Lendas de Valét

1 Lendas de Valét - Canto 1


Notas iniciais
Esse original está concorrendo ao concurso literário "batata de ouro" na página do facebook "batata crítica". Caso se interessar, vá lá dar uma olhada... A história ainda estará aqui quando você voltar hahah xD

LUCIANO V. VALENTINE

LENDAS DE VALÉT

“Há muito esquecido,

O casamento explosivo,

Poucos se relembram da noite macabra,

A trágica noite em que a princesa Agatha fora sequestrada,

Ainda assim há males que vêm para o bem,

Pois de seu famoso resgate surgiu o príncipe de Mérem,

E em seu legado devemos nos recordar,

Que em nenhuma outra raça podemos confiar”.

A luz dos lustres resplandecia junto dos abajures o local em que estiveram, uma mesa retangular larga abrangera diversas pessoas ao seu redor, entre elas um homem de cabelos grisalhos penteados para trás de tal modo que disfarçara sua volumosa cabeleira; e ao topo dela uma majestosa coroa diamantada com retalhos de belas pedras avermelhadas de rubi; trajava um longo sobretudo azulado que ao seu topo seria completamente felpudo com peles de ursos do gelo, abaixo de seu manto escondera sua robusta armadura platinada.

— Sejam bem-vindos cavalheiros – Disse o tal homem que ostentara sua coroa brilhante – Sei que alguns de vocês vieram de bem longe. Assim sendo, espero que sua estadia em Glassty seja digna da mais alta qualidade, mesmo com os devidos acontecimentos recentes – Terminou, em um singelo sorriso que logo se tornara complacente pelos convidados ao seu redor.

Um dos homens que se acomodara na mesa levantou-se em ímpeto e semicerrou seu olhar de soslaio à suas laterais e então arregalara seus olhos franzindo parte de sua testa afim de fintar o rei, ainda com um sorriso idiota em sua face não tão sóbria aparentemente.

— E vossa majestade pensa que eu me sujeitaria a perder o casamento da princesa Agatha por causa de monstrengos rebeldes? – Agarrara a taça dourada próxima de seu canto da mesa e a levantara acima de sua cabeça – Um brinde à princesa Agatha Evenonn e seu prometido príncipe de Mérem, Sir Gabriel Zandra – Apontara sua taça de modo vacilante à um homem de pouca barba em compensação ao seu longo e desajeitado cabelo castanho ondulado que trajara uma pontuda armadura dourada – E por último, um brinde ao senhor Rei Teigon, o mais justo de todos – Todos ao redor ergueram suas taças e brindaram em urro.

— Só há bêbados aspirantes à filósofos em festas assim – Sussurrou em seu ouvido o homem ao lado de Gabriel, aparentava ser mais jovem e trajara uma armadura mais leve dourada; seus cabelos curtos e raspados à lateral o diferenciava com facilidade do homem perto de si – Como você consegue lidar com isso sempre, não faço a mínima ideia.

— Pode parar de resmungar, afinal você é meu irmão e tem a obrigação de estar alegre em meu casamento – Jogou-o uma piscadela.

— É mesmo? Então por que diabos estou me sentindo como a droga de um escudeiro? – Indagou-o quase elevando sua voz para que os outros ao redor escutassem.

— Apenas finja que se importa – Sussurrou de volta em tom grave – E Marcus, não ouse nos envergonhar aqui, senão te garanto que o pai ficará sabendo! – Amedrontou-o com suas vagarosas palavras.

Um tremendo agito abaixo dali se infestara, Marcus levantou-se de prontidão e caminhou em passos suaves dando as costas à seu irmão que o repreendia. Chegando ao parapeito ornamentado, segurou-o com ambas as mãos e inclinou sua cabeça vendo o que estivera abaixo: Um gigantesco salão com uma larga passarela; entre a passarela fileiras lotavam de pessoas alegres comemorando o que aconteceria abaixo, uma linda mulher atravessara a porta de madeira junto de dois guardas parrudos que a serviam de proteção. A jovem mulher ostentara imensurável beleza, seus cabelos loiros douravam-se ainda mais com as luzes fortes que nele batiam; estariam amarrados em uma larga trança enfeitada com minúsculas pedras ágata; trajava um longo e sedoso vestido dourado fazendo cair o queixo das mais nobres e ricas duquesas presentes.

Os outros homens sentados à mesa do rei levantaram-se em ímpeto juntamente do som das cornetas e da orquestra que começara em seguida. Correram até o parapeito onde Marcus estivera apreciando tal obra e assistiram junto à si.

— Ela chegou, majestade! – Disseram alguns homens com feições alegres.

