Notas iniciais
Então, decidi continuar a história... espero que estejam gostando ^^

I hate you so much it makes me sick

It even makes me rhyme

I hate the way you’re always right

I hate it when you lie

I hate it when you make me laugh

Even worse when you make me cry

I hate it when you’re not around

And the fact that you didn’t call

But mostly I hate the way I don’t hate you

Not even close

Not even a little bit

Not even at all

Regina’s PoV

Ela havia esperado tanto por aquele momento que quase não acreditou que ele estava finalmente acontecendo. Beijar os lábios tenros de Emma, ser envolvida por seus braços fortes, sentir seu toque cheio de carinho e preocupação, parecia um sonho prestes a acabar. Quando a maldição de Wilma fora lançada, ela partira da Floresta Encantada com aquela visão em sua mente; Emma aparecendo para salvá-la, para ser sua luz no fim do túnel. E mesmo que ela tivesse planejado tudo muito bem, no instante em que suas memórias voltaram e ela se deu conta de que estava frente à mulher que amava depois de tanto tempo, uma enorme surpresa tomou conta de seu ser. Os planos de Regina eram, geralmente, falhos ou trágicos, mas aquele funcionara exatamente como ela esperava. Finalmente ela fizera algo certo.

A dor que ela sentira um ano atrás, ao olhar para a face de Emma sabendo que teria que se despedir dela para sempre sem nunca poder expressar seus sentimentos, era quase indescritível. E mesmo quando uma nova esperança de reencontrar a ela e Henry surgiu, ainda havia dentro dela uma enorme insegurança causada pela possibilidade de ter que contar a Emma o que sentia. Nem mesmo em seus maiores devaneios Regina permitira-se pensar que Emma sentia o mesmo por ela. Parecia-lhe tão óbvio que Emma jamais poderia amá-la que ela achou que seus sentimentos pela Salvadora continuariam enterrados para sempre. E quando a Maldição fora quebrada, minutos antes, a percepção de que Emma também a amava foi tão surreal, tão maravilhosa, que ela não pôde conter as lágrimas.

Beijando Emma, envolvendo seus braços ao redor dela, sabendo que a Maldição acabara de se quebrar com um beijo de amor verdadeiro – o amor verdadeiro delas – Regina sentiu-se tão incondicionalmente feliz que se perguntou se ela realmente merecia aquilo. Se merecia que as coisas estivessem dando tão certo. Em seu interior, ela achava que não, mas não se importava.

Ela sempre tivera medo de amar, e com Emma não fora diferente; tão logo seus sentimentos surgiram, ela começou a imaginar coisas horríveis e hipóteses dolorosas. Ela sabia que Emma estava sempre exposta a situações de risco, e tinha medo de sofrer com ela o mesmo que sofrera com Daniel. Mas naquele momento, não havia nenhum sinal de apreensão em seu coração. O calor de Emma era algo tão reconfortante que ela foi capaz de ignorar todos os seus medos. Amá-la era tão bom que Regina simplesmente não conseguia resistir; não havia espaço para temores quando ela estava em seus braços.

Quando elas interromperam o beijo, Regina sorriu para Emma. E seu coração se aqueceu ainda mais ao ouvir a voz que surgiu logo em seguida.

– Mães? – chamou Henry, e Regina olhou para o lado, seu coração dando um salto.

O garoto vinha andando pela rua, e correu até ela assim que a viu. Regina fechou os olhos no melhor abraço que já recebera em toda a sua vida. Beijou a cabeça de Henry enquanto ainda mais lágrimas irrompiam de seus olhos.

Apertou seus braços firmemente ao redor dele, notando que ele também chorava. Palavras jamais poderiam descrever o quanto ela sentira falta de seu cheiro, de sua voz, de seu abraço, de seus olhos verdes pelos quais Regina sacrificaria qualquer coisa no mundo. Abraçando Henry, ela perguntou-se como tinha conseguido sobreviver tanto tempo sem ele. Olhando para trás, para o ano que passara na Floresta Encantada, nem poderia chamar aquilo de vida. Não havia vida sem ele.

Os dois se afastaram, e Regina tocou o queixo do garoto, sorrindo ligeiramente ao notar que não precisara se abaixar para abraçá-lo.

– Você cresceu rápido demais – disse, limpando as lágrimas do garoto.

– Eu senti tanto a sua falta – disse Henry, entre soluços.

– Eu também senti a sua falta – respondeu, e os dois se abraçaram novamente. Regina sorriu quando Emma se uniu ao abraço, passando os braços ao redor de Regina e Henry. Agora tudo estava perfeito; as coisas não poderiam ficar melhores.

