Just close your eyes

The sun is going down

You'll be alright

No one can hurt you now

Come morning light

You and I'll be safe and sound



Emma correu pelo chão de madeira e alcançou Regina no instante em que ela chegava à beira do píer. Passou seus braços ao redor dela e segurou-a firmemente, afastando-a do mar e do enorme portal que ainda girava.

– Você enlouqueceu? Pular nesse portal e me deixar aqui?

– Eu não ia pular – defendeu-se Regina com um ar distraído, ainda olhando para o portal com olhos distantes enquanto Emma a segurava.

Regina desvencilhou-se dos braços de Emma e olhou para Neal e Belle.

– Se vocês querem ver Rumplestiltskin de novo, pulem nesse portal! – ela disse. – Ele não pode voltar a não ser que alguém o traga.

Os dois se entreolharam.

– Eu vou atrás do meu pai, Belle – disse Neal, segurando a mão dela. – Preciso ter certeza de que aquela bruxa má não irá feri-lo. Você vem comigo?

Belle pareceu hesitar por alguns segundos, mas assentiu.

– Sim. Vamos encontrar Rumple.

Emma e Regina abriram caminho para que os dois passassem. Antes de pular, Neal olhou para Henry.

– Eu tenho que ir, criança. Prometo que voltarei.

Henry assentiu.

– Boa sorte, pai.

Em seguida, eles pularam no portal. Assim que afundaram no redemoinho de luz verde, o portal desapareceu com um vento úmido forte, e o lugar onde ele estava voltou a ser apenas água.

– Finalmente! – disse David, do meio da multidão. – Estamos livres dela!

Emma sorriu, respirando aliviada. Se Wilma estivesse indo até Oz para perdoar o pai e ter uma família, seria ótimo. Se ela não estivesse, bem... Pior para ela. Rumplestiltskin certamente poderia se defender com facilidade.

Emma guiou Regina para perto da multidão, onde abraçou seu pai.

– Conseguimos, pai. Agora podemos ter um pouco de paz.

Ou foi o que Emma pensou, até virar-se para o mar e enxergar uma enorme figura negra surgindo no horizonte. Semicerrou os olhos. A figura misteriosa tinha duas asas enormes, que batia em direção ao porto.

Todos olharam assustados, e Emma abraçou Regina. Seu coração acelerava crescentemente, pois ela reconhecia a criatura.

“No instante em que eu estiver livre deste lugar, vou correr atrás da minha vingança. Contra você, Regina... E especialmente contra uma velha inimiga, Aurora.”

– Henry, fique conosco – disse Emma, e o garoto aproximou-se para se abraçar a mãe.

– O que diabos... Isso é um dragão? – ouviu Leroy dizer.

– É mais do que um dragão – disse Regina, parecendo atordoada enquanto olhava fixamente para a figura que se aproximava intensificando as ondas na água. – Essa é...

– Maleficent – completou Aurora, que estava a alguns metros dali, próxima a Mulan e a Phillip, que segurava um bebê. “Uma nova geração para destruir.” Emma estremeceu.

Quando o dragão chegou ao porto, pairando a poucos metros deles, chamas enormes foram expelidas de sua boca monstruosa. Todos gritaram, e o coração de Emma pareceu parar. Ela fechou os olhos, mas nada aconteceu. Abriu-os para descobrir que Regina criara uma barreira de proteção ao redor de todos no exato momento em que o fogo ia atingi-los.

Logo em seguida, uma névoa lilás encobriu o dragão, que desapareceu. A mesma figura feminina que Emma encontrara na gruta sob a biblioteca surgiu flutuando acima da água e pousou no cais levemente, frente à aglomeração de pessoas.

– Ora, ora. Que reunião adorável. – disse Maleficent, antes de lançar um olhar enojado a Regina.

– O que você está fazendo aqui? – rebateu ela, bruscamente, e Emma começou a temer que ela perdesse a calma.

Emma notou, apreensiva, que a proteção mágica de Regina se desfizera, enquanto Maleficent andava pelo píer, os saltos de seu sapato e seu cajado produzindo sons altos quando se chocavam contra a madeira.

