Notas iniciais
Então, primeiro eu gostaria de agradecer aos comentários no capítulo anterior, que me deram ainda mais motivação pra continuar *-* O capítulo anterior foi sobre os sentimentos da Emma, então esse vai mostrar os da Regina. Os acontecimentos deste cap. se passam um pouco antes do final do 1º (a Emma indo pra Sb com o Hook e o Henry). Este capítulo também ficou bem mais extenso do que o primeiro, notem que eu cortei algumas cenas e outras eu deixei subentendidas para que não ficasse tão grande. Enfim, espero que gostem ^^

I think i'll miss you forever

Like the stars miss the sun in the morning sky

Regina's POV

Regina Mills observava sua taça de sidra de maçã com um olhar distante e uma mente divagante. Desde que voltara para seu lar, a Floresta Encantada, seus pensamentos não paravam de lhe atormentar. Já fazia um ano, e sua vida ainda não tinha voltado ao normal.

Regina tomou um gole do líquido, pousou a taça e olhou ao seu redor. Sentada em seu trono, em seu enorme Castelo Negro, onde outrora ocupara todo o seu tempo pensando em mil maneiras de matar Snow White, aquecida por sua lareira e olhando para todo o reino sob o céu estrelado pela sacada da torre, muitos diriam que ela tinha tudo o que poderia querer. Mas apesar de todo o luxo e poder, ela estava se sentindo mais vazia do que jamais estivera.

Da última vez em que estivera ali, ela tinha seu pai, e tinha um objetivo, por mais vazio que fosse. Agora, tudo o que ela tinha era a solidão. E as lembranças que a torturavam.

A ausência de Henry doía mais do que qualquer outra coisa. Nos últimos anos, o garoto a desafiara e chegara a duvidar de seu amor por ele, mas ainda assim, o que ele dissera em seu último encontro fora capaz de apagar tudo isso da mente dela. "Você não é uma vilã. Você é minha mãe." Regina reproduzia mentalmente aquelas palavras sempre que se sentia triste. E por mais que ela estivesse no trono mais uma vez, com todos os privilégios de ser uma Rainha, mesmo que ela estivesse temporariamente em paz com Snow e Charming, ela não conseguia sentir-se completamente feliz.

Regina perdera muitas coisas importantes em sua vida, mas com o tempo ela se acostumara a viver sem elas. No entanto, havia três pessoas cuja ausência ela duvidada que algum dia seria capaz de superar; Daniel, Henry... E Emma Swan.

Ela descobrira seus sentimentos por Emma no ano anterior, embora desconfiasse que eles tivessem surgido muito antes. Logo após Mary Margaret e Emma voltarem da Floresta Encantada, Regina estava tendo dificuldades em conviver pacificamente com os outros — por mais que ela tentasse se enturmar, ninguém parecia ser capaz de dar uma chance para ela. Ninguém exceto por Emma.

Emma convidou Regina para a festa de boas-vindas, e a conversa que as duas tiveram naquela noite mexeu muito com o coração da prefeita. Ela realmente queria mudar, mas todos continuavam olhando para ela com olhares receosos, julgando-a de todas as formas possíveis, e isso tornava tudo muito difícil. Mas Emma era capaz de enxergá-la pelo o que ela realmente era: Apenas uma mulher de coração partido que levara suas emoções a níveis extremos. Emma deu a Regina o voto de confiança que nem mesmo Henry queria dar, e foi impossível para Regina não amá-la por aquilo.

A princípio, Regina convenceu-se de todas as maneiras que aquilo não era amor – o amor a traumatizara quando jovem, e ela criara uma barreira contra esse sentimento. Não podia estar apaixonada por Emma, e nem queria. Mas logo ela se deu conta de que talvez seus fortes sentimentos por Emma não fossem negativos, afinal de contas. Tendo crescido em uma terra medieval, estranhou que estivesse sentindo aquilo por uma mulher, mas não importava. O que Regina sentia por Emma era algo puro e genuíno – tinha se encantado pela pessoa que Emma era, e o fato de ela ser uma mulher não mudava nada. Emma despertava o melhor nela, e até mesmo sua magia ficava mais eficaz quando ela estava por perto.

