Chegamos no Polo Norte e não vi ninguém. Era pior do que eu pensava. Todos os brinquedos estavam espalhados pelo chão. Muitos deles, em pedaços.

Posy suspirou ao meu lado.

– O que vamos fazer? — ela perguntou

– Norte tem um sistema de comunicação e localização super potente. — eu disse — Ele ganhou por ter sido o primeiro guardião.

– Isso quer dizer que poderemos encontrar mamãe, papai e os outros? — perguntou ela

– Se eles não estiverem sendo ocultos, sim. — eu disse

Ela assentiu.

Observei o grande globo que ficava no centro do palácio de Norte. Milhares de luzinhas espalhadas por todos os cantos do mundo.

– Não é engraçado termos que dividir nossos pais com todas essas crianças? — sorri

Posy sorriu.

– Você acha que algum dia seremos guardiões? — ela perguntou

– Não sei. — eu suspirei

– Você gostaria de ser um? — ela perguntou

– Acho que sim. — eu respondi

– Eu adoraria. — ela sorriu — Faria com que eu me sentisse menos inútil.

– Você não é inútil. — ri

– Gus. — ela riu — Nós somos.

Ri.

– Mamãe e papai pelo menos têm crianças que acreditam neles. — ela disse — E confiam neles para terem alguma diversão.

– Eu confio em você para ter diversão. — eu disse

Ela sorriu.

Entramos no escritório de Norte e fui até o localizador que ele possuía. Era um computador humano adaptado com mágica, portanto, era muito simples de ser usado.

Posy me observou atentamente.

Digitei alguns códigos e esperei luzes aparecerem na tela. Apareceram apenas duas. A minha e a de Posy.

– Eles levaram todos eles? — Posy perguntou assustada

Assenti.

– Todos que conhecemos. — respondi

– Alguma chance de não conhecermos alguém? — perguntou ela

– Sempre tem a possibilidade de alguém recém transformado. — eu disse — Mas os recém formados são bem inúteis, considerando que quase não conhecem seus poderes.

Posy suspirou.

O computador de Norte começou a apitar rapidamente e vi que uma magia estranha estava sendo usada. A boa notícia é que poderia ser uma pista para acharmos nossos pais. A má, é que a magia estranha estava sendo usada na minha casa.

– Temos que ir — Posy disse

– Não chegaremos a tempo. — eu disse — O nível de magia está diminuindo.

– Eu tenho uma ideia. — disse Posy saindo do escritório de Norte correndo — Vem comigo!

Suspirei e corri atrás dela, que foi em direção ao subsolo.

– Você não pode estar pensando nisso... — murmurei, quando percebi aonde estávamos indo.

– É claro que eu estou. — ela disse

Paramos em frente a um pano que cobria algo enorme. Eu sabia o que era e Posy, também.

Ela puxou o pano e subiu no trenó.

– Norte vai nos matar. — eu disse

– Não se salvarmos sua vida. — ela disse — Se segura.

– Eu não preciso me segurar. — eu disse — Eu já andei com Norte nesse treco milhares de vezes.

– Norte respeita o limite de velocidade celeste. — ela riu

...

Posy pousou o trenó na campina perto da nossa casa e eu, rapidamente, saltei dele.

– Eu te odeio. — murmurei massageando minha barriga

– Me desculpa! — disse ela colocando a mão nas minhas costas — Eu esqueço que você passa mal quando se locomove rápido.

– Você chama isso de rápido? — murmurei — Estávamos na velocidade da luz.

– Se estivéssemos na velocidade da luz, teríamos entrado em combustão. — ela deu de ombros, com uma risada

Bufei.

– Eu te odeio — eu disse

Ela revirou os olhos mas não se deu o trabalho de responder, saindo correndo em direção à nossa casa.

A primeira coisa que notei era que a casa estava perfeitamente normal. Nada de chamas. Nada de destruição. A única coisa que estava fora do comum era a porta, que estava aberta, mas isso não indicava que alguém estava lá. Eu e Posy poderíamos tê-la esquecido aberta quando saímos para o casamento.

Posy foi até a porta silenciosamente e espiou para dentro. Segui-a e vi um garoto todo de preto, segurando o cajado de meu pai.

