Let Me Know
3 A gente tá em um relacionamento Min Yoongi
Aquelas lindas botas de camurça tinham uma dona certa desde que minha prima pôs os olhos nelas e pode ter certeza que não era Duda.
Desfilando pelo tapete felpudo como a modelo que eu não sou agradeci pelo mimo.
Acabou que deu tempo de ajudá-la a escolher a roupa, os sapatos e ainda ser usada como maquiadora particular e nada de Yoongi voltar.
Sem nem comunicar ou ao menos cogitar a ideia de pedir sua opinião, aceitei sair em um encontro duplo de casal já imaginando a cara com que ele me olharia quando soubesse dessa coisa cafona.
Duda foi finalizar o cabelo enquanto, eu me esparramava em seu sofá vermelho, encarando a tela do celular.
Será que alguém tinha sido esquecida?
Uma ligação de não muito tempo atrás marcava a tela de bloqueio. Como ambas ficamos no quarto e meu celular não sai do vibracall, acabei deixando passar duas ligações. O número era desconhecido, mas ficou meio que evidente que só podia ser ele.
Na nossa última noite ainda no carro da minha mãe na minha fuga iminente, eu apaguei todos os contatos dele só para não correr o risco de mais cedo ou mais tarde cair na tentação.
Antes de apertar o salvar, dessa vez pus um coraçãozinho no final de seu nome, eu mesma tive que revirar meus olhos pela atitude patética.
Cruzei as pernas me aconchegando melhor e com um suspiro apertei a tecla ligar repetindo essa mesma ação por três vezes seguidas até desistir. Minha próxima ação seria enviar um trilhão de mensagens pelo Whatsapp, mas então o celular vibrou ainda na minha mão e quando pensei ser um, era a outra.
— Yoona? — atendi aos risos. — Cadê o palerma do seu irmão? Ele disse que ia voltar rapidinho e eu tô aqui na Duda já tem 84 anos! — Reclamei.
Ela fungou.
— Vem pra minha casa agora — disse exaltada. Eu me perguntei como ela tinha voltado a beber depois de todos terem decidido parar com a farra por hoje.
— Mas é isso o que eu tô tentando fazer. — Lembrei a ela. — Quando o bocó do seu irmão chegar a gente vai. — Eu disse dando um longo gole no copo de suco de uva que Duda tinha acabado de deixar para mim na mesinha da sala.
Minha prima estava linda e eu ainda ali empacada.
— Não, você não entendeu. — Percebi sua voz trêmula entendendo que seu jeito estranho de falar não era pela bebida e sim pelas lágrimas.
Yoona estava chorando.
— A-amiga, aconteceu uma briga na Sintonia's, ligaram aqui pra casa. — Confessou.
Agradeci por estar sentada, embora meu coração tenha disparado da mesma forma.
Tum tum. Tum tum. Tum tum.
— O que? — minha voz saiu como um sopro. — Que tipo de briga? Yoona me deixa falar com seu irmão. — Pedi sentindo todo o meu corpo tremer com o seu silêncio.
Ele não estava lá.
Admiti para mim mesma já com as lágrimas tomando toda a minha visão. Do outro lado da linha Yoona mal conseguia continuar falando só seu choro era ouvido.
— Vem pra casa. — Ela repetiu.
Meus olhos se fecharam sozinhos, respirar se tornou insuportável.
Marcelo entrou em casa as pressas com uma aparência super pálida. Expressão que logo se intensificou ao me avistar bambeando em sua sala de estar.
— Eu passei de carro pela Pizzaria. — Ele disse que teve que entrar na rua transversal porque a polícia tinha isolado a área onde tudo tinha se transformado em um caos.
— Se acalma um pouco, eu te levo na casa dos Min, mas primeiro você tem que parar de tremer. — Duda veio na minha direção alarmada, os olhos arregalados, a alegria anterior perdida.
— Yoona, o Marcelo chegou aqui, ele vai me levar, eu já tô indo. — Desliguei o telefone vidrada na forma como minhas mãos fraquejavam.
Eu me recusei a pensar no motivo dela não ter mencionado o irmão em momento algum. Tentei não pensar no motivo das suas lágrimas, busquei apenas me concentrar na minha respiração descompensada.
Isso não podia ser verdade.
Não podia.
Seguimos pela transversal da Pizzaria e ainda de dentro do carro deu para perceber que a Sintonia's era a visão perfeita do que deveria ser a Teoria do Caos. As luzes do lugar se mesclavam com as luzes dos carros da polícia, que se misturavam com as luzes das ambulâncias e lá no meio vi a última luz, a do carro do IML.
Meu coração já agitado se alterou ainda mais, pois, quanto mais eu o procurava, menor parecia a oportunidade de encontrá-lo. Avistei a sombra conhecida do Seu Min à frente, ele estava com as mãos na cabeça ao lado da esposa e minha mãe entrelaçada aos braços da amiga como se seu aperto fosse feito de ferro.
