Let Me Make You Fall In Love
17 Would you lay down in my arms and rescue me?
Notas iniciais
“A partir do momento que eu te conheci tudo mudou. Eu sabia que tinha que chegar a você, seja qual fosse a dor. Eu tive que pegar você e fazer você ser minha. Eu andaria pelo deserto, eu andaria até a ilha, eu nadaria todos os oceanos só para te ver sorrir.” One Direction
– Você gosta mesmo dela né, cara. – Ele disse enquanto batia fraco no meu ombro esquerdo. Eu nem precisei fazer que sim com a cabeça, só dei uma risada leve.
Então como combinado, fomos eu e Mari para fora da casa de festas procurar pela Luma que não aparecia desde trinta minutos atrás. Passamos por aquele monte de gente com dificuldade: Alguns flashes, pessoas conhecidas, multidão, multidão e mais multidão. Parecia que quando você corria contra o tempo as coisas ficavam mais difíceis do que já eram. Quando finalmente conseguimos passar pela enorme porta de vidro, pude ver um projeto de garota caída em um dos bancos. Ela parecia... Sem vida.
Olhei para Mari do lado que tinha lágrimas nos olhos e desesperadamente mirava aquela cena. Corri entre as pessoas até chegar àquele pequeno anjo caído em meio a tantas pessoas. Só conseguia pensar “Por favor, não pode ser ela, tem que ser outra pessoa.”. Mas quando cheguei ao local onde se encontrava aquela pobre menina de longos cabelos castanhos, pude ver que ela tinha o mesmo contorno da boca de quem me deixava louco. Ela usava as mesmas roupas que a minha princesa estava a usar naquela noite quente que modelavam perfeitamente o seu esbelto corpo. Ela tinha as mesmas feições do rosto daquela que eu passei uma noite inteira apreciando. Definitivamente, era a mesma menina que me ensinou a gostar de alguém.
Coloquei seu corpo mole em meus braços delicadamente. O meu medo era que eu piorasse o estado dela, mas meu maior medo mesmo era que eu não tivesse a minha Luma de volta. Fiz sinal para que a Mari ligasse para alguém. Mariana apenas ficou ali, intacta no chão e com as mãos na boca. Vi que pelo estado dela, teria que fazer esse trabalho sozinho. Passei correndo entre as pessoas, que gentilmente me deram passagem ao ver que eu levava alguém nos braços. O engraçado disso tudo, era que eu não sentia o peso dela sobre o meu corpo, muito menos me sentia cansado de querer carregá-la para longe das pessoas.
Decidi ir direto a porta de entrada e pedir o meu carro aos seguranças encarregados disso. Depois ligaria para o pessoal e avisaria o que aconteceu, senão seria capaz de todos quererem vir comigo e só piorar o que já tava horrível. Já imaginava a cena de um monte de gente desesperado, transtorno, gritaria, choradeira... Não precisava de tudo isso, tudo iria ficar bem. Pelo menos era nisso que eu tentava acreditar mesmo com uma aflição gigante no meu peito por não saber ao certo o que havia acontecido.
Sentia o vento gelado de uma noite abafada soprando sobre mim. As pessoas lá fora me encaravam com preocupação, pena, talvez. Estava encostado a uma pilastra de frente para onde chegavam os carros, só desejando que o tempo estivesse ao meu favor.
– Tudo vai ficar bem, princesa. – Eu sussurrei entre os cabelos dela, perto do seu ouvido. Então vi o meu carro chegando a minha frente com um homem bem vestido o dirigindo.
– Aqui está Sr. Styles. – Disse o homem grande saindo do meu carro e deixando a porta aberta para eu entrar. Com dificuldade tentei abrir uma das portas de trás para colocar Luma lá e vendo o meu esforço, o mesmo homem a abriu e eu coloquei aquele pequeno projeto de anjo nos bancos do carro.
– Muito obrigado. – Eu disse rapidamente pegando a chave da sua mão, e dando um breve sorriso.
Entrei no carro o mais rápido que consegui e logo girei a chave na ignição. Peguei meu celular no meu bolso para enviar uma mensagem ao nosso “médico particular” e depois ao pessoal que provavelmente ainda procurava por nós dois.