Notou que as ruas se enchiam de pessoas, que começavam a reconhecer umas às outras, eufóricas. Os que estavam em suas casas começavam a sair, se juntando à multidão entusiasmada. Logo Regina teria tempo para rever Snow e Tinker, mas naquele momento as duas pessoas que mais importavam no mundo estavam bem ali.

Os três se separaram, e Regina viu David e Mary Margaret logo adiante.

– Emma – disse David, sorrindo, e correu para abraçar a filha, junto com a esposa.

– Pai! – ela exclamou em resposta – Mãe!

Regina observou Henry correr para abraçar os avós, sorrindo ao ver o quanto ele e Emma estavam felizes.

– Você nos encontrou. Mais uma vez – disse Mary Marget. Os três se separaram, e as pessoas começaram a se reunir ali, cada vez mais aglomeradas. Olhando ao seu redor, Regina viu vários rostos conhecidos – sorriu para alguns, e ignorou outros que a olhavam de forma fria. Mesmo quando ela não tinha culpa, todos ainda arranjavam uma forma de julgá-la. Mas não ligava. Já tinha o amor das únicas pessoas cuja aprovação lhe importava.

Tinker andou até ela e abraçou-a. Regina retribuiu o abraço, rindo para a amiga.

– Sinto muito pela demissão – apressou-se a dizer – Eu não...

– Eu sei. – tranquilizou-a Tinker, sorrindo – Eu sei que sua irmã deve ter te obrigado. Estou feliz por esta Maldição ter se quebrado.

Os olhares de Regina e Snow se cruzaram, e ambas deram um sorriso tímido.

– Estou muito orgulhoso de você, filha – disse David a Emma – Como você fez isso? Nós pensamos que não havia salvação...

– E não havia – interveio Regina – Até que eu pensei em algo. Vocês não souberam, mas alguns dias antes da maldição ser lançada, eu consegui pegar um fio de cabelo de cada um de vocês dois. E usei-os para fazer uma poção de amor verdadeiro. Depois, tudo o que tive que fazer foi despejar uma única gota no pergaminho que Wilma usou.

David e Mary Margaret olharam para ela, refletindo.

– Como a que Rumplestiltskin fez da última vez – observou ele.

– Isso foi... Muito inteligente, Regina! – disse Mary Margaret sorrindo – Então você também nos salvou, de certa forma.

Regina deu um enorme sorriso ao ouvir aquelas palavras. Não se sentia como uma salvadora ou heroína, mas Emma disse:

– Eu não fui a verdadeira Salvadora desta vez. Se não fosse por Regina, eu jamais poderia quebrar a Maldição. Foi graças a ela que vocês recuperaram suas memórias. Ela me tornou a Salvadora. – e sorriu para Regina.

Regina estava mais feliz do que jamais estivera antes. Durante tanto tempo, ela quisera provar que era digna do amor de Emma, sonhando com o dia em que ela seria capaz de ver Regina como uma pessoa boa. E agora, Emma a via como uma heroína. Aquilo era mais felicidade do que seu coração poderia aguentar.

– Mas, espere – disse David – Ainda tenho algumas dúvidas. O que Regina está fazendo aqui? Ela não devia estar na cadeia? E como você conseguiu quebrar a Maldição?

Ao ouvir aquilo, o olhar de Regina encontrou os olhos verdes hipnotizantes de Emma, e ela se deu conta de algo; o romance delas já era de conhecimento de quase toda a cidade... Como eles reagiriam ao se dar conta de que a Rainha e a Salvadora estavam juntas? Emma pareceu ler seus pensamentos, pois disse, assumindo uma expressão séria:

– É bom que você tenha entrado nesse assunto, pai, porque... Nós temos algo muito importante para conversar.

Dizendo isso, andou até Regina e segurou sua mão. David e Mary olharam para as duas, parecendo entender.

– Alguns minutos atrás, eu fiz algo... Louco e errado. Eu fui até o hospital e roubei as chaves da cela de Regina, libertando-a.

Todos ficaram boquiabertos.

– Como você conseguiu fazer isso? – perguntou Leroy, do meio da multidão.

– Não importa. Mas vocês precisam entender que eu só fiz isso porque Regina é inocente. – todos começaram a murmurar — Qual é, pessoal, vocês devem se lembrar de que Wilma era uma vilã no outro mundo. A Bruxa Má do Oeste, certo? Então, ela não poderia ter forjado as tais provas com magia?

– Não há magia nesta cidade – lembrou-lhe David.

– Mas Wilma tem suas fontes – insistiu Emma – Foi isso o que ela me disse no dia em que... No dia em que ela matou Hook.

