Let it snow? I don't think so
1 Desastres de primeiro dia de aula
Notas iniciais
Meu dia começou ótimo – e com ótimo estou sendo irônica. Era o primeiro dia de aula (uma sexta-feira, porque nossa escola estava passando por reformas) depois das férias de julho e, nessa mesma manhã, além de ter um péssimo dia de aula (mais tarde você vai entender o porquê) recebi a maravilhosa notícia de que irei ter uma babá por três dias.
Só pra me apresentar rapidamente, Hermione Granger. Tenho quinze anos, cabelos castanhos claros e cacheados. BV, ok? Tenho uma pequena cicatriz no canto da testa, onde começa o cabelo mais ou menos, porque, aos doze anos levei um tombo feio e me machuquei. O bom é que meu cabelo cobre, mas no passado eu tive uma pequena perda de memória e, não agora, mas esqueci várias coisas, ás quais meus pais foram me lembrando aos poucos. Detalhe, moro com meus pais e minha irmã.
Depois de ter me levantado e estar pronta para ir pra escola, desci para tomar meu café da manhã e minha mãe me disse que ela e meu pai precisariam ir pra uma convenção em outra cidade e só voltariam em três dias.
– Tudo bem, mãe. Eu posso tomar conta da Maya pela senhora.
– É, eu sei que sim, filha, mas eu acho que prefiro chamar uma babá pra vocês.
– Mãe, eu já tenho quinze anos, quase dezesseis! Eu acho que posso tomar conta de mim mesma e da minha irmã!
– Mas nós vamos ficar três dias fora. Não adianta você tentar discutir comigo, eu já chamei uma babá que Mary recomendou. Ela vai buscar vocês duas na escola. Eu não sei como ela é, mas Mary me disse que seu carro é azul escuro, que ela é ruiva e seu nome é Molly.
– Tá bom, mãe. Vamos?
– Claro.
Ela foi me levar para a escola. Desci do carro e já haviam várias pessoas lá. Entrei na sala e, para minha sorte, Harry, meu melhor amigo, já estava lá. Fui até ele e o abracei, pois não havia visto ele nos últimos dias em que ele foi viajar. Deixei minha bolsa em cima da mesa e chamei-o para ir lá fora para conversarmos. Falamos sobre nossas férias e, quando faltavam apenas alguns minutos para bater o sinal, voltamos.
Então meu dia só melhorou. Voltando à sala, alguém, um menino, havia sentado em meu lugar. Mas era um menino novo, então não sabia nome nem nada, óbvio. Só podia perceber características físicas como cabelos ruivos, olhos verdes e um porte físico impressionante. Fui até ele e pigarreei.
– É, com licença, mas eu estava sentada aqui.
– Na verdade não. Se estivesse, eu estaria sentado em cima de você agora.
Arregalei os olhos. Ninguém nunca falara comigo daquele jeito antes. A questão é que, fora algumas raras pessoas e Harry, eu não tinha muitos amigos e consequentemente, ninguém vinha procurar discussão comigo. Naquele momento não me importava como ele era bonito ou como seus olhos eram atraentes, ele estava procurando por uma discussão.
– Você poderia dar licença, por favor?
– Não estou vendo seu nome aqui, princesinha. Então sugiro que você procure outro lugar.
– Eu vou te mostrar a princesinha – fui pra cima dele já preparada para dar um soco em sua cara. Não, eu nunca fui uma pessoa violenta, mas ele estava provocando. Não fosse por Harry ter me segurando, eu teria começado uma briga já no primeiro dia de aula.
{A.N.: só pra deixar claro, por serem as aulas depois de julho presumo que em alguns lugares vai estar frio e até nevando. Esse é o caso do clima da fic e, se não for o caso, finja que é. Disse isso porque vai ser importante para o enredo.}
– Mione, não vale a pena brigar por um lugar, ok?
Deixei que Harry me afastasse um pouco dele – eu havia me aproximado dele para tentar acerta-lo. Puxei meu braço e dei um passo pra frente.
– Então você não é uma princesinha? Bom, parece que é a primeira que conheço por aqui. Respeito isso. Meu nome é Ron, falando nisso. Ronald Weasley. E você é?
– Hermione Granger.
– Bom, Mi, pode se sentar no seu lugar.
Olhei interrogativamente para ele e depois para Harry, que tinha a mesma expressão que eu. Ron deu de ombros, pegou sua mochila e sentou-se na mesa atrás da minha. Me sentei em meu lugar e Harry me deu minha bolsa. Então o professor entrou na sala.
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No decorrer das aulas os professores, em sua maioria, foram fazendo revisões e, logicamente, perguntas as quais eu sabia responder. Sempre havia feito isso e teria sido só mais um dia normal, não fosse pelo maldito Weasley atrás de mim comentando todo o tempo como eu era uma sabe-tudo.
Na saída fui conversando com Harry, mas ele ficou pra traz pra poder conversar com o professor. Fui andando sozinha até a saída e, antes de chegar lá, alguém – um idiota chamado Ronald – me deu um susto.
– Oi, Mi. Posso acompanhar a senhorita até a saída?
– A escola é livre pra quem estuda aqui. E por que continua me chamando de Mi? Eu nem conheço você direito Ronald.
– É, eu sei. Mas eu gostei de você. Parece ter uma personalidade interessante, mas ainda é uma sabe-tudo. Um pouco irritante devo acrescentar.
– Se eu sou irritante, por que o senhor ainda está aqui?
– Já disse. Sua personalidade me atraiu – ele chegou perto do meu ouvido. – E não é só a sua personalidade que é atraente.
Corei. Fazia isso com frequência ao escutar elogios de parentes e amigos de meus pais como “Como você cresceu!” e “Que menina linda que ela está!”. Quem nunca?
Continuamos a caminhar silêncio até lá fora e eu fiquei do lado de fora esperando a tal Molly.
Ron, diferentemente do que eu pensava, ficou esperando ao meu lado. Me virei para ele.
– Esperando por alguém? – perguntei.
– Minha mãe. Ela e minha irmã estão vindo me buscar porque minha mãe vai trabalhar fora e nós vamos precisar ir com ela. E você?
– Estou esperando minha babá.
Ele segurou o riso, mas tentou disfarçar, inutilmente.
– Pode rir, eu deixo – ele deu uma risada e abaixou a cabeça. Esperei ele se recompor. – É que meus pais vão viajar e eu tenho uma irmã mais nova, ok?
– Peraê. Isso quer dizer que você está esperando por uma babá que você nunca viu e eu estou esperando minha mãe que vai trabalhar de babá hoje.
– Não pode ser, seria muita coincidência. Como é sua mãe e o carro dela?
– Minha mãe é ruiva, como eu e nosso carro é ... – ele parou um pouco e olhou por cima de meu ombro e acenou. Olhei na mesma direção e vi um carro azul vindo em nossa direção. – Nosso carro é azul.
Entrei em um pequeno nível de desespero.
– Ron, só me diga que o nome de sua mãe não é Molly, por favor.
Ele olhou para mim e para o carro de novo. Então, sem ao menos baixar os olhos para mim, passou o braço por meus ombros.
– Bem, senhorita Granger, parece que vamos passar um final de semana juntos.
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