“Tenho um problema com uma amiga, pode dar uma passada lá em casa o mais rápido possível? Harry”
Eu digitei o mais rápido que conseguia, mas tomando cuidado com a estrada, e enviei. Só o que me faltava era o cara estar ocupado na única vez que eu precisei dele. Dei uma olhada para o banco de trás e ela ainda continuava intacta, sem mexer um músculo. Retornei meu olhar para a estrada e senti uma lágrima escorrendo pelo meu rosto, era horrível cogitar as hipóteses do que poderia ter acontecido por alguns minutos que eu a deixei sozinha. Como eu pude ter sido tão descuidado a esse ponto¿
(...)
Entrei com ela nos braços no meu apartamento, tomando cuidado para não bater em lugar algum. Nunca pensei que iria fazer essas coisas por uma garota. Por mais que eu e os garotos passemos a imagem de românticos com essas músicas que falam de amor, na verdade garotos de 18 anos só querem se divertir. Eles só querem festas, bebidas, cigarros e sexo. Mas desde que eu conheci a Luma, eu nunca mais pensei nessas coisas do modo como eu pensava antes. Agora, tudo o que eu penso inclui ela. Desde festas e sexo até um dia sem graça vendo filmes. Porque eu sabia que se fosse com ela, nada mais na minha vida seria sem graça.
Senti o celular dela vibrar na sua bolsa e andei mais rápido com ela até o meu quarto. Tirei os seus sapatos e a deitei na minha cama com cuidado. Tive dificuldade em abrir a sua bolsa, não sei porque as meninas cismavam em usar coisas difíceis de se manusear. Quando finalmente abri aquele treco e peguei o celular, vi Camila escrito na tela dele e já pensei em quantos xingamentos diferentes ia receber quando atendesse o celular dela, por não ter avisado a eles o que eu havia feito.
– Oi Camila. – Eu disse atendendo o celular inocente.
– Aonde vocês estão? A Mariana tá quase quebrando tudo aqui. – Camila disse mais tranquila do que eu pensei que ela fosse estar.
– Eu a trouxe pro meu apartamento. Ela ainda está desacordada, mas eu liguei pra um médico amigo meu. – Eu cocei a parte de trás da minha cabeça enquanto falava. O médico ainda não havia retornado a minha mensagem, muito menos me ligado. A cada minuto que passava eu ficava mais aflito. E pensar que esse merda toda só aconteceu por um descuido meu, a culpa era toda minha.
– SEU IDIOTA, COMO VOCÊ PÔDE SAIR COM ELA ASSIM SEM AVISAR NINGUÉM? – Eu ouvi alguém gritando do outro lado da linha, provavelmente Mariana.
Eu respirei fundo e tornei a olhar para a minha princesa deitada na cama e quase caí pra trás. Ela estava sentada na cama com os olhos semiabertos, provavelmente estranhando a claridade da luz acesa. Seu cabelo estava levemente bagunçado e ela passava uma de suas mãos a sua testa enquanto a outra a apoiava sobre a cama.
Desliguei o celular sem pensar duas vezes e fui em direção a ela. Sentei na cama devagar para que ela não se assustasse e coloquei uma de minhas mãos no seu rosto. Sorri imediatamente por saber que ela estava bem, pelo menos aparentemente. Ela já havia acordado o que era um bom sinal.
– Você está bem, princesa? – Eu perguntei quando senti uma lágrima dela escorrendo sobre a minha mão. Enxuguei seus olhos com o meu polegar e cheguei mais perto. – Fala alguma coisa, pelo amor de Deus. – Eu supliquei. Ela queria que eu morresse de culpa ali né? Ou então de agonia. Então ela me olhou e sorriu.
– Eu só estou um pouco tonta, com dor de cabeça. – Ela me respondeu fraco. A ajudei a deitar novamente na cama enquanto ela com dificuldade tentava sem sucesso tirar a sua saia. Ela queria se despir na minha frente e eu teria que ficar como se nada tivesse acontecendo. Harry Styles sendo escalado para o filme Missão Impossível. – Me ajuda? – Ela sugeriu, se referindo as roupas que ainda estavam no seu corpo.
– Luma, não faz isso... – Eu sussurrei mais para mim mesmo do que para que ela ouvisse, mas acho que não deu certo porque ela soltou um riso sapeca. Segurei nas extremidades de cima de sua saia e a puxei perna a baixo para que ela saísse completamente do seu corpo. Tive que repirar fundo umas quinhentas vezes para que eu não fosse o próximo a desmaiar. Pensando assim parece até que eu nunca tinha visto uma mulher nua. Desabotoei botão por botão da sua blusa, até que a mesma revelou uma barriga lisa e encolhida por aquela menina estar deitada, e um sutiã rosa escuro que eu daria tudo para arrancá-lo dali naquela hora mesmo. Luma levantou um pouco para que eu conseguisse tirar a sua blusa por inteiro, e quando o fiz, larguei a mesma junto com a sua saia na cômoda ao lado da cama. – Vai tomar banho enquanto eu pego alguns remédios para você. Pode ser?