Todos começaram a falar ainda mais alto, chocados com a acusação.

– Eu não tenho provas – disse Emma – Mas ela é uma bruxa poderosa.

– Bem, isto é verdade – concordou Mary Margaret, e ao receber um olhar de repreensão de David, disse: — Qual é, David, ela era poderosa, e ela queria destruir Regina. Não tenho dúvidas de que Regina mudou, e acredito no que Emma está nos dizendo.

Regina sorriu ao ver que Snow também acreditava nela. Depois de tantos anos cheios de ódio, era um enorme alívio que elas tivessem finalmente se perdoado. Mas também sentia uma enorme raiva ao ver que David ainda duvidava dela.

– Wilma apresentou provas no tribunal – insistiu ele – e Regina não tem exatamente o passado mais limpo do mundo.

– Eu não fiz nada disso – protestou Regina, furiosamente – Vocês realmente duvidam que eu mudei, depois de tudo o que eu fiz por vocês e pelo nosso reino no último ano? Depois de Wilma ter lançado uma Maldição e ter jurado que iria se vingar de mim, vocês ainda acham que eu sou a vilã aqui?

Emma lançou-lhe um olhar que dizia para ela se acalmar.

– Minhas mães estão dizendo a verdade – interveio Henry – Ela mudou, vovô. Vocês tem que acreditar.

– Eu acredito em você, Regina – disse Mary Margaret – David, aquela mulher estava determinada a destruir Regina. Você realmente pensa que ela voltaria às suas origens depois de tudo?

David suspirou, parecendo refletir bastante.

– Tudo bem, tudo bem – cedeu ele – Regina está livre. Por enquanto.

Algumas pessoas protestaram àquilo, e algo começou a ferver no coração de Regina, algo do qual ela tentava fugir a muito tempo, mas que ainda era difícil evitar – ódio.

– Pessoal, Regina não é a vilã aqui – manifestou-se Tinker – Não desta vez.

– Façamos o seguinte – anunciou David – Regina está livre por enquanto, e a atitude insana de Emma será ignorada. Wilma não está aqui entre nós, o que só pode significar que ela está escondida na prefeitura, ou em sua casa, ou em algum lugar protegido por magia para evitar uma multidão furiosa querendo sua cabeça.

Regina assentiu; aquilo fazia sentido – era exatamente o que ela tinha feito quando sua maldição fora quebrada.

– Então – continuou David – Eu, junto com quem mais quiser ajudar, irei até a casa dela, ou até a prefeitura, ou onde quer que ela esteja, para prendê-la e tentar conseguir alguma prova de que armaram contra Regina, e de que ela matou Hook. Se conseguirmos achar alguma evidência, ou mesmo arrancar uma confissão dela, Regina está oficialmente absolvida. Mas, se não encontrarmos... Receio que ela terá que voltar para a prisão.

Regina não gostou muito daquilo, mas Emma cochichou em seu ouvido:

– Não se preocupe, querida. Eu vou ajudar David, nós vamos provar sua inocência. Confie em mim.

Aquilo a tranquilizou um pouco – junto com um arrepio que percorreu sua espinha ao ouvir Emma chamando-a de “querida” – e ela assentiu. Como ela tinha raiva daquele bando de idiotas.

Mesmo que estivesse tentando fugir de seu passado sujo, Regina prometeu a si mesma que, caso não houvesse provas, ela arranjaria algumas. Não voltaria para aquele lugar sujo. Não seria separada de sua família novamente.

– Mas você ainda não respondeu uma pergunta – observou Tinker – Como foi que você quebrou a Maldição?

Emma suspirou antes de continuar.

– Como vocês já devem saber – continuou ela – Regina e eu estamos... Nós... Estamos juntas. Romanticamente. Nós estamos...

– Saindo – interrompeu Regina – Namorando. O que quer que vocês queiram chamar. Somos namoradas e amantes. – falou aquilo como se desafiasse qualquer um que tivesse algo contra.

As pessoas pareciam chocadas. Regina olhou para Robin, o cara com quem ela vinha saindo nas últimas semanas, em meio à multidão, mas não se sentiu culpada. O que os dois tiveram fora algo sem nenhum significado, e ela esperava que ele soubesse disso. Mais adiante, Neal parecia atônito.

– Sim – confirmou Emma – Nós estamos apaixonadas. E logo depois que eu tirei Regina da cadeia, nós estávamos conversando, e... Nós nos beijamos. O beijo foi o suficiente para quebrar a Maldição, caso algum de vocês ainda duvide do que sentimos uma pela outra. É amor verdadeiro, e nós acabamos de ter a confirmação.

