Let The Flames Begin - Interativa
1 Prólogo
Notas iniciais
Quatro releu a lista com as atividades que teria que passar para os iniciandos e seus respectivos horários. Não concordava com muitas das atividades; não havia muita coisa ali que realmente tivesse uma relação com coragem. Nós acreditamos nos atos simples de bravura, na coragem que leva uma pessoa a se levantar em defesa da outra. Ele suspirou. Forçar os iniciandos a se bater até um desmaiar não tinha nada a ver com isso. Pintar o cabelo de uma cor fluorescente e piercings na cara também não, mas ele não podia questionar as autoridades da Audácia.
Dobrou o papel cuidadosamente e o colocou no bolso. Passou por várias das salas que seriam usadas nas próximas semanas. Tudo ok. Respirou fundo e se dirigiu a rede onde os iniciandos cairiam dentro de alguns minutos e esperou.
Esperou, esperou.
Ouviu o barulho do trem se aproximando. Depois, o som de vários pés atingindo o chão em cheio, seguidos de vozes baixas e animadas, alguém chorando, alguns adolescentes reclamando de alguma parte do corpo machucada no pulo.
Eles haviam chegado, estavam apenas alguns metros acima dele.
Ouviu a voz de Max dizendo a eles o que seria feito, e o barulho das conversas e reclamações cessando. Lembrou-se de como ele mesmo se sentira quando descobrira que teria que pular de cima de um prédio, sem a certeza de que sobreviveria intacto.
Ouviu um barulho estranho e sentiu algo molhado cair na sua cabeça. Passou a mão e descobriu que só poderia ser cuspe. Nojento.
–Será que é tão fundo assim? — perguntou um dos iniciandos, lá em cima. Quatro fez uma careta e limpou o cuspe do cabelo com a manga do casaco. — Eu não ouvi quando caiu.
–Você tem que tentar algo mais pesado – sugeriu outra voz. A próxima coisa que ele sentiu foi uma pedra atingindo sua cabeça.
Esse ano não vai ser nada fácil, ele pensou.
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