Notas iniciais
Oooi povo! Tia Queen aqui! Mais uma vez pedimos perdão pela demora, mas nós andamos BEM ocupadas mesmo! Mas não esquecemos da fic, pelo contrário, estamos surtando aqui porque ela já está chegando ao fim! Estamos sentindo falta de uns comentários por aqui, digam o que estão achando meu povo! Enfim, esperamos que gostem desse capítulo, boa leitura!

Na hora de transferir Ruby para o outro navio, Killian concordou em fazê-lo sem as correntes. Afinal, a última coisa que ele queria era chamar atenção, sem contar que seria um imenso constrangimento para a moça. Catherine levava seus livros e seus materiais de pintura à mão, enquanto alguns marujos arrastavam seus baús de roupas e suas telas. Ao notar a face ainda mais pálida de Ruby, ela se aproximou.

– Você está bem?

– Só uma tontura, acho que é o calor... — Ela forçou um sorriso para a garota.

– Ruby, você não mente muito bem. Vou conversar com meu pai sobre isso, você pode estar doente e tenho certeza que ele não quer isso... Talvez ele te leve a um médico.

– Não! — Ruby se alarmou, um médico saberia exatamente o que estava se passando com ela — Não precisa, não é nada demais. Só preciso de um pouco de água e isso vai passar.

– Se você diz, mas por favor, se sentir algo diferente, fale comigo! — Catherine implorou e Ruby assentiu.

– Cath, vá organizando a cabine enquanto eu levo a Ruby para os novos aposentos dela. — Killian surgiu atrás das duas, sua filha assentiu e apressou o passo.

– Não vou fugir, não precisa se preocupar. — Ruby abaixou o rosto e falou seca.

– Eu sei que não, é que... Eu não estou muito confortável com essa situação. — Ele coçou a cabeça, como sempre fazia.

– Em me vender? Pois parece-me muito certo do que quer.

– Eu não quero, mas eu preciso... Não foi exatamente uma escolha e não foi tão por acaso assim que eu cheguei a você, mas você nunca entenderia. — Killian balançou a cabeça negativamente.

–Tente explicar, afinal, em alguns dias eu não estarei mais por aqui para ouvir o que tem a me dizer.

– Bom... Eu vou explicar. — Ele foi guiando Ruby até a masmorra do novo navio.

Killian o pegou como um empréstimo, pois não tinha tempo de roubar um novo navio, o que havia conseguido era menor que a Jolly Roger e bem menos confortável. Assim que subiram, os marujos já olharam ao redor de cara feia, o Capitão também não estava nem um pouco satisfeito, mas precisava seguir viagem.

Ele desceu as escadas, acendeu um lampião e olhou ao redor, a masmorra daquele navio continha apenas duas correntes presas a parede e era tão agonizante quanto a da Jolly Roger, o cheiro de mofo era bem mais forte e não havia nem uma mísera brecha de luz.

– Que agradável... — Ruby resmungou o acompanhando.

– Acho que vou repensar minha decisão e te deixar ficar lá em cima durante o dia, você pode acabar morrendo aqui dentro. — Ele chutou umas garrafas vazias jogadas ao chão.

– Pelo menos concordamos em algo.

– Bom, vamos conversar agora. — Ele sentou-se em cima de um barril e Ruby se acomodou em um dos degraus, sem dizer mais nenhuma palavra, esperando que ele prosseguisse — Tudo começou cerca de um ano atrás... Nós estávamos velejando pela Europa e a Cath começou a reclamar de umas dores nos ossos, dores de cabeça, então ela começou a ter febre constantemente e surgiram manchas pelo corpo dela, como se fossem hematomas.

– Ela estava sendo espancada?! — Ruby arregalou os olhos.

– Óbvio que não! Ela nem saía do quarto, também estava muito fraca e perdendo peso... Inicialmente eu acreditei que fosse a alimentação, mas ela estava piorando muito rápido. — Ele tirou o rum do casaco e tomou um gole — Eu estava desesperado, nunca tinha visto algo assim e morri de medo de perder minha filha, ela é tudo que eu tenho.