As duas se olharam, sorrindo e apertando as mãos firmemente. Encarar os olhos de Emma era como olhar para a paisagem paradisíaca mais linda que se possa imaginar.

– Regina e eu não poderíamos estar mais apaixonadas – continuou Emma – e junto com Henry, nós somos uma família. Nós três ficaremos juntos agora, e quem se importa comigo terá que aceitar – ao dizer aquilo, olhou para os pais – Porque eu a amo.

– E eu a amo – completou Regina, esperando o que eles iriam dizer.

David e Mary Margaret pareciam ter perdido a fala.

– Emma, você tem certeza disso? – questionou David – Regina? Quero dizer, eu pensei que... Sabe, você só se relacionou com homens até hoje.

Regina revirou os olhos, impressionada com o pensamento limitado de David.

– Eu me relacionei com pessoas das quais eu gostava – corrigiu Emma – Não importa se eram homens ou mulheres. E as coisas continuarão sendo assim. Eu amo Regina, e isso é o suficiente para mim.

Regina não poderia concordar mais. A maioria das pessoas limitava-se ao gênero quando se tratava de amor, mas com ela sempre fora diferente. Sim, ela só havia se interessado por homens antes de Emma – Daniel, Graham – mas não era como se aquilo determinasse sua atração ou afeição por alguém. Ela não se apaixonara por Daniel porque ele era um homem, mas porque ele era uma pessoa maravilhosa. A mesma pessoa maravilhosa que ela via em Emma. Ela era capaz de amar qualquer pessoa, independente do gênero, e não se sentia anormal por causa disso – sentia-se privilegiada.

– Tenho que dizer, eu não previ isso – interveio Mary Margaret, e Regina olhou, apreensiva. Mesmo que ela tentasse negar para si mesma, a aprovação de Snow era importante para ela – Mas se você está feliz, Emma... Então nós estamos felizes também. Vocês formam uma família bonita.

Regina abriu um largo sorriso, e em seguida olhou para David como se dissesse “Quais são seus argumentos agora?”.

– Mas, Emma – ele insistiu – Essa mulher tentou nos matar, e tentou te matar também.

– Então agora vamos voltar ao passado? – esbravejou Regina – Se formos fazer isso, chegaremos à conclusão de que ninguém aqui pode ficar com ninguém.

– Regina, acalme-se – sussurrou Emma, tocando seu braço, e ela tentou se conter.

– Isso foi no passado, pai. – ela disse – Eu acredito, do fundo do meu coração, que Regina mudou. Quero dizer, ela fez muito por nós nos últimos anos. E se ela estiver disposta, eu vou ajudá-la a mudar ainda mais.

David pareceu considerar um pouco, mas perguntou outra vez:

– Você tem certeza disso, filha?

– Mais certeza do que já tive na minha vida toda – ela respondeu. – Regina me completa.

Emma aproximou-se para um beijo rápido e leve, sem se importar com o que os outros pensariam.

– Bem, se você está feliz assim... O que posso fazer? – cedeu David, e Regina levantou uma sobrancelha, satisfeita por finalmente vencê-lo.

– Cuide bem da minha garota – disse ele a Regina.

– Eu vou. – respondeu.

Emma pareceu notar o olhar de Neal ao longe, pois soltou a mão de Regina e andou até ele. Regina ficou muito nervosa com aquilo. Não gostava da aproximação dos dois, mas logo se lembrou de que ele era o pai de Henry, então ela tinha que ao menos tentar suportá-lo.

– Neal – disse Emma, segurando sua mão, o que deixou Regina ainda mais furiosa. Ela pigarreou, e Emma percebeu, pois soltou sua mão – Eu... Sinto muito, eu... Eu sei que você queria que nós tivéssemos o que costumávamos ter novamente, mas... Eu não consigo. O que eu tenho com Regina é simplesmente muito especial.

Neal assentiu.

– Só me responda uma coisa, Emma – disse ele – Você está feliz? Com Regina?

Emma assentiu, os olhos marejando.

– Mais do que jamais estive.

– Então eu estou feliz, também.

Os dois sorriram, e Regina ficou um pouco aliviada ao ver que ele já havia percebido quem mandava em Emma agora.

– E, além disso – acrescentou Emma – Henry ainda é seu filho. Você sabe disso, certo? Vocês nunca precisarão se afastar. Regina e eu ficaremos felizes de permitir que você saiam juntos de vez em quando. Certo, Regina?