As lágrimas nítidas mesmo a distância de sua mãe fizeram o meu mundo cair.
— PARA! — Berrei. — PARA O CARRO MARCELO. PARA! — Antes mesmo que as portas destravassem corretamente eu saí em disparada decidida a entender o que de fato tinha acontecido.
***
Uma ambulância saía às pressas do local, corri na direção deles o mais rápido que pude sem tropeçar nos meus próprios pés.
— Mãe? O que aconteceu? — perguntei segurando em suas mãos erguidas na minha direção. — Cadê o Yoongi? — sem receber uma resposta, eu me virei dessa vez para a mulher bem próxima e também estática. — Cadê ele Dona Min?
Ela tinha os olhos vermelhos e lacrimejantes, não falava coisa com coisa e se não fosse os braços do marido em sua volta, acredito que estaria prostrada pelo chão da mesma forma que os corpos tapados com o típico saco preto do necrotério.
Eu entrei em pânico.
Que tipo de dor era aquela me atingindo forte e dolorida e tão íntima que o ar mal entrava e saía corretamente?
Minha mente girou em 360° da mesma forma que minha cabeça girava. Meus olhos pararam em um sobressalto assim que avistei Pedro dentro de uma das outras ambulâncias. Cega pelas lágrimas as deixei e saí cambaleando na direção dele com a visão turva e o tremeluzir incessante.
— Pedro? — chamei sem forças. — O que houve aqui?
A camiseta azul largada no chão da ambulância estava banhada em um vermelho vivo e chamativo. Da sua cabeça um corte enorme acima do supercílio jorrava sangue, sua boca também tinha cortes fazendo companhia a uma expressão de dor pelo ferimento de uma bala na altura do braço esquerdo.
Agora, todos os piores cenários já tinham me invadido.
Ele parecia bem zonzo por causa do medicamento que algum dos paramédicos aplicou, mas respondeu da melhor forma possível se desvencilhando um pouco para os lados.
— A gente tava saindo com as pizzas, mas um casal que já tava lá começou a discutir feio e no meio da gritaria o cara do nada agrediu a garota — Ele fez uma pausa. —, e você sabe como o Yoongi é — disse falando um palavrão com a agulha que o picou com mais um medicamento para a lista.
Esfreguei o rosto com força e em negação após sua fala, é claro que eu sabia e muito bem como Yoongi era. Sempre querendo mudar o mundo, sempre se metendo na merda dos problemas dos outros.
— Depois a gente se meteu também e aí a confusão se formou. O lugar tava cheio, o dono disse que ia chamar a polícia, mas o cara sacou uma arma e saiu atirando pra cima de todo mundo. —Ele completou e pressionou uma gaze no cílio.
Olhei em volta por toda a confusão onde vários calibres se acumulavam no asfalto.
Curiosos se esgueiravam aos montes com seus celulares nas mãos, fotos e vídeos sendo feitos sem parar. Tinha horas que eu odiava a tecnologia e odiava as pessoas por terem esse fetiche pela dor alheia. Acidentes fatais não deviam ser filmados, pessoas sem vida no asfalto ou dentro de caixões em enterros não precisavam de câmeras em sua direção. Onde estava o respeito? A noção? A empatia? Será que pessoas assim sabiam o que significava esse sentimento?
Varrendo os olhos por aquele mar de pessoas eu me perguntei que tipo de vida uma pessoa tinha para guardar uma lembrança do sofrimento e desgraça dos outros e como deita a cabeça no travesseiro a noite e pega no sono depois disso.
No meu interior, com aqueles corpos ainda não identificados no chão, eu só pude imaginar o inimaginável.
Pedro completou dizendo que na Sintonia's também estava um policial reformado, ele trocou tiros com o cara mesmo o local estando cheio de inocentes e no meio do tiroteio dentre outros, Gabriel, Ricardo, Yoongi e ele tinham sido feridos.
No chão havia três corpos.
— Aquele é o cara que começou a briga — disse apontando para um dos corpos, ao que parece a mulher do cara já estava prestando depoimento na delegacia. — Essa é a coitada da menina que trabalhava aqui e não tinha nada a ver com essa merda. — Segundo corpo. — E esse... — ele fez uma pausa e da mesma forma minha respiração parou. Eu pedi, implorei e roguei que seu nome não viesse que aquilo ali não fosse verdade, embora agora nada mais pudesse ser feito, mas mesmo assim, eu pedi. —, é o Ricardo.
Um suspiro de alívio e uma súplica atendida.
Logo o sentimento de culpa me atingiu com tudo, não queria me sentir assim, não era minha intenção torcer para que outra pessoa estivesse no lugar dele, mas foi inevitável não agradecer por Yoongi não estar em um daqueles sacos.
— Meu filho?! — Os gritos da mãe de Ricardo puderam ser ouvidos do lado oposto ao que ela chegava.
Ela berrava seu nome, os tremores do seu corpo podiam ser avistados mesmo a distância, as lágrimas a afogavam como eu me afoguei, mas não era igual. Nunca poderia ser igual. Como minha dor poderia ser comparada a dor da perda de uma mãe?