– Woody? — ela perguntou

– Posy! — ele exclamou surpreso — Eu vim assim que fiquei sabendo.

Ele abriu os braços e minha irmã se aconchegou perto dele.

– Como você está? — ele disse fazendo um cafuné na cabeleira rosa da minha irmã.

– Mal — ela gemeu

– É terrível mesmo, eu sinto muito. — ele disse beijando o topo de sua cabeça

Revirei os olhos.

– Obrigado pela sua preocupação conosco. — eu disse — Mas você pode largar o cajado do meu pai agora.

Posy se desvencilhou de seu aperto.

– Por que você está com isso? — riu ela

– Vai soar estúpido, mas eu estava pensando em ir atrás de vocês. — disse Woody — Vim aqui para procurar pistas.

– E por que você está com essas roupas? — perguntou Posy

Ele examinou o traje preto.

– Eu estava muito triste por causa do nosso término. — disse ele — Elas ficaram assim.

Posy sorriu.

– Você só pode estar brincando. — bufei — Posy essa é a pior desculpa do mundo.

– O que você quer dizer? — Posy se irritou

Ignorei-a.

– Mais uma pergunta, Woody. — eu disse

Woody assentiu, com naturalidade.

– Se todos que conhecemos foram capturados, como você descobriu o que aconteceu? — perguntei

A expressão de Woody ficou confusa e com traços de raiva.

– Engraçado, não me lembro de ter visto você no localizador de espíritos bons que Norte tem. — eu disse

Woody levantou a mão, mas nunca saberemos o que ele estava prestes a fazer porque, no segundo seguinte, ele estava caído no chão, dormindo.

– O que você fez com ele?! — exclamou Posy

– O botei para dormir. — respondi — Não é como se eu conseguisse fazer alguma outra coisa.

Ela cruzou os braços.

– Quem é ele? — perguntou ela

– Duncan Black — disse uma voz feminina

Nos viramos ao mesmo tempo e vimos uma garota que aparentava ter nossa idade. Ela estava toda de preto, assim como Woody. Eu consegui ver a semelhança entre os dois, embora ela possuísse olhos mais puxados que os dele.

– Ele é meu irmão. — ela disse

– Muito obrigada pela informação. — eu disse — Agora sabemos de tudo.

– Me avisaram sobre o seu sarcasmo, Augustus. — sorriu a garota

– Fico contente. — respondi

– Sou Belladonna Black — ela disse

– Vocês são filhos do Breu. — Posy disse

Belladonna sorriu.

– E eu achando que você nunca iria perceber. — riu — Meu irmão me contou tudo sobre você, pequena Posy.

Minha irmã se encolheu, desconfortável.

– Onde estão nossos pais? — perguntei

– Você acha mesmo que eu vou te contar? — perguntou Belladonna

– Não. — eu disse — Mas precisava tentar.

– Por que vocês estão fazendo isso? — perguntou Posy

– Seus pais arruinaram a vida do meu. — ela disse — Ele odeia Jack Frost e Alice Summers.

– Eu pensei que mamãe não o conhecesse. — eu observei

– Ela não conhecia. — Belladonna disse — Mas ela é neta de Jamie Bennett.

Assenti.

– Quando meu irmão vai acordar? — ela perguntou para mim

– Você acha mesmo que eu vou te contar? — ri

– Não. — ela disse — Mas eu tenho outros métodos.

Ela levantou a mão e Posy ajoelhou-se ao meu lado.

– Gus — ela suspirou com a voz fraca

– Eu diria que Posy tem alguns segundos até que o veneno se espalhe. — Belladonna riu

Liberei Woody do encanto e sentei no chão, deitando Posy no meu colo.

Belladonna piscou para nós e saiu, seguida de Woody, que havia se levantado rapidamente.

– Eles levaram o cajado de papai? — Posy perguntou com a respiração lenta

– Levaram — respondi — Não sei como vamos derrotá-los, Posy.

– Nem eu. — ela suspirou e me abraçou.

Notas finais
Desculpa a demora, queridões. Espero que gostem do capítulo! Beijos grandes
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.