A princípio, Regina não gostou nem um pouco da ideia. Mas logo ela lembrou-se de que Henry amava muito o pai, então fez um esforço e disse:

– Certo. Você pode ver Henry quando quiser... Neal.

Ele sorriu, e correu até Henry. Os dois se abraçaram por alguns segundos, e quando se afastaram, Henry disse:

– Eu te amo, pai.

– Também te amo, garoto. Uma família bem incrível esta que você arranjou, hein? – disse, olhando para Emma e Regina, que sorriram.

– Mas eu... Eu não entendo. – manifestou-se Tinker, que até então estava calada – Como Emma pode ser o seu amor verdadeiro? E a profecia?

Regina arqueou as sobrancelhas, confusa.

– Que profecia?

– O homem com a tatuagem de leão. – explicou Tinker – Ele é seu amor verdadeiro. Ele é Robin – falou, indicando a tatuagem de leão que Robin tinha no pulso.

Regina lembrou-se do que ela estava falando. Muitos anos antes, quando ela era apenas uma jovem rainha amargurada sem qualquer ideia do que fazer da vida, ela conheceu a fada, que tentou levar-lhe até o seu final feliz – o homem da tatuagem de leão, que segundo o pó de fada, era seu amor verdadeiro. Porém, assustada e cheia de amargura, ela fugira do tal homem.

Mas Regina não se importava com nada que qualquer pó de fada tivesse mostrado. Emma era seu amor verdadeiro, seu final feliz e sua paz. Nada mudaria aquilo.

– Eu me lembro – disse ela – Me lembro dessa... Profecia. Mas eu não me importo. Ela claramente está errada. Eu amo Emma, e nós acabamos de ter a confirmação de que nosso amor é verdadeiro. Ela e Henry são as únicas pessoas com as quais eu quero passar o resto da minha vida, e nada pode mudar isto.

– Eu não me importo com nenhuma profecia – interveio Emma, com uma voz ligeiramente manhosa, demonstrando ciúmes – Regina é minha e de mais ninguém. – dizendo aquilo, abraçou-a por trás. Regina sorriu. Era bom ver que Emma tinha ciúmes dela.

– Olhe, Tinker – disse Regina – Pode ter havido um erro, não sei. Ou talvez... Talvez ela tenha indicado Robin como meu final feliz porque Emma não tinha nascido naquela época. Talvez ele realmente fosse meu amor verdadeiro, mas isto com certeza mudou depois que Emma nasceu.

Tinker parecia pensativa, mas não muito convencida.

– Mas Robin perdeu a esposa – disse ela – Ele precisa de você, Regina. Ele precisa de seu final feliz.

– Olhe, eu não quero atrapalhar a vida amorosa de ninguém – manifestou-se o homem ruivo, com seu pequeno filho, Roland, ao seu lado – Eu não quero ninguém para ser meu “final feliz”.

Regina sorriu, e aproximou-se dele, sentindo que precisava falar aquilo.

– Olhe, Robin – disse ela – O que nós tivemos algumas semanas atrás foi... Legal, e seu filho é realmente uma graça. Mas eu tenho que cuidar da minha própria família. Emma e Henry são as únicas coisas para as quais eu tenho espaço no momento. Espero que entenda.

– É claro que eu entendo! – disse ele, sorrindo – Não precisamos de nenhuma profecia ou magia para dizer com quem devemos ficar, Regina. Eu e Roland estamos muito felizes assim.

Tinker suspirou, dando-se por vencida.

– Eu aprecio que você se preocupe com a minha felicidade, Tinker – afirmou Regina – Mas eu não quero que meu destino seja escrito por um pó de fada. De agora em diante... Vou fazer meu próprio destino. – olhou para Henry e Emma ao dizer aquilo. Não tinha a menor dúvida de que eles eram seu destino, tudo o que ela havia sonhado em ter a vida inteira.

– Eu entendo, Regina. Você está provavelmente certa. Seja feliz com Emma, se é o que você quer. Só sinto muito que minha tentativa de cupido tenha sido falha.

As duas riram. Ao redor, as pessoas começavam a se afastar, indo para suas casas, como se já tivessem perdido o interesse no que estava acontecendo.

– Bem, agora, se me dão licença – disse David – Nós temos uma bruxa para caçar.

– Oh, isso me lembra algo – acrescentou Regina – Nós precisamos de magia. Como Emma disse, Wilma tem suas fontes mágicas independentes, e pode fazer o que bem quiser com elas. Temos que ter nossa magia também. E assim... Eu poderei derrotá-la. – estava ansiosa por aquele momento, o momento em que finalmente acertaria as contas com a mulher que lhe causara tanto sofrimento. Mas conteve sua raiva. Ia esperar pelo momento certo.