– Você fica mais lindo ainda preocupado, sabia? – Ela disse sorrindo.
– Você me deixou muito mais do que preocupado. – Eu comecei. – Eu não sabia o que tinha acontecido, você não acordava. – Eu fui falando cada vez mais rápido. – Eu fiquei com medo de... Te perder. – Falhei ao pronunciar as últimas palavras.
– Shhh... – Ela sussurrou enquanto me puxava para mais perto de si. Luma estava deitava na minha cama enquanto eu estava sentado na beirada da mesma inclinado por cima dela. Juro que se ela estivesse em um estado melhor, aquilo dali ficaria bem mais provocante. – Nunca pensei que Harry Styles fosse assim.
– Eu também não. – Respondi. Seu sorriso naquela hora era o mais lindo que eu já tinha visto, dava pra ver que era de verdade.
– Me ajude a levantar para eu tomar banho. – Ela disse. – Eu estou pior do que uma velha gorda agora. – Eu ri do seu comentário e me levantei da cama contra a minha vontade.
Ao invés de esticar uma de minhas mãos para que ela se apoiasse, a peguei no colo como uma mãe pega um bebê para fazê-lo dormir. Enquanto caminhava com ela nos braços até o banheiro, fiquei pensando no que Luma havia me dito há alguns instantes atrás: “Nunca pensei que Harry Styles fosse assim.”. Acho que finalmente estava concordando com o que as pessoas ao meu redor estavam dizendo, eu havia mudado muito desde que a conheci. Mudado para melhor, é claro.
A deixei no banheiro e entreguei a ela uma toalha limpa para que ela usasse depois de tomar banho. Fui a cozinha tentar achar qualquer ingrediente para fazer qualquer comida que estivesse ao meu alcance a essas horas da madrugada. Afinal, minha menina não podia tomar remédios sem que estivesse com o estômago cheio.
Peguei um pacote de macarrão no estilo pene, uma porção de carne moída e molho de tomate. Coloquei água para ferver em uma panela enquanto cozinhava a carne com o molho de tomate na outra. Quando ficou pronto, coloquei em dois pratos em cima de duas bandejas com pitadas de queijo ralado no macarrão e peguei suco para nós dois. Ouvi a água do chuveiro cessar e tratei de ir o mais rápido possível para o quarto, queria fazer uma surpresa a ela com o jantar.
– Amoooooooor! – Ouvi Luma gritar de dentro do banheiro e à medida que eu chegava mais perto do quarto o som daquela voz que conseguia me deixar arrepiado ficava mais nítido. Deixei o nosso jantar em cima da cama e fui até a porta do banheiro, hesitando em abri-la.
– O que foi? – Eu perguntei ainda encostado a porta que dava para a minha perdição.
– Eu não tenho roupa para vestir. – Ela gritou e eu pude ouvir a porta do box se abrindo.
– Pode ficar sem nada se quiser, eu não me importo. – Eu disse rindo e ouvi-a fazer o mesmo do lado de dentro daquela porta. Só o meu ego sabia o quanto eu queria escancarar aquela porta e agarrá-la ali, sem roupa mesmo. – Vou pegar alguma coisa para você vestir. – Eu disse por fim.
Fui até o meu armário, abri a porta nem sabendo por onde começar a procurar alguma coisa para ela vestir. Peguei a cueca mais justa que eu tinha, por mais que só de imaginar aquela cena dela vestindo uma cueca a vontade de cair na gargalhada era enorme. Vasculhei nas camisas penduradas em cabides e não achei nada que prestasse. Até que parou na minha camisa preferida, a peguei sem pensar duas vezes, isso significava muito para mim. Corri de volta até a porta do banheiro e bati duas vezes.
– Amor, já peguei. – Eu disse esperando que ela abrisse a maldita porta que estava entre nós. Então ela o fez. Abriu aquela porta só enrolada em uma toalha e o seu cabelo preso todo para cima. Embora que a sua maquiagem estivesse toda borrada, acho que ela conseguia ficar mais linda ainda desse jeito. Talvez devesse ser porque eu sabia que ela não apareceria assim para qualquer pessoa.