O Rei lentamente empurrara-se afastando-se assim da mesa e levantou-se devagar caminhando em passos lentos e marcantes até o restante de seus convidados à beira da sacada, chegando até os dois jovens irmãos lado-a-lado ignorando ambas as presenças os agarrou com cada braço abraçando-os sorridente.

— Chegou a hora. Ela está linda, não está? – Indagou já satisfeito com qualquer possível resposta que o noivo pudesse dizer.

— Devo dizer que se meu irmão não se casar com sua filha hoje, eu mesmo farei – Disse sarcasticamente ao rei, que enrugara sua testa e sobrancelhas semicerrando seus olhos enquanto fintara o esbelto rapazola.

— Majestade, perdoe o meu – Disse de olhos arregalados Sir Gabriel sentindo um leve tremor em seu corpo mediante à situação, ainda assim interrompera a si mesmo logo que percebera.

Das feições fechadas do Rei Teigon esticaram-se suas bochechas e então o mesmo começara a gargalhar junto de Marcus, Gabriel forçara-se a rir acompanhando-os até que pararam após alguns segundos.

— Gostei do seu irmão, Gabriel – Disse Teigon, franzindo sua testa.

— Que ótimo... ele é... o orgulho da família! – Esticou seus lábios em sorriso majestoso, olhou seu irmão de soslaio e semicerrou rapidamente seus olhos à ele que o respondera com uma discreta piscadela.

— Imagino... – Ironizou olhando-os de soslaio enquanto apreciara a imagem de sua filha atravessando à passarela ao som da sinfonia espetacular – Bom, garoto. É hora de descermos e oficializarmos isso de uma vez, minha filha não gosta de ficar esperando.

As luzes apagaram-se rapidamente uma por vez até ficar completamente escuro; e das grandes janelas do salão romperam-se as vidraças com sujeitos encapuzados, esses que armados com espadas e pistolas atiraram contra os guardas e convidados ali abaixo. Gritos de desespero foram ouvidos em coro, disparos e cintilar de espadas. Alguns corajosos homens tentaram defender suas esposas e filhos presentes, entretanto esses mesmos homens vacilantes foram massacrados em primeiro ataque semicircular que tentaram em meio à escuridão e clarões que acendiam-se e apagavam logo em seguida.

— Oh, meu deus! – Gritou um dos homens ali de cima da sacada, pulando contra a perigosa escuridão.

— Não fiquem parados aí, salvem a minha filha! – Urrou o Rei, a maioria dos homens pulara da sacada para a morte certa, por honra ou talvez por medo, não importava.

Em meio à toda agitação constante uma fina silhueta aproximou-se do velho homem que usara a coroa, levantou sua mão empunhada de uma adaga e deslizou lentamente sobre o pescoço do Rei.

— Viva a revolução – Sussurrou roucamente em seus ouvidos, e então cortou velozmente sua garganta e desapareceu novamente às trevas.

— Majestade! – Gritaram ambos os irmãos ainda ao lado do homem que desabara ao chão tentando dizer algo, mas só conseguira gorfar sangue a cada tentativa.

— Temos que sair daqui! – Gritou Marcus, puxando seu irmão enquanto correra para fora dali.

— Espera, aqueles dois mataram o Rei Teigon! – Urrou o homem bêbado apontando para os dois jovens que escapavam pulando contra uma das várias vidraças coloridas das janelas do salão.

Atravessaram-na jogando-se ao vento contra um gigantesco penhasco abaixo deles, suas armaduras pesadas os ajudaram afim de cair com mais velocidade do que já estariam. O homem de cabelos curtos moveu rapidamente sua mão direita às costas e retirou da cintura um pequenino bastão, agitou-o e ele logo se esticou tornando-se um arco, pegara uma linha amarrada à sua cintura junto de uma flecha e a alinhou ao arco mirando-a contra a parede não tão próxima do castelo e então disparou.

— Agarre-se em mim! – Ordenou ao seu irmão barbudo em um grito que cortara os ventos.

A flecha atingira com destreza o concreto e se firmara fazendo com que o magrelo homem fosse levado com rapidez para a frente, seu irmão movera ambas as mãos para segurá-lo com todas as forças em sua cintura; Enquanto os dois balançavam sobre a corda, dera para perceber de relance a lua cheia perante eles, refletindo sua luz clara perante à escuridão daquela noite.

— Será que essa corda vai aguentar nós dois? – Indagou Gabriel agarrando-se com mais força ao quadril de Marcus, fazendo raspar suas armaduras.

— Está aguentando até agora, mas se não estiver confiável para você é só pular! – Gritou em ironia enquanto eram levados rapidamente por entre as beiradas das rochas do penhasco.

— Você é um ótimo comediante, seu idiota! – Gritou balbuciando com a velocidade dos balanços.