Eu sentia muito. Muito. Muito. Muito mesmo por ela.
— Me diz onde ele tá. — Implorei virando o rosto novamente para o amigo baleado.
Busquei amenizar minha aparência limpando o rosto com as mãos, pedindo que as lágrimas cessassem pelo menos por um tempo.
— Ele não tá aqui. — Informou. — O Yoongi levou dois tiros, levaram ele agora pouco para o Silvestre com os outros.
Silvestre?
Era o mesmo hospital em que eu tentava o estágio. Eu faria mais perguntas, porém, os paramédicos pediram que eu me afastasse, eles também levariam Pedro ao hospital e disseram que eu não podia mais ficar ali, mas meus pés pareciam fincados no concreto.
Um tempo depois um braço me puxou suavemente da passagem, minha mãe me aninhava contra si, ele estava no hospital, estava vivo.
VIVO.
Outro braço me envolveu. O filho tinha herdado o dom do pai em chegar de mansinho, ele me direcionava de volta ao carro de Marcelo como se seu toque fosse uma simples pluma. Seu Min me deu uma das garrafas de água que eram distribuídas pela área e ajeitou os óculos.
— Vá para casa querida, estamos indo ao Silvestre, qualquer coisa avisamos para vocês, a Yoona está só com o Thiago, fique com ela tá bom? — ele pediu tentando manter a calma, mas como eu disse o Seu Min não sabia disfarçar.
Concordei com seu pedido por N motivos, um deles era o de que eu daria mais trabalho do que serviria de ajuda nesse momento e também pensei em Yoona.
Marcelo voltava para o carro depois de trocar algumas palavras com os policiais, Duda me pôs ao seu lado no banco traseiro e fechou meu cinto, enquanto minha mãe falava.
— Estou tão aliviada que você esteja bem minha filha. — Ela admitiu também com o típico tom culpado. — O que houve? Por que não estava na Sintonia's com eles?
Expliquei sobre Duda e as botas, que ele tinha dito que logo voltaria, que o tempo foi passando e o logo não chegou.
— Yoona disse. — Minha mãe revelou quando falei que ele tinha me ligado mais cedo, porém, não consegui atender as ligações. Yoongi reclamou com a irmã e antes que ela me desse uma bronca por tê-lo ignorado, o pior aconteceu.
— Foi sem querer mãe, eu não atendi porque tava no vibracall. Ele disse que não ia demorar eu fique esperando, mas... — Lágrimas. Lágrimas. E mais lágrimas.
Ela me abraçou da melhor forma que pôde do lado de fora do carro, eu quis me fundir ao seu abraço e nunca mais sair de lá.
— Calma minha filha, está tudo bem. — Afirmou. — Preste atenção, vou passar a noite com a família dos outros meninos que também estão no Silvestre, não quero deixar a Minnie desse jeito. — Confirmei, afinal, esse era o motivo deu ir ficar com minha amiga. Minha mãe pediu alguns produtos de higiene pessoal dela e dos outros, Thiago iria entregá-los assim que eu chegasse à casa dos Min. — Fiquem juntas, amanhã quando tivermos novidades eu ligo e digo o horário que vocês podem ir, ok?
— Ok — disse sem alternativa.
Em casa eu colocava roupas e produtos dentro da bolsa de forma automática e vazia, em menos de dez minutos já estava com Yoona nos braços. Ela chorava e chorava e chorava, eu a acompanhei e Duda nos abraçou mal aguentando as próprias lágrimas no processo.
— Vai ficar tudo bem. — Ela garantiu dando fim aos seus planos para a noite e se inundando com o nosso caos. — Vamos ficar juntas, eu vou fazer a janta e antes de vir peguei uns calmantes com a vizinha. — Ambas concordamos mesmo sabendo que ninguém ali conseguiria comer.
Em todos os momentos em que eu fechava os olhos eu pedia a Deus que ele ficasse bem e voltasse para os meus braços, lugar esse que nunca deveria ter deixado. Eu precisava de Yoongi aqui comigo nem que fosse só para implicar com ele mais uma vez.
***
Domingo.
Meus olhos pesados mal conseguiam se abrir de tão inchados. Pela janela do quarto observei a madrugada escura finalmente dando lugar a diversos tons de azul claro começando a salpicar o céu.
O braço de Yoona passou a noite toda apertado em minha volta, mesmo dormindo ela ainda se remexia e soluçava sem parar. Resolvi desistir da minha tentativa falha e frustrada de sono e levantei devagarinho para não acordá-la.
A cafeteira era preenchida gota por gota de líquido escuro e viciante. A parede da cozinha estava tão fria quanto eu me sentia a espera da ligação ser atendida.
— Mãe?
— Bom dia querida. — Ela respondeu de volta com a voz parecendo bem cansada.
— Mais ou menos, mas a Yoona ainda tá dormindo. — Expliquei o motivo de estar ligando tão cedo.