– Pensei que ia me deixar morrendo de frio por mais um ano. – Ela bufou de brincadeira. – Obrigada. – Agradeceu pegando o que eu estendia para ela e foi analisar o que estava em suas mãos.
– Espero que você não tenha problemas em usar cuecas. – Eu disse divertido. Então percebi que ela apertava com força a camisa que eu havia entregado-lhe. Luma tornou o seu olhar para mim que agora deixava uma lágrima escapar pelo rosto. Pronto, só o que falta é ela desmaiar de novo.
– Vo-Você me... É pra eu usar essa ca-camisa? – Ela perguntou fraquejando algumas vezes e eu pude notar o seu rosto ficando pálido.
– O que foi? Você tem problemas com preto? Tudo bem, eu posso pegar outra. – Eu disse atropelando as palavras. Coloquei as minhas mãos em volta do seu corpo já esperando que ela fosse cair a qualquer momento, mas sem desviar os meus olhos dos dela.
– Você tem certeza que quer que eu use essa camisa? – Ela disse bem devagar, como se fosse para eu entender direito o que ela estava dizendo, e deu ênfase no “eu”.
– Eu queria, tem problema pra você? – Eu disse no mesmo tom calmo que ela. Então, eu vi o sorriso mais lindo da face da Terra. E sem que eu pudesse protestar, ela fechou a porta nos deixando novamente separados por um maldito pedaço de madeira.
Andei até a cama olhando para o chão e balançando a cabeça negativamente, rindo de como a cada dia que passava eu descobria um pouco mais sobre aquela pequena garota. Não me importava com o fato de ela ser doida, de me enganar com suas trocas de humores repentinas e me assustar com seus surtos de risadas. Eu gostava disso nela, gostava muito.
LUMA’S P.O.V
PARA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER! Me explica, como, em sã consciência o Harry vem e me dar a camisa do Ramones dele para vestir e dormir ao seu lado? Como ele não pôde prever que eu poderia ter um ataque de nervos, ou simplesmente começar a chorar? Por sorte, eu me controlei e lembrei que agora eu não era só mais uma Directioner perdida no mundo, eu era a namorada dele. Ou sei lá o que eu era dele, era assim que ele me apresentava. E era assim também que ele conseguia fazer meu coração parar e voltar a bater no mesmo minuto de tempo.
Ainda estava a olhar aquela camisa linda e aquela cueca que ele havia me dado para vestir. Eu estava buscando coragem para vestir aquilo e sair daquele banheiro em direção ao meu príncipe de olhos verdes e ainda com a missão de não deixar que nada acontecesse com um Harry safado e uma Luma carente em uma cama. Apresento a vocês o novo filme estrelado por Harry Styles, Missão Impossível 4.
Desenrolei-me da toalha e vesti primeiro aquela cueca, que vinda do Harry devia ser cheirosa. Porque não era possível, tudo o que vinha daquele menino tinha o poder de ser cheiroso. Peguei aquela blusa preta linda e a coloquei sobre o meu corpo com cuidado, para que uma Luma desastrada não estragasse a roupa mais perfeita do mundo (Que só era perfeita porque vinha de um garoto de cachos). Abri a porta do banheiro devagar e ela me revelou um garoto despido só com roupa de baixo sentado a beirada da cama, encarando o que parecia ser... UM JANTAR? Calma mundo, o Harry cozinhou para mim? É isso mesmo?
– Agora meu... – Eu ia falar namorado, mas fiquei na dúvida de assustá-lo ou alguma coisa do tipo. – Agora eu também tenho um cozinheiro, é? – Eu disse rapidamente concertando a minha frase.
– É impressão minha ou você ia falar “meu namorado”? – Ele perguntou enquanto fazia uma cara de desconfiado, mas ao mesmo tempo se segurava para não rir. Pronto, ele me descobriu como uma fã maluca que queria namorar Harry Styles.
– Nã-Não, eu não ia...
– Você fica linda com essas roupas. – Ele me cortou sorrindo. Relaxei e não pude deixar de sorrir também com aqueles olhos lindos me encarando e sabendo que aquelas palavras eram exclusivamente para mim.