– Estou reencontrando minha melhor amiga, é claro – respondeu, sorrindo para Regina. – Ficamos tempo demais sem nos ver, não acha? Eu pensei em te visitar algumas vezes, mas... Ah, é mesmo. Eu estava confinada em uma caverna da qual não podia sair.

Regina parecia levemente desconcertada.

– Olha, eu... Eu sinto muito por ter te trancado lá. E por ter roubado a maldição de você.

– Desculpas não são o suficiente – retrucou a feiticeira, deixando sua fúria transparecer. – Desculpas não vão repor as três décadas da minha vida que eu perdi. Traidores merecem punição.

Ela chegou mais perto, e Regina estendeu os braços na frente de Emma e Henry.

– Não se aproxime deles! Isso é entre nós!

Maleficent riu.

– Com medo de que eu vá machucar a sua nova familiazinha? Não se preocupe. Não vim aqui para isso. Pelo menos... Não hoje.

Ela andou lentamente até Aurora e Phillip. Mulan sacou uma longa espada sabe-se lá de onde e apontou-a para Maleficent, tocando o queixo da bruxa com o metal.

– Fique longe dela – ordenou, com firmeza.

Maleficent, entretanto, parecia tranquila.

– Pode abaixar essa espada. Não lutaremos hoje. Mesmo porque este tipo de arma humana não representa a menor ameaça para mim.

Mulan abaixou a espada, mas manteve-a na mão direita. Todos olhavam atentos, respirando pesadamente, como se qualquer som ou movimento brusco pudesse desencadear em algo terrível.

– Há quanto tempo não vejo vocês dois – disse, olhando para a princesa e seu príncipe. – E que bebê fofo! Vamos torcer para que ele não sofra o mesmo que os pais sofreram quando eu... Voltar aos negócios.

– Você teria que me matar antes de machucar essa criança! – ameaçou Mulan, estendo os braços ao redor dos três exatamente como Regina fizera segundos antes. – Eu vou proteger Aurora e sua família com a minha vida se for preciso.

– Mulan está certa. Você não vai se aproximar de nós novamente – disse Aurora.

As duas se olharam por alguns segundos e sorriram. Emma notou que havia um brilho nos olhos de Mulan quando ela sorriu para Aurora, como se algo nela reluzisse... Amor?

– É uma bela demonstração de amor por parte da senhorita – disse Maleficent, afastando-se deles. – Mas você não pode proteger sua namorada de mim.

– Ah... Ela não é... – interveio Phillip, e os três começaram a se explicar ao mesmo tempo, parecendo bastante desconcertados. Emma poderia rir se a situação não fosse tão amedrontadora – Phillip claramente não sabia dos sentimentos que Mulan nutria por sua esposa, e que qualquer um poderia perceber.

– Oh, sinto muito pelo equívoco – desculpou-se a feiticeira, e voltou a se afastar deles. – Por falar em amor, vocês não viram meu pet, viram? É um unicórnio negro extremamente belo... Sumiu há dias. Você o conhece muito bem, é claro, Aurora.

Aurora respondeu com um olhar cortante, e Emma ficava mais confusa a cada segundo.

Regina conjurou uma bola de fogo na mão direita.

– Acho melhor você ir embora agora se não quiser se machucar seriamente – disse, de forma firme e ameaçadora. Ao mesmo tempo, David empunhou sua arma e apontou-a para Maleficent.

No entanto, a vilã conseguiu desfazer a bola de fogo e jogar a arma ao chão com um rápido movimento da mão esquerda.

– Quem diria... A Rainha Má defendendo uma criança e uma amada – disse, olhando para Emma e Henry em tom de deboche. – Eu não sabia que você gostava de mulheres dessa forma, mas é claro, você é uma caixa de surpresas. Algumas não tão agradáveis. Mas não se preocupe... Não vou feri-los hoje. Vim aqui apenas para... Mostrar-lhes um pouco do meu poder e deixar-lhes avisados. Porque eu gosto de uma luta justa. Estejam cientes de que Storybrooke está prestes a presenciar toda a magia da Senhora do Mal. Porque ninguém fica no meu caminho quando eu quero vingança.