Ela até mesmo chegou a pensar em se declarar. Mas então veio a "visão" planejada por Cora, e Emma se juntou aos outros para acusá-la. Regina ficou tão magoada que decidiu nunca mais pensar nela daquela forma novamente. Decidiu que era melhor odiar — e se possível eliminar — aquela mulher que jamais iria parar de bagunçar sua vida. Ela já sofrera muito por amor no passado, e não estava disposta a sofrer tudo novamente. Mas ver Emma e Henry, as duas únicas pessoas que ela amava na época, ficando contra ela, não acreditando que ela tinha mudado... Foi uma dor quase insuportável. Tão insuportável que ela sucumbiu às trevas novamente.

Quando Cora apareceu, Regina se deu conta de que sua mãe estava certa; aquelas pessoas nunca iriam amá-la, nunca seriam capazes de perdoá-la. Nem mesmo Henry e Emma tinham sido capazes de confiar nela por muito tempo, e a coisa que ela mais queria — ter seu filho de volta — estava tão inalcançável quanto ter seus sentimentos pela Srta. Swan correspondidos. Então ela decidiu que não ia mais lutar para ser amada, pois a dor da rejeição era algo que Regina não queria sentir nunca mais. Ter Henry de volta era seu maior objetivo, e sua mãe ofereceu-lhe uma maneira fácil de conseguir aquilo. Ela só não esperava que aquele plano fosse resultar em mais uma perda terrível.

Pensar na mãe ainda fazia seus olhos lacrimejarem. Na época concentrada em vingança e depois em salvar Henry, ela não teve muito tempo para ficar de luto por Cora. Mas quando chegou à Floresta Encantada e encarou sua solidão naquele imenso castelo, ela chorou todas as lágrimas que não tinha chorado. Por tudo; remorso por seu pai, tristeza por Cora, por seus sentimentos com relação a Emma, e principalmente por Henry.

Em Neverland, ao ver que Emma já tinha seus interesses amorosos, Regina tentou convencer a si mesma de que aquilo não passava de uma paixonite boba, e pensou que ia conseguir apagar seus sentimentos por ela, como quem apaga uma vela. E ela conseguiu, por muitos dias, até que encarou o fato de perdê-la. Ter que abrir mão de Henry já fora ruim o suficiente, mas ter que ver Emma indo embora junto... Regina já sofreu tortura elétrica nas mãos de Greg Mendell, mas aquilo doeu muito mais. Naquele ponto, ela já tinha perdido quase todas as pessoas que amava, e o preço para quebrar a Maldição foi abrir mão das duas únicas que tinham sobrado. E ainda assim ela o fizera, porque decidira que estava na hora de tentar consertar as coisas.

Os primeiros meses foram os mais difíceis. Mesmo estando em paz com Snow, ela sentia falta da presença de Henry e Emma como se eles fossem parte dela, e de certa forma eles eram. Eles eram sua família.

O pior de tudo é que ela tivera a chance de se despedir de Henry — por um último momento, ele soube do quanto ela o amava antes de se esquecer de tudo — mas ela jamais pôde expressar seus sentimentos por Emma. Nunca teve a chance de saber se era correspondida. Porque ela só se deu conta da dimensão de seus sentimentos quando já era tarde demais. Era assim que Regina se sentia sobre seus sentimentos por Emma; eles tinham se esclarecido tarde demais.

Regina enxugou uma lágrima que insistia em cair de seu olho esquerdo, e respirou fundo. Com o passar do tempo, ela aprendera a se sentir melhor pensando que os dois estavam felizes. Por mais que ela quisesse que eles estivessem ali, ela sabia que eles estavam felizes juntos em sua nova vida, e isso fazia com que ela fosse feliz também. Regina gostava de pensar na vida que Henry e Emma estavam levando juntos em Boston — passava horas a fio imaginando como seria a rotina deles, o que eles estariam fazendo juntos, e vários outros possíveis aspectos de sua nova vida. Fazia aquilo todos os dias, o que tornava a vida naquele palácio mais suportável. Mesmo que às vezes ela se pegasse pensando em Emma, ou chorando por não ter mais a companhia e o amor de seu pequeno príncipe.

Mas nada disso importava. Seu amor por Emma seria algo que ninguém nunca descobriria. Ela ia manter esse sentimento em segredo para sempre, e ia tentar afogá-lo com o tempo.

