Let the Snow
7 Com carinho, Douglas Smith

Foram seis semanas nas quais toda a manhã eu era transportada de cadeira de rodas até as salas da quimioterapia. Como um soro, o remédio era transportado para minha veia no modo venoso. Eram longas horas de espera. As reações não eram boas; Vômitos, dores e sono me engoliam as poucos, criando uma camada escura sobre mim, na qual eu tinha consciência de que depois de um tempo, seria indestrutível.
Durante aquelas semanas, eu percebi que não tinha mais motivações. Eram muitos sonhos e pouco tempo; Muita vontade e menos iniciativa. Eu apenas esperava o fim.
Mas, depois daquela ligação, foi como se uma enchente tivesse destruído a minha vida. Tudo o que eu conhecia e me familiarizava foram para baixo d'água, e agora eu precisaria encarar o desconhecido.
Eu precisaria lutar pela minha vontade.
~
– ... Eu revirei a vida desse cara — Ela disse, sua voz parecia sonolenta no telefone.
Estávamos há mais de uma hora nos falando por celular, e ela não desligou quando eu tive um ataque de nervos. Foram etapas; Negação por ela provavelmente estar zoando com a minha cara, raiva por ela estar brincando com algo daquela importância e intensidade, e logo depois o choro, após eu não a ouvir dizer que tudo bem, era uma brincadeira, quando eu pude cogitar a ideia de ser verdade.
– E nisso eu encontrei o e-mail dele, e uma localização. Eu acho que era o endereço dele, em Manhattan. Eu enviei um e-mail para ele, provavelmente cheio de erros devido ao Google Tradutor, mas enfim. Eu contei a sua triste jornada de vida, menina trabalhadora, que cuida do irmão mais novo e completamente apaixonada por Douglas Smith, que descobriu que tem uma bola extraterrestre no crânio e está morrendo aos poucos. — Ela faz uma pausa — E então eu recebo uma resposta quase imediata. Não era o e-mail DO Douglas Smith, mas sim de seu empresário. Ele diz: — Emily pigarreia antes de começar a dizer, deixando a voz grossa propositalmente.
"- Querida Emily Lameira e Alexandra Neves; Fico realmente tocado pela história de vida na citada ao texto. Fico ainda mais surpreso em saber sobre sua grande paixão por Douglas, um rapaz de não muito estrelismo e fama. De todo o coração, eu gostaria que fosse possível o encontro de fã e ídolo... Porém, Douglas anda com a agenda muito cheia, muitos musicais e gravações que não podem ser canceladas. Além disso, a distância entre eles é questionável, são países diferentes. Posso informá-lo da história, ele pode postar algo nas redes sociais em sua homenagem, porém, creio que é apenas o que posso fazer, como seu empresário. Afinal, minha carreira é baseada em dar carreira ao rapaz, não posso interferir nisso.
Sinceramente,
Alex Watts, empresário."
Eu engulo sem seco enquanto Emily recupera o fôlego do outro lado da linha, e me informa que traduziu aquilo no Google também, já que ela sabia falar inglês como sabia voar.
– Emily... — Digo, as lágrimas escorrem de meu rosto como uma torneira aberta. — Eu nem sei como te agradecer por isso. — Murmuro.
– Espere... Acha que é isso? — Ela diz, parece quase chateada.
– Tem mais? — Pergunto, sentando-me ereta na cama, fazendo-a ranger.
– Claro que sim, afinal, eu sou Emily Lameira, não me contento com migalhas, diferentes de certas PESSOAS. — Ela ri, então continua. — Eu consegui o e-mail dele. Eu juro que estou com dor de cabeça até agora; Eu vi tantos vídeos sobre ele que até cansei minha beleza. No final, encontrei um em que ele se apresentou em um programa de televisão, que eu pesquisei e é pior que a Rede Bandeirante que nós temos aqui. No final, ele anuncia um e-mail de contato para show. Então eu enviei mais um texto dramático sobre você.
– E então? E então? — Pergunto, nervosa.
– Então... Não houve resposta. — Ela diz.