Em seguida, ela bateu o cajado de madeira com força no chão, que chegou a estremecer levemente. Todos eles foram envolvidos por uma névoa verde estranhamente desagradável que subia do chão e os impossibilitava de enxergar o que estava acontecendo, enquanto Emma ouvia algo sibilando em seus ouvidos, uma voz estridente... “Te vejo em breve.” Assustada, ela se perguntou se alguém mais estaria ouvindo.

Quando a névoa se dissipou alguns segundos depois, todos eles estavam ofegantes, e encarando as ondas fortes que se erguiam adiante. Sob o cheiro da maresia, seus olhos encontraram os de Regina novamente no meio da confusão, e Emma piscou pesadamente.

– Então, Regina... Acho que tem algo que eu me esqueci de te contar.

– O quê? Você sabia sobre isso?

Emma forçou um sorriso desconcertado, e Regina encarou-a com os olhos semicerrados em total desaprovação.


***


Sentada em uma mesa ao Granny’s com Henry, Regina e os pais, Emma contava a eles, lentamente, tudo o que havia acontecido quando ela descera até o subsolo da biblioteca para tentar quebrar a maldição. Contou-lhes que havia libertado Maleficent de sua forma bestial em uma tentativa inconsciente de aprisioná-la, e que havia permitido que ela saísse da caverna ao quebrar a maldição.

– E por que você nunca me contou isso? – perguntou Regina, com um tom de voz desagradavelmente frio.

– Sinto muito, Regina – desculpou-se, tocando sua mão com uma expressão quase propositalmente suave demais. – Havia tanta coisa acontecendo, e eu não queria te preocupar ainda mais...

– Bem, por causa disso, agora nós temos uma preocupação ainda maior – ela rebateu. — Se eu soubesse antes, talvez eu pudesse ter procurado por ela e impedido-a de...

– O importante aqui – interrompeu Mary Magaret. – é discutir o que faremos agora. Temos uma nova ameaça às pessoas da cidade. Então, como lidaremos com ela?

Regina, Emma e David se entreolharam, esperando que algum deles respondesse àquela pergunta, enquanto Henry estava mais preocupado em devorar seu sanduíche natural.

– Nada, eu acho. – disse David, por fim.

– O quê? – indagaram as três, em uníssono.

– A senhora de todo o mal quer vingança e nós não vamos fazer nada? – questionou Regina, incrédula.

– Bem, obviamente nós iremos ficar de olho em você, Emma e Henry, e na família de Aurora. Você pode colocar um feitiço de proteção ao redor de sua casa, Regina, e eu posso escoltar a casa de Aurora e Phillip, mas... Fora isso, nós acabamos de sair de um período incrivelmente estressante para todos nós. Não acho que devemos nos preocupar tanto novamente.

– Então nós vamos descansar com um olho aberto e outro fechado? – perguntou Henry.

– Basicamente. A não ser que vocês sugiram outra coisa. – respondeu ele.

Mas ninguém mais parecia capaz de pensar em qualquer outra coisa. David estava certo. Eles estavam cansados.

– Bem... – pronunciou-se Regina – Se Baelfire e a traça de biblioteca conseguirem trazer Rumplestiltskin de volta, nós realmente não temos com o que nos preocupar.

– E se eles não conseguirem? – supôs Snow.

– Eu derrotei Maleficent uma vez. Tenho certeza de que posso fazer isso de novo.

David assentiu, e eles continuaram em silêncio por alguns minutos, até que Regina se levantou.

– Eu provavelmente devia ir agora. Muito trabalho na prefeitura. – ela disse, e Emma percebeu, triste, que ela não estava chamando-a para ir embora junto.

– Mas é sábado! – protestou.

– Eu deixei meu trabalho se acumular esta semana, querida. E ainda tenho que cuidar da proteção da casa – explicou ela.

– OK. Estarei em casa logo. – respondeu Emma. Em seguida, levantou-se para beijá-la na bochecha.