– Eu ent... Posso imaginar, na verdade.

– Então eu saí viajando o mundo todo, por todos os reinos existentes, procurando todo o tipo de magia que poderia me ajudar... Até que eu soube de um homem que, pelo preço certo, curava qualquer coisa... O chamavam de "O Dragão" e ele estava em um reino muito distante, onde não existia magia.

– Devo deduzir que você fez de tudo para ir até esse reino... — Ruby deu um meio sorriso.

– Sim, de tudo e mais um pouco, usei todos os meus tesouros para pagar por um feijão mágico. Alguns marujos se irritaram porque não receberiam pagamento e largaram a tripulação, só os mais fiéis restaram, os que tinham o mínimo de consideração pela Catherine.

"Então nós viajamos até esse reino, o local era bizarro! Pessoas amontoadas na rua, umas escrituras estranhas que mais pareciam desenhos e todo mundo tinha olhos apertados parecendo exatamente iguais! A Catherine já estava muito fraca, mal mantinha os olhos abertos e nem aguentava o próprio peso... Não tinha mais outra opção. Nós fomos lá no tal de Dragão, ele era um velho com uma barba esquisita e disse que minha filha estava com uma doença que não era conhecida no meu reino, porém bastante comum no dele: Leucemia."

– Leucemia? Eu nunca ouvi falar disso... — Ruby franziu o cenho — Era contagiosa ou algo do tipo?

– Não, ele disse que esse tipo de doença se alastra silenciosamente pelo corpo do paciente e te mata de dentro para fora... A Catherine já estava quase morta.

Ruby levou a mão até a boca e seus olhos se encheram de lágrimas só de imaginar a garota morrendo, ela a via tão cheia de vida que era impossível acreditar que tenha passado por aquilo.

– Mas ele podia curá-la! Só que eu não tinha dinheiro nenhum, ele recusou a aceitar o pagamento depois, mas por fim acabou cedendo desde que eu pagasse a primeira parte com algo valioso para mim, eu dei um anel que pertencia à Milah... Ele curou minha filha e me deu um prazo impossível para que eu quitasse minha dívida, como eu não cumpri, ele foi aumentando o valor, por isso preciso tanto do dinheiro.

– Mas se é por isso, por que a Cath é contra você conseguir o dinheiro?

– Ela não sabe o quanto custou, ela se sentiria culpada, principalmente por você.

– Ah, entendi. — Ruby concordou, ela sabia o quanto a garota tinha um bom coração e acharia injusto que outras pessoas sofressem por ela. Por um segundo, Ruby pensou em contar ao capitão sobre seu bebê, talvez ele entendesse, mas logo desistiu, poderia tornar tudo pior, era muita incerteza e ela ainda tinha alguma esperança de que no final de tudo, as coisas iriam tomar um rumo melhor.

– Olha, lobinha, eu não estou te pedindo para aceitar o que te vai acontecer... Mas pelo menos agora você sabe que não tenho nenhum problema com você e não sou tão mal assim... — Killian respirou fundo antes de continuar — Eu tenho medo do que aquele velho pode fazer se eu não pagá-lo.

– Tudo bem... Eu entendo o que você está fazendo. — Ruby enxugou suas lágrimas.

– Talvez dê tudo certo para você e um dia, quando for mãe, você entenderá o que eu estou fazendo. — Ele se aproximou da moça e acariciou seu rosto — Não me odeie, lobinha... Eu gosto muito de você.

E no segundo seguinte (Ruby mal teve tempo de perceber o que ele ia fazer), Killian a puxou para mais perto, prensando seus lábios junto aos da moça. Ela sustentou o beijo por uns instantes, até se afastar por mero orgulho e teimosia, não porque estivesse odiando.

– Ah, céus! — Ela empurrou a mão dele, que ainda acariciava seu rosto — Me deixe sozinha, por favor!

– Tudo bem, mas não fique muito tempo aqui, pode subir quando quiser. — O capitão se levantou e subiu de volta ao convés.

