Leo e a Busca por Grayton
16 Capítulo 16
Notas iniciais
A caverna desmoronou quando pisaram do lado de fora. Por pouco não conseguiram escapar, talvez Grayton tenha ajudado um pouco nessa parte.
Ninguém tinha percebido a presença de Scott ao lado de Grayton, a não ser Leo. Ele atacou Scott e o mandou longe, Leo ia correr atrás dele, mas Grayton o impediu:
–Deixe, está tudo sob controle meu jovem. Ele não vai a lugar algum – Grayton estalou os dedos e Scott apareceu flutuando ao seu lado.
–TEMOS QUE MATÁ-LO, ELE QUASE NOS MATOU, ELE NOS TORTUROU! – gritou Leo furioso.
–Eu sei o que ele fez, mas acredite, não vale à pena.
Leo não deu atenção à Grayton e fez Scott sentir a mesma dor que ele fizera Leo e Emily sentir. Leo não teve pena quando o ouviu gritar, pelo contrário, sentiu-se feliz e vingado depois de mais algumas torturas.
–Sei que está nervoso Leo, mas a culpa não é dele. Christian, a culpa é de Christian que ensinou essas coisas horríveis a ele.
Leo continuava furioso, mas concordou com Grayton e se afastou de Scott deixando-o com lágrimas nos olhos.
Os Dixens que estavam na caverna, agora flutuavam sobre os destroços da caverna. Todos tinham se esquecido dele, ninguém se importava.
–Agora Scott, devolva esses Dixens para o lugar deles – disse Grayton pacientemente.
Os Dixens foram desaparecendo aos poucos até que sobrasse só um. Christian, ainda flutuava no mesmo lugar.
–Ele também! – disse Grayton.
–Mas ele é meu pai! – resmungou Scott.
–Ele era seu pai, ele está morto e não há nada que você possa fazer pra mudar isso. Nada mesmo. Esqueça tudo o que seu pai lhe ensinou tudo bem? Nem tudo é poder, existem coisas mais importantes.
–Espera mesmo que eu acredite em você, seu velho idiota. Não diga uma palavra contra meu pai, ele não tem nada a ver com isso. Você se acha muito melhor que os outros Grayton, mas está errado e não me arrependo do que eu fiz. Honrei meu pai do jeito que pude, tenho certeza que ele estaria muito orgulhoso de mim, mesmo que eu não tenha conseguido, ele não se importa, não exigia mais do que a minha capacidade.
–Também tenho certeza que ele estaria orgulhoso, mas agora deixe ele ir, o lugar dele não é mais aqui entre nós.
–NÃO!
Grayton queria resolver as coisas com sensatez, mas Leo não. Estava nervoso e torturou Scott mais uma vez gritando:
–FAÇA O QUE GRAYTON MANDOU SEU IDIOTA OU VAI SER PIOR PRA VOCÊ!
–NÃO! — repetiu Scott em resposta.
Leo continuou a torturá-lo sem piedade. Os gritos dele ecoavam pelas colinas verdes que cercavam a caverna destruída. Nada o fazia parar nem os gritos de alerta de Grayton. Scott resistiu bastante, mas finalmente cedeu dizendo:
–TUDO BEM, EU FAÇO!
Christian sumiu no ar como os outros. Leo caiu no gramado fofo da colina em que estavam e se juntou a seus amigos que estavam sentados ali descansando desde que escaparam da caverna, os feitiços de tortura exigiam muito do feiticeiro que os praticava. Grayton não admirava o que Leo fez, mas no final ele acabou conseguindo.
–Agora Scott, a adaga – pediu Grayton educadamente.
Scott ia recusou-se a entregar a adaga para Grayton. Leo simplesmente levantou sua varinha como se fosse torturá-lo novamente e Scott entregou-a de má vontade.
Grayton estalou os dedos de novo e Scott desapareceu no ar como os Dixens.
–Pra onde o mandou? – perguntou Leo.
–Pra junto do pai dele, não é isso que ele queria?
–Então, você o matou?
–Não. Não seria capaz de fazer isso. Esse foi mais dos meus truques, ninguém precisa morrer pra ficar trancado com Dixens, pelo menos, não agora.
–Você deveria tê-lo matado!
–Vocês pensam que a morte é o pior castigo, mas estão errados. A morte seria muito pouco para o que Scott fez. Imagine, um vivo trancado junto com espíritos mortos, isso não é torturante o bastante pra você?
–Parece que sim – disse Leo concordando com Grayton, este parecia ser um castigo terrível.
Ficaram sentados ali por um bom tempo descansando, até Grayton se sentou junto com eles. Ficaram em silêncio, tinham muitas coisas pra perguntar a Grayton, mas o cansaço os impedia.
–Estou muito feliz por ver vocês. Já estava chegando ao meu limite – disse Grayton depois de um tempo considerável.
–Também estamos felizes – disse Emily.
–E quanto a mim, estou honrado de conhecê-lo! – disse Leo.
–A honra é minha! – respondeu Grayton – Você é um garoto especial, foi uma decisão difícil pra mim ter que abandoná-lo, espero que não tenha ficado com raiva de mim por causa disso.
–No começo foi dureza, mas acho que consigo entender agora – disse Leo.
–Isso é ótimo – disse Grayton alegremente – E como era lá no orfanato? Cuidaram bem de você? E como vai a Sra. Lily, ela parecia ser uma boa moça.