– E você vai ter muito cuidado ao enfrentá-la, certo? – indagou Emma, preocupada.

– Não se preocupe, Emma. Eu acho que posso lidar com uma bruxa verde. – assegurou-lhe.

– E como vamos trazer magia à cidade? – questionou Mary Margaret.

Regina tinha algumas ideias – uma ideia ousada em particular que lhe parecia bastante atrativa – mas disse:

– Existem algumas possibilidades... Mas, se não se importam, eu gostaria de deixar isso para mais tarde. Preciso de um descanso.

Emma abraçou-a, e Regina disse:

– Faça suas malas, Emma. Eu quero que você e Henry venham para casa comigo.

Emma abriu um sorriso maior do que seu rosto.

– É sério?

– Totalmente. Quero vocês dois morando naquela mansão, tipo, agora.

– Isso vai ser totalmente incrível! – disse Henry, empolgado.

Antes de eles irem até o Granny’s, Mary Margaret aproximou-se de Regina, segurou sua mão, e disse:

– Seja boa para a Emma. Vocês tem minha bênção.

Uma enorme faísca se acendeu dentro de Regina ao ouvir aquilo.

***

Regina abriu a porta da mansão, adentrando a sala de estar, seguida por Emma e Henry. Depois de tanto tempo em uma solidão amarga, ela teria as duas pessoas mais maravilhosas do mundo vivendo com ela.

Assim que entraram, Emma perguntou:

– Esta casa tem quartos o suficiente para nós, Regina?

– Bem... O quarto de Henry sumiu nesta nova maldição – respondeu ela — mas eu tenho um quarto de hóspedes um tanto razoável sobrando. Não é muita coisa, Henry, mas assim que trouxermos a magia de volta, posso dar um jeito nisso.

– Tudo bem, mãe. Eu senti falta do meu quarto, mas contanto que eu esteja em casa, está ótimo.

Regina sorriu.

– Estou morrendo de sono – continuou o garoto – Preciso ir dormir.

– Mas ainda é o pôr do sol! – protestou Emma.

– Eu sei. Mas os últimos dias foram cansativos. – Regina não poderia concordar mais.

– O.K., garoto, vou te colocar para dormir – ofereceu-se Emma, e os três subiram as escadas. Regina mostrou a Emma o aconchegante quarto de hóspedes que ficava ao lado do seu, e ela foi colocar Henry na cama.

Enquanto isso, Regina foi tomar um banho no banheiro de seu quarto, para se livrar da sujeira da cadeia. Jogou o uniforme cinza ao chão, pensando seriamente em incinerá-lo.

Sob o chuveiro, deixou que a água quente caísse por seu corpo nu, levando embora todas as preocupações, enquanto pensava que há muito tempo não tomava um banho tão tranquilo. Olhando para si mesma, notou que ainda havia alguns hematomas causados pela agressão de Wilma – lembranças que lhe causavam tanta dor e raiva que ela logo tratou de espantá-las – mas eles estavam sumindo aos poucos.

Quando saiu do banheiro enrolada em uma toalha branca, encontrou Emma deitada em sua cama.

– Hey – disse ela.

– Hey.

– Então, Emma... Como está se sentindo?

– Em casa. – respondeu ela.

– Isso é ótimo.

Regina despiu-se, começando a se enxugar. Emma olhava hipnotizada para seu corpo nu, de olhos arregalados e boca aberta, um tanto empolgada.

–Por favor, Emma. Eu estou muito cansada hoje. Talvez mais tarde.

Emma riu.

– Me desculpe. É que sua beleza é... Inacreditável. – disse aquela palavra com um olhar atônito.

Regina vestiu uma camisola preta, e deitou-se na cama ao seu lado. Apertando a mão de Emma, aproximou-se para um beijo úmido e intenso – todos os beijos de Emma eram. Aquele parecia ser o primeiro beijo que elas davam sem nenhuma preocupação ou ameaça sobre seus ombros, e Regina podia dizer que a tranquilidade não estragara nenhum pouco o prazer de seus lábios.

Interrompeu o beijo e olhou para Emma, acariciando seus cabelos e admirando sua beleza. Emma era muito, estonteantemente, irreversivelmente e inacreditavelmente linda. Seus cabelos loiros e ondulados eram perfeitos, sua pele macia e quente, seus olhos verdes brilhavam como duas esmeraldas reluzentes, seus lábios rosados irresistíveis, seu nariz perfeitamente alinhado, seu sorriso genuíno e contagiante – absolutamente cada detalhe de sua face exalava perfeição.