Quando todos voltaram ao Reino, um ano antes, a primeira coisa que fizeram foi se reunir para partilhá-lo de forma pacífica. Desta forma, nem os Charmings e nem Regina tiveram que desistir do trono, mesmo que ele pertencesse à Snow por direito. Provavelmente fora um ato de gratidão pelo sacrifício que Regina fizera para salvá-los. Regina admirava a atitude de Snow, e elas pareciam estar finalmente em uma trégua. O que não significava que Regina fosse amiga deles. Elas simplesmente resolveram deixar as feridas do passado de lado.

Os meses foram se passando na Floresta Encantada de forma tranquila e estável, até que ela chegou. Wilma.

Wilma era uma bruxa de pele verde que viera de um reino chamado Oz especialmente para atormentar toda a Floresta Encantada. Ela chegara do nada, como se tivesse simplesmente surgido ali, e de repente estava interrompendo o casamento de Aurora e Phillip para ameaçar a todos (bem parecido com algo que Regina fez no passado).

A princípio, Regina e os outros não entenderam porque aquela feiticeira misteriosa queria levar todos de volta para a Terra Sem Magia e tirar seus finais felizes, mas um dia tudo se esclareceu.

Regina estava dando um passeio noturno de cavalo pela floresta quando Wilma apareceu propondo uma conversa pacífica. Durante esta conversa, a bruxa contou tudo sobre seu passado.

Wilma era irmã de Regina, ou pelo menos foi o que ela lhe disse. Regina não a conhecia o suficiente para confiar nela. Segundo a bruxa, Cora engravidara de Rumple durante o tempo em que os dois estavam juntos. Determinada a se casar, a jovem seguiu em frente com a gravidez e fingiu que o bebê era filho de Henry.

Os dois se casaram e criaram a garota por um bom tempo, mas quando ela tinha três anos de idade, Cora começou a castigá-la com magia. Castigá-la severamente. E as punições foram tão pesadas que, por algum motivo, a pele de Wilma se tornou verde. E Cora não aceitaria ter uma filha verde. Ela queria ter uma filha rainha, e aquilo estragaria tudo. Não querendo arriscar seu grande plano, tudo o que Cora teve que fazer foi entregá-la para Rumplestiltskin; dessa forma, ela não quebrou o acordo que eles fizeram e ainda se livrou da filha que não queria mais. Henry, por ser muito submisso e ter muito medo da esposa, simplesmente teve que aceitar.

Rumple enviou Wilma para Oz, onde ele já estivera, e alguns anos depois, Cora teve outra filha, dessa vez com Henry — Regina. Em Oz, Wilma se tornou entendida de artes das trevas e passou a ser conhecida como "A Bruxa Má do Oeste".

Wilma explicou para Regina como tudo aquilo era injusto, e como ela merecia estar em seu lugar — sentada no trono, governando o reino, tendo crescido com sua mãe. Regina riu e disse que ela estava muito enganada se pensava que Cora tinha proporcionado uma infância saudável para ela, mas Wilma parecia convencida de que Regina roubara toda a vida maravilhosa que deveria ser dela.

O plano da bruxa não era nada original — lançar uma nova Maldição das Trevas e levar todos para de volta para a Terra sem Magia. Mas dessa vez, ela estaria no comando, e todos teriam as personalidades que ela quisesse, o que era bem imprevisível e ruim. Dessa forma, ela se vingaria de Regina – e puniria todos os outros no processo.

Durante uma reunião que o conselho do Reino tivera, eles decidiram que não havia maneira de escapar da Maldição. Emma estava em outro mundo, bem distante de Storybrooke, e apesar de Hook ter ido atrás dela, ela não seria a Salvadora porque não havia mais nenhuma poção do amor verdadeiro envolvida. Segundo Blue Fairy, a única saída era impedir que Wilma lançasse a Maldição, queimando o pergaminho antes que ela estivesse pronta. Assim ficou decidido.

Regina estava refletindo sobre tudo aquilo no silêncio da noite, quando a voz de Sidney interrompeu seus devaneios.

Aparecendo de repente, vestido em roupas formais, com seu bigode cuidadosamente aparado, Sidney disse:

– Com licença, Vossa Majestade. Me desculpe incomodá-la, mas... Wilma está vindo para cá.