“Que estranho!”, Ruby pensou, abalada pelo o que acontecera. Entender Killian Jones era o mesmo que tentar resolver expressões algébricas: extremamente complicado e de dar dor de cabeça. Uma hora ele gritava com ela, no segundo seguinte abria o coração e lhe dava um beijo. Homens...

Seu estômago revirava. Era a gravidez, ela sabia. Aquela coisinha em seu ventre estava se desenvolvendo rápido, uma hora ela não seria capaz de esconder mais. Será que a criança herdaria sua maldição? Um lobinho ou lobinha? Entristeceu ao imaginar. Ela carregava um fardo, a criança também carregaria. Aos treze anos as transformações começariam e então ela seria obrigada a se esconder com o filho. A capa a impedia de se transformar, mas haveria outra para sua criança? A vovó a conseguira com um poderoso mago, Ruby nem sabia que preço a velhinha pagara por aquilo. Havia caçadores lá fora, rondando as florestas, perseguindo as alcatéias. Ela imaginava que houvessem existido centenas como ela, mas agora, depois de tanta matança, poucos haviam restado. Muito em breve ela também não sobreviveria... Talvez fosse melhor assim.

– O que você tem? – perguntou o capitão, quando Ruby subiu para tomar ar. – Está verde!

– Verde? Que exag... – não conseguiu terminar, correu a se apoiar na borda da embarcação e vomitou no mar. Alguns marujos torceram o nariz, enojados.

– Eu avisei! – Cath lançou um olhar de repreensão ao pai – Ela está doente!

Ruby nada conseguia dizer, apenas lançava jatos de comida mal digerida para o mar. Sua cabeça girava, ela se apoiou em Cath, que tentou segurá-la, mas não conseguiu. Ruby desabou e só teve tempo de ver dois olhos muito azuis a encarando com preocupação.

Acordou e estava deitada em uma cama macia. Os olhos azuis ainda estavam lá, pertenciam a Catherine, que soltou um suspiro de alívio.

– Ah graças aos céus, achamos que não fosse mais acordar.

– Bobagem – Ruby se sentou – Foi só uma tontura. Não teria acontecido se o seu pai oferecesse uma refeição decente.

– Ah querida, eu já vou preparar seu faisão ao molho branco, não se preocupe! – debochou Killian, sentado num canto escuro, que Ruby ainda não percebera. Ele marchou até a cama, depositando a única mão em sua testa – Não tem febre, então não está doente. Que droga de desmaio foi essa?

– Não me pergunte – ela afastou a mão para longe, tentando disfarçar seu nervosismo com atrevimento – Estou sendo maltratada, era de se esperar que estivesse desnutrida.

Catherine, prevendo uma discussão, ofereceu-se a buscar algo saudável para a moça. Ruby aceitou alegremente, embora não tivesse nenhuma vontade de comer. Quando a menina saiu fechando a porta, o capitão se sentou na cama, encarando a loba.

– O que há com você? Não vomitaria tanto se estivesse desnutrida, sei que Smee esteve lhe alimentando em segredo.

– Meu estômago está desacostumado a receber comida, é óbvio que eu vomitaria tudo. Não bastasse, este pedaço de madeira flutuante não para de balançar, sou criatura da terra, não sirvo para o mar.

Ele a encarou por uns instantes, tentando farejar uma mentira. No fim, convenceu-se de que devia ter sido aquilo mesmo. Foi-se embora, irritado. Ele gostava demais dela, este era o problema. Por muito tempo, odiar Rumplestiltskin, sofrer pela morte de Milah e amar sua filha foram os sentimentos que prevaleceram. Agora, nutria sentimentos também pela lobinha. Que droga! Ele não devia ter se envolvido tanto, seria muito mais difícil desapegar.

– Papai? Tudo bem? Parece pensativo...

– Estou bem, querida — suspirou ele, abaixando os olhos para a menina parada à sua frente. Notou o sorrisinho maroto da filha, que tanto se assemelhava ao seu – Do que está rindo?

– Você suspirou!

– E daí?

– Parecia suspiro de gente apaixonada. Você gosta dela, por isso está tão perturbado.

– Não seja boba. Jamais voltarei a me apaixonar. – se afastou, irritado consigo mesmo por deixar seus sentimentos transparecem – E ninguém jamais substituirá sua mãe.

