Let it snow? I don't think so
7 Como se arruma para uma festa?
Notas iniciais
Fomos embora e combinamos de nos encontrar no local da festa as nove. Ron e eu fomos de volta pra minha casa. Ele pegou a chave de casa e nós fomos para a casa dele. Eram cinco e meia quando voltamos para casa já com a roupa dele. Tomamos banho e fomos nos trocar. Como ainda era cedo e Ron não estava com vontade de ver desenhos, ele ficou no meu quarto, conversando comigo enquanto eu secava meu cabelo. Ele estava deitado em minha cama só de calça e eu estava com meu roupão, sentada no banco da penteadeira (eu estava com minhas roupas intimas por baixo, ok? E o roupão estava totalmente fechado).
Estava secando meu cabelo, mas ele estava ficando normal e eu queria alguma coisa diferente pelo menos pra uma festa.
– Droga ... – disse baixinho.
– O que foi?
– Meu cabelo ...
– Ele parece normal pra mim.
– Esse é o problema – disse me virando pra ele. – É uma festa, Ron, eu queria fazer alguma coisa diferente nele.
– Desculpa, mas eu não sei arrumar cabelos femininos. Nem o meu eu consigo arrumar direito.
– É, eu sei – me levantei e comecei a andar pelo quarto, pensando. Fiquei uns bons minutos assim. Então, súbita e repentinamente, Ron se levantou e saiu do quarto sem dizer nada. Fui até a porta e, quando cheguei perto, ele estava voltando.
– O que foi? – perguntei seguindo ele até a cama.
– Acabei de resolver seu problema.
– O que você fez?
– Eu tenho meus contatos. Espere só mais alguns minutos.
– Você não vai me falar o que fez, vai?
– Não. Senta ai.
Fiz o que ele pediu e esperei. Quando já estava pronta para perguntar de novo o que ele queria, escutei um barulho na porta.
– Vamos.
Ele pegou minha mão e fomos até a sala. Molly estava na porta e peguei a conversa a partir de uma frase um tanto estranha.
– Mas por que você está de roupão? – Molly perguntou.
– Porque seu filho – reconheci a voz de Annie – nos ligou dizendo que era urgente e nos deu o endereço.
Eles entraram e vi que Annie estava realmente de roupão e com o cabelo molhado e penteado pra trás. Percy entrou logo em seguida de bermuda e com algumas sacolas na mão.
– Vocês vieram de taxi desse jeito?
– Não, viemos no carro de Percy. Onde eles estão?
Olhei para Ron
– Você fez eles virem pra cá só pra Annie arrumar meu cabelo?
– É, ué. Queria que eu fizesse o que?
Olhei para Annie e Percy.
– Me desculpem.
– Não tem problema, Mi – Annie disse sorrindo e se aproximando de mim. – Vem, vamos nos preparar para a festa.
Sorri timidamente para ela e levei-a até meu quarto. Entramos os quatro e os meninos foram jogar vídeo game (eles conseguiram achar um jogo de matar zumbis que era bem legal até). Percy colocou as sacolas em cima de minha cama e Annie me disse pra sentar no banquinho.
– Então, o que quer fazer?
– Não sei, Annie. Você é quem vai a festas. Faça o que quiser.
– Ok. Já sei o que fazer. Eu sempre faço isso no meu e como o seu é bem parecido, acho que vai ficar igual. Ou melhor.
– Tudo bem.
Ela pegou o secador e uma escova de dentro das sacolas e começou a alisar meu cabelo. Quando ela terminou, pegou uma das sacolas e de lá tirou uns rolinhos e enrolou todo meu cabelo. Ela jogou laque quando acabou e foi até o banheiro.
– Você pode fazer o que quiser desde que não se deite em hipótese alguma – ela me alertou.
– Sim senhora.
Fui até os meninos e me sentei no braço da poltrona de Ron. Ele olhou pra cima de relance e depois voltou a cabeça.
– Se você der risada, eu juro que te bato.
Ele deu um sorriso e voltou para o jogo. Annie saiu do banheiro e me chamou de volta.
– Qual roupa você vai colocar?
– O vestido branco.
– Tudo bem. Com qual sandália?
– A dourada. Por que todas essas perguntas?
– Pra sua maquiagem, óbvio.
Dez minutos e meio depois, nós duas estávamos prontas e chamamos os meninos. Demos tchau para Molly e para as meninas e saímos, prometendo não voltar muito, muito tarde. Percy deu a partida e em cinco minutos estávamos no local da festa. Descemos do carro e Percy e Annie entraram na casa, mas eu segurei a camisa da blusa de Ron e o fiz parar ainda no gramado.