Fui até a cama e subi nela andando ajoelhando até ficar de frente para o meu anjo. Sentei ao seu lado e repousei a minha mão sobre a sua que estava apoiada sobre a cama. Harry começou a brincar com os meus dedos, mas não desviava o seu olhar do meu. Deixei um selinho nos seus lábios, e não era para passar daquilo, mas então ele colocou sua mão livre sobre a curvatura do meu pescoço, o que me impedia de me afastar. Iniciamos um beijo calmo. Ele continuava a brincar com os nossos dedos na mesma medida que acariciava a parte debaixo do meu cabelo com a outra mão.
– Acho melhor a gente comer, senão a comida vai esfriar. – Ele disse sussurrando em direção aos meus lábios. Não estaria mentindo se dissesse que estávamos a menos de um centímetro de distância. Isso era muito mais do que um dia eu imaginei que poderia acontecer, era muito mais do que um sonho realizado ou uma imagem na vida real. Eu passava as mãos em seus cachos, e não havia aquela tela dura de computador no lugar dos seus cabelos sedosos. Ele estava ali mesmo, era aquele que eu sonhava todas as noites mesmo há um oceano de distância. Aquele mesmo que todos diziam que eu nunca ia conhecer, muito menos ele ia se acostumar com a minha presença. Mas olha como a vida é engraçada, foi exatamente o contrário disso que aconteceu.
Comemos o jantar maravilhoso que Harry preparou. Por mais simples que fosse, estava incrível só por ter sido ele quem fez. Fizemos um brinde com o nosso suco de maça, e ao invés de ele dizer “saúde”, ele disse “a nós”, e mais uma vez, não pude deixar de sorrir como uma boba apaixonada.
Harry me deu uma escova de dente fechada que tinha em seu apartamento, ele disse que estava a guardando para quando eu fosse dormir lá e que agora ela seria minha. Alguém consegue imaginar o tamanho do meu sorriso? Escovamos nossos dentes juntos, olhando o reflexo no espelho do banheiro e eu nunca consegui perceber o quão lindo ele era fazendo as coisas mais básicas possíveis. Não lindo no sentido “ah, seu gato!”, era mais no sentido “parecia um anjo”.
(...)
– Tem certeza que você está bem? – Harry me perguntou mais uma vez e eu apenas assenti com a cabeça. Quem não melhoraria depois de todo aquele cuidado que eu havia recebido? Ainda mais de quem tinha vindo todo aquele dengo.
– Não se preocupe, amor. Agora, vamos deitar que eu estou cansada? – Eu suspirei indo em direção à cama. Vi que Harry gostava do lado direito, então deitei do lado esquerdo da sua enorme cama de casal, esperando que o meu príncipe deitasse logo e eu pudesse dormir agarradinha com ele.
– Ainda acho que eu deveria ligar para o médico. – Ele bufou se deitando na cama e nos cobrindo. Além de ser um anjo, ainda tem que ser todo preocupado comigo. Me diz, eu podia pedir alguém melhor do que esse garoto? Nem nos meus sonhos mais apaixonados eu pensei que ele fosse tão... Tão... Ah, você me entendeu!
– Eu já falei com a Mari, não é? – Eu perguntei e ele assentiu emburrado. – Então pronto, não precisa se preocupar com mais nada. – Eu conclui.
Viramos-nos um para o outro e ficamos uns minutos sem falar nada, só observando um ao outro. Eu acho que a cada dia que passava eu ficava mais apaixonada por esse menino, e por incrível que pareça hoje esse amor aumentou o máximo que podia. Eu descobri um Harry que talvez nem ele conhecesse. Pousei minha mão sobre o seu rosto delicadamente e fiquei passeando com os meus dedos sobre cada parte dele.
– Eu te amo. – Eu consegui dizer e quebrar aquele silêncio. E naquelas palavras não tinham mais nada do que a pura verdade de alguém apaixonado. Não era mais como há dois anos, quando eu dizia “eu te amo” para ele via twitter sem saber se ele veria ou não, agora ele estava ali, olhando nos meus olhos e sorrindo devido a três palavras que carregam um sentimento por ele que morava escondido em mim há tanto tempo. – O que foi? – Perguntei quando ele começou a rir.
– Foi a primeira vez que você disse. – Ele sussurrou quase sem voz e ambos caímos na gargalhada.
Não sabíamos ao certo o por quê de estarmos rindo, só sabíamos que estávamos felizes por amar um ao outro e isso era tudo o que importava naquele momento.
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