Notas iniciais
Ok, me desculpem pela suuuuuper demora em atualizar aqui. @_@ É que juntou tudo, escola, preguiça e tals. Mas, agora está aqui, apesar de eu não achar que ficou muito boa... ;; Espero que gostem. o/

Ruki\'s POV

Sorri ao sentir o sabor levemente adocicado da torta. Peguei mais um pedaço com a colher, levando-a para a boca, acabando por me lambuzar com o creme. Era nessas horas que eu sentia a sensação nostálgica de voltar a ser criança... E era uma boa sensação.

O loiro sentado à minha frente apenas riu, enquanto estendia-me o guardanapo, para que eu pudesse me limpar. Aceitei gentilmente o mesmo, passando-o por meu rosto, recolhendo os vestígios do doce que estavam na minha pele.

Foi então que percebi... Que também havia esquecido de como era comer \'besteiras\', sem me preocupar com a dieta saudável ao qual me era imposto diariamente.

Rapidamente terminei de comer, deixando apenas algumas migalhas do doce no prato, passando a língua pelos lábios. E logo o suco de laranja se fez presente em meus sentidos, livrando-me da sede.

- E então, estava gostoso?

Assenti, um largo sorriso adornando meus lábios.

Durante o caminho, enquanto me levava para sua casa, Reita resolveu parar em uma padaria. E meus olhos brilharam com a variedade de doces que haviam na vitrine. Em um ato inconsciente, colei meu rosto e minhas mãos no vidro, querendo ao menos provar cada um deles.

Sei que devo ter montado uma cena tão infantil, que recebi olhares curiosos e debochados de algumas pessoas. Mas, isso não importava, realmente. Eu não iria me privar daquilo.

Reita perguntou-me, gentilmente, o que eu queria. E, por mais que eu não quisesse dar trabalho à ele, ficamos plantados lá durante meia-hora, no mínimo. Mas, em nenhum momento ele desfez o sorriso, falando quais eram mais gostosos e quais eram um pouco... enjoativos, por assim dizer.

Quando finalmente resolvi, o loiro fez o pedido, enquanto a mão buscava a carteira dentro do bolso traseiro da calça jeans. Apenas fiquei a observá-lo. E me peguei reparando em cada detalhe de sua feição incomum, o nariz escondido por uma estranha faixa branca, a franja caindo sobre seus olhos.

Okae, ele era atraente. Muito atraente. Mas, isso não é desculpa para que eu o olhe desse jeito, afinal ele me estendeu a mão. Eu deveria ser grato e nada mais. Não poderia me envolver com ninguém, nesse meu estado lastimável, sem garantias.

Mas, pensando por esse lado... Eu nunca entenderia o que fez uma pessoa como o Reita ajudar alguém como eu, um fugitivo, que deveria estar, sim, no hospital. Não que isso tivesse tanta importância assim, já que eu gosto de estar na companhia dele, mesmo que tenhamos nos conhecido há menos de 5 horas.

Fui despertado de meu devaneio quando a torta foi entregue, em uma caixinha de cor rosada. Reita, que já havia pago pelo doce, segurou a caixa com uma mão, cuidadosamente, voltando a estender-me a mão livre. Nossos dedos se entrelaçaram e nossos passos ritmados rumaram em direção à sua casa.

E agora eu estava aqui, jogando no sofá da sala, me sentindo cansado pelo dia exaustivo que passei. Tudo bem que nem fora tão cansativo assim, mas... Me dê uma trégua. Eu tenho um problema, e esse problema me deixa cansado mais fácil que as pessoas saudáveis.

- Se sente melhor agora, chibi?

- Sim...

Exibi um dos meus melhores sorrisos, mas então... Como uma maldição, uma nova crise de tosses, falta de ar, desespero. Levei as mãos para a boca, a tosse arranhando a minha garganta, lágrimas brotando em meus olhos. E eu queria me agarrar a qualquer coisa, poder acabar com aquele sofrimento.

Ao longe, ouvi seu chamado, mas não fui capaz de responder. E, quando as tosses cessaram, lentamente, pude ver alguns filetes de sangue na palma da minha mão.

Um suspiro cansado escapou por entre meus lábios. Sempre seria assim, afinal. Quando levantei o rosto, me deparei com um olhar preocupado sobre mim, a mão esticada na minha direção, tocando meu rosto com as pontas dos dedos, suaves. E as lágrimas escorreram livremente.

Me levantei do sofá, as mãos juntas e se contorcendo. Abaixei o rosto, deixando a longa franja me esconder de seus olhos preocupados.

- Eu... Eu acho melhor eu ir, Reita... Se eu ficar, você pode acabar ficando doente também, e...

- Não seja bobo. E onde você vai, nesse estado, chibi?

Suas mãos buscaram as minhas, segurando-as com força, como se temesse que eu fosse embora. E isso trouxe um leve sorriso ao meu rosto.

- Eu posso tentar voltar... Para o hospital.

- É isso o que você quer?