Não me senti culpada por perturbá-la aquele horário por achar difícil eu ter sido a única a ter dificuldades para pegar no sono, se é que alguém conseguiu dormir de verdade.
8h de cirurgia foram necessárias.
Após longas 8h ele saiu do centro cirúrgico sem que fosse necessária sua ida para a UTI.
— O médico disse que dependendo do tempo da anestesia, como a cirurgia correu bem ele já vai poder descer para um leito e receber visitas. — Suspirei.
Tirando Ricardo, seus outros amigos e ele foram atingidos em lugares não fatais por assim dizer. Yoongi levou dois tiros, um no abdômen e outro no peito. Eu passei cada segundo da noite escura e sem fim pensando nele e no tempo em que ficamos afastados. Eu pensei na quantidade de momentos que perdi por mantê-lo distante por culpa de uma bobagem.
Se minha mãe, Yoona e mesmo Duda indiretamente não tivessem me forçado a vir na festa do dia anterior, se algo de pior tivesse acontecido com ele sem que tivéssemos tido tempo de nos acertar, em que poço eu estaria afogada a uma hora dessas?
Eu jamais me perdoaria se tivesse o perdido.
Escolhi os sousplats natalinos da Dona Min que Yoona tanto gostava para pôr na mesa do café da manhã. Ainda ontem depois do jantar intocado Duda e Thiago se ofereceram para ficar, mas ela os renegou dizendo que só queria ficar comigo. Yoona sempre foi assim, como uma gatinha manhosa, porém, meio arisca. Quando éramos crianças e alguma coisa acontecia ela não gostava de ninguém em volta, só eu podia me aproximar.
Na minha segunda xícara de café e milésima vez em que pensava nele, Yoona surgiu como uma aparição pálida e sôfrega na porta da cozinha. Olhos tão pesados quanto os passos, cabelo tão bagunçado como ela se sentia. Na verdade foi como ver através de um espelho minha própria imagem bem nítida.
— Bom dia! — Usei a voz mais animada que consegui. — Comprei aquele pão doce cheio de chocolate que você gosta — disse ao mesmo tempo em que tentava esquentar as mãos em volta da caneca fumegante.
Tínhamos a mesma idade, apesar disso ao vê-la ainda parada e tão frágil no mesmo local, mal conseguindo erguer a cabeça ou mesmo abrir a boca me deu uma louca vontade de embalá-la nos braços e mantê-la protegida do mundo como uma mãe faria com seu bebê.
— Vem aqui Yoona. — Chamei eu mesma me levantando para alcançá-la.
Mastiguei sem vontade, porém, na intenção de incentivá-la me forçando a comer algo. Ela adorava aquele pão, tanto que assim que deu a primeira mordida nele Yoona começou a chorar. Gostaria de dizer que o chocolate que o Seu Zé, o dono da padaria usava vinha dos mais preciosos Alpes suíços e que a combinação de pão doce com café preto era a oitava maravilha do mundo, entretanto, infelizmente, não era.
Acabamos uma atracada a outra mais uma vez, sua cabeça descaçando nos meus ombros, suas lágrimas se misturando as minhas e seus soluços altos fazendo companhia aos meus. Embora ela soluçasse copiosamente, meu choro era silencioso, mas da mesma forma dolorido.
***
Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac.
Sem parar observei os tic tacs do relógio.
A mãe de Yoona mandou quentinhas para casa na hora do almoço, apesar de apetitosa como sempre, nem a comida da Dona Maria desceu corretamente. No início da tarde Thiago veio nos buscar mesmo sem a tal falada ligação do hospital. Decidimos ir de qualquer forma e iríamos sozinhas se no final eles não tivessem aceitado nossa presença. E em mais ou menos 15 sinais de trânsito depois chegamos ao estacionamento do Silvestre.
O Cristo Redentor ao fundo dava a única vista agradável que um hospital poderia ter. Do largo corredor até a sala de espera uma fila interminável de parentes desorientados lotava um dos andares. Todos ainda carregavam um olhar preocupado e cansado, mas não desistente.
Não demorou muito para que os avistássemos, ela avançou rápido demais na direção dos pais e se perdeu no abraço de ambos.
— Omma? — muitas vezes, se não sempre, Yoona chamava a mãe de ''omma''. Já ouvi Yoongi fazer o mesmo, embora em menor frequência e sempre quando estavam sozinhos ou pensava ser assim.
Indo na mesma direção que ela, logo eu fui atrás do aconchego dos braços da minha própria omma.
— Você se alimentou querida? — ela perguntou com um olhar complacente na face.
Conscientemente a ignorei, só apertando os braços em sua volta, só sentindo o quentinho que o corpo dela me proporcionava.
2h se passaram.
Um dos médicos que o operaram, Dr.Vinicius veio avisar aos pais que o medicamento estava perdendo o efeito, então logo Yoongi poderia receber visitas.
4h se passaram.
