Let it be
31 Tenho gosto de morango
Notas iniciais
No aeroporto de Nova York, pronta para voltar para casa, eu fiz ainda algumas comprinhas. A vida quando não se tem sapatos novos não faz sentido, é como comer batata frita sem Ketchup! Minha mala estava pesando mais que um rinoceronte fêmea grávido, e não havia ninguém para carregá-la. Essa é a parte ruim. A parte boa era que eu teria sapatos linderrimos para o resto da minha vida, caso eles não se desgastassem ou meu pé não crescesse.
Depois de passar pelos procedimentos de segurança e tudo o mais, chegou a hora de voltar para nossa cidadezinha. O Embarque foi relativamente calmo, e, no avião, eu me sentei ao lado do Jake, novamente. Deitei minha cabeça no seu ombro, enquanto ele respirava fundo.
– A chance de esse avião cair em uma ilha desabitada é tipo muito pequena, não é? – ele perguntou, estalando os dedos.
– Sim, muito pequena – falei – voar é mais seguro do que viajar de carro.
– Não vale mentir para fazer eu me sentir melhor.
– To falando sério, dragãozinho! Vi na internet.
– Nem tudo que se vê na internet é sério – o Jake contestou – E, poxa, estou tão nervoso.
– É a sua segunda vez em um avião e você está surtando mais do que na primeira. – eu disse – Não vamos morrer. Está tudo sobre controle.
– Certo. É que agora estou namorando uma garota muito bonita e divertida que sempre pensei que fosse areia demais para o meu caminhãozinho, então seria ainda mais lamentável se eu morresse.
Suspirei e falei “awnt”. Que fofinho! Aí parei para pensar por uns instantes.
– Ei, espera – pedi – Você estava falando de mim?
– Não, Alice, estava falando da minha outra namorada.
– Mesmo? – perguntei, realmente em dúvida. Recebi um beijo na bochecha como resposta. Awnt. – Ta legal, então. Mas sou mesmo sua única namorada, né?
– É.
– Legal. – eu comentei, sorrindo. Poxa, gente apaixonada é boba, né?
O jake acabou por dormir poucos minutos depois. Aproveitei para fazer minha lista de desejos para o Natal, que está cada vez mais perto. O item número “1” é um óculos de sol estilo gatinho, que fica uma fofura em mim. O item número “2” é uma bolsa rosa pequeninha e muito fofa. O item “3” é uma agenda, em que tentarei escrever coisas. O número “4” da lista é um Headphone lilás, para eu poder ouvir Fly e R5 com estilo. Era isso, por enquanto. Mas, para agradar meus pais, resolvi adicionar um item “5”, e, pasmem, se tratava de um livro. Escolhi “Anna e o beijo francês.”. Ei, eu deveria escrever um livro chamado “Alice e o beijo americano!”. Aposto que seria a coisa mais fofa de todo o universo! Ai, ai!
No voo eu também dormi, e só acordei quando estávamos quase em casa. Sabe por quê? Porque um garoto idiota mordeu meu pescoço. Não, não um vampiro, o Jake. Helooo?
– O que foi isso? – perguntei, dando tapas no ar, tentando acertar o rosto do idiota, enquanto tirava a minha vendinha dos olhos.
– Desculpe. Não queria acordá-la. – ele respondeu.
– Humm. – resmunguei – Você é um mané. — lá se foi o amor e a fofura. Ninguém mexe comigo quando eu to dormindo! Acordo emburrada.
– É que você tem gosto de morango.
– Se quer comida pega na bolsa de mão, tenho barrinhas de cereal. Mas fica longe do meu pescoço. – falei.
Ele aceitou uma das barrinhas de cereal, e eu peguei uma para mim também.
– Eu tive um sonho estranho – o Jake disse – Sabe, eu estava com a Selena Gomez, e ela estava tipo... Dando em cima de mim.
– Quem? – perguntei, deixando um pedaço do lanche super nutritivo que eu estava comendo cair, como se até ele estivesse chocado. – A Selena do Justin? Há. Só podia ser sonho mesmo, né!
– Também te amo, Alice – ele respondeu – Mas é sério. Ela ficou falando coisas do tipo “seu cabelo é tão lindo” e “eu posso fazer canções para você, serei boazinha”. E não é a Selena do Justin. Que eu saiba, ela está solteira.
– Sonha Jake, sonha. – falei, revirando os olhos.
– Você é muito ciumenta.
– Que seja. – murmurei, jogando a embalagem da barra de cereal nele. – É mais fácil eu pegar meus duendes do que você pegar a Selena Gomez.
– Pegar quem? – ele perguntou, franzindo a testa.
– Ninguém. – resmunguei.
* * *
Em casa, recebi abraços calorosos da mamãe, do papai e da Victoria. É, acho que eles sentiram minha falta. Ou estavam interessados nos presentes. A nossa casa já estava até decorada para o Natal, com pisca-piscas, uma árvore grandona e papais noéis grandes e curiosos. Minha mãe estava com o cabelo tingindo de laranja escuro, o que meio que me assustou um pouco.
– Quem te trouxe para casa, querida? – a mamãe-agora-muito-ruiva perguntou, sorrindo como se tivessem lhe dado o melhor presente de natal do século. — Se você tivesse avisado, poderíamos ir te pegar no aeroporto.
– O Pierre, mãe – falei – Ele vai deixar todo mundo em casa. Não queria pagar mico no aeroporto.
– Alice! – ela me repreendeu.
– É bom ter você de volta – o papai disse – A viagem foi divertida?
– Sim, bastante – respondi.
– Senti falta da minha ursinha. – a Vic falou, me abraçando novamente. Ela consegue ser bem emotiva quando quer. Ela nem é parente, mas já é de casa, vocês sabem. Trabalha conosco desde que eu sou uma mini Alice e me ama mais do que a maioria das pessoas.
– Eu adoro vocês e blábláblá, mas quero tomar banho. – resmunguei — E espero que tenha algo para eu comer quando eu descer. E, ah, trouxe coisas para vocês. Estão na mala cor de rosa, devidamente embrulhadas.
Subi as escadas saltitando, e encontrei um envelope na minha cama. Correspondência? Para mim?
– Mãe! – gritei – Que isso aqui?
– Um convite! – ela gritou de volta. Somos muito educadas, os vizinhos nos amam e tal, só que ao contrário – Entregaram ontem!
Abri o convite apressadamente. Fiquei surpresa quando descobri que havia sido enviado pela anãzinha. Um convite de aniversário. Era fofo, tinha desenho de coelhos, aranhas e essas coisas que garotas esquisitas pré-adolescentes gostam. A Martha (vulgo anã, smurfete ou qualquer outra coisa que tenha relação com garotas baixinhas) sabe como ofender uma pessoa, mas ela é até legal comigo, às vezes. Ela que fez minha entrevista para o jornal da escola.
A data do aniversário é 20 de dezembro. Falta pouco, mas acho que não tenho nada marcado para esse dia. Espero que tenha coxinhas.
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