheiro de chulé, eu literalmente vomitei. No mesmo instante uma onda de tontura me dominou, e segundo Fred, eu comecei a rir como uma maníaca, mas eu não me lembro disso. Realmente, como o médico dissera, os efeitos colaterais eram bastante "fortes".
Porém, valeu a pena.
Meu quadro se reverteu em 93% em apenas uma semana. Eu me sentia melhor, mais radiante, mais viva.
Uma chama de esperança nasce em mim. Era público o fato dos médicos estarem surpresos sobre minha melhora rápida, agora, ninguém havia me dito nada sobre uma possível chance de talvez eu conseguir... Vencer. Vencer aquela batalha que era travada dentro do meu corpo.
– Meu Deus, isso é maravilhoso, Alexandra! — Douglas vibra pela linha do telefone — De verdade, isso é incrível!
– Eu sei! — Falo, feliz — Talvez... Sabe, eu não quero alimentar falsas esperanças, mas eu sinto... Sinto que talvez eu possa conseguir, eu possa vencer!
Doug arfa no outro lado da linha.
– É claro que pode, Alexandra, é claro que pode! — Ele parece até mesmo irritado — Você me prometeu lembra? Vai vencer por bem ou por mal, tá legal?
Reviro os olhos.
– Entendido, chefe.
~
Acordar feliz não tem preço.
Estar alegre simplesmente por se estar viva, por poder ficar de pé sem cair ou enxergar tudo nitidamente sem me preocupar em estar vendo algo além da realidade.
Eu estava melhorando! Eu estava viva!
Fred provavelmente ainda estava no refeitório — Onde três refeições por dia eram fornecidas gratuitamente para acompanhantes de internos no hospital — e Emily na escola. Depois de observar o mundo pela janela do quarto, tento um pouco de tudo. Ler, pintar, cantar, ver televisão. Porém, eu encontro refúgio com a coisa que eu mais gostava de fazer antes de tudo... Explodir.
Algumas folhas vazias e uma caneta.
Eu escrevo.
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