Entre quatro e cinco horas de espera Thiago, embora a contragosto foi embora. Sua mãe estava bastante ansiosa pelo acidente do dia anterior e não a culpei por querer o filho por perto, se eu fosse uma mãe, talvez agisse da mesma forma mesmo ele sendo crescido e tudo mais.
À noite, quando o jornal já passava em todas as quatro TV's que englobavam o grande salão, após 6h minha mãe e eu, Yoona e o pai fomos para a cantina que ficava dentro o hospital.
Do saguão até a elevador foram 29 passos, mais dois andares, e lá estávamos nós. Para a minha surpresa, o lugar estava cheio. Vários funcionários do Silvestre estavam lá mastigando apressados sem tirar os olhos dos celulares ou das pastas em cima da mesa. Por mais que a minha tivesse insistido, sua mãe não quis vir junto. Quem poderia culpá-la naquela situação? Afinal, cá estava eu com meu sanduíche passando de uma mão para a outra, perfeito da mesma forma que tinha chegado.
— Coma Yoon, só um pouco. — Seu Min segurou o lanche próximo à boca da filha, mas como se fosse uma criança, Yoona virou para o outro lado.
Ele suspirou cansado, retirou os óculos e pressionou as têmporas.
— Estamos todos preocupados minha filha, mas se você não comer pode ter uma queda de pressão e sua mãe nesse momento não precisa se preocupar com você também. — Uma simples constatação finalizou a discussão. — Agora coma.
Encarei minha mãe de rabo de olho e sem palavras assim que Yoona ponderou as palavras do pai e depois de uns segundos deu uma grande e forçada mordida no lanche. Apesar da bronca não ter sido para mim diretamente, repeti seus atos, já que a senti da mesma forma.
***
Hospitais são tão feios.
Não acho que a aparência influenciaria em muita coisa, mas aquelas paredes brancas, beges e monocromáticas em minha opinião só faziam quem estava lá ficar mais apático ainda. Contei quantos tons de azul tinham do refeitório até a sala de espera. Dizem que a cor azul acalma e promove um sono melhor, o que era patético, pois ninguém conseguia dormir bem no leito de um hospital, a não ser que um Valiumzinho estivesse no meio.
Eu tinha mania de contar cores, contar palavras, tic tacs, passos, sorrisos, porém, os sorrisos dele talvez fossem a minha melhor contagem.
Dobrando o último corredor percebi que a Dona Min estava de pé com o mesmo médico de antes e mexendo o lenço sem parar com os dedos nervosos. Seus olhos pequenos mostravam mesmo a distância o inchaço nítido.
Uma batida do meu coração soou mais rápida quando a vi se adiantando atrás dele, o seguindo a passos trôpegos, mas firmes.
— Yoona, sua mãe tá saindo com o médico. — Anunciei exasperada e alto demais. A garota cabisbaixa levantou a vista no mesmo instante e os focou como eu. — Rápido, vai lá, vaaaai. — Mandei quase a empurrando na direção de ambos e fazendo eu mesma isso.
O sopro de vida que percorreu seu corpo foi tão nítido, o brilho que inundou suas feições orientais, a fagulha de esperança enquanto corria com o pai dando passos largos atrás.
As visitas de todos os pacientes foram liberadas. Percebi isso quando a quantidade de pessoas no corredor diminuiu e vozes altas, baixas, sussurros, prantos e risadas preencheram o ambiente. Segurei com todas as forças a vontade, o desejo, o desespero de vê-lo e alcançá-lo e tocá-lo até que chegasse a minha vez.
Como um soldado eu marchei sem parar pelo corredor, indo e voltando, voltando e indo, sem conseguir ficar parada em um só lugar, tentando acalmar a vontade que só crescia dentro de mim.
— Minha filha se acalme, pare de andar sem rumo e sente ao meu lado. — Como pedido de mãe não se nega, controlando meus pés nervosos me joguei na cadeira ao seu lado. Ficamos em silêncio até que ele chegou ao fim com sua confissão. — Antes de ter acontecido o que aconteceu, enquanto arrumávamos a cozinha Minnie e eu conversamos sobre vocês. — Disso eu já sabia.
Desde que ficamos praticamente colados um no outro da hora do almoço eles fofocavam sobre nós. Baixei a cabeça até estar praticamente deitada em seu colo, suas mãos logo me fizeram um carinho leve e gostoso por toda a extensão do cabelo.
— Desde que vocês eram crianças eu sabia que havia algo há mais naquela implicância desenfreada. Tinha que ter. Minnie e eu passamos muito tempo nos perguntando quando isso iria acontecer, mas só agora, após termos desistido vocês resolveram sair das profundezas e florescer para todos nós na superfície. — Ela pareceu tão fantasiosa.
Eu ri.
Foi baixinha, quase muda e bem seca, mas ainda uma risada.
Só minha mãe para fazer uma analogia maluca dessas, por isso eu ficava contando coisas por aí, a loucura era hereditária e inevitável.
Pessoas iam, voltavam e atravessavam os corredores as pressas, o tempo passou lento, angustiante e quase sufocante.