O mar se agitava abaixo deles se debatendo contra os rochedos alavancando respingos que quase os atingira. A corda chegara a seu limite, esticou-se forçando-se contra o vento forte que a rompia lentamente.

— Merda – Resmungou enquanto soltara uma de suas mãos do arco afim de procurar outra corda em um bolso escondido à suas costas.

— Marcus! – Alertou-o – Me diga que você tem algum plano para a gente não morrer – Cerrara seus dentes fazendo força para que se prendesse mais à cintura de seu salvador.

Assim que removera um belo conjunto de cordas a que estivera amarrada ao seu arco parara de mover-se e então rompera fazendo com que o impacto rasgasse seu arco deixando-o em pedaços; os dois homens caíram sobre o rochedo rolando em meio as rochas pontiagudas grunhindo de dores até que finalmente chegaram ao mar e foram levados pela correnteza da maré alta daquela noite.

Os dois homens afundavam a cada rochedo com que suas costas chocavam; as únicas coisas que restaram ao esguio homem que perdia sua lucidez eram as luminosas estrelas no céu recheado de nuvens escuras e a cortina de fumaça que se alargou de uma das torres do gigantesco castelo. Explosões acompanhadas de tremores foram emitidas adentro do castelo, porém não foram mais ouvidas por Marcus ou Gabriel, pois ambos haviam perdido a consciência.

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“Embora irmãos,

Não possuíam uma forte ligação,

Pensamentos conflitantes se convergiam,

O covarde desejava escapar,

Seu irmão almejava enfrentar,

Enquanto aos outros só lhes restava acusar,

Pois se há uma verdade no mundo,

É que você ainda não sabe de tudo. ”

O claro som de gaivotas levadas ao vento confortava-os, pois assim sabiam que não estariam sozinhos. A areia quente em que se repousavam os acalentava do frio passado aos mares; pequenas ondas chegavam à ponta de suas botas metálicas, as molhando e tornando-as aos poucos em ferrugem.

— Aurora, veja só o que encontrei – Disse uma voz rouca distante.

Passos firmes seguiam pela areia, cuspindo-a para todos os lados enquanto se aproximavam do que pareciam dois cadáveres; sons levemente metálicos os seguiam em sua breve passagem. Ajoelharam-se e checaram cada um os dois homens caídos, dedilharam sobre o metal de suas armaduras subindo seus dedos até seu torso.

— Dois soldados, o primeiro magrelo e o outro robusto – Disse o portador de silhueta duvidosa – É uma estranha combinação. E caídos juntos assim?

— Talvez sejam sodomitas – Sugeriu ironicamente o outro sujeito de voz rouca, enquanto raios solares atingiam suas costas – Suas armaduras estão bem danificadas, devem ter morrido de forma brutal pelo jeito de seus machucados – Seus dedos afiados moveram-se até os cortes ao rosto do homem barbudo fazendo-o reagir de forma instantânea enrugando sua testa e abrindo levemente seus olhos, ao ver a criatura esverdeada à sua frente assustou-se e inclinara sua cabeça rapidamente até o discreto nariz do sujeito agachado à sua frente acertando-o em cheio, desabara ao chão e levantou ambas as mãos para de forma falha aparar a dolorosa ferida.

Sir Gabriel levantou-se em ímpeto arregalando seus olhos e ponderou rapidamente sobre tal situação antes que a mesma viesse a se complicar mais, o que era totalmente esperado por ele. Olhara de soslaio para seu irmão desabado ao chão, cheio de feridas em seu rosto antes liso; tanto em sua armadura quanto à de Marcus estiveram amassadas e cortadas em função dos golpes brutais contra as rochas que infelizmente enfrentaram. E então voltara seu olhar ao sujeito que cabeceara; vestira um traje completo de couro retalhado em aço; suas mãos que escapavam de suas grossas mangas revelavam garras de escamas esverdeadas; sobre a gola de seu manto subia seu pescoço manchado de um branco espinhoso, que ao ultrapassar seu queixo alargado sumia deixando transparecer o restante do verde em seu rosto escamoso; seus grandes olhos ainda semicerrados em função da pancada que levara continuara a conseguir demonstrar sua esclerótica alaranjada e pupila pontuda vertical; conforme analisara a superfície da cabeça do sujeito percebeu pequenos chifres sobre o que deveria ser suas sobrancelhas e esses mesmos chifres alongavam-se cada vez mais que subiam até a superfície de sua cabeça transformando-se em diversos longos chifres branqueados que ondulavam-se para baixo antes de chegarem a suas pontas escurecidas; tanto suas orelhas como seu nariz não possuíam uma forma semelhante aos humanos, limitando-se à meros orifícios verticais; o sujeito de pele escamosa abrira sua boca esticando-a revelando a centena de minúsculos dentes afiados que se encaixavam adentro dela.