– E os seus machucados? – perguntou Emma, olhando para alguns hematomas em sua perna – Eu não gosto de olhar para eles. Deixe-me cuidar disto.

Regina quase relutou, mas resolveu permitir que Emma cuidasse dela. Emma foi até o banheiro e pegou um pouco de gaze, algodão e álcool. Começou a tratar dos ferimentos em seus braços e do corte acima de sua boca. Deus, como era bom estar sob os cuidados dela.

Depois de alguns minutos, Emma guardou o algodão e o álcool, e voltou a deitar-se na cama.

– Tenho que dizer – falou ela, depois de breves momentos de silêncio- Houve momentos em que eu definitivamente não tive certeza se você sentia o mesmo por mim.

– É engraçado, porque eu senti exatamente o mesmo durante um ano inteiro – riu Regina – A incerteza é realmente um dos piores sentimentos.

– É – concordou Emma – E, mais cedo, eu não tinha certeza se estava preparada para, você sabe, contar aos meus pais sobre o que temos. Cheguei a pensar em não contar. – admitiu ela.

Aquilo despertou raiva em Regina. Como ela poderia dizer que não queria contar aos seus pais sobre o que elas tinham, se era tão importante assim?

– Ah, então você não queria contar sobre nós para o seu pai? – indagou, transparecendo a raiva na voz, e afastando-se um pouco.

– Claro – respondeu Emma – Quero dizer, como eu poderia simplesmente contar a eles que eu tinha me apaixonado pela mulher que tentou matar nossa família?

OK, agora Emma estava sendo uma completa idiota. Regina levantou-se da cama. Por que ela tinha que ser tão estupidamente insensível? Estava tudo perfeito, mas claro, Emma sempre dava um jeito de estragar tudo.

– Então agora vamos voltar à sessão “erros do passado”? Se eu soubesse que você iria ficar me julgando, eu não teria te convidado para morar comigo.

– O quê? Não, Regina, acalme-se. Eu só estou querendo dizer que... Espere um pouco. Você se arrependeu de me convidar? Porque eu ainda posso ir embora, se você quiser. – rebateu, furiosa.

– Não tente reverter as coisas, Emma. Você é quem está sendo a ridícula infantil aqui. Que merdas são essas que você está dizendo? Você não queria que seus pais soubessem? Teve vergonha de dizer que estava saindo com a Rainha Má? Eu pensei que o que tivéssemos fosse algo importante.

Emma suspirou, tentando se acalmar.

– Regina, por favor. Olhe para nós. Brigando por nada, como duas crianças. Não vamos estragar tudo.

– Eu não estou estragando nada – defendeu-se – Mas você, por outro lado, sempre estraga tudo. E como você ainda pode duvidar dos meus sentimentos, Emma? Os seus sempre foram duvidáveis, é claro, mas os meus não.

Emma pareceu ofendida, e permitiu-se perder a paciência.

– Eu sempre estrago tudo? Isso é algo engraçado de ouvir, vindo da senhora destruidora de vidas. – o modo como ela falou aquilo magoou Regina de uma forma indescritível. Ver Emma esfregando seu passado em sua cara era mais doloroso do que tortura – E sim, Regina, eu estava apreensiva com relação a isso. Eu nem sabia se você sentiria o mesmo por mim! Até onde eu sabia, você ainda era a vilã querendo destruir minha vida a qualquer custo. Quero dizer, você não pareceu muito amorosa quando planejou deixar a mim e a minha família para morrer em Storybrooke e ir embora com Henry para o outro mundo.

Regina começou a chorar, sentindo seus olhos e seu sangue ferverem. Como aquela filha da mãe podia questionar seus sentimentos, tão fortes e intensos, de forma tão insensível? De repente, toda a perfeição e o calor do momento passaram, sendo substituídos por uma raiva que somente Emma era capaz de lhe proporcionar.

– Você está duvidando do meu amor por você, Emma? Quer saber? Sim, eu queria deixar você e seus pais idiotas para morrerem, mas porque você foi uma idiota antes disso, duvidando da minha palavra por causa da visão da porra de um cachorro! – esbravejou ela, sem medir as palavras, apenas despejando-as uma atrás da outra, carregadas de raiva – Você acha que foi fácil para mim lidar com aquela dor? Eu, que sofri tanto por amor no meu passado? Eu sofri muito, Emma, porque eu não queria me apaixonar por mais ninguém, e acabei me apaixonando pela pessoa que menos se importava comigo no mundo. Desde o dia em que você chegou a Storybrooke, eu me senti atraída pela sua audácia e pela sua coragem irritante, Emma, e isto me matava. Na época do incidente com o Archie, você me encheu de esperanças para, logo em seguida, me acusar e me tratar da forma que você sempre tratou: como uma idiota insensível. Então, sim, eu quis te matar.