– Você não está brava comigo, está? – cochichou em seu ouvido.

Regina sorriu timidamente.

– Como eu poderia? – sussurrou de volta.

Elas riram, e Henry se levantou para acompanhar a mãe.

– Eu vou com você. Te vejo mais tarde, Ma – disse, beijando Emma na bochecha.

Emma sentou-se enquanto olhava os dois saindo.

Ela ficou sentada com os pais por algumas horas, bebendo cerveja e conversando sobre suas vidas. David parecia bastante interessado em saber como era sua convivência com Regina e em como elas haviam conseguido superar tantas desavenças, ao que Mary Margaret respondeu que “o amor supera tudo”.

Eles pareciam estar lidando bem com a escolha dela, mas o mesmo não podia ser dito dos outros habitantes de Storybrooke. Emma ainda ouvia comentários carregados de repúdio e intolerância aonde quer que fosse.

“Isso é um absurdo. Elas são mulheres, como podem estar juntas?”

“Mas elas são tão bonitas, e havia tantos caras interessados nelas...”

“Como Henry pode ter um crescimento saudável convivendo com essa loucura? Não é natural.”

“Acho que Emma só quer enlouquecer os pais.”

“O que elas estão fazendo é repugnante e uma afronta a tudo o que é certo.”

Coisas desse tipo tornaram-se tão familiares aos seus ouvidos que, a partir de certo momento, era como se não fossem nada além de ruídos do ambiente, como o vento ou o cantar dos pássaros. Ela não entendia porque as pessoas viam o amor delas como algo tão errado e abominável. Regina tinha mudado tanto, e, no entanto, eles ainda sentiam a necessidade de julgá-la por algo. Mas Emma não se importava.

Bem, havia alguns momentos em que ela ficava realmente entristecida por tudo aquilo, mas nada era o suficiente para abalar sua decisão de manter-se ao lado de Regina para sempre. Amar era mesmo doloroso, concluíra. Mas também era maravilhoso. O mais simples sorriso nos lábios de Regina era capaz de apagar um milhão de comentários maldosos de sua mente.

E, além disso, seus pais estavam aceitando muito mais facilmente do que ela havia esperado; ela não precisava se importar com a opinião de mais ninguém.

Se ela conseguia lidar bem com a negatividade das pessoas, Regina, por outro lado, algumas vezes explodia e disparava insultos e frases raivosas em resposta aos burburinhos que as acompanhavam. Talvez por causa disso, ou talvez porque eles estivessem começando a perceber a própria estupidez, os comentários intrometidos foram diminuindo consideravelmente até cessarem de vez. Agora, as pessoas se limitavam a lançar-lhes olhares fechados ou sorrisos forçados que provavelmente escondiam as mesmas ideias que eles antes diziam em voz alta – mas, honestamente, quando se tem uma rainha e prefeita como namorada e o melhor aluno da classe como filho, quem liga para a opinião alheia?

Sua vida com Regina não era um mar de rosas; longe disso. Algumas vezes, comentários mal calculados e provocações inconscientes vindas de ambos os lados doíam como farpas. Mas, quando isso acontecia, bastava pensar por um segundo em como seria viver longe dela para que Emma percebesse que, pela primeira vez na vida, ela estava genuinamente feliz. Com todos os altos e baixos. Henry precisava delas, e elas precisavam tanto dele quanto uma da outra.

Ela estaria ao lado dela sempre. Mesmo que Regina a magoasse às vezes, e vice-versa. Porque, depois de tudo o que haviam vivido juntas, Regina a conhecia como ninguém. Porque somente Regina sabia exatamente o que fazer para alegrá-la e fazê-la se sentir melhor após um dia péssimo. Porque sentar-se com ela para ajudar Henry com seus deveres de casa, e outras coisas do tipo, fazia Emma se sentir estranhamente completa e satisfeita como nunca estivera antes. Porque, apesar de não estarem livres de ameaças, dormir ao lado de Regina permitia que ela dormisse em paz como nunca o fizera antes. Porque fazer Regina sorrir com coisas simples era melhor do que satisfazer a si mesma. Porque Emma se apegara ao cheiro de Regina como era apegada à própria vida – e porque vê-la em risco era a única coisa que a fazia questionar esse apego. Porque ela ainda se apaixonava pela mesma pessoa todos os dias, e seu amor por Regina, com todas as suas qualidades e defeitos, aumentava a cada segundo.

