Let Me Be Your Superhero
30 Capítulo 29 - Six months later...
Notas iniciais
Capítulo 29 – Six months later...
Acordo num ímpeto, meus olhos abrindo-se rapidamente, a respiração tão descontrolada quanto meus batimentos cardíacos. Olho a minha volta, estou sobre minha cama, ainda no quarto, a noite quase findando... O relógio em cima do criado mudo marcava 04h35min da manhã.
Sinto a camisola empapada pelo suor, e minhas mãos tremendo freneticamente. Respiro fundo, acalmando minhas emoções, assumindo novamente o controle sobre meu corpo. As imagens do pesadelo já foram decoradas em minha mente, pois quase todas as noites o mesmo sonho me atormenta.
Seis meses já se passaram desde o casamento de Bobbi e a vinda de Bucky para a Torre... Não posso dizer que tudo tem ocorrido bem, porque não é verdade. Clint convenceu a esposa a continuar morando na Torre Stark, porém Bobbi ainda não confia totalmente em Bucky, e a tensão entre os dois é nitidamente clara em alguns momentos, e isso me incomoda muito devido aos sonhos perturbadores que venho tendo envolvendo o moreno, a loira e dois corpos ensaguentados sem vida.
Na maioria das vezes, o pesadelo se repete... Eu estou na mesma sala vazia e gélida, o sangue escorrendo por baixo de meus pés, a visão de Bobbi a beira da morte, as mesmas palavras saem de sua boca, e por fim o meu confronto contra Bucky e sua morte. Mas tem noites que o final do sonho muda, não é ele quem tem uma espada fincada em seu peito, com o sangue escorrendo por seus lábios, e sim eu, morrendo lentamente pelas mãos do Soldado Invernal.
Balanço a cabeça, tentando tirar as imagens que se repetiam em meus pensamentos. Apenas levanto da cama, seguindo a passos lentos em direção a porta do quarto. Abro-a devagar, evitando fazer qualquer tipo de barulho. Meus passos curtos e lentos seguindo em direção a porta que permanecia fechada do outro lado do corredor. Encosto a mão na maçaneta, e a giro, constatando que não estava trancada.
Adentro o quarto sem fazer qualquer ruído, encontrando Steve repousando serenamente em sua cama. O observo por alguns segundos, a fraca luz da lua que penetrava o quarto através da janela deixavam meu namorado ainda mais lindo e sexy, pois sim, Steve consegue me deixar louca de desejos até mesmo quando está dormindo.
Sorrio com meu pensamento. No início foi difícil acostumar-me com o fato de que agora Steve e eu somos namorados. Foi mais fácil para ele e para os outros, que se acostumaram rápido até de mais, do que pra mim. Mas a cada dia que se passou nesses últimos meses, eu pude me apaixonar ainda mais pelo Capitão América... O meu Capitão.
É uma coisa ridícula, com certeza. Eu, a Viúva Negra, uma mulher com um passado tão tenebroso, que foi treinada duramente para ser uma arma sem um coração humano, agora está deixando-se levar por seus sentimentos traidores, sentindo-se como uma adolescente boba e apaixonada, que às vezes sonha em ter sua própria família com a pessoa que ama. Sim, Steve faz isso comigo. Com certeza esse loiro mudou completamente tudo em mim, minha forma de pensar, meus desejos e sonhos, tudo mudou.
Sempre sonhei em ser mãe algum dia, mas o fato da KGB ter tirado essa chance de mim, e também a vida de riscos que levo como parte dos Vingadores e agente da SHIELD, me fizeram esquecer completamente disso. Porém, ultimamente, esse desejo está reaparecendo dentro de mim aos poucos, e a culpa é toda de meu namorado. Certamente ser mãe do filho de Steve seria algo maravilhoso pra mim, e também impossível.
— Não seja tola! Isso nunca vai acontecer! – resmungo para mim mesma, sem perceber que pensara em voz alta.
— Natasha?! – tomo um susto ao ouvir a voz sonolenta de Steve chamando meu nome, e só então percebo que o mesmo está acordado, ainda deitado em sua cama, me fitando confuso – Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
Eu reconheci a preocupação em seu tom de voz, seus olhos piscando diversas vezes de uma forma frenética, obviamente tentando manter-se acordado. Respiro fundo, esboçando um leve sorriso tranquilizador.
— Está tudo bem Steve, pode voltar a dormir. – respondo simplesmente, como se fosse normal eu estar parada em pé no quarto dele o observando dormir.
Definitivamente eu tenho problemas!
Quando estava prestes a me retirar, ouço a voz de Rogers questionar-me com certa carência...
— Você não quer dormir comigo?!