– O quê? — exclamou Regina

– É o que a senhora ouviu. Ela está voando em sua vassoura em direção ao Castelo, Majestade. Pensei que gostaria de saber.

– É claro que eu gostaria de saber! — retrucou ela, e levantou-se, derrubando a taça de sidra no chão, que partiu-se com um estalo. Começou a caminhar em passos largos até a janela da torre, e apoiando-se nas grades da sacada, ela viu: De fato, mesmo no céu noturno e em seu leve estado de embriaguez, era possível ver a bruxa verde voando em alta velocidade, vindo em sua direção. "Mas o que di... " Regina nem teve tempo de terminar sua frase quando tudo aconteceu de uma vez: Um estalo alto, uma fumaça ao seu redor, escuridão, e o chão duro sob suas costas.

**********

A brisa invernal castigava seu rosto, e Regina podia sentir leves flocos de neve caindo em seu vestido preto de plumas e seu grosso manto, enquanto o sol se escondia cada vez mais. Seu Castelo Negro se projetava acima dela. Estava agora quase branco, encoberto pela neve. E roubado dela. Ao redor, montanhas ainda mais altas completavam a paisagem.

Regina olhou ao seu redor; ali estavam Snow, Tinker, Blue Fairy e Zangado, todos preparados para colocar o que tinham combinado em ação. Ela repassou o plano mentalmente: Blue Fairy e Tinker iriam destruir as barreiras mágicas que Wilma tinha colocado ao redor do castelo. Enquanto isso, Regina lançaria labaredas de fogo para distrair Wilma. Quando as barreiras fossem destruídas, Regina, Snow e Zangado entrariam no Castelo, procurariam o pergaminho da Maldição e o queimariam. Charming não estava com eles, mesmo que tivesse insistido, porque tinha se ferido seriamente dois dias antes durante uma luta com um dos cavaleiros de Wilma.

"Não há como dar errado", tentou convencer-se Regina, embora soubesse que havia uma grande possibilidade de dar.

O principal problema era a altitude – eles se encontravam na floresta, e o castelo estava bem acima deles, o que exigia que as chamas de Regina fossem bem maiores do que chamas comuns. Tentou se concentrar, preparando-se para lançá-las.

– Pronta, Verde? — perguntou Blue, a alguns metros de distância

– Pronta, Blue — respondeu Tinker.

As duas apontaram suas varinhas para o castelo, muito concentradas, e a camada mágica transparente que o envolvia começou a fraquejar lentamente. A destruição da barreira ia ser lenta, então a distração de Regina tinha que ser muito boa. Ela concentrou-se e conjurou uma bola de fogo mágico nas mãos. Esticou o braço e fez com que as chamas crescessem, se tornando enormes labaredas que voaram para cima com toda a força e bateram na barreira, iluminando todo o castelo por alguns segundos.

– Isso deve ser o suficiente – disse Regina, mas continuou atirando chamas e mais chamas contra a proteção mágica que fraquejava cada vez mais. Logo, Wilma apareceu na janela, com um olhar furioso. Regina percebeu, com uma raiva crescente, que a bruxa usava um de seus vestidos. “Como ela ousa?” pensou.

– Você! – cuspiu ela, olhando para Regina. Em seguida, conjurou um raio em direção à irmã, que quase foi atingida – para sua surpresa, Snow se jogou contra ela, empurrando-a para longe do raio bem a tempo.

– Vocês realmente acham – falou Wilma, começando a rir e olhando para elas com desprezo – que podem contra mim?

Em seguida, Regina teve que se controlar para não gritar. Ainda caída no chão ao lado de Snow, ela olhou para cima e viu uma enorme figura se erguendo no céu acima delas. Uma figura escura e reptiliana com dois chifres – um dragão.

– Como você conseguiu manter um dragão dentro desse castelo? –exclamou Regina, incrédula, mas não teve tempo de obter uma resposta; o dragão cuspiu enormes labaredas que quase as atingiram.

Blue Fairy e Tinker olhavam desesperadas, mas tinham que continuar desfazendo a barreira, ou eles não poderiam entrar no castelo. Regina se levantou, encarando o dragão e pensando no que faria. Zangado segurava um bastão e o agitava contra o ar.