Alguns dias após os acontecimentos do cais, Emma estava incrivelmente exausta devido a uma noite repleta de filmes de ação na TV, pizza e refrigerante sugerida por Henry. O garoto acabou adormecendo no sofá entre elas, e Emma levou-o até o seu quarto – mesmo que ele provavelmente já fosse velho demais para isso.

Regina seguiu-a, e ao deitar-se na cama, Henry abriu os olhos e esfregou-os, entre bocejos.

– Por que você me trouxe para a cama? Eu não estou com sono ainda.

– Não tente bancar o durão, mocinho – disse Regina. – Foi um dia cansativo e já está muito tarde.

Henry enrugou a testa, inconformado.

– OK, mas vocês podem contar uma história para mim?

– O quê? – indagou Emma. – Uma história? Você não tem cinco anos mais, garoto.

– E, além do mais, você já conhece todas as histórias imagináveis – acrescentou Regina.

– Bem... Talvez vocês possam inventar algo que não esteja no meu livro.

Regina parecia cansada, mas pensativa, quando Emma a encarou sob a luz suave do abajur.

– Bem, havia essa história que eu costumava te contar quando você era só um bebê... Você provavelmente não se lembra. Acho que pode ser hora de dar uma repaginada nela.

Emma não entendeu, mas lançou-lhe um olhar que dizia “Obrigada por assumir”.

– Era uma vez uma rainha – começou Regina, enquanto Henry ouvia atentamente. – Uma rainha que não queria ser uma rainha, mas isto foi decidido por outra pessoa. Uma rainha que sofreu muito por amor e queria um final feliz. Então, ela lançou uma gloriosa maldição que lhe deu tudo o que ela queria... Ou foi o que ela pensou. Ela surpreendeu-se ao descobrir que vingança não era o suficiente. Sua vida estava vazia.

“Então ela procurou por todo o reino por um garotinho para ser seu príncipe. E o encontrou. Mas, mesmo que eles vivessem felizes, esse ainda não era seu final feliz. A rainha e seu príncipe viviam em conflito, e a família deles não estava completa. Então o garotinho encontrou o que estava faltando.”

Ela olhou para Emma ao terminar esse trecho, e ela perguntou:

– Sua Majestade permite que eu incremente a história?

– É claro.

– Era uma vez uma Salvadora – arriscou-se Emma, tentando exercer sua criatividade ao máximo possível. – Uma salvadora que passou sua vida sozinha e sofreu por amor, também. Assim como a rainha, ela queria um lar, uma família e amor. Mas ela tinha um destino do qual não podia fugir. Ela estava destinada a acabar com a escuridão. Então o pequeno príncipe levou-a ao seu destino.

“No início, ela e a rainha viviam em guerra, sempre brigando para fugir de seus reais sentimentos. Mas, com o passar do tempo, a salvadora despertou na rainha sentimentos que ela havia enterrado há muito tempo. E a magia que elas faziam juntas era a magia mais poderosa de todas, porque era a magia do amor verdadeiro. E ela e a rainha perceberam que não precisavam brigar pelo príncipe – ao invés disso, podiam ser uma família.”

– A salvadora acreditou nela e lhe deu seu tão sonhado final feliz – não através de vingança, mas através do amor – interrompeu Regina — E as duas, que nunca haviam tido escolha, escolheram uma à outra. Porque o amor verdadeiro pode superar qualquer coisa. E a salvadora salvou a rainha de sua escuridão.

Regina tocou sua mão afetuosamente, sorrindo.

– E elas viveram felizes para sempre – concluiu Emma.

Era exatamente isso. Aquele era o seu final feliz.

Elas olharam para Henry, que já dormia profundamente. Regina beijou a testa do garoto, e Emma fez o mesmo.