Virou-se até a segunda silhueta no local, que estivera sobre o sujeito caído; ele era menor que a entidade despencada em seus braços, trajava um traje semelhante ao outro sujeito, com a exceção que este escondera seu rosto por debaixo do capuz do manto.

— Fiquem longe! – Ordenou o homem de cabeleira elevada, ao ouvir tal afronta, o pequeno encapuzado partira em disparada contra Gabriel.

O homem barbudo moveu sua mão destra de modo vacilante até a sua empunhadura presa à cintura e agarrou o cabo da espada tentando removê-lo, entretanto o pequeno encapuzado chegou até ele desferindo um chute impulsionado ao punho metálico de Gabriel fazendo com que o mesmo o soltasse, e antes que soltasse, a silhueta girou seus pés rapidamente para que o pequenino encapuzado atacasse-o com uma cotovelada em seu pescoço atingindo sua traqueia, Gabriel grunhiu dobrando seus joelhos e levantando suas mãos e então segurar seu pescoço ferido dando chance ao ágil inimigo correr para trás de si e montar sobre suas costas de metal cortado, prendendo seus finos antebraços ao pescoço desprotegido do príncipe.

— Aurora, solte esse homem! – Ordenou, apoiando-se aos joelhos para levantar-se, porém o portador da pequenina altura não respondera e continuara a enforcar o jovem príncipe que começara a mudar a tonalidade do seu rosto para algo mais avermelhado.

A silhueta encapuzada começara a fazer mais força contra o pescoço de Sir Gabriel, ele mantinha ambas as mãos contra os pulsos finos cobertos pelo couro escurecido. O sujeito escamoso limpara o pequeno sangue que escorria pelas narinas e então cerrara ambas as mãos, indignado pois o pequeno de capuz não o ouvira, e isso o irritara tanto que enrugara sua testa esverdeada semicerrando seus olhos.

— Aurora, solte-o agora! – Gritou em falsete, sua voz ecoou junto à um vento forte que soprara a areia e tudo que mais houvesse em seu caminho, que por sinal, eram os dois que lutavam entre si.

A força invisível do vento empurrou-os os derrubando alguns metros de distância dali. Após se levantar, Gabriel percebera que ao seu lado o sujeito deixara cair seu capuz em função do vento forte, e sem ele, revelara a face embranquecida da menina de cabelos roxos e olhos de íris lilás. A menina levantou-se e correu desengonçada em lágrimas para a criatura de pele escamosa.

— Mamãe, me desculpe – Disse em lágrimas, soluçando em frequentes fungadas molhadas enquanto abraçara forte a grande criatura chifruda – É que ele machucou a senhora, ninguém pode machucá-la – A criatura escamosa esticou seus lábios em gentil sorriso.

— Tudo bem, minha querida – Sussurrou roucamente aninhando-a de maneira suave com as suas garras – Tenho certeza que esse homem tem uma justificativa convincente para ter me atacado – Fintou-o enquanto ainda a aninhava – Qual o seu nome, meu rapaz? – Olhou-a semicerrando seus olhos com desconfiança, mas não havia outra alternativa senão dizer, pois tivera medo do poder que a criatura poderia desencadear.

— Sir Gabriel Zandra.

— É um prazer caros príncipes de Mérem, devo supor pela armadura que aquele rapazola mastigador de areia é o seu irmão caçula – Disse sorridente revelando sua larga e pontuda língua que passara lentamente por seus afiados dentes – Eu sou Maya e esta adorável mocinha é Aurora – O homem de cabelos castanhos semicerrou seu olhar desconfiado às duas – E não precisa se preocupar, caso eu lhe quisesse morto não iria intervir no ataque de fúria de minha filha.

— F-filha? – Indagou Gabriel engolindo sua saliva seca de sua garganta ainda ferida.

— Bom, Aurora não é minha filha de sangue como pode ver claramente, afinal ela é humana como você. E eu uma Bevandra – Disse em tom manso quando parou de acaricia-la porque a menina virou-se para Gabriel semicerrando seu olhar à ele e então seguiu andando em passos lentos sobre a praia – Ela é filha bastarda da relação ilegítima das famílias Pertinax e Suttiler. Sendo assim... – Fora interrompida abruptamente por um assovio efetuado por Aurora.

— Hey, acho que ele não está vivo! – Disse agachada sobre Marcus inclinando sua cabeça virara até a face pálida dele, mantivera sua cabeça ali por alguns segundos e então gritou novamente – Ele não está respirando.

— Oh meu deus – Gritou o homem barbudo correndo em direção à seu irmão desabado ao chão – Menina, saia daí agora! – Disse desesperado franzindo sua testa tensa enquanto agachara sobre o peito metálico; moveu rapidamente suas mãos entre as brechas das peças de armadura e removeu seu torso com tamanha força.