– Hum, é o que você sempre diz, mas não é o que pensa.

Killian revirou os olhos e ignorou as provocações da filha. Os marujos trabalhavam duro e tentavam se acostumar ao navio, logo eles zarparam para alto mar em busca de um lugar para abrir o portal com o feijão.

– Smee! — O capitão gritou e seu imediato veio rapidamente.

– Sim, capitão?

– Vá ver como a prisioneira está, em breve cruzaremos o portal e temos que nos assegurar que ela fique bem. — Ele ordenou.

Sr. Smee foi até a cabine e viu a moça sentada na cama, olhando pela janela. Ela estava tão absorta em seus pensamentos que nem notou que tinha companhia. Ruby estava começando a aceitar o fato de que talvez não pudesse se salvar, ela tentava não se culpar por aquilo mas era inevitável, se não tivesse saído naquela noite em que sua avó tanto pediu para que ela ficasse, isso nunca teria acontecido.

– Senhorita, como está se sentindo? — Smee perguntou chamando a atenção dela.

– Estou melhor, obrigada. — Ela forçou um sorriso.

– O capitão pediu para avisar que em breve passaremos pelo portal.

– Tudo bem! — Ruby praticamente rosnou ao responder, aquilo a encheu de raiva.

A moça ficava extremamente confusa em relação ao capitão, em momentos ela o achava um bom homem que tentava fazer a coisa certa e em outros ela o achava um completo idiota sem coração!

A viagem foi bem tensa, todos estavam estressados. O navio não apresentava as melhores condições, Ruby voltava a passar mal, Catherine estava surtando ao perceber que não conseguira salvar sua nova amiga de ser entregue e Killian estava completamente confuso, continuava seguindo seu rumo ao mesmo tempo que não queria aquilo.

– Capitão! — Um dos marujos gritou — Estamos em um bom local para o feijão!

– Vamos jogá-lo, então... — Ele respondeu um pouco incerto, pegou o feijão transparente e brilhante do bolso e jogou para fora do navio.

De dentro da cabine, Ruby e Catherine ouviam a movimentação e já imaginavam o que estava acontecendo.

– Ruby, me perdoe! — A garota pediu — Eu queria ter ajudado você e não fiz nada.

– Cath, está tudo bem! — Ela assegurou — Não se preocupe comigo, você fez muito! Foi minha amiga quando eu não tinha ninguém, me defendeu e tentou me salvar! Você é uma garota forte, decidida e que tem um futuro incrível, seu pai te ama mais que tudo e só quer o seu bem, sei que ele vai fazer o certo no final das contas e você será muito feliz.

– Mas e você? — Catherine já chorava rios — Ele tem que fazer o certo em relação à você! Ele está apaixonado por você, Ruby, mas ele não aceita!

– Cath, calma! — Ruby puxou a garota e a acomodou em seus braços, acariciando os cabelos escuros dela — Ele não vai mudar sua escolha e eu estou bem com isso, eu juro! Talvez seja melhor assim... Mesmo que seu pai nunca tivesse me caçado, outros o fariam.

– Mas você é uma pessoa como qualquer outra, você é uma ótima pessoa!

– Obrigada, querida...

As duas foram interrompidas por um solavanco que as levou ao chão, ambas se apoiaram na mobília e se seguraram.

– O que é isso? — Ruby gritou desesperada.

– Estamos entrando no portal! — Catherine olhou pela escotilha.

O navio pendeu para frente e mergulhou no meio do redemoinho, foi uma passagem turbulenta e assustadora para a Ruby, já Catherine estava acostumada. Quando o navio emergiu em outros mares, as duas se entreolharam esperando que tudo se estabilizasse.

– Já chegamos? — Ruby perguntou olhando pela janela, não parecia um oceano muito diferente.

– Sim... — Catherine suspirou.

Antes que se dessem conta, Smee voltou com as correntes para prender a moça, iriam entregá-la no começo da noite.