Ele me olhou intrigado, mas mudou de expressão assim que viu minha expressão. Devia ser uma mistura não tão hilária de pânico e nervosismo.
– O que foi, Mi?
Respirei fundo. A verdade é que eu não sabia o que tinha, só estava nervosa por entrar lá dentro. Nas janelas (que eram enormes por sinal) eu vi várias pessoas da minha sala e isso não ajudou a me acalmar.
– Ron, tem muita gente ai que não gosta de mim. O que eu faço?
– Se diverte e ignora elas, ué.
– Mas ... ok, vamos lá.
Peguei sua mão e nós entramos na festa. Ron me disse que era a casa de uns amigos que estavam alugando ela enquanto estudavam. Ela tinha uma sala e uma cozinha que eram imensas, mas, devido a quantidade de pessoas por ali, quase não se reparava nisso. Enquanto ele me guiava até a cozinha, procurando por um dos amigos, vi de relance que várias pessoas, meninas da minha sala em sua maioria, me olhavam estranho. Era isso que eu temia, mas relevei. Chegamos na cozinha e ele ficou olhando de um lado pro outro até focalizar em alguma coisa (ou alguém) a sua esquerda.
– Hey, Gordo! – ele gritou nessa mesma direção e foi até lá.
Estranhei o fato de ele parar perto de um garoto que definitivamente não era gordo e uma garota com os cabelos escuros que estavam de costas. Os dois se viraram para nós e sorriram. A primeira coisa que notei na garota foram seus incríveis olhos verdes.
– Ronald Weasley, a quanto tempo. Não vejo você desde que você caiu na piscina do shopping algumas semanas atrás – a garota disse chegando perto de Ron.
– Fui empurrado, você quer dizer, não?
– Cair, ser empurrado, não importa. Nas duas ocasiões, você estava distraído a espera de um desastre natural.
Ele soltou uma pequena risada.
– É bom ver você também, Alaska – e ela pulou em cima dele e eles se abraçaram.
Depois que ela o soltou, ele cumprimentou o garoto.
– Alaska, Gordo, eu quero que conheçam Hermione. Ela é ... – ele olhou pra mim – ela é minha namorada.
Pisquei e olhei pra ele. Sua expressão era serena, como se ele não tivesse dito nada demais. Tentei fazer o mesmo e disse olá para os dois. Ficamos conversando um pouco até que eu não me aguentei.
– Me desculpem perguntar isso, mas por que seu apelido é Gordo e seu nome é Alaska? Você é magro e seu nome é um estado.
– Eu te disse que mais cedo ou mais tarde ela ia perguntar. Me deve dez reais, Alaska.
– Fica quieto, Gordo.
Ele deu um sorriso vitorioso pra ela. Ela mostrou a língua numa atitude não muito madura, mas que caia perfeitamente em seu, como dizer, jeito de ser.
– Bom, meu apelido é Gordo porque foi o apelido que ela me colocou assim que me viu, vai entender. Mas meu verdadeiro nome é Miles.
– E meu nome é Alaska porque foi o nome que eu escolhi. Longa história. Resumindo, eu pude escolher meu nome quando criança e eu escolhi esse.
– Entendi. Mas então, Alaska, a quanto tempo vocês se conhecem?
Fiquei conversando com Alaska até o momento em que alguém tocou meu ombro. Achei que fosse Ron, pois ele havia saído com Gordo, Miles, enfim, haviam ido encontrar com outros amigos. Olhei para trás e, para minha surpresa quem estava ali era Katherine.
– Hermione? Oi – ela parecia bem surpresa.
– Olá Katherine — dei meu melhor sorriso para ela.
– Com quem você veio? — ela estava tentando continuar a sorrir como se não fosse nada, mas foi em vão.
– Ela veio comigo, Katherine – Ron disse chegando por trás de mim, por isso não o vi, segurando minha mão.
– Ah, então quando você perguntou se podia trazer alguém ...
– Eu me referi a minha namorada, é claro.
Ok, ele já estava anunciando isso para todo mundo, menos para mim. Não me lembrava de ter ouvido nenhum pedido nem nada e de repente, estávamos juntos.
Katherine sorriu para nós de novo, se virou e foi rebolando (ou pelo menos tentando) até seu grupinho, que nos observava.
– Ron, podemos conversar rapidinho? – perguntei puxando sua manga.
– Claro. Vamos lá fora? – ele pôs uma mão em minha cintura e com a outra sinalizou para uma porta ao fundo da cozinha. Nos dirigimos para lá e ele fechou a porta atrás de si quando passou.