Levantou sua mão até seu peito vestido de um tecido marrom leve, entrelaçara suas mãos e começara a fazer-lhe massagens cardíacas, descera suas mãos pressionando seu peito firmemente e então removera-as, e novamente repetiu o processo, e assim várias vezes sem resultado.

— Vamos, irmão! – Continuara com as massagens cardíacas, dessa vez com mais rapidez. Seu desespero era evidente.

A garota de cabelos roxos observara com pesar tal cena; virara-se completamente para sua mãe requisitando algo em silencio em seu olhar, seus olhos se encontraram e permaneceram em foco ao outro por um pequeno período, que determinara a mulher um tanto distante dali assentir com sua cabeça ao desejo de sua pequena protegida.

Aurora aproximou-se do angustiado homem que continuara a tentar salvar seu irmão, a cada tentativa agora com um intervalo maior devido ao seu cansaço. Tocou-lhe o ombro e fechara os olhos enrugando suas finas sobrancelhas para baixo concentrando-se ao que deixaria despertar.

— O que está fazendo? – Indagou Gabriel em fortes fungadas virando-se sobre ombros até ela.

— Faça mais uma vez – Ordenou a pequena garotinha em voz metálica; O homem barbudo alternou seu olhar à criatura de chifres ali distante que cruzara seus braços enquanto o fintara sem expressar a preocupação que carregara.

Obedeceu-a sem pestanejos e fizera o ordenado, e antes que alcançasse o peito imóvel de seu amigo os olhos da pequena abriram-se cintilantes à cor violeta; chamas escuras emanaram de dentro de si, tão fortes que chegariam a explodir sem o controle correto, percorreram seu braço atravessando-o ligeiramente em círculos até chegar à ponta de sua mão emprestando uma pequena parcela dos raios púrpura ao homem que finalmente alcançara o peito do sujeito desacordado. Tanto Gabriel quanto Marcus sentiram um choque de imediato assim que Aurora liberou parte de seu poder à eles; O rapaz despencado imediatamente remexera-se soltando uma longa cusparada de água que antes estivera alojada em seus pulmões. O rosto antes pálido esticou-se junto a seus olhos arregalados a surpresa de estar vivo, e bem; e antes que pudesse dizer ou fazer algo fora surpreendido novamente, dessa vez por seu irmão, que o abraçou com tremenda força e chorou em seus ombros.

— V-você está vivo – Disse em pausas afim de recuperar seu folego – Como se sente? – Soltou-o levemente, e então o magrelo rapaz sentou-se sobre a areia quente que o acalentou do frio repentino que sentira.

— Eu... eu não sei – Meneou a cabeça enquanto levantava sua mão direita até ela e a batera próximo a sua orelha em tentativas de remover água de dentro de seus ouvidos – Só consigo me lembrar de cairmos contra as rochas e depois o mar, aí então eu estava envolta de uma fogueira junto de nossos avós. Estávamos em um campo aberto, talvez um bosque. Não me lembro do que falávamos, porém me recordo perfeitamente de como acabou esse sonho. Um dragão gigantesco surgiu entre as nuvens e voou em minha direção, ele abriu a sua enorme boca para mim e continuou vindo – Pigarreou batendo contra seu peito – No momento em que ele iria me pegar para me devorar eu acordei.

Maya marchou atravessando as areias com pressa, chegando até eles.

— Precisamos sair daqui filha – Disse à Aurora, estendendo sua mão para que ela a agarrasse – Venham conosco, não estão seguros aqui fora.

— Muito bem – Disse o homem robusto, levantou suas mãos e segurou-as ao ombro e braço de seu irmão – Nós vamos com elas, levante-se – E assim fizera.

— A gente não vai com elas – Balbuciou Marcus – Mal as conhecemos, seu otário – Terminou olhando-as de soslaio.

— Escuta aqui, ô imbecil – Levantara rapidamente suas mãos e agarrara com rapidez a nuca do homem de cabeleira levemente rapada; semicerrou seus olhos à ele e continuara – Por mais que eu odeie admitir, e odeio para caralho. Você só está vivo por causa daquela garotinha – Mirara para ela com seu indicador, e depois voltara a sua atenção para seu caçula – E querendo ou não, elas duas são a nossa melhor chance de encontrarmos a Agatha.

— Não estamos procurando sua noiva! – Retrucou empurrando ambas as mãos ancoradas de seu irmão barbudo; franziu sua testa e andou de costas devagar, fingindo uma reverencia à Gabriel – Sabe, respeito fielmente sua vontade de virar rei, mas em minha primeira chance estarei voltando para Mérem. E nada neste mundo fará eu entrar em uma missão suicida, quero dizer, de resgate – Terminou em sorriso esticado falsamente à ele, e então virou-se e começou a seguir ao mesmo ritmo das duas mulheres ao seu lado.

