Let It Snow

20 Capitulo 20


1 MÊS E MEIO DEPOIS…

– Ei ei ei! — disse a Sra. Campbell — Quero todos calmos! Vai correr tudo bem! Nós ensaiamos muito por isso, certo?

Senti uma mão passar pela minha cintura. Olhei para trás e dei um beijo na bochecha de Jack. Eu, ele e a Sra. Campbell, semanas atrás, decidimos os figurinos de todos os personagens. Então Jack estava exatamente como sempre. Como eu conhecia bem.

– Eu disse que você ficaria mais linda que a Fada original. — disse ele no meu ouvido

– Está nervoso? — perguntei sorrindo

– Não — disse ele

– Nem um pouquinho? — ri — Um frio na barriga?

– Nananinanão. — riu ele — Você está.

– Claro que não. — eu bufei

– Não foi uma pergunta, Bennett.

– Entramos em cinco minutos. — gritou a Sra. Campbell

Me separei de Jack e me juntei às minhas fadinhas. Elas eram cinco garotinhas da turma de balé da Sra. Campbell, era uma mais fofa que a outra. Todas estavam com uma roupa praticamente igual à minha. Não era muito parecida com a da fada porque Jack disse que ficaria melhor se tivéssemos os cabelos soltos. Então era um vestido do mesmo tecido do da fada (sim, a gente pediu para ela) porém com um modelo diferente.

– Tudo bem garotas? — perguntei me ajoelhando — Não precisam ficar nervosas. É só fazer exatamente o que a gente ensaiou.

Elas assentiram e eu ouvi a Sra. Campbell falar lá na frente. Ela estava agradecendo a presença e apoio de todos. Espiei pelo canto da cortina e vi que o teatro, que era enorme, estava completamente lotado. Consegui ver até pessoas no sentadas no chão.

A cortina abriu e Jack começou com sua cena.

Para você, que assiste um teatro de duas horas, normalmente, acha que passa devagar. Pode até achar entediante ficar todo aquele tempo sentado. Mas para o elenco, o espetáculo passa em um piscar de olhos. As cenas foram se desenrolando. E eu nos vi fazendo os papeis como se fôssemos nós. E, no final, quando chegou a cena em que eu abraço o Jack, vi que ambos tinham lágrimas presas nos olhos. Subimos no trenó de Norte. E a cortina se fechou, deixando-nos parados e ofegantes.

Jack passou a mão pelo meu ombro e eu deitei a cabeça em seu ombro. Todos levantamos e as cortinas abriram-se de novo. Demos as mãos e agradecemos. Vi meus pais, minha irmã, meu avô, Bea, Dave, todos na plateia. Olhei para Jack e ele apontou para cima com os olhos. Olhei para onde ele pediu e vi quatro cadeiras flutuando. Nelas, Sandy, Norte, Coelhão e a Fada.

– Uma nova salva de palmas para Alice Bennett e Jack Frost, eles que escreveram essa peça maravilhosa e trabalharam arduamente para que ela ficasse apresentável. — disse a Sra Campbell

Todos bateram palmas animadas, eu até ouvi Dave e Bea assobiarem para a gente. Sorri para Jack e ele apertou minha mão com força. Ele olhou para as minhas fadinhas e eu vi que ele piscou. Segundos depois, elas trouxeram um buquê de flores para mim.

– O que aconteceu com seu lado completamente irritante? — sussurrei no seu ouvido

– Continua aqui. — ele disse — Não acostuma com esse Jack fofo.

– Não vou. — ri

As cortinas se fecharam novamente e a Sra. Campbell veio nos parabenizar.

– Jack, Lizzie! — disse ela nos abraçando — Vocês foram esplêndidos.

– Obrigada Sra. Campbell — eu disse — Isso foi muito bom.

– Pra casa, os dois! — disse ela — Quero que os dois descansem.

– Agora você quer isso né? — resmungou Jack

Ri e puxei-o para a porta dos fundos do teatro. Beijei Jack para agradecer pelo buquê, porque no palco não era o melhor lugar para isso. Demos a volta no teatro e vi que todos estavam lá esperando para falar com a gente.

Abracei Bea e Dave; que nos encheram de elogios como se fôssemos seus filhos.

Meus pais; de quem eu sou realmente filha então foi bem parecido com o de Dave e Bea.