Snow empunhou sua espada e apontou-a para o monstro tentando parecer ameaçadora, sem muito sucesso. Ela usava sua roupa de caça, a mesma que usara durante anos enquanto era uma fugitiva na floresta, mas com um manto branco envolvendo-a. Seu cabelo estava completamente bagunçado, e ela parecia amedrontada. Ainda assim, tentou manter-se firme quando disse:

– Eu acho que posso lidar com um simples dragão!

Naquele momento, a barreira à qual Wilma não estava prestando atenção se desfez completamente. Blue e Tinker, aliviadas, começaram a lançar feitiços em direção à sacada de Wilma – uma nova distração. Regina entendeu sua deixa e começou a correr para longe do dragão, que agora estava concentrado nas fadas, assim como Wilma. Regina saiu despercebida da cena e abriu caminho pela floresta em direção a entrada do jardim do castelo. Percebeu que estava sendo seguida por Snow e Zangado, mas continuou correndo.

Não havia portões no palácio – nunca fora preciso, os camponeses sempre tinham respeitado e temido invadir o lar do Rei Leopold e mais tarde, da Rainha Má – e logo Regina adentrou o pátio que conhecia tão bem. Sua antiga macieira não estava mais ali; tinha desaparecido durante o tempo em que estivera fora. Seus passos ecoavam pelo local, acompanhados pelos passos dos outros dois, e ainda era possível ouvir o som da batalha e dos rugidos do dragão.

Depois de algum tempo, Regina virou-se para eles e perguntou:

– Então... Vocês vão continuar me atrapalhando ou...

– Te atrapalhando? – perguntou Snow – do que você está falando? Eu vou com você. Não vou deixar você entrar sozinha.

Regina surpreendeu-se, e disse, com uma sobrancelha erguida:

– Bem, então nesse caso acho melhor nós nos apressarmos. Não sei quanto tempo aquelas duas vão aguentar manter as coisas sob controle.

– Hã, Zangado... – falou Snow cautelosamente, virando-se para o anão – não acho que seja uma boa ideia três pessoas entrarem. Sabe, quanto menos gente melhor.

– Você está brincando? Não vou te deixar, Snow. Charming iria querer que eu fosse com você. Sem discussão.

Snow revirou os olhos e suspirou.

– Tudo bem, então. Vamos lá.

Os três continuaram a caminhar apressadamente enquanto adentravam o palácio. “Eu deveria ter saído mais discretamente” pensou Regina, mas não havia mais o que fazer.

Os corredores do jardim davam para a porta do Salão de Festas, que estava entreaberta. Os três entraram no amplo espaço, que estava completamente vazio, seus passos ecoando ainda mais alto.

– Então, Regina... Você tem alguma ideia de onde o pergaminho pode estar? –questionou Snow.

– Não – admitiu ela –mas há um feitiço que eu posso usar para localizá-lo.

Dizendo isso, ela conjurou um feitiço localizador. Alguns metros adiante, uma neblina roxa surgiu, avançando lentamente pelo cômodo.

– Tudo que temos que fazer – explicou ela – é seguir a neblina. E ela nos levará até o pergaminho.

Eles começaram a andar ainda mais rápido, tentando acompanhar a fumaça. Ela levou-os até uma escada em espiral. Subiram as escadas e se viram frente a uma pequena porta que Regina sabia aonde ia dar. A fumaça atravessou a porta, indicando que eles tinham que entrar.

Os sons da batalha ao longe tinham cessado, fato esse que Regina achou um tanto estranho. A porta que eles encaravam dava direto para os calabouços. Poderia ser uma armadilha. Mas não havia outra escolha. Eles tinham que se arriscar, ou nunca impediriam a Maldição.

– Então... – perguntou Snow – vamos entrar ou não?

Regina abriu a porta, que estava destrancada. Mais um sinal estranho. Mesmo assim, adentrou o cômodo, e fez sinal para que os outros dois a seguissem. Aquela era a cela onde ela costumava manter Belle presa – era possível ver os riscos na parede onde ela contava o tempo de prisão, desgastados com o tempo. O cômodo era redondo e espaçoso, com uma pequena rocha que servia de cama ao fundo e sem nenhuma janela.

– É impressão minha ou estamos em uma cela? –perguntou Zangado.

Antes que pudessem responder, alguém entrou no lugar. Wilma.