— Ele é adotado, tenho certeza – Resmungou Gabriel, limpando o suor acumulado em sua testa; chegou até eles sem esforço e indagou – Para onde vamos?

— Gáliga, a cidade fronteira com Jodrun – Esticou suas mãos para o alto e então moveu-as para baixo desenhando um círculo ao vento, gestos com ambas as mãos foram feitos; um empurrão com sua garra direita ela dera e um vórtice amarelado fora criado diante deles.

Aurora levantara suas mãos sobre seu capuz e o recolocara, escondendo sua face. Olhou-os de soslaio com frieza e adentrou o portal. Logo atrás dela seguiram os outros, o vórtice de meio negro fechara-se por completo e ninguém mais restou ali, naquele momento, pois mais tarde surgiu um mascarado sujeito à sua procura.

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“Nosso herói se desviara de seu caminho,

E com o inimigo se aliara para encontrar sua amada,

A cada passo um desvio de alternadas facadas,

Não saberia em seu momento atual,

Mas havia se encontrado com o lendário dragão ancestral,

E prestes saberia que ao realizar seu desejo,

Iria conhecer um dos temíveis senhores do medo,

Há de chorar quem um dia ousar-lhes enfrentar. ”

Os ventos moviam-se levando a força qualquer poeira ou folhas secas que haviam no chão de terra daquela estrada pouco movimentada por transeuntes ou carroças, até porque as nuvens se juntavam percorrendo todo o céu transformando-o em algo cinzento e escuro. E então, acontecera o esperado, dezenas de gotículas despencavam dos céus, depois centenas, e aí milhares. Ao redor todos corriam para se abrigar em suas velhas casas de concreto e madeira; havia poucas casas naquela primitiva cidade, suas colorações escuras das paredes descolavam-se em meio tempo de seu desgaste e pelas águas das chuvas que eram regulares à tal época; seus telhados por vezes eram de madeira apodrecida ou talvez de azulejos rachados. Em meio à todo esse alvoroço as gotas da chuva já grossas foram engolidas por um vórtice amarelado que se criara diante dali, e dele quatro pessoas saíram apressadas em corrida afim de escapar da chuva fria.

— Ah, ótimo! – Protestou Marcus enquanto correra junto aos outros sem rumo a seguir – Para onde vamos?

— Não vejo nada – Disse Gabriel.

— Ali! – Gritou a pequena garotinha, apontou para longe onde avistara luzes fortes adentro das janelas de um grande estabelecimento escurecido pela chuva – Devemos ir para lá!

E correram para o desconhecido lugar, conforme se aproximavam perceberam com mais detalhes o lugar para o qual repousariam e consequentemente aguardariam a chuva terminar; as paredes eram de concreto de coloração embranquecida, suas finas laterais utilizavam madeira negra; logo à frente do estabelecimento depararam-se com retangulares colunas de madeira que dariam suporte à sacada onde haveria uma bela decoração de flores e plantas ao parapeito.

E finalmente chegaram, quase não perceberam assim que passaram a larga placa martelada ao lado das grandes portas do recinto, nela havia escrito:

Estalagem do urubu bêbado, visitantes de boa-fé com bolsos cheios para gastar sejam bem-vindos, quanto ao restante vão se foder!

Atravessaram depressa as duas grossas portas de madeira com facilidade e adentraram o bar. Assim que a porta se fechara o som da longa chuva abafou-se por completo, sendo substituída assim por dedilhadas à um alaúde, murmúrios alheios e batidas de canecas. Diversas pessoas das mais aleatórias etnias e raças sentavam-se rindo e bebendo, por vezes discutiam sobre quem era o mais forte e resolviam tal disputa em quedas de braço.

Aurora removera seu capuz encharcado assim como o restante das roupas de todos os outros ao seu lado. Os dois irmãos entreolharam-se, ambos tiritavam enquanto abraçavam a si mesmos. Maya chacoalhara-se removendo parcialmente a água impregnada em sua roupa; olhara ao redor verificando por um instante se tinha uma mesa vazia, e então olhara de ombros ao restante do grupo.

— Venham comigo, vamos nos sentar ali – E então seguira de mãos dadas com a pequena garota de cabelos roxos molhados.

Enquanto seguiam por entre o bando de cadeiras ocupadas por homens barbudos, de chifres, e outras peculiaridades avistaram uma escada que os levaria ao segundo andar, mas não foram para lá e sim se sentar à mesa pressuposta por Maya.

— Onde há uma garçonete por aqui? – Indagou-se o príncipe robusto procurando ao redor e então a chamou até a mesa em que estiveram.