O fito pega totalmente de surpresa, porém logo deixo um sorriso malicioso brincar em meus lábios, refletindo minhas intenções nada inocentes, enquanto meus olhos estudavam o corpo musculoso do loiro deitado sobre a cama, meus pensamentos fantasiando além do limite... Steve percebeu isso, pois logo arregalou seus olhos, e mesmo com a pouca iluminação do lugar, podia jurar que vi suas bochechas enrubescerem.
— Eu não quis dizer o que parece que eu quis dizer, e sim que quero que você apenas durma aqui se quiser e...
— Eu entendi Steve. – o corto, revirando os olhos e caminhando em sua direção.
Observo-o sorrir enquanto se movia, dando espaço para que eu me deitasse ao seu lado, os olhos azuis do loiro acompanhando cada movimento meu.
Sorrio novamente aproximando nossos rostos, e colando nossos lábios em um beijo calmo e longo, sentindo a mão de Steve repousar cuidadosamente em minha cintura. Por mais que eu o beije tantas vezes, nunca me canso da sensação que tenho cada vez que isso acontece. Seus lábios encaixados nos meus, sua língua deliciosa enroscando-se na minha. Sem dúvidas é uma das maravilhas que existem no mundo.
Levo as mãos a nuca de Rogers, nos aproximando ainda mais, como se fosse possível estarmos ainda mais colados. Suas mãos apertam minha cintura e eu arranho sua nuca, o fazendo gemer entre nossos lábios colados. O beijo se tornara mais intenso, e muito mais quente, o que me deixou bastante animada. Levanto um pouco meu corpo ficando em cima de Steve, suas mãos descendo para minhas coxas, e eu agradecendo mentalmente por estar usando uma camisola bem curta, isso facilitava seu acesso a elas. Leves gemidos exalavam de mim cada vez que sentia as mãos grandes e apressadas de Steve pressionarem minha pele. Eu sabia exatamente o que aconteceria ali se continuássemos, o que me fez sorrir entre o beijo. Não pensei duas vezes antes de levar minhas mãos até a barra de sua camisa, intencionalmente tentando tirá-la o mais rápido que eu conseguisse, porém algo me impediu de o fazer...
— Natasha... – Steve chama minha atenção assim que afasta nossos lábios, sua respiração ofegante misturando-se com a minha.
— O que foi? – eu pergunto, sentindo-me completamente frustrada por ele, porém fazendo esforço para não demonstrar isso de forma tão aberta.
Um suspiro exala de seus pulmões.
— Desculpe, mas não posso. – ouço suas palavras, quais eu já decorara em minha mente, e não evito ficar decepcionada, desviando meus olhos dele por alguns segundos, deixando claro como estava me sentindo. Seus dedos tocam minha pele envolvendo meu queixo, virando meu rosto novamente, obrigando-me a fitá-lo nos olhos – Ei, já conversamos sobre isso... Quando eu estiver pronto, okay?!
Bufo, revirando os olhos.
— Eu sei. Já é a terceira vez que me diz isso. E eu entendo. – respondo um tanto seca, realmente parecendo irritada por minhas intenções terem sido frustradas pelo loiro mais uma vez – Boa noite, Rogers. – completo, virando-me e me deitando de costas pra ele, deixando Steve completamente sem reação.
O fato é que eu estava irritada, e muito. Estamos juntos há seis meses e até agora nada mais empolgante aconteceu ainda, apesar das minhas muitas tentativas frustradas. Eu sei que Steve veio de uma época completamente diferente, e que antigamente tudo era mais "conservador". Faz um bom tempo que Rogers acordou do seu sono de setenta anos no gelo, e certamente já deveria ter se acostumado com a maneira que as coisas são no mundo atual, por isso ainda não consigo entender sua relutância e insegurança... Eu sei que devo respeitar o tempo dele, o homem de outra época completamente antiquado, e é o que tenho tentado fazer, não que esteja conseguindo realmente pelo visto. Mas eu tenho o direito de me sentir frustrada e ficar irritada por isso.
Respiro fundo com estes pensamentos em minha cabeça, fechando os olhos, ouvindo a voz de Steve sussurrar em meu ouvido antes de dormir...
— Eu te amo.
[...]
Com os punhos fechados fortemente, acerto vários socos no saco de pancadas a minha frente. A sala de treinamentos que Tony mandara construir na Torre era realmente muito útil. Vários equipamentos de treino para combate, simulações de batalha produzidas por Jarvis, e isso sem falar no grande arsenal armazenado nesta mesma sala, que tem um espaço bem amplo.