– Ah... — Sinto como se eu fosse um balão, murchando aos poucos e produzindo aquele barulho agudo.
– Mas — Consigo ouvir um grande sorriso se formar em meus lábios. — Ele teve que responder uma hora, já que eu enviei dois mil quinhentos e trinta e dois e-mails para sua caixa.
– Dois mil? — Grito, soltando uma risada depois, ansiosa, acima de tudo, louca para saber o que estava acontecendo. Naquele momento eu era uma grande e nervosa "!".
– "Querida Emily Lameira..." — Minha amiga começa.
"... Eu estou simplesmente sem palavras. Nunca imaginei que alguém pudesse guardar amor por mim, na verdade, nunca imaginei que pudesse sequer ser notado por alguém nos míseros filmes em que eu atuei.
Lendo a história de Alexandra, eu me sinto quase que familiarizado com ela. Apenas saiba de uma coisa; Preciso conhecê-la.
Posso conseguir uma voo para ela com meu empresário. Ontem ele me informou sobre o e-mail que recebeu, e eu estava me preparando para postar uma homenagem à ela no Instagram, mas agora lendo, de fato a história, é impossível aceitar apenas isso para ela.
Espero que não seja tarde demais, e peço desculpas por não ter respondido antes. Consegue entrar em contato comigo por esse e-mail que estou enviando por inbox? É o que eu uso atualmente. Assim, poderemos encontrar uma maneira de nos comunicarmos e marcarmos o voo para que ambas as partes fiquem satisfeitas.
Com carinho, Douglas Smith".
– Um oferecimento Google tradutor. — Emily acrescenta.
Eu não respondo.
Não consigo, simplesmente empaco.
Aquilo não pode estar acontecendo, é simplesmente surreal demais. Ele sabendo quem sou eu, escrevendo meu nome, querendo de fato, me conhecer. Marcar voo. Eu vou vê-lo. Eu vou conhecer Douglas Alexander Smith!
– Então, agora eu liguei para avisar para guardar o guarda roupa e pegar a escova de dentes, pois daqui há cinco dias, um avião particular estará esperando por você rumo à Manhattan.
Rumo a Douglas Smith, penso.
~
– Não. — Minha mãe ri. — Simplesmente não.
– O quê? — Eu grito na sala de quimioterapia. — Como assim... Não?
– Não, Alexandra. Não vou por você dentro de um avião com rumo de mais de mil quilometros daqui, para encontrar um cara qualquer que eu não conheço e pode ser um pedófilo. Onde você vai ficar? Para onde você vai? Não, prefiro evitar um desaparecimento da minha filha. Além do mais você precisa se dedicar á quimioterapia agora, nada arriscado, apenas paz e tranquilidade para poder se recuperar e...
– Recuperar? — Murmuro, levantando a cabeça. As lágrimas escorriam seguidamente, me sentia quebrada em um milhão de fragmentos. — Não há nada para se recuperar. Acha que eu sou idiota? Acha que eu não sei que é um câncer terminal, que não há a mínima chance de eu continuar vivendo? Acha que eu não sei que daqui há alguns meses poderei estar em processo de loucura, com o câncer atacando meu sistema nervoso e dominando meu corpo como em uma batalha? Acha que eu sou idiota?! — Eu berro, alguns outros pacientes em quimioterapia me encaram. Seus olhares são de repreensão, decepção e acima de tudo pena.
– Alexandra, isso não é verdade... — Minha mãe diz,
– É VERDADE SIM! — Grito — Não ouse mentir para mim mais uma vez. Não ouse me dizer que há cura, pois não há, e essa merda de quimioterapia é para me dar mais alguns meses. Quanto tempo eu tenho mamãe? Quantos meses eu tenho antes de ir? Vai me esconder isso também?
– Alexandra, baixe o seu tom de voz COMIGO!
Silêncio.
– Eu vivi a minha vida inteira para te agradar. Sempre fazendo o melhor para você e seu marido. Eu nunca tive voz alta, você sempre escolhendo por mim, sempre tomando decisões que eu deveria tomar. Eu só queria mudar isso antes de morrer.
Minha mãe deixa a sala.
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