– Você vai me acusar de ser insensível? – exclamou Emma em protesto – Preciso te lembrar de quem foi que começou com a nossa inimizade? E como você esperava que eu reagisse diante de uma visão tão bem planejada pela sua mãe? Eu sinto muito, Regina, mas você não é a pessoa mais santa na cidade, então sim, eu acreditei que você tinha o assassinado. Mas antes disso, eu te defendi até o fim, eu impedi que você fosse morta, eu me arrisquei para que você pudesse viver quando aquele gatilho iria nos destruir, eu fiz muito por você, e tudo isso porque eu te amo, Regina Mills! Mesmo que você não mereça, eu te amo! Então não venha me acusar de ser insensível! – neste ponto, ela também estava chorando.

De repente, parecendo tomada pela raiva, Emma aproximou-se de Regina e segurou seus dois braços com força.

– Como você pode duvidar do meu amor por você? – exclamou ela, entre lágrimas – Como?

– Não me toque deste jeito! – exclamou Regina, e empurrou-a para longe com força.

Emma chocou-se contra a parede. Logo levantou-se e avançou contra Regina. Cheia de raiva, empurrou-a com ainda mais força, e ela se chocou contra uma estante de livros atrás.

Regina gemeu enquanto caía no chão em meio às prateleiras quebradas e livros esparramados. Olhou para Emma, perguntando-se como as coisas poderiam ter passado de românticas para uma briga intensa em tão pouco tempo. Isso tinha que parar.

O olhar de Emma passou de fúria para desespero e culpa ao ver Regina caída. Andou até ela e tocou seu braço, ajudando-a a se levantar. Regina tentou resistir ao gesto, mas simplesmente não conseguiu; o impulso de ceder a Emma era mais forte do que ela.

– Você está bem? – perguntou Emma, com a voz trêmula, enquanto Regina se levantava.

– Estou.

– Não, você não está. – disse Emma, culpada, enquanto ajudava-a a se deitar novamente – Droga, você já estava machucada e eu só piorei as coisas. Droga.

Olharam uma para a outra, chorando de dor, interna e externa.

– Me desculpe – disseram ao mesmo tempo.

– É só que... Eu não sei lidar muito bem com o amor. – disse Emma.

– Eu também não. – respondeu Regina, deixando sua raiva sumir aos poucos.

Era verdade; ela não sabia lidar de forma sensata com aquele sentimento, e entendia Emma.

– É simplesmente muita angústia acumulada – observou Regina, ao que Emma concordou com a cabeça.

– Você está bem? – perguntou ela, mais uma vez. Em seguida, tocou a cabeça de Regina e aproximou-se para um beijo terno e salgado, que durou pouco demais.

– Agora eu estou – respondeu Regina.

As duas sorriram. Emma beijou-a novamente, mas um beijo dez vezes mais intenso do que o anterior. Enquanto se beijavam, Emma mordeu o lábio inferior de Regina, numa dor quase agradável. Tocando os rostos uma da outra, suas línguas se encontraram, seus lábios colados como um só, a intensidade e o desejo aumentando a cada movimento.

Emma começou a tirar a camisola de Regina lentamente, enquanto tocava suas pernas. Afastaram-se um pouco e Emma despiu-a completamente. Em seguida, avançou até os seios de Regina e começou a beijá-los, cheia de paixão, passando a mão por suas costas, enquanto Regina abria o Sobretudo de Emma lentamente, suas mãos procurando por seu sutiã, desesperada para arrancá-lo.

Em meio a toda a dor e paixão, Regina deixou que seu desejo a guiasse, entorpecida e cada vez mais faminta pelo corpo de Emma, despindo-a desesperadamente, sentindo a língua quente da loira tocar sua pele, entre arrepios.

Enquanto as feridas causadas por aquela briga desapareciam aos poucos, Regina deu-se conta de que tinha muita sorte por ter Emma, apesar de tudo.

Notas finais
Esse final ficou beem mais ou menos, desculpem, mas acho que o capítulo em si ficou bom. P.S.: Os capítulos da Regina são sempre melhores, né? haha P.S. 2: Caso alguém tenha ficado curioso, a música que eu coloquei no início desse capítulo não é bem uma música, é um poema do filme "10 Things I Hate About You", mas existem algumas versões musicais, como essa: https://www.youtube.com/watch?v=prVHEi56dpI É isso, não se esqueçam de comentar =)