– Isto é mesmo necessário? – questionou a loba, tendo os braços e canelas envoltos pelas pesadas correntes de metal – Já aceitei meu destino, não há mesmo como fugir.

– O capitão deu ordens expressas de imobilizá-la – respondeu o homem, que claramente fazia aquilo contra sua vontade – A noite é de Lua Cheia, ele quer se certificar de que a senhorita não vai atacar ninguém.

Ruby bufou e, sem dizer mais nada, aceitou. Cath tinha os olhos marejados. Foi falar com o pai na esperança de fazê-lo mudar de ideia. Sem sucesso. Ruby segurava a barriga, entristecida. Embora soubesse o motivo de sua venda, não aceitava o que iria acontecer ao filho. Quem quer que fosse o comprador, devia ter interesses específicos. Por que alguém compraria um lobo vivo? Não haveria lobos naquele reino? Não conseguiu arrancar nada do capitão. Ele apenas a olhava com um ar de pena.

Passadas algumas horas, atracaram num porto. Pela escotilha, Ruby e Cath viram outras embarcações, barcos pesqueiros em sua maioria. Homens deixavam o porto depois de um cansativo dia de trabalho.

– É chegada a hora! – anunciou o capitão, adentrando a cabine – Venha, lobinha!

Anoitecera. Em pouco tempo a lua brilharia no céu, chamando seus filhos. Ruby sentia os membros formigarem em antecedência. Caminhou até o convés, e, tentando absorver todos os detalhes, esquadrinhou o que via à sua volta. Talvez fosse a última vez que veria a noite, o mar e a lua. Quem sabe o que lhe iria acontecer em seguida. Muito provavelmente, seria posta em cativeiro, privada de sua liberdade e livre arbítrio. Mais provável ainda que fosse morta.

– Você cumpriu com sua palavra – disse uma voz alta e rouca. Todos olharam na direção do som. Deram com um homem magro e esticado, de canelas finas e nariz comprido. Ao seu lado, um gordo e atarracado, também de nariz comprido.

– Você duvidava disso? – disse o capitão, com visível desagrado – Quando foi que Killian Jones não cumpriu com sua palavra?

– Onde está? – perguntou o gordo e Killian indicou Ruby com a cabeça – Ela? Mas é uma garota!

– É o que ela quer.

Quem seria ela? Ruby não descobriu logo, mas avistou uma carruagem estranha há poucos metros, onde havia terra firme. Não havia cavalos puxando a comprida carruagem.

– Horácio, seu tonto! É claro que é a garota! Nossa senhora nos avisou. — O magro deu uma cotovelada no outro — Vamos logo levá-la.

Killian evitou olhar para Ruby enquanto os dois homens a levavam, puxavam pelas correntes que estavam em suas mãos e pés, como se ela fosse um animal. Quem quer que passasse por ali veria aquela humilhação.

– Pai! Por favor! – Catherine chorava puxando o braço de Killian enquanto observava a moça ser arrastada para fora do navio.

– Shh! – Killian abraçou a filha para que ela não visse a cena, ele sabia o quanto as duas eram próximas. – Me desculpe...

– Parem! Por favor! Não podem me levar! – Ruby se debatia de todos os jeitos, até que acabou tropeçando nos próprios pés e caindo no meio da rampa. – Não... Não machuquem meu bebê... – Ela falou entre os soluços, o desespero se tornou maior que tudo.

– O quê? – Catherine e Killian se viraram surpresos para ela, assim como os marujos que se entreolharam e se aproximaram. – Esperem aí! – Ele foi até Ruby, segurando o rosto dela entre as mãos – O que você disse?

– Por favor... Capitão, eu estou grávida! – Ruby implorava segurando as mãos de Killian.

Todos no navio estavam surpresos, Catherine mal conseguia assimilar a informação, ninguém poderia. Mil pensamentos voavam pela mente de todos ali. “Será mentira?” “O capitão é o pai?” “Bem que notei que ela estava meio cheinha” e os homens ainda a olhavam com desprezo.

– Como assim? – Catherine veio correndo até os dois.

– Eu já cheguei ao navio grávida... Ninguém sabia e eu não podia contar! Não sei o que fariam ao meu filho caso descobrissem... – Ruby olhou nos olhos de Killian – Tive medo do que você faria, Capitão.