Mordi o lábio inferior com força, desviando o olhar novamente. E parecia que eu não conseguiria olhar em seus olhos e responder verdadeiramente coisas sobre minhas vontades. Bem, eu havia aprendido a reprimí-las ou a escondê-las, não tenho culpa...

- Então, você vai ficar aqui comigo.

- Mas...

- Shh. — Pousou o dedo indicador sobre meus lábios, calando-me. — Eu vou cuidar de você, não se preocupe, chibi. Vamos em um médico, amigo meu, de confiança... Eu não vou deixar que eles te internem de novo, longe de todos. Eu prometo.

E meu coração se encheu de um sentimento indecifrável, mas me senti tão feliz, que me joguei em seus braços, novamente. E, a cada instante que passávamos juntos, eu me perguntava ainda mais como alguém podia ser tão adorável.

××××

Apoiei os cotovelos na varanda, os olhos fixos no horizonte, observando o pôr-do-sol. A vista era simplesmente maravilhosa. Uma leve brisa batendo em meu rosto, o pouco movimento dos carros na rua... Tudo era tão calmo que chegava a parecer um belo sonho.

Dedos suaves pousaram em meu cabelo, em um afago carinhoso. E logo ele estava ao meu lado, com aquele mesmo sorriso encantador, com os olhos voltados para o céu. A mão livre trazia um copo de café, o líquido escuro já pela metade, o aroma circulando o ambiente de forma deliciosa.

- Quer um pouco?

Levantou o copo na altura de meus olhos, e eu aceitei de bom grado, tomando o copo entre minhas mãos, enquanto o direcionava aos meus lábios. Café forte. Bem como eu gostava. Senti o líquido quente descer pela garganta, aquecendo-me.

- Obrigado.

Ele apenas sorriu, deslizando a mão para meu ombro, puxando-me de leve junto ao seu corpo.

- Vem, vamos entrar. Já está começando a esfriar...

Me limitei a assentir, deixando que me guiasse para dentro de casa. Era incrível como ele sempre me mantinha em seus braços, como se a idéia do medo de ser contagiado sequer cogitava em sua mente.

Lentamente, levei uma das mãos à barra de sua blusa, segurando-a entre meus dedos fracos, em um pedido mudo de atenção. Reita virou o rosto na minha direção, os olhos indagando suavemente o que eu queria. E, de forma sonolenta, lhe expliquei todos os prováveis sintomas que eu teria.

Ele apenas ouvia tudo atentamente, a mão quente apertando meu ombro, de forma protetora. Guiando meus passos até o quarto, eu podia escutar suspiros, vez ou outra. Toda aquela situação seria muito cansativa, tanto para mim quanto para ele. E eu não queria isso. Por esse motivo, insisti novamente que seria melhor eu voltar para o hospital, já que tive o meu desejo realizado.

- Eu já falei, pequeno. Hoje mesmo vou entrar em contato com meu amigo, e eu cuidarei de você, huh? Pare de se preocupar com essas coisas. Fique tranqüilo, vai ficar tudo bem.

Deixei um breve riso escapar por entre meus lábios. Céus, o que eu fiz para merecer uma pessoa tão boa assim na minha vida? Parecia tudo tão... Mágico ao lado dele.

Quando chegamos no quarto, deitei na cama de casal. Reita era tão gentil e prestativo, arrumando os travesseiros de uma forma que me deixaria mais confortável, puxando a coberta sobre meu corpo, até o tórax.

- Agora descanse um pouco, certo?

- Hai, hai... — lhe direcionei um dos meus melhores sorrisos, sendo presenteado com um dos seus. Reita sentou-se em um canto da cama, acariciando meu rosto com os dedos. E em pouco tempo me vi envolto em um leve sono.

E eu ainda podia sentir seus dedos me acariciando de forma gentil. Mesmo estando imerso em meus sonhos.

Quando novamente abri os olhos, já havia anoitecido. E ele estava lá, no mesmo lugar, com os mesmos sorrisos. A única diferença era que agora ele trazia um prato de sopa sobre as coxas. Se não fosse por isso, eu poderia dizer que ele ficou ao meu lado todo o tempo, velando meu sono.

Sentei-me, os travesseiros ajeitados nas minhas costas. Mas, nos momentos seguintes, eu me senti um bebê com todo o cuidado que ele tinha comigo, me dando comida na boca, levando a colher cheia aos meus lábios, e tomando o devido cuidado para que eu não me sujasse.

Eu não poderia reclamar. Na verdade, eu estava gostando de todos aqueles mimos do loiro. Ao terminar a sopa, novamente me deitei na cama, buscando sua mão com a minha.

- Você está bem?

- Sim... Me sinto melhor agora.

Ele se inclinou sobre mim, pousando os lábios na minha testa, em um beijo carinhoso.

- Que bom... — Sua voz, mesmo que sussurrada, fez meu coração bater mais rápido. E, então, leve como pluma, seus lábios pousaram sobre os meus.

Se um dia fores embora
Te amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe
Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado.

Notas finais
Legião Urbana - Música Ambiente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.