— Como será que ele tá mãe? — perguntei mais uma vez perdida em seus braços, observando o espaço sem fim que nos separava. — Quando vai chegar minha vez? — Eu não aguentava mais esperar.
A única coisa que ela fez foi intensificar seu abraço me deixando sem resposta e na verdade, nem sabia se queria uma.
Quando meu nome foi chamado, chamado não, berrado por todo o hospital além da minha, muitas cabeças se viraram na direção da mulher e seu tom desesperado. A Dona Min vinha como uma flecha em linha reta, os olhos mais uma vez avermelhados, porém, com um sorriso formado na face. Antes mesmo de levantar ela me envolveu em um abraço forte demais para alguém do seu tamanho, tanto que quase fiquei sem ar.
— Ah querida — Ela começou ainda muito emocionada. —, eu nem sei como agradecer.
Agradecer?
A mim?
— O médico disse que ele está bem, está salvo e isso é graças a você. — Nisso ela mais uma vez começou com os "obrigadas", mas não explicou nada, muito menos o que era o emaranhado de fios dourados em suas mãos.
Fiquei sem saber o que dizer e também na duvida se deveria falar algo. Direcionei o olhar para Yoona em busca de ajuda, mas ela me encarava com seus olhos puxados como se fosse a primeira vez que me via. Parada e imóvel como eu, minha mãe pelo jeito era outra que também não entendia bulhufas. Atribui o surto da Dona Min ao acidente e pelo cansaço, após todos os últimos acontecimentos, pois, nada do que ela falava fazia o menor dos sentidos. Eu nem estava na Sintonia's na hora do ocorrido, muito menos participei da operação de alguma forma.
— Dona Min... — Comecei incerta.
Minha mãe percebendo que eu não sabia como continuar resolveu tomar a frente.
— Minnie, querida, não estamos entendendo. — Ela disse por fim, tentando me libertar do aperto mortal da amiga.
Como resposta a mais velha estendeu o ninho amarelado para mim, mesmo sem entender eu segurei o objeto não identificado entre os dedos sem conseguir desvendar aquele mistério.
Olhei, olhei e olhei.
Quando finalmente minha mão desocupada voou para o pescoço em busca do meu colar de coração, percebi que aquela bagunça dourada era o meu colar.
Meu colar.
Depois que meu pai faleceu ficamos só minha mãe e eu. Um dos únicos presentes que ele deu para ela foi um colar de ouro com um pingente de coração. Quando ele morreu, minha mãe o deu para mim como uma recordação do amor do homem que eu sempre iria amar. No primeiro aniversário dela depois daquilo, eu comprei outro colar idêntico de coração e lhe entreguei como prova do meu amor.
Minha intenção ao retirá-lo e deixá-lo no bolso da camisa de Yoongi ontem foi o meu jeito de dizer que o amava, dando o meu maior tesouro a ele. Eu entreguei meu coração para que ele tivesse cuidado, e o devolvesse de volta para mim intacto, porém, não foi assim.
A primeira bala foi direto no peito, bem do lado esquerdo. Entretanto, antes de atingir o dele, o tiro estraçalhou o meu coração, meu coração de ouro que estava no seu bolso esquerdo.
Eu me senti acabada por ter arruinado e destruído uma lembrança tão bonita do meu pai, mas tive certeza que se o destino existisse de verdade, tinha sido por esse motivo que meu pai deu o colar para minha mãe, ela para mim e por fim, eu o tinha entregado a Yoongi. Para mantê-lo a salvo, respirando, vivo.
Eu não sabia o que dizer, o que pensar, o que sentir.
Segundos perdidos no tempo.
— Ele quer te ver. — Yoona disse agarrada com a mãe e com o mesmo sorriso lindo do irmão no rosto. — Corre, corre.
Acenei em confirmação, qual outra escolha eu tinha se não correr?
***
A porta fechada encarava minha covardia e as três respirações fundas necessárias até ter coragem suficiente para abri-la. Seus olhos fechados se abriram na hora em que coloquei os pés para dentro do quarto. Timidamente a fechei com um baque quase inaudível e me recostei sobre ela com muito medo de me aproximar demais e acabar machucando-o.
Meu Yoongi estava tão abatido e tão pálido como nunca antes.
Vaguei os olhos por toda a parte observando as cores apáticas do quarto. Exatamente por isso reclamei das paredes dos hospitais, elas só pioravam tudo. Seu cabelo escuro contrastava com sua pele mais clara, sua boca rosadinha acompanhou o tom neutro da pele. Ele parecia e de certo estava exausto.
Assim que seus olhos caíram sobre mim nem uma palavra foi precisa para que sentisse minhas pernas bambearem. Buscando contar e até disfarçar o quão nervosa estava ali, resolvi usar o que já era bem típico entre nós, a implicância.
— Ouw, cadê a minha pizza? — levemente minha voz tremeu, mas decidi ignorar a lágrima intrusa que escorreu pelo canto do meu rosto sem permissão.