– Vejo que os bobinhos caíram como patos na minha armadilha – e dizendo isso, conjurou duas paredes de grades que subiam até o teto, dividindo o cômodo em três celas diferentes. Cada cela prendia um deles.

– Vejam, só por causa de sua insolência – disse Wilma, andando em direção à grade que separava Zangado e Regina – vou dar um castigo especial para vocês.

– Onde está Tinker? – perguntou Regina, lembrando-se dela repentinamente.

– Ah, não se preocupe. – respondeu ela — Ela e a outra fada estão lá fora, vivas. Por enquanto. Não sei se serão capazes de matar o meu dragão. Você realmente achou que eu não ia perceber a sua ausência, Regina? Mas como eu ia dizendo... Esse é um castigo especial para vocês. Por terem pensado que podiam me desafiar, vocês não terão a chance de se despedir de seus entes queridos antes da minha Maldição ser lançada.

Ela aproximou-se ainda mais de Regina, e ficando cara a cara com ela, disse:

– Ah é, Regina. Mas eu me esqueci... Você não tem entes queridos.

E começou a andar apressadamente em direção à porta. Abriu-a, bloqueando a entrada, e antes de sair disse:

– Ah, e não pense que você pode desfazer minha armadilha. Veja, estas celas que eu conjurei bloqueiam totalmente a sua magia... Maninha. – disse a última palavra com um tom irônico e uma expressão de desprezo. Fechou a porta fortemente atrás de si e foi embora.

Zangado tentou abri-la, mas era inútil. Ela estava trancada com magia. E nem mesmo Regina poderia abri-la.

– Estamos perdidos! – exclamou Snow – A Maldição vai ser lançada, nós vamos ficar aqui e não haverá ninguém para nos salvar!

Regina sentou-se no chão e tentou não se desesperar, mas era difícil.

Snow começou a pressionar as barras de ferro que a mantinham presa na parte esquerda do cômodo, mas não conseguiu nem mesmo balançá-las. Estando na cela do meio, Zangado era o único com acesso à porta. Tinha que haver um jeito de abri-la. Mas mesmo que houvesse, lembrou-se Regina, como ele libertaria as duas?

Ficaram sentados em completo desespero por alguns minutos, até que um olhar de repentina alegria passou pela face do anão. Tirando um frasco de seu bolso, ele virou-se para Snow e disse:

– Isso aqui é a nossa salvação. Sabe, ser um anão e trabalhar nas minas tem suas vantagens. Estoque ilimitado de pó mágico é uma delas.

– Então abra logo isso! –exclamou Snow. Zangado retirou a tampa do minúsculo frasco, jogou um pouco do pó em sua mão, soprando-o contra as grades que prendiam Snow, que desapareceram.

– Vamos lá, Snow – disse ele – vamos dar o fora daqui – e soprou um pouco de pó mágico na porta, que se abriu lentamente.

– Espere, Zangado – interrompeu Snow – você se esqueceu da Regina.

Regina notou que ainda havia um pouco de pó mágico no frasco, e olhou para ele. O anão respondeu seu olhar com outro de desprezo.

– Não, Snow. Eu não me esqueci dela. Vamos embora.

Snow parecia incrédula, assim como Regina.

– Você quer dizer... Que vamos deixá-la aqui? Presa?

– Ela merece! – gritou ele em resposta – Ela destruiu nossas vidas! Não acha que está na hora dessa mulher receber um pouco de punição pelo que fez?

Regina riu.

– Você decidiu se vingar de mim, anãozinho? – indagou ela com uma voz carregada de ironia e desprezo – Vá em frente. Deixe-me aqui. Mas fique sabendo que vocês não vão a lugar nenhum sem minha magia. Vocês não são nada sem mim. Boa sorte em sua missão fracassada. Espero que se lembre disso quando estivermos no outro mundo com nossas vidas arrancadas de nós.

Ela não iria suplicar pela misericórdia de um anão idiota. Podia ter perdido muitas coisas, mas ainda tinha sua dignidade. Só ficou espantada e levemente magoada pelo fato de que ninguém parecia notar que ela não era mais a Rainha Má. Era tão difícil assim perceber que ela tinha mudado?

Mas Zangado parecia decidido.

– Está vendo, Snow? Ela não demonstra um pingo de bondade! Além disso, você ouviu a bruxa. Ela não tem entes queridos. Nós temos. Vamos dar o fora daqui. Nós ainda podemos alcançar a neblina, queimar o pergaminho e salvar o reino.