– E então? O que foi?
– Ron, acho que nós precisamos esclarecer algumas coisas por aqui.
– Que tipo de coisas?
– Coisas do tipo você sair por ai falando que nós estamos namorando, mas eu não estar nem sabendo disso.
– Eu não entendo ...
– Ron, eu não escutei nenhum pedido de namoro de nenhuma das partes nessa nossa relação, amorosa ou amistosa.
– Bem, eu achei que você quisesse ser apresentada como minha namorada ...
– Você sabe que esse é um pensamento super machista e imbecil, certo?
– Não estou falando isso como se fosse uma honra ser minha namorada ou coisa do tipo, Hermione. Falo isso por eu querer realmente namorar você e na minha mente estúpida sair falando que você é minha namorada adianta esse processo!
Encarei-o sem acreditar no que acabara de ouvir. Ele acabara de acabar (acabara de acabar é ótimo) com o que eu pensava ser um comentário machista e ainda fizera uma pequena declaração. Mas não havia acabado por ali.
– Olha, Mi, eu não preciso dizer isso pra você, porque você já devia saber isso, mas a honra vai ser minha se você aceitar ser a minha namorada, tá legal? Caramba, você é esperta, inteligente, linda e divertida. O que mais eu posso querer?
– Ron, isso ... isso foi um pedido?
– Caramba, Hermione! É claro que sim!
Abri a boca, mas nenhum som saiu dela. Eu estava muito corada para dizer alguma coisa muito coerente.
– Sim.
– Sim o que?
– Eu aceito namorar você, Ronald Weasley. E lhe dar a honra de ser meu namorado – sorri e ele também. Ele me levantou no ar e, quando me colocou no chão, me deu um beijo. Paramos ao ouvir a maçaneta da porta ser empurrada e depois alguém dizer um palavrão. Esse alguém, ou melhor, esses alguéns eram Percy e Annie. Eles pareceram bem surpresos quando nos viram. Ao que parece, eles estavam muito ocupados se beijando para abrir a porta corretamente.
– Hey! Nós não sabíamos que vocês estavam aqui! – Annie disse olhando para nós dois. Devo dizer que o batom borrado em seu rosto e no de Percy, a blusa de Percy totalmente aberta e sua blusa, que antes estava certinha e com as alças nos ombros e agora com elas dos lados provavam minha teoria. Havia um chupão muito suspeito em seu pescoço também.
– Nós já estamos entrando – eu disse semicerrando os olhos para eles. – Onde vocês dois estão indo?
– Nós já estamos indo embora – Annie disse com a maior naturalidade possível, limpando o batom de seu rosto.
– Mas ainda é meia noite – Ron disse olhando o relógio do celular.
– Pois é, Ron, mas nós acabamos de lembrar que hoje é nosso aniversário de namoro de três anos e meio – Annie disse passando por nós com Percy em seu encalço.
– Mas vocês dois fizeram aniversário de namoro semana passada e ...
– Ron! – eu o reprimi com uma cotovelada. – Até qualquer dia, gente. Tenham cuidado.
– Tchau, Mi. Até qualquer dia.
Eles saíram e foram em direção ao carro de Percy. Olhei para Ron.
– Você realmente não entendeu as intenções deles, Ron?
– Eu deveria?
– Não, Ron. Não. Vamos entrar.
Entramos e voltamos para perto de Alaska e Gordo. Katherine não estava mais à vista, pelo menos não a minha. Em determinado momento, Gordo saiu e não nos disse pra onde ia, mas depois escutamos a música parar e uma outra, mais antiga e dançante. Então ele voltou, sorriu para Alaska e puxou-a para mais perto da caixa de som. Eles começaram a dançar uma coreografia perfeitamente ensaiada e todos pararam para olhar. Quando questionei Ron sobre isso, ele soltou uma gargalhada e praticamente gritou por cima da música.
– É porque essa foi a música que estava tocando na formatura deles quando eles fizeram as pazes e começaram a namorar de verdade.
– Então eles criaram uma coreografia pra essa música só por causa disso?
– Na verdade não. Eles sempre inventam uma dança nova cada vez que dançam essa música.
– Isso é fofo.
– Você quer dançar, milady?
– Eu não danço muito bem, sabe.
– Eu também não – ele disse pegando minha mão e indo em direção a “pista”, por assim dizer. Talvez nós estivéssemos ridículos ali. Talvez todos estivessem rindo de nós. Talvez nós devêssemos só ficar quietos e observar. Mas talvez a música fosse muito boa e contagiantes e talvez nós estivéssemos nos divertindo muito para pensar na opinião alheia.
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