Normalmente, passo de duas a três horas treinando aqui todos os dias, afinal treinar sempre foi a minha melhor forma de relaxar e esquecer os problemas, ou mais especificamente, meus pesadelos perturbadores.
— Acho que você devia se mudar pra cá. – uma voz familiar, um pouco abafada pelo som dos meus punhos chocando-se contra o saco, ecoa atrás de mim.
— Por que acha isso? – apenas respondo, sentindo o suor umedecer minha roupa, mas não desacelero meus movimentos, mesmo com os primeiros sinais de fatiga se fazendo presente em meu corpo.
— Sei lá... Talvez porque você passa tempo de mais aqui?! – Bobbi responde, se aproximado, enfim fazendo-me parar.
Viro-me em sua direção. Confesso, ainda não consegui me acostumar com a nova imagem da loira. Bobbi está em seu nono mês de gestação, e sua barriga está relativamente grande. Observo sua vestimenta, um vestido florido de tecido fino, mais um da grande coleção que a mesma adquiriu ao descobrir que quando se está esperando um bebê nem todas as roupas são confortáveis.
— Para de me olhar assim... Eu sei que estou parecendo um balão.
Rio de sua reclamação, pegando uma garrafa com água que estava no chão, próxima a mim, e bebo seu conteúdo.
— Palavras suas, e não minhas. – dou de ombros, e observo a mesma revirar os olhos com um leve sorriso irônico nos lábios – Onde está Clint?!
— Neste momento, provavelmente comprando um croissant de chocolate. – arqueio as sobrancelhas em questionamento, fazendo com que a loira apenas respirasse fundo – Nem pergunte, esse menino me faz ter vontade de comer quase tudo. – ela acusa acariciando sua própria barriga, um hábito que adquiriu com o passar dos meses, e eu apenas esboço um leve sorriso.
Quando Bobbi e Clint descobriram o sexo do bebê, foi realmente um momento de felicidade para ambos, principalmente para Barton, que até onde sei torcia com todas as forças para que fosse realmente um menino.
— Já vi que você vai ser uma criança muito mimada. – brinco, falando com a barriga de Bárbara, com o bebê dentro dela na verdade, por mais estranho que isso possa parecer pra mim.
— Se depender do Tony, com certeza sim. – Bobbi comenta bem humorada, arrancando-me um leve riso, afinal de contas, Stark se demonstrou muito animado com o fato de ter um "sobrinho", como o próprio decidiu chamá-lo – Ai.
— O que foi?! – questiono preocupada ao ouvir seu gemido.
— Ele está um pouco agitado hoje. – a ouço dizer com um sorriso forçado, e sinto-me aliviada por ser apenas isso, de alguma forma. Mas esse alívio durou pouco – Ai meu Deus! Natasha... – observo a loira arregalar os olhos enquanto segura sua barriga, curvando-se levemente, demonstrando a dor que deveria estar sentindo – A bolsa estourou.
Não evito o desespero que me atingiu assim que ela terminou de falar... O bebê estava pronto para nascer.
Automaticamente me aproximo de Bobbi, apoiando um de seus braços em meu pescoço, enquanto a mesma gemia e contorcia seu rosto em dor.
— Jarvis, chame o Steve e o Tony, agora. – ordeno ao AI, minha voz soando com urgência.
— Sinto muito, Srta. Romanoff, mas o Sr. Stark e o Capitão Rogers não estão na Torre. – Jarvis responde-me quase de imediato.
Ótimo, era só o que faltava. Quando mais preciso de ajuda, o picolé e o playboy não estão por perto. Não poderia ser pior... Céus, o que eu vou fazer?!
— Natasha, o bebê vai nascer... Você precisa fazer alguma coisa. – Bobbi me diz, sua voz esganiçada em meio aos gemidos de dor.
— E você quer que eu faça o que?! – questiono retoricamente, realmente me sentindo perdida nessa situação – Droga Bobbi, você tinha que mandar o Clint comprar croissant justo agora?! – reclamo, sustentando o corpo da loira que estava tão ocupada com suas dores que nem sequer se incomodou em retrucar-me.
— O que está acontecendo aqui?! – uma voz repentina adentra meus ouvidos, e rapidamente meus olhos alcançam a porta da sala de treinamentos, um breve alívio me percorrendo por perceber que não estava sozinha naquele lugar.
— Só pode ser brincadeira. – escuto Bárbara resmungar ao avistar Bucky nos fitando completamente confuso.
De todas as pessoas que moram nesta Torre e que poderiam estar aqui nesse momento para socorrer Bobbi e a mim, obviamente tinha que ser o Barnes, a ultima pessoa que a loira escolheria para ajudá-la.
Como a vida é irônica...
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