– Boa noite, querido – sussurraram, e saíram do quarto.

– Foi uma bela história – observou Emma, enquanto caminhavam pelo corredor até o quarto delas.

– É, obrigada pela contribuição – respondeu Regina, e elas se beijaram antes de entrar no quarto.

Emma acendeu o abajur e elas se deitaram. Regina colocou uma máscara sobre os olhos enquanto estendia um braço por trás da cabeça e lhe desejava boa noite.

Emma olhou para ela. Regina usava uma camisola cinza e estava coberta pelos lençóis até a cintura. Emma conseguia ver o formato de seus seios sob o tecido escuro, e, subitamente, seu sono desapareceu.

Aproximou-se dela, distribuindo beijos molhados por toda a extensão de seu ombro e subindo até o pescoço.

Regina tirou a máscara que usava e olhou para ela de relance.

– Quer tirar o atraso? — perguntou.

– Com certeza – respondeu Emma, sem parar de beijá-la, enquanto Regina tocava seus cabelos.

– Ok. Vamos lá. Mas, desta vez... Eu quero comandar o show.

– Como quiser, majestade.

Emma abaixou-se e beijou seus lábios, agarrando seus cabelos e passando a mão direita ao redor de sua cintura conforme o beijo se intensificava, sua língua explorando todo o interior da boca de Regina. Sentia os seios de ambas ficando rígidos sob os tecidos que usavam, e levou a mão até a coxa de Regina, começando a levantar sua camisola, mas foi impedida pela mão dela, que a conteve.

– Eu disse que eu vou comandar o show – lembrou ela, interrompendo o beijo e sorrindo maliciosamente.

Regina desvencilhou-se de Emma e, descobrindo-se, saiu da cama.

– Fique aí – disse, e andou até a parede frente à cama. Levando as mãos à barra da camisola, começou a levantá-la lentamente, exibindo sua calcinha, seu umbigo e sua pele nua enquanto Emma, deitada, assistia.

– Céus, Regina, você quer me matar?

Enquanto se despia com movimentos lentos, Regina lhe lançava olhares provocantes, devorando-a com os olhos, e Emma aguardava impacientemente para satisfazer seus desejos. Mas, teve que admitir – ela até gostava daquela provocação.

Começou a desabotoar o pijama que estava usando e tirou suas calças – não estava usando sutiã, de modo que usava apenas uma peça de roupa quando Regina finalmente despiu os seios e, tirando sua calcinha, jogou a camisola ao chão.

– Abra suas pernas, Xerife Swan – ordenou Regina, ao que Emma obedeceu, livrando-se da calcinha.

Deitou-se sobre o travesseiro enquanto sentia a língua de Regina tocar seu clitóris sem aviso. Deixou escapar um gemido, ofegante e um pouco apreensiva com aquela situação completamente nova. Regina passava sua língua por toda a intimidade de Emma, e céus, como aquilo era bom.

Segurou os cabelos dela com firmeza enquanto sentia sua boca úmida acariciar lentamente e calmamente todos os lugares certos, sussurrando o nome de Regina e sentindo todo o seu corpo estremecer de prazer.

Continuaram assim por alguns minutos, até que Emma sentiu seu coração acelerar ainda mais e arrepios percorrerem sua espinha.

– Regina, eu... Eu vou...

Um enorme prazer tomou conta dela ao atingir o orgasmo, e ela olhou para Regina, que erguendo a cabeça, sorria para ela e lambia os lábios.

– Me saí bem, Srta Swan?

– Perfeitamente.

– Eu tenho mais algumas... Atrações em mente para esta noite.

– Ótimo – respondeu Emma – Porque eu já estou pronta para mais.

Regina deitou-se sobre ela e beijou-a intensamente, deixando-a sem fôlego. Emma envolveu seus braços ao redor dela, sentindo seus corpos se tocarem enquanto Regina acariciava sua barriga. Ela sabia exatamente para onde estava indo.

Quando interromperam o beijo para respirar, ela sentiu a boca de Regina tocar seu pescoço e seus dedos tocarem seu clitóris ao mesmo tempo, ambos suavemente.

