Leo Valdez & A Caçada Ao Monstro De Metal
4 Cap. 3:Tempestade, chama e cereal arrumam empregos
As invenções de Leo quase nunca falhavam. QUASE nunca. E desta vez, o quase fizera o trio se perder pelas ruínas do labirinto. E como Melissa explicou na última hora que suas magias funcionavam apenas em terrenos férteis, Thalia tivera de invocar raios em um local fechado para triturar formigas cuspidoras de ácido.
- Desculpem, — Repetiu Leo pela segunda vez. — Não esperava que a bússola fosse quebrar quando estivesse no labirinto. — O semideus abriu o portão, deparando-se com um estreito corredor. — Devemos parar aqui?
Thalia assentiu, empurrando o garoto pelas costas. Os três se espremeram por aqueles corredor enferrujado. Melissa verificou a mochila para ver se não havia perdido nenhuma figurinha ou carta. Thalia limpava o sangue dourado na ponta de suas flechas que restavam.
- Por onde acham que devemos ir agora? — Perguntou Leo. — Você não tem um faro aguçado, Thalia?
- Com tantos locais, é difícil farejar algo. — Resmungou a garota. — Gostaria que o resto do grupo estivesse aqui.
- É... ia ser bem divertido. — O sorriso malicioso do menino zangou Thalia. — Várias garotas neste corredor comigo...
- Queria ver esse sorriso na sua cara quando tivesse uma flecha cravada no seu. . .
TUM! TUM! TUM!
O trio olhou para cima. O teto começou a tremer novamente e alguns pedaços metálicos caíram. Agora que o filho de Hefesto tinha a cabeça mais calma, conseguia sentir as engrenagens movendo-se acima dele. Giravam, rodavam, conectavam-se. Ferros e máquinas de diferentes formas e tamanhos com funções inusitadas.
- Estranho. Achei que não deveria ter nada funcionando por aqui?
- Como assim funcionando? — Perguntaram as garotas, o olhando como se ele estivesse louco.
- Máquinas em cima de nós.
- Você sente máquinas? — Melissa perguntou, pegando uma carta do bolso. A carta lembrava muito uma série que Leo assistia quando pequeno com sua mãe. — Não tem nada aqui na sua carta. Só tem habilidades "Pirocinese" e "Aptidão Mecânica Avançada".
- Pelo amor de Zeus, será que pode parar de ver estes cartões? — Thalia grunhiu. — Leo, sabe como chegar lá? Pode ser uma pista para termos uma noção de onde estamos.
- Não sei. Parece uma linha de montagem. Só que multiplicada por mil. Quem iria produzir tantos produtos assim?
Melissa arregalou os olhos, com um sorriso bobo.
- Olhem, não falei nada por que achei que eram boatos. Mas é! É aqui que vem minhas encomendas!
- Quem encomendas? — Perguntou Thalia.
- Cards, Ambrosias de todos os sabores, Néctar em lata, — A semideusa continuou a falar vários artefatos e objetos. — A fábrica Dele! Até por que, esqueci de dizer que não precisaria da encomenda hoje a noite. Espero que ele não fique zangado.
- Ele quem!? — Perguntou Thalia, perdendo a paciência.
* * * * * *
Hermes! Onde estão os ratos que você prometeu?, indagou George, tremendo a imagem que era na caneta esferográfica. Estou com fome. . .
Você sempre está com fome., Queixou-se Martha. E o senhor "estou muito ocupado com esta encomenda idiota e nem aí para meus assistentes mais poderosos e leais" está ocupado demais!
- Vocês estão reclamando demais hoje. — Queixou-se Hermes, usando a caneta onde as cobras sibilavam irritadas para rabiscar em formulários da prancheta que segurava. — A semideusa já pagou vinte e seis dracmas adiantados! Onde ela consegue tudo isso, quem liga? Pelo menos comprei este terno novo. O que acharam?
Nada mal, combina com a calça social, elogiou Martha.
Melhor que ela, o que será? Ah, sim. Ratos!, George fez a caneta tremer com seu sibilo furioso. Hermes quase borrou seu nome.
- Cuidado. Tenho que me concentrar. No momento estou em uma reunião com Zeus e ajudando uma filha minha de em um país da América do Sul. Também dando um conselho para um filho de Apolo em uma missão.
O deus começou a caminhar dentre as fileiras de produção, onde formas fantasmagóricas de operários preparavam animadamente os produtos encomendados pelas garotas. Em menos de meia hora, teria todas as embalagens completas.
Transformou a caneta em telefone, avaliando a lista de mensagens. Reclamações de Deméter, recados de Afrodite... solicitação de emergência?
- Martha, o que é isto? — Perguntou curioso.
Parece que nosso mensageiro júnior não encontra a localização da campista, a cobra se transformou em uma antena vermelha.
- O que? Novatos... Mande...