Meu avô; assim que ele parou de chorar, claro.

Carol; que murmurou algo como "vocês são bons"

Meus pais fizeram questão de passar em um restaurante depois do teatro, inclusive Dave e Bea. Eles nos deixaram lá e pegamos a comida para levar pra casa depois.

– Você acha que é estranho? — perguntou Jack enquanto nós quatro estávamos andando para a minha casa. — As pessoas verem um Jack Frost e uma Fada do Dente andando na rua?

– Eles vão achar estranho porque o Jack está abraçado com a Fada, e isso é estranho porque eles não são um casal. — ri

– Ah, eu achei eles fofos juntos! — disse Bea — Vocês deviam ter se beijado para ficar mais meigo.

– Mas ele não são um casal! — eu disse

– Como você sabe? — disse ela — Eles podem estar se pegando nesse exato momento.

– Eu acho que eles não estão. — disse Jack

– Você também? — disse ela — Qual é Jack? Se você fosse Jack Frost, você não pegaria a Fada?

Jack riu.

– Não. — disse ele — Acho que ela não é meu tipo.

– Olha pra isso? — disse Bea apontando para mim — É o tipo de todo mundo!

– A Lizzie vestida de Fada totalmente é meu tipo — disse Jack — Quer dizer, a Lizzie vestida de qualquer coisa é meu tipo.

– Aposto que não estando vestida também. — disse Dave rindo

Jack riu.

– Droga Dave! Você só abre a boca pra falar merda? — riu Bea

Dave abraçou Bea por trás e ela riu. Ela estava tão feliz.

– Você está com ciúmes, Alice. — disse ela — Você tem esperança de que, um dia, o Jack Frost apareça na sua janela e te pegue.

– É, pode ser que sim — ri — Nem imagino como seria se o Jack Frost aparecesse na minha janela. Imagina se ele precisasse de mim pra alguma missão maluca e a gente se pegasse.

– Seria legal, hein Lizzie. — disse Jack

– Ele deve ser bem gostoso. — disse ela — Tampe os ouvidos Dave, mas eu faria amor com o Jack Frost.

Dave, Jack e eu começamos a gargalhar.

– Mas é verdade! — riu ela — Ele é frio e ao mesmo tempo é muito quente! Toda garota que "conhece" o Jack Frost quer isso. Vai dizer que não, Lizzie?

– Hmm…hãã…eu acho que ele deve ser uma pessoa muito bacana. — ri — Eu acho que a gente tem que conhecer…hm…as pessoas que a gente vai fazer amor… porque, sei lá… é íntimo.

– Ela faria, olha a cara dela. — disse Bea — Ela só não que admitir porque você está aqui, Jack. Ela não quer que você se sinta ameaçado pelo Frost.

– É — disse ele — Provavelmente é isso.

Ri e olhei para o chão.

– Ja pararam para pensar que esse foi nosso último dia de aula? — disse ela — Isso é muito assustador.

– Já — suspirei

As aulas haviam acabado naquele mesmo dia. Em qualquer ocasião, eu adoraria isso. Mas nessa, significa a partida de Jack.

– A gente devia fazer alguma coisa. — disse ela — Pra comemorar.

– A gente devia ir acampar. — disse Dave

– É uma ótima ideia, Dave. — eu disse

–Viu Bea? Eu falo coisas úteis.

Bea saiu correndo e vomitou em um jardim desconhecido.

– La vamos nós de novo. — suspirou Dave seguindo ela.

Ele ajoelhou do lado dela e segurou seus cabelos no alto de sua cabeça. Ela colocou tudo pra fora e ele a ajudou a levantar.

– Tudo bem? — disse ele

Ela assentiu e eles voltaram para perto.

– Argh — disse ela — Odeio isso.

– É por uma boa causa. — eu disse — Como estão seus pais?

– Melhores — disse ela — Eles já estão falando comigo.

– Os meus estão animados até. — disse Dave — Depois de todo o drama acho que eles estão felizes.

– Meus pais acham que vocês vão ser ótimos pais, apesar de tudo. — eu disse

Eles sorriram um para o outro e continuaram a andar. Meus pais estavam certos.

Chegamos em casa e Bea parou na calçada.

– Lizzie, eu sei que a gente combinou de comer junto mas eu estou realmente mal agora. — disse ela

– Não tem problema, Bea. — eu disse — Você precisa de alguma coisa?