Emma grunhiu enquanto suas mãos percorriam as costas de Regina, passando por suas coxas, seus glúteos e todas as partes que conseguia alcançar, mantendo-a colada a si.

Logo os dedos de Regina começaram a se atrever mais conforme ela preparava-a para a penetração, ao mesmo tempo em que começava a beijar os mamilos de Emma.

Emma não conseguiu conter um gemido alto quando Regina penetrou, fazendo movimentos rápidos e intensos para dentro dela. Foi um pouco desconfortável no começo, mas logo os longos e delicados dedos de Regina dentro de Emma lhe proporcionaram um prazer indescritível. Com a mão livre, Regina acariciava os seios de Emma enquanto as duas voltavam a se beijar profundamente.

A intensidade e a velocidade dos movimentos aumentaram, bem como o desejo de Emma. Regina voltou a beijar seu pescoço coberto de suor e Emma estendeu as mãos para tocar os seios firmes dela, massageando-os, sentindo a firmeza deles em suas mãos, e acariciando as costas de Regina...

Mais alguns minutos e ambas gemeram alto, atingindo o clímax quase ao mesmo tempo, pressionando seus corpos um contra o outro com força enquanto o prazer se espalhava por eles.

Regina deitou-se sobre Emma, abraçando-a e ainda respirando pesadamente.

– Você foi... Incrível – elogiou Emma, exausta.

– Você também.

Elas trocaram um selinho antes de Emma esticar-se para desligar o abajur. Cobriram-se com o cobertor, e Emma envolveu os braços e pernas ao redor dela.

– Boa noite, querida.

– Boa noite.


***



Em certo momento, Regina levantou-se e, incomodada com o frio, vestiu sua camisola novamente. No entanto, não foi o frio que a fez acordar inquieta algumas horas depois, quando ela abriu os olhos repentinamente e ofegou, acordando junto consigo uma Emma muito preocupada.

– Regina? – exclamou a loira, acendendo a luz. – O que aconteceu? Você está bem?

Regina olhou para ela, sem saber o que responder. Levou alguns segundos para compreender que o que acabara de acontecer fora apenas um sonho – Maleficent, e Henry gritando, e Cora, e o coração de Emma... Mesmo assim, havia sido um tanto perturbador.

– Eu... Eu vi minha mãe. E ela arrancava o seu coração, me dizia que eu estava sendo estúpida, e que o amor é uma fraqueza... E, Deus, você estava morta em frente a mim.

Emma puxou-a para perto e envolveu-a entre seus braços. Regina recostou a cabeça sobre o ombro dela, ainda atordoada, abraçando o corpo nu de Emma.

– Não se preocupe, querida – disse Emma, beijando sua cabeça e abraçando-a mais forte. – Foi só um sonho. Apenas um sonho. Estou bem aqui. Estamos bem.

– Mas foi tão real...

Ela afastou-se do abraço para encarar Emma.

– Emma, eu ando muito preocupada. Sobre Maleficent e sua ameaça. Você viu o quanto ela estava determinada a nos destruir?

– Eu sei, Regina. Eu tenho estado um pouco preocupada também. Mas nós temos uma à outra para nos proteger. E para proteger Henry. Há uma redoma mágica ao redor da casa, e ninguém pode tirar o nosso coração, se esqueceu? E, além disso... Como você disse, você já chutou a bunda dela uma vez. Sei que você é poderosa o suficiente para fazer isso de novo.

– Eu não sei, Emma. Ela é muito poderosa, e ela aprendeu com a última derrota. Está mais esperta desta vez. Ela pode tentar métodos que não conhecemos, ela pode...

– São várias possibilidades – interrompeu Emma, tocando sua bochecha carinhosamente, o que fez uma onde de tranquilidade correr por seu corpo. – E nós estaremos prontas para qualquer uma delas. Regina, nós salvamos nosso filho de um garoto imortal em uma ilha infernal, sobrevivemos a uma maldição que supostamente tinha um preço irreversível, quebramos outra maldição, e derrotamos a Bruxa Má do Oeste. Podemos lidar com essa última ameaça. Temos um monte de pessoas de olho em nós, e em Henry, e em Aurora... Não vamos deixar que isso estrague nossa nova vida juntas, ok?