Snow virou-se para Regina com uma expressão culpada no rosto, e disse:

– Sinto muito, Regina.

Os dois saíram pela porta de mãos dadas, deixando-a presa. Regina bufou de raiva. Anos de poder e onde ela tinha ido parar? Presa em seu próprio castelo.

Mas de repente, ela ouviu um ruído. Um baque alto de metal e algo se chocando contra o chão. Em seguida, Snow adentrou o cômodo novamente, desta vez sozinha, com o pequeno frasco em suas mãos.

– Você voltou? Para me libertar?

– É claro. Eu não deixaria você aqui.

– Mas... Por quê?

– Por que você mudou, Regina. E eu confio em você.

Regina jamais admitira aquilo em voz alta, mas se emocionou com a declaração de Snow. Ela nunca a odiara de verdade. Apenas precisava de alguém para culpar por sua infelicidade.

Snow soprou o resto do pó mágico contra as grades que prendiam Regina. Elas sumiram, e Regina se levantou.

– Venha – disse Snow, oferecendo sua mão para a antiga madrasta – Vamos sair daqui antes que eu resolva mudar de ideia.

– Mas e o Zangado? – perguntou Regina, enquanto as duas andavam para fora do calabouço.

– Ah, eu o nocauteei. – respondeu Snow, como se fosse algo muito simples e natural.

– E vai deixá-lo aqui?

– Bom... – respondeu ela quando saíram pela porta e encontraram o corpo do anão inconsciente no chão – eu não vou carregá-lo, você vai?

Regina olhou para a jovem e riu.

***************

A fumaça rosa se aproximava. Regina estava na floresta, na cabana onde tinha sido abrigada por Snow, tantos anos antes. Vivera momentos tão inesquecíveis ali que sabia o caminho de cor. Desde que ela a salvara da cela de Wilma, Regina tinha pensado muito. Sobre perdão, e sobre superar o passado.

Infelizmente, elas não tinham conseguido queimar o pergaminho. Regina estava prestes a fazê-lo quando Wilma tomou-o dela. Mas Regina fez outra coisa antes disso. Algo que ela não contou a ninguém.

Semanas antes, ela havia pegado um fio de cabelo de Snow e outro de David. A maioria achava que ela não tinha tanto poder para isso, e nem mesmo ela sabia que era capaz. Mas ela fora. Criara uma poção do amor verdadeiro, como a que Rumplestiltskin criara na primeira maldição.

Quando entrou no castelo para queimar o pergaminho, ela levou consigo um frasco com um pouco da poção, sem que ninguém soubesse. E antes que Wilma tomasse-o dela, Regina conseguiu despejar uma gota do líquido nele. Uma válvula de escape. O que significava que o fruto do amor deles poderia salvá-los de novo. Emma poderia salvá-los mais uma vez.

A possibilidade de ser salva por Emma mexia tanto com Regina que ela preferia nem pensar nisso. Talvez Wilma tivesse percebido e tivesse tirado a poção do pergaminho. Talvez. Mas ela tinha que ter fé. Emma iria encontrá-la.

Estava tão absorta em seus pensamentos que mal notou a tempestade de raios começando. E a fumaça rosa se aproximando cada vez mais, encobrindo todo o Reino. Todos os outros deviam estar desesperados, pensando que não tinham salvação. Mas o importante é que eles tinham, e Regina sabia disso.

Quando a fumaça da Maldição finalmente chegou aonde ela estava e começou a entrar em seus pulmões, tudo começou a girar, e a última coisa que Regina disse, de olhos fechados e sorrindo, foi:

– Eu sabia que veria vocês dois novamente... É melhor vir me salvar logo, Senhorita Swan.

Não era tarde demais, no fim das contas.

Notas finais
P.S.: Sim, na minha fic a Wicked Witch se chama Wilma porque não consegui pensar em outro nome, haha (lembrei do 2x20 e tals, e não coloquei Elphaba porque já disseram que ela vai ter seu próprio nome em OUAT) E me desculpem se eu escrevi o nome do Rumple errado, hahaha Espero que tenham gostado e que não tenha ficado muito confuso, não se esqueçam de comentar o que acharam ^^