O entregador sênior. Acabei de enviar, Martha confirmou. Nada. Parece que ela não está em nenhum local do acampamento combinado. A entrega não pode ser feita.
- O que!? Quero que veja onde ela está! Sabem o que significa meu slogan, não sabem?
George apareceu na tela do celular, a parte de ser um dos deuses mais atraentes nos negócios?
- Não. O oficial.
Ah, claro, concordou a serpente. Hermes $.A, entregas em menos rápidas em menos de um milênio. Bah. Quero ratos.
Achei! Não pode ser. Ela está bem perto. Martha tremeu o telefone. Muito perto. Muito, muito perto.
- Aonde!?
Uma explosão surgiu na parte sul da imensa fábrica fechada. As luzes piscaram de forma descontrolada. As linhas de montagem travaram devido a parada das máquinas. Os operários começaram a reclamar que a entrega sairia atrasada.
As serpentes imediatamente se tornaram um caduceu, em quanto o paletó do deus virou sua habitual toga.
- Ninguém atrasa minha produção. — Hermes teve uma cor acinzentada em suas íris. — Muito menos me faz vestir essa toga ao invés do meu atraente terno, que aliás, ficou mesmo muito charmoso!
* * * * * * *
- Um gigante? Fala sério! — Thalia lançou novamente uma flecha, esta com gases venenosos envoltos. — O labirinto está quase que totalmente destruído e mesmo assim cabe um gigante de dois metros!
A flecha acertou o peitoral do monstro que corria atrás dos jovens usando apenas um roupão avermelhado. Com o cheiro, o monstro espirrou e fez Melissa cair para frente.
Leo continuava a explodir as paredes em volta, forçando seus músculos a aumentarem as chamas. Atirava por onde o gigante vinha com o intuito de fazer a fera ficar soterrada em ruínas. Afinal, gigantes eram imunes a fogo, não a pedras.
- Oba! Filha de Deméter para o jantar! — O gigante pegou Melissa pela mão, sorrindo desdenhoso. — Ah...
Quando o gigante abriu a boca, Thalia não exitou em lançar sua última flecha que explodia ao tocar em uma superfície que não fosse a aljava. Ao mesmo tempo Leo lançara uma esfera flamejante no teto que fez um quadrado de ferro cair. Flecha e ferro debateram-se na boca do gigante, que explodiu em sangue dourado.
Melissa caiu no chão, mesmo assim sorrindo.
- Uau! Nunca iria imaginar que vocês fossem como as lendas. São tão... tão...
- Irresponsáveis.
- Sim, irrespon.. o que? Quem...?
Diante do trio que se reunira naquela plataforma de metais (o gerador da usina e fábrica do deus), Hermes os encarou.
Os olhos acinzentados exalando ódio e fúria, o cetro expelindo uma aura dourada de destruição que causaria explosão fatídica ao menor contato. As sandálias aladas (que Leo chamava de "sapatos de pombo") ferviam a plataforma de metal.
- Vocês estão fe... — O deus interrompeu a frase, vendo Melissa sorrir alegremente. Tinha nas mãos uma mochila aberta com diversas figurinhas e um álbum. — Santa coincidência! Minha compradora número um!
O terno logo estava no corpo do deus, sorrindente. George e Martha enrolados em um cinto, saboreando-se com ratos. Leo e Thalia se entrelharam, e ao piscarem, estava no andar de baixo vendo a fábrica funcionar normalmente.
- Uma missão surpresa, suponho. — Hermes perguntou, e Melissa concordou com a cabeça. — Tudo bem. Obrigado por pagar adiantado. Sendo assim, acho que posso dar um desconto para os três.
- Desconto? — Leo perguntou. — Não compramos nada.
- Não. Mas estragaram. — O sorriso de Hermes de desfez. — O gigante era meu porteiro. Devia estar dormindo, suponho, por isso o roupão. E agora está no Tártaro. Pararam minha produção por treze segundos, ou seja, atrapalharam a encomenda de Hefesto.
- E como pagamos...? — Thalia teve medo da resposta.
- Simples. Trabalhem aqui por um dia. Vou dar apenas uma tarefa para vocês e depois podem sair. Basta irem nos fundos, ali nos depósitos. Matem as aranhas que estão lá e deem uma faxina básica. Cuidado. O galpão tem três metros.
Thalia engoliu em seco.
- Mais alguma coisa? — Leo se desanimou, lembrando os quatro dias que tinham para caçar o monstro.
- Sim. Obrigado por lembrar. Espero que não se importem, mas além da faxina e matar as pequenas aranhas, preciso que eliminem a criadora. Se não me engano, espíritos demoníacos das plantações se instalaram nos fundos. Cuidado, filha de Deméter, acho que vão querer comer sua carne. Seja como for, boa sorte.
Dizendo isto desapareceu em neblina, deixando os três semideuses boquiabertos. Leo tentou abrir o sorriso, positivo:
- Muito bem. Quem está pronto para uma limpeza mortal?
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