– Não, eu só quero ir pra casa. — ela disse — Você quer ficar, Dave?

– Eu vou com você. — disse ele — Seus pais vão me deixar entrar?

– Claro que sim. — disse ela

– Levem seus sanduíches então. — disse Jack — O Dave pode comer os dois, se for o caso.

– Eu posso — disse Dave pegando a sacola — Até amanhã gente, a gente combina os lances do acampamento.

– Fechado. — sorri

Entramos em casa e subimos direto pro meu quarto. Abri a porta e fui me sentar na cama mas Jack me segurou.

– Bea estava certa? — sorriu ele — Sobre aquilo?

– Jack, vamos comer. — eu disse — Depois a gente fala disso.

– Lizzie. — disse ele

– Jack — suspirei — A gente já quase fez umas duas vezes.

– Eu não sabia que você queria. — disse ele — Eu achei que eu fizesse algo mágico que te dopasse ou algo assim.

– É claro que não. — ri — Eu não estava dopada.

Ele arregalou os olhos e riu.

– Agora a gente pode, por favor, comer? — eu disse — Eu to com muita fo…

Ouvi uma batida na janela. Fui até lá e deixei Norte, Sandy, Coelhão e a Fada entrarem no meu quarto.

– Oi gente — sorriu Jack

Eles foram todos abraçar Jack e eu sentei no parapeito da janela.

– Vocês foram ótimos. — Norte disse.

Sandy estava fazendo palminhas em cima de sua cabeça.

– Obrigada — sorriu Jack — De verdade.

– Todos os adolescentes adoraram assistir, vocês lotaram o teatro! — disse Coelhão.

– E lindo vestido, Alice — sorriu a Fada

Sorri para ela e sussurrei um fraco "obrigada." Todos ficaram em silêncio e eu me toquei.

– Vou deixar vocês conversarem. — eu disse saindo do quarto.

Entrei no quarto de Carol e ela estava sentada na cama, mexendo em seu computador.

– O que foi? — disse ela sem tirar os olhos da tela

– Eu não posso vir aqui sem querer alguma coisa? — eu disse

– Você nunca faz isso. — disse ela — Cadê o Jack?

– No meu quarto.

– Sozinho? — estranhou ela

– Ele ta falando com os pais dele. — eu disse

– Não. — disse ela — Ele não vai ter que voltar, né? Não deixa ele ir embora, Lizzie. Ele é seu.

Fechei os olhos e os apertei para que as lágrimas ficassem lá.

– Não sou eu quem decide isso. — eu disse — É a família dele.

Carol assentiu.

– Eu não quero ficar sem ele. — sussurrei

– Eu também não quero que você fique sem ele. — disse ela — Você é mais legal com ele. Me deixa em paz. Mas pensa assim, ele mora aqui perto. No Canadá. Vocês podem continuar se falando por skype e se a saudade apertar, vocês correm pra fronteira. E quando os dois ficarem mais velhos, vocês se casam.

Ri meio chorando, não foi algo bonito de se ver.

– Posso usar seu banheiro? — eu disse

– Pode. — disse ela — Mas não se mata.

Entrei no banheiro dela e escorreguei até o chão. Senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Ele não morava no Canadá, ele não ia ficar mais velho, nem casar comigo.

A porta se abriu, Jack entrou e sentou do meu lado. Sequei as lágrimas e olhei para ele.

– Lizzie. — disse ele

Começei a chorar de novo e ele me abraçou.

– Não chora. — disse ele — Vai ficar tudo bem.

– Não venha com esse papo, Frost! — exclamei

– Eu tenho que ir. — disse ele

Ele parou de falar e mordeu os lábios. Vi uma lágrima descer na sua bochecha mas ela virou uma pedrinha de gelo e caiu no chão.

– Agora? — perguntei

– Não. — disse ele — Eles disseram que eu posso ficar mais um pouco.

– Um pouco quanto? — perguntei

– Alguns dias, uma semana no máximo. — disse ele

Não falei nada.

– Lizzie. — disse ele

– O que?

– Eu te amo.

Notas finais
FELIZ ANO NOVO GENTE! TUDO DE BOM PROS MEUS LEITORES FAVORITOS! OBRIGADA POR VIRAREM O ANO COMIGO! BEIJÃO! reviews? Pro último capítulo de 2013?