Seus olhos pequenos inacreditavelmente estavam menores ainda, ele me olhava sem nem piscar e mesmo nessa situação, eu contei 29. O meu sorriso predileto, o único que me fazia querer sorrir junto embora bem fraquinho, estava bem ali na minha frente.
Ele usou a mão estendida ao lado do corpo e bateu levemente no espaço que tinha ao seu lado na cama.
— Vem cá. — Pediu com uma voz fraquinha e rouca, porém, alta o suficiente para ser entendida.
Mantive uma caminhada torturante até ele, limpando os olhos antes de me colocar ao seu lado e apoiar a mão com cuidado em sua face, observando seus olhos se fecharem mais uma vez. Com as pontas dos dedos desenhei suas feições tão lindas para mim. Cada pedacinho do rosto dele estava gravado na minha memória, na minha retina, no meu peito há anos.
Eu o amava.
Sem pensar em mais nada, apenas não consegui resistir a vontade de encostar meus lábios nos dele só para ter certeza de que ele realmente estava ali comigo. Implorei em pensamento para que fosse sempre assim, assim para sempre.
Eu o amava, amava, amava.
— Hei — disse segurando meu queixo com a mão que não tinha o acesso venoso. — Não chora, eu tô bem. — Garantiu.
Com os olhos afogando os meus ele limpou cada vestígio das lágrimas que deslizavam sem ser chamadas.
— Quem tá chorando aqui? — tentei ser durona, porém, a quem eu enganaria? — Eu fiquei e ainda tô preocupada, só isso. — Admiti de uma vez.
Levamos um tempo para conversar sobre tudo o que tinha acontecido ontem, sobre meu colar, sobre seus amigos, pelo infortúnio que fez o Ricardo levar a pior e principalmente pela sua maldita mania de querer ajudar todo mundo, muitas vezes sendo inconsequente para tal.
Ele parecia exausto e de certo estava, entretanto, eu não o deixaria escapar tão facilmente.
— Confesso que se fosse egoísta minha vida seria mais fácil, mas eu não podia permitir aquilo, você sabe que eu não podia — disse esperando uma confirmação ao olhar bem fundo nos meus olhos. Eu sabia, mas não iria incentivar suas atitudes suicidas de qualquer forma. — Não era minha intenção ter envolvido os outros, eu não sabia que o cara tava armado e muito menos que meu amigo ia pagar o pato, mas é esse tipo de situação que eu quero evitar. Você me entende? Sabe que eu não poderia ter feito nada diferente, e mesmo que não tenha conseguido evitar que acontecesse comigo, quero trabalhar e fazer a minha parte para que não aconteça com outras pessoas.
Suprimi mais algumas lágrimas, balançando a cabeça em entendimento, mesmo a contragosto. Eu desejava que se ele fosse fazer o trabalho de um super-herói que pelo menos usasse uma capa junto de uma roupa colada e no mínimo conseguisse voar. Porém, Yoongi era só um homem, um cara que se importava, mas que no final não tinha super poderes ou a inicial de seu nome na roupa.
O ruim, ruim não, o péssimo era que ele sempre foi assim, desde criança se intitulou o defensor dos frascos e comprimidos. Ele se metia na briga dos outros no parquinho por causa de um pirulito roubado, se intrometia nas surras dos bullyings na adolescência ou por qualquer outro motivo e agora adulto decidiu englobar o mundo todo sob suas asas.
— Por que você é assim? — perguntei escondendo o rosto com as mãos sem realmente querer uma resposta. — Eu entendo que foi a coisa certa a se fazer, não sou um monstro Yoongi, eu também sou humana, só não tanto quanto você. — Confessei.
Sabe aquela frase tipo, "Você merece o mundo, mas o mundo não te merece?", ela nunca fez tanto sentido, enquanto meus olhos estavam sobre ele.
Min Yoongi era o cara mais extraordinário que já pisou nesses solos, tudo nele era perfeito, mas suas atitudes ainda assim inconsequentes. Eu não queria um super-herói que andasse por aí achando que seu peito era feito de aço. Eu precisava de um homem que mesmo lutando para alcançarmos um mundo melhor, que era sim o que cada pessoa nesse mundo deveria querer, se mantivesse seguro para isso, seguro para mim.
— Se você tem alguma consideração por mim e pelo o que a gente tá começando aqui, eu gostaria que parasse um pouco com essa sua mania de sair por aí salvando todo mundo e focasse em se salvar primeiro. — Comecei minha bronca lutando para manter a voz baixa, embora quisesse gritar pelos corredores de tão frustrada. — Imagino que de início não tenha sido a sua intenção, mas Yoongi, você nem conhecia o cara. A gente mora no Rio, aqui até olhar feio pra alguém é perigoso e você sabendo disso jogou tudo no buraco em busca de justiça? Entende que no meio disso esteve bem perto de acabar com a sua vida, a da sua família e de brinde com a minha? — funguei.
Lágrimas, incontáveis lágrimas.