— Alguém aí pode me explicar o que está havendo? – Indagou-os o jovem rapazola passando a mão por sua cabeleira molhada – Quem são vocês duas e como esta garotinha supostamente “me salvou”!?

— “Esta garotinha” tem nome! – Exclamou Aurora enquanto remexia uma das garrafas que abrigavam a vela adentro de si.

— Então me diga, ora bolas – Disse semicerrando sua testa úmida.

— Mamãe, faz esse homem parar de me encher o saco! – Balbuciou ela, Maya acalmou-a aninhando-a junto de si e então fintou Marcus de jeito risonha.

— Não ligue para a Aurora, ela tem o temperamento difícil às vezes. Me chamo Maya, é um prazer príncipe Marcus – Encenou uma mínima reverencia à ele, e continuou – É verdade que a minha filha o salvou, e isso não podemos negar. Acontece que ela carrega dentro de si a força de Dederunt.

— Dederunt!? – Enlouqueceu o homem de longa cabeleira – Isso não pode ser verdade, ele não passa de uma lenda!

— Quem diabos é Dederunt? – Indagou o jovem homem semicerrando seus olhos que alternara aos dois.

A garçonete finalmente chegara a mesa, entretanto ninguém a dera a devida atenção. Quando estivera prestes a sair, a pequenina de cabelos roxos dissera-a o desejado: Um grande frango assado acompanhado de batatas, quatro canecas, uma jarra de suco de goiaba, e por fim, um gigantesco balde de suspiro. A moça era uma linda mulher negra de olhos azulados; suas pupilas formavam linhas verticais; ao topo de seu cabelo liso houvera algo que a diferenciava das demais mulheres humanas, duas orelhas felinas e pontudas; percebeu em seu rosto minúsculas pelagens brancas que desciam de suas têmporas até o seu maxilar; trajara uma pequeno vestido decotado que deixara em destaque seus fartos seios e suas grossas coxas por onde seus pelos brancos misturados ao preto se alastraram formando curvas por entre suas pernas. Ao sair dali revelara sua cauda negra felpuda que na ponta embranquecia-se.

— Bom, por onde eu começo? – Ponderou brevemente alisando com seus dedos sua bela barba – Como você bem sabe irmãozinho, o nosso primeiro rei Isaac foi o responsável por conquistar Valét e nos livrar do mal que eram os dragões, entretanto, tivera três lendários e temíveis dragões que apresentavam real perigo à ele: Aureus, O Poderoso; Vizmarag, O Manipulador Elemental; e por fim, Dederunt, O Atravessador Espiritual. Diz a lenda que ele os matou junto com todos os outros.

— O que é uma suja mentira – Interrompeu-o Maya – Já que todos os três lendários dragões são imortais.

— Então o que aconteceu à eles? – Indagou Marcus franzindo sua testa.

— Ninguém sabe – Disse calmamente a mulher de chifres.

— Maya, acho que você não entendeu. Isso que estou dizendo está nos livros de história – Terminou por fim, batendo seu punho a mesa.

— Acho que é você que não entendeu. Acha mesmo que os historiadores relatariam que seu herói, Isaac, “O grande conquistador” não os levou as cabeças das mortíferas feras que aterrorizavam suas vidas assim que as mesmas desapareceram? – Meneou a cabeça – A história sempre será moldada pelos vencedores, nunca o contrário.

A poucos passos dali, em outra mesa, um punhado de homens trajados de armaduras pesadas sussurravam constantemente enquanto miravam seus olhos curiosos aos dois príncipes. Levantaram-se ambos e seguiram em passos pesados até a tal mesa. Pararam em frente à mesa todos eles, afrente deles estivera um feioso homem calvo de grande barba desgrenhada. Alguns beberrões os olharam desconfiados, deixando sua bebida de lado.

— Posso ajudar, meu caro? – Indagou Maya virando-se de ombros à ele e aos outros atrás dele.

— O assunto não é com você, Bevandra – Disse enrugando sua testa juntamente às suas grossas sobrancelhas; virara seu rosto de lado e cuspiu e então voltou seus olhos à mesa – Jubilute, traga o cartaz! – E então viera um brutamontes de feições horríveis, trazia em seus braços um fino pergaminho, abriu-o de maneira atrapalhada e mostrou-o às pessoas naquela mesa.

O cartaz mostrara fotos sorridentes dos dois irmãos juntos em uma festa de gala, em seu topo houvera as especificações escritas:

“Foragidos da lei procurados vivos ou mortos: Sir Gabriel Zandra & Sir Marcus Zandra. Assassinos do Rei Teigon Evenonn e sequestradores da Princesa Agatha Evenonn. Recompensa estimada junto a princesa: 1.000.000 Dracos.