Killian sentiu seu coração se despedaçar com aquela frase. Ele era um monstro! Tudo que fizera foi machucar Ruby, a julgou e humilhou. Tudo que ela passou sem reclamar foi pelo filho, tantas vezes ele jogou na cara dela que ela nunca saberia como é sacrificar a felicidade por alguém que se ama, quando na verdade ela já fazia isso e já entendia melhor do que ele o que significava dar tudo de si para manter seu filho em segurança.

– Ora! Vamos logo! Aberração! – O homem mais alto, que se chamava Gaspar, puxou a corrente que prendia as mãos de Ruby a fazendo cair para o outro lado.

– Ei! Cuidado com a moça! – Killian falou encarando o homem com raiva.

– Moça? Isso é um animal, uma besta! – O homem riu a puxando pelos cabelos e a fazendo ficar de pé. Ruby soltou apenas um gemido pela dor. – E é ass...

Antes que o homem sequer começasse a falar, Killian foi tomado por uma onda de raiva e acertou um soco em cheio no rosto de Gaspar, o derrubando no chão. Horácio veio para cima do Capitão mas antes que ele chegasse perto, Killian puxou sua espada e apontou para ele.

– Vão embora! Digam à sua “patroa” que o acordo acabou e que se ela quiser um lobo, cace um ela mesma. – Killian disse cerrando os dentes, ele deixava a raiva sair junto de sua voz a cada palavra.

Gaspar se levantou encarando o capitão, o outro olhou para ele e em seguida os dois olharam na direção da carruagem estranha que trouxeram. A porta se abriu e dela saiu uma mulher super magra, alta e com o rosto fino, ela tinha os cabelos curtos divididos nas cores preto e branco, os olhos fundos cercados por uma maquiagem pesada para disfarçar as olheiras e a cara de maníaca, vestia um casaco de pele cinza que ia até o chão e na sua mão esquerda levava um cigarro aceso.

– Ora, ora... O que temos aqui? — Ela desfilou até o centro de todos e deu uma olhada em Ruby de cima a baixo e depois se virou para Killian — Parece que cumpriu bem sua parte. Por que quer acabar o acordo, capitão?

– Não vou mais entregar o lobo, pode dizer o que quiser, mas ela vai voltar comigo. — O capitão puxou Ruby pela mão para perto dele — E a propósito, seria bom que tivesse me informado que meu alvo era humano!

– Há! — Cruella deu um sorriso cínico — Isso não faria a menor diferença, veja bem... O senhor descobriu e mesmo assim a trouxe, eu sabia no dia em que contatei o senhor que sua ganância era maior do que qualquer coisa.

– O que raios você quer com ela? Ela é apenas um ser humano...- Catherine se meteu no meio da conversa.

– Humana é a última coisa que ela é. Ela é um animal, mágico ainda por cima! — Cruella segurou o queixo de Ruby com os longos dedos — Sabe quantos casacos de pele de animais mágicos existem por aí?

– Tenho certeza que ninguém foi louco de tentar tal coisa. — Ruby puxou seu rosto das mãos dela.

– Só existe um! E está na minha frente! — Cruella ergueu uma das sobrancelhas — Você não vai levá-la, Capitão!

– Eu vou sim! — Killian deu um passo a frente e ficou cara a cara com a mulher.

– Mas vejam só, parece que alguém se apaixonou pela loba! — Ela sussurrou de forma maldosa — Sinto muito por isso...

– Pai... — Catherine chamou Killian, quando ele se virou notou que Ruby estava jogada ao chão.

A lua começou a brilhar no céu e ela iria começar a se transformar, a capa dela havia ficado dentro do navio pois não iria mais ser utilizada. A moça começou a se contorcer enquanto seus membros mudavam de forma, não demorou mais que alguns segundos para o lobo estar novamente ali.

– Magnífica! — Cruella exclamou, maravilhada com a criatura que estava a sua frente.

Notas finais
É isso aí, espero que tenham gostado! Beijos e até o próximo!!