Chorei ainda com medo de perdê-lo, implorando mesmo que soubesse que essa não seria a primeira vez.
Seus pais, principalmente claro, sua mãe já havia dito e pedido a mesma coisa agora pouco. Ela era a mãe, a mulher que o carregou durante doze meses na barriga, a coreana que veio para um país distante em busca de proteger o filho da ameaça velada e contínua de guerra. Quem no mundo teria mais direito a ele do que a Dona Min?
Não era minha intenção ser repetitiva e fazer o mesmo que eles, mas foi impossível. Ao mesmo tempo em que estava feliz pela sua saúde estar quase intacta eu estava irritada com toda a situação. Eu queria abraça-lo com toda a minha força e depois espancá-lo com todo o meu ódio. No fundo essa mistura louca de sentimentos não era nada diferente de medo, medo e medo.
Ele estendeu a mão para mim, levantei da cadeira e a peguei na minha, entrelaçando nossos dedos querendo beijá-lo ao mesmo tempo em que queria dar uma surra nele.
Toc toc.
Viramos ambos em direção à porta com a batida atrapalhando nosso papo. Uma moça mais ou menos da minha idade entrou com um bolo de folhas na mão, um lápis prendendo o coque do cabelo e um sorriso ao dar boa noite.
— Olá. — Respondemos em seguida seu cumprimento simpático. — Sou a Liz da nutrição, não vou incomodar muito — disse olhando meio envergonhada nossas mãos entrelaçadas.
A nutricionista conferiu os cateteres, analisou a quantidade de dieta da bolsa que ele mantinha para alimentação e anotou dados na ficha.
Devido ao segundo disparo ter sido no abdômen, embora sua mastigação e fome estivessem normais, ele tinha que receber uma dieta enteral. Segundo ela explicou prendendo o riso ao notar meu olhar assustado mirando aquele líquido espesso esquisitíssimo, assim que o movimento peristáltico dele voltasse, Yoongi poderia voltar para a boa e velha alimentação oral.
— O enjoo é normal e os medicamentos que você está tomando só pioram isso, mas logo vai passar. — Ela garantiu dando uma última olhada pelos fios. — Bem, amanhã outra nutricionista vai vir conferir como foi a aceitação da sua dieta.
Depois disso ela se despediu com um boa noite rápido e foi conferir o restante dos seus pacientes, nos deixando mais uma vez sozinhos.
— Sua janta parece deliciosa. — Zombei.
Analisamos a coloração amarelada da dieta com uma careta engraçada, meu rosto e corpo diziam em uníssono:
ECA.
Ele quase riu baixinho, 30.
— Posso dividir com você se quiser — respondeu ao se ajeitar melhor na cama.
O simples movimento o fez gemer de dor, foi horrível vê-lo assim. Conscientemente ele segurou a dor para evitar mais do olhar de pena com o qual eu o encarava. Yoongi odiava parecer fraco. Fazendo a única coisa que podia eu acariciei seu cenho franzido querendo pegar pelo menos um pouquinho daquela tortura para mim.
— Eu sinto muito.
Suspirei.
Como pensei que faria, ele apenas ignorou minha sentença e mudou de assunto.
— Então, agora a gente tá em um relacionamento de verdade? — dessa vez a pergunta não tinha mais aquele tom de dúvida. Ele parecia crer que eu nunca mais poderia negá-lo e convenhamos, tinha razão. — Eu precisei levar dois tiros pra que você me aceitasse?
Eu amo esse sorriso gengival, 31.
Com mais uma das suas péssimas ideias ele observou a porta fechada antes de abrir um espacinho para mim na cama.
— Vem cá. — Repetiu o mesmo chamado de antes.
Sabendo que aquilo não era a melhor das ideias e esperando que ninguém aparecesse para me expulsar do quarto, devagarinho eu me sentei ao seu lado, passando as pernas uma por cima da outra para não ocupar um espaço tão grande assim. Mais devagar ainda deixei seu corpo se aconchegar achando o calor do corpo dele no meu tão, mais tão certo.
Yoongi inspirou ao meu lado, entrelaçou nossas mãos e tombou a cabeça nos meus ombros super manhoso pedindo claramente carinho. O carinho que eu passaria a vida oferecendo a ele de bom grado.
O cabelo dele é tão preto quanto os olhos, os fios tão macios quanto as nuvens devem ser. Aninhado a mim, recebendo carinho e aconchego mais um pouco eu jurava que poderia ouvi-lo ronronar como um gatinho.
Pensei sobre sua fala por um segundo, sabendo que não ter admitido antes não me obrigava a dizer agora só por causa do que aconteceu na Pizzaria, mas eu realmente queria admitir por vontade própria meus sentimentos.
Suspirei.
— Desde que eu te vi pela primeira vez com a cara toda suja de AÇÚCAR de jujuba a gente tá em um relacionamento Min Yoongi.
E mesmo não podendo enxergar, eu sabia que ele estava sorrindo porque tudo em mim fazia o mesmo.
32.
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