–Sim, ela era uma boa pessoa, cuidou muito bem de mim – respondeu Leo tristemente ao lembrar de Lily.
–E por está triste?
–É que... bem... Lily morreu. E... por minha culpa.
–Sinto muito – disse Grayton penosamente – Mas não se culpe, jamais faça isso garoto. Me culpei muito pela morte dos seus pais, acredite isso não faz bem. Além do mais, se Lily morreu foi porque ela tinha que morrer, todos têm sua hora de partir, Leo. Fui tolo de não perceber isso antes.
Leo deu um sorrisinho de obrigado, Grayton pareceu entender o significado dele, pois retribuiu o sorriso. E virando-se para Emily que estava a seu lado disse:
–Me desculpe... eu não queria discutir com você aquela hora.
–Shhhh – interrompeu Emily – Não precisa falar nada.
Emily se aproximou da boca de Leo e a beijou. Leo foi ao céu, estava todo sujo e suado, mas nunca se sentira tão bem. O beijo parecia durar uma eternidade, e Leo desejou que durasse. Estavam todos olhando pra eles, Leo não se importava, se sentia ótimo. Quando Emily afastou seus lábios dos dele, Leo voltou a Terra e a primeira coisa que vira depois dessa viagem de alguns segundos foi o sorriso de Emily, não tinha coisa mais bonita então Leo retribuiu como fizera Grayton segundos atrás.
Mike se sentiu muito feliz pelo amigo, finalmente ele conseguira. Mas ao mesmo tempo se sentira infeliz, ele também queria uma namorada.
Grayton ria felicíssimo murmurando de vez em quando:
–O amor é lindo, o amor é lindo.
Leo e Emily ainda sorriam um para o outro, tentando esquecer do momento em que tinham que se separar. Mas Mike teve que interromper dando uma tossidinha envergonhada.
Eles se levantaram exibindo seus dentes brancos pra todos.
–Acho melhor voltarmos! – disse Grayton porque nenhum dos dois conseguia dizer nada.
Assentiram com um movimento da cabeça. Grayton pegou a adaga que depositara no gramado e a passou no ar murmurando aquelas palavras esquisitas e o portal para o mundo real materializou-se na frente deles.
Grayton, Mike, Leo e Emily de mãos dadas entraram pelo portal e apareceram no quintal de flores murchas da mansão de Grayton. O buraco da porta ainda estava lá, mas de alguma forma os vizinhos não pareciam notar. Foi Mike quem perguntou:
–Eles não percebem que não tem porta aqui?
–Acho que nunca te contei, minha mansão... quero dizer, nossa mansão é enfeitiçada. Nossos vizinhos e as outras pessoas normais não a enxergam como nós enxergamos.
Ninguém fez nenhuma observação sobre isso.
–E agora? – perguntou Leo – Terei que voltar ao orfanato?
–Só se quiser, porém, acho que seria mais sensato de sua parte vir morar aqui conosco – respondeu Grayton.
Leo sorriu e acompanhou Grayton quando ele abriu a porta da mansão.
–AH, já estava com saudades daqui! – disse Grayton quando entrou – E... onde está Sammers?
–AH, sobre isso... não sabemos onde ele está, achamos que ele morreu – disse Emily envergonhada.
–Bobagem. SAMMERS! – gritou Grayton.
A bola de pelos gorda apareceu miando da cozinha.
–Como pode? – perguntou Emily indignada – Nós viemos aqui e ele não estava.
–Ele é mais esperto do que parece, não é mesmo? Você vai ter que aturá-lo por mais algum tempo – disse Mike para provocá-la.
Emily bufou de raiva, não queria ver mais aquele gato gordo e imbecil de novo. Até parece que ele gosta de irritá-la. Mas Emily se lembrou de quem estava segurando sua mão e de como tudo ia ser diferente dali para frente, ela e Leo seriam muito felizes.
Os quatro se abraçaram como uma família.
–Esse momento merece uma foto – concluiu Leo.
–Não temos uma máquina – disse Emily
–Quem disse que não temos? – respondeu Leo com uma câmera fotográfica na mão que acabara de conjurar. Mas ela soltava fumaça e algumas faíscas, com toda a certeza ela não funcionaria.
–Parece que tem muito o que aprender – disse Grayton rindo da máquina inutilizável de Leo e segurando uma que ele mesmo conjurou com perfeição.
Grayton a levantou no ar magicamente e se juntou a Mike, Emily e Leo numa pose. A máquina soltou um “click” baixinho indicando que a foto tinha sido tirada. Eles se aproximaram da máquina pra ver a foto que ficou ótima.
–Parece que essa foto vai ficar pra história – comentou Grayton com um sorriso de satisfeito no rosto.
–Com certeza – disse Grayton – Tudo vai ser como era antes ou até melhor. Ficaremos felizes e se alguma coisa acontecer estaremos unidos dessa vez.
E aos poucos a vida voltou ao normal. Os três iam pra escola juntos e os garotos pararam de zombar de Leo e Mike nos corredores da escola. Visitavam o orfanato de vez em quando e levavam presentes pra todas as crianças, elas estavam sendo muito bem cuidadas por Rick que casara com uma mulher chamada Sarah Levesque depois de ter conseguido esquecer Lily. Mike também se arranjou com outra garota chamada Melissa, ela era da escola deles e Mike se sentia muito feliz com ela, assim como Leo e Emily que não se separaram ou brigaram outra vez.
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