Regina suspirou.

– Eu sei que não é certo sofrer antes da hora, mas... Eu só queria ter um pouco de paz.

– Eu também queria. Mas depois de tudo o que passei, eu percebi que... Talvez a paz não seja um estado de tranquilidade inquebrável. Talvez a paz consista em estar com alguém que te deixa tranquilo em meio ao caos. Ou talvez não, eu falo coisas muito estúpidas às vezes.

– Não é estúpido – discordou Regina, sorrindo e tocando sua mão. – Faz sentido. E, com você, Emma... Eu tenho paz.

Elas se beijaram carinhosamente por alguns segundos, e depois Regina levantou-se da cama.

– Acho que só... Preciso de um tempo para respirar – disse, aproximando-se da janela e apoiando-se no parapeito. – Sabe, colocar os pensamentos no lugar.

– Tem certeza de que está bem? – perguntou Emma.

– Sim. Pode dormir, querida.

Emma cobriu-se novamente e fechou os olhos. Regina virou-se para encará-la. Ela sorria enquanto dormia. Regina amava aquilo.

Deitar-se ao lado de Emma todas as noites e ser despertada por seus olhos verdes todos os dias ainda parecia surrealmente maravilhoso. O carinho que Emma tinha por ela, sua determinação, sua lealdade, seu sorriso e seu ar divertido... Tudo sobre Emma fazia Regina sentir-se incrivelmente bem. Depois de anos presa em um mundo de solidão e ódio, Emma lhe trouxera algo que ela não conhecia até então: Luz.

Olhou para as estrelas no céu da madrugada enquanto tentava afastar seus medos. Talvez Emma estivesse certa. Eles haviam enfrentado tanta coisa, e ela sempre mantivera sua cabeça erguida... Não podia se abater com aquilo. E, pelo menos, Maleficent era uma inimiga que ela conhecia e sabia exatamente como lidar.

Olhou para Emma mais uma vez. Para as feições que, durante tanto tempo, ela enxergara no rosto do filho numa época em que só queria esquecê-la ou odiá-la. Para o rosto no qual, durante anos, ela só conseguira enxergar a mulher que considerava sua pior inimiga – Snow White. Agora, graças ao perdão, o rosto de Emma ganhara um novo significado para ela – não era mais o rosto da mulher que a assombrava ou da filha de sua inimiga. Era apenas Emma. Sua Emma.

Regina notou que a jaqueta vermelha de Emma estava jogada ao chão. Apanhou-a e dobrou-a cuidadosamente. Regina tinha um apego secreto por aquela jaqueta, por seu cheiro familiar e por tudo o que ela representava. Sorriu, pensando na pessoa que se tornara. Nos últimos meses, não era apenas o seu relacionamento com a mãe de seu filho que havia mudado – Emma mudara seu modo de encarar a vida em todos os aspectos, e ela seria eternamente grata por aquilo. A vida sem ela era inimaginável. Seu amor por Emma surgira sem que ela percebesse e crescera como ela nunca pensara que poderia crescer.

Emma estava certa, concluiu, olhando para ela mais uma vez. Tinham que ser fortes. Elas conseguiriam enfrentar qualquer mal que os ameaçasse.

Afinal, eles eram uma família.

E famílias sempre dão um jeito.

Notas finais
THE END! caramba, não sei nem o que dizer... Escrever essa fic foi uma ótima experiência, fantasiar sobre Swan Queen é sempre bom e com certeza ajudou a melhorar minha escrita. Obrigado a todos que acompanharam e me incentivaram até aqui, espero que o final não tenha ficado muito piegas, rs. Acho que vou escrever mais fics, mas talvez demore um pouquinho até eu organizar minhas ideias... Enfim, foi ótimo escrever essa história pro melhor fandom de todos :') VIVA LA SWAN QUEEN
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!