Assinado: Delegado Caleb Timero. ”

Fintaram-se profundamente, até que finalmente quebrara-se o silencio.

— Chegou a comida! – Animou-se Aurora, esticando suas bochechas num largo sorriso; a garçonete seguiu tranquilamente até eles, porém fora barrada de prosseguir por um dos brutamontes de armadura.

— Vocês são muito corajosos de vir até aqui depois do que fizeram – Disse o homem calvo – E onde está a princesa? Sem ela a recompensa não será completa.

— Meus amigos – Disse Gabriel fintando-o de maneira perspicaz; fungava suavemente afim de manter a calma perante tal situação – Vocês deveriam saber que assim como vocês, estou à procura de Agatha. Eu e meu irmão somos inocentes de tal acusações. Pense comigo, por que diabos eu mataria meu futuro sogro e sequestraria uma princesa quando estou prestes a me casar com ela? Não faz sentido – Sorriu tentando gerar uma mínima empatia com o homem que sorriu de volta.

— Claro, claro – Disse devagar olhando aos seus colegas – Vamos pensar, o que faremos com uma recompensa tão grande e tão fácil? – Disse por fim rindo de maneira descontrolada junto aos seus companheiros.

— Querem uma sugestão? Comprem rostos novos – Disse ironicamente o príncipe caçula – Pois atualmente um cu de mendigo é lindo, comparado à cara de todos vocês – Gargalhou extraordinariamente, e todos ao seu redor riram consigo, exceto é claro, o homem calvo e o seu bando que ficaram extremamente desconcertados e enfurecidos.

O homem de barba desgrenhada cerrara seus dentes e arregalara seus olhos enquanto movia-se agilmente até Marcus cerrando seus punhos metálicos e desferiu-lhe um soco veloz, ainda assim, não conseguira atingi-lo. Seus movimentos cessaram de imediato e seus olhos antes raivosos mudaram sua coloração para um cintilante violeta.

— Você não irá atacar a nenhum de nós – Disse calmamente a pequenina com sua pequena mão mirada à ele; seus olhos cintilantes à cor violeta brilharam mais do que o normal e um sorriso se prontificara.

— Eu não irei atacar nenhum de vocês – Repetiu o homem dominado.

— E deixará aquela moça bonita servir a gente, e pagará toda a nossa quantia gasta nesse estabelecimento. Incluindo a gorjeta, sem ser pão-duro.

— Que isso chefe! – Disse Jubilute, tolo demais para não saber que ele estaria sendo subjugado pela debochada menina.

Maya semicerrava seus olhos olhando atentamente aos homens confusos por detrás do homem calvo, contudo nenhum deles era inteligente o suficiente para saber o que estivera acontecendo realmente. Marcus entreolhava-se rindo com o seu irmão sério, ele parecia analisar algo estranho e realmente fazia; um homem magrelo de longa cabeleira negra passara lentamente por entre os brutamontes.

— Deixe-me passar amigo – Disse o sujeito magro de forma rouca, a voz que Sir Gabriel reconheceu no mesmo momento.

Praguejou e então levantou-se determinado mirando atentamente ao homem magrelo que se deparara com sua estranha feição semicerrada. Em seu pensamento alguns devaneios da morte do rei surgiram, e lembrara-se atentamente do assassino.

— Você! – Exclamou o príncipe, assustando o homem que também o reconhecera.

O sujeito recuou em passos rápidos, assim que afastara-se dos brutamontes agarrou o braço musculoso do mais próximo e moveu-o violentamente contra um dos beberrões atingindo-o fortemente em seu peito. Levantou-se rapidamente chutando o inocente brutamontes jogado contra si atirando-o contra outra mesa causando o mesmo resultado. O sujeito magrelo chutou agilmente o traseiro metálico de outro brutamontes empurrando-o de forma descontrolada até seus semelhantes, fazendo com que metade deles tropeçasse em outras mesas irritando outros clientes que também reagiram de forma agressiva; e em poucos segundos todos naquele local estariam trocando socos, cabeçadas e pontapés. Aurora se desconcentrara com a rebelião que fumegava ao seu redor e perdera o controle que tivera sobre o homem calvo, que se libertou em fúria contra a menina partindo apressadamente contra a mesa levantando ambos os punhos acima de sua cabeça e então desceu-os velozmente contra o móvel partindo-o ao meio. Felizmente todos naquela mesa esquivaram-se há tempo.

O sujeito percorreu por entre toda a algazarra; agachou-se e rolou para a direita desviando-se de dois grandes homens agarrados ambos ao pescoço do outro. O príncipe robusto se movera velozmente pelos corpos agitados em combate, ficando desprotegido contra Jubilute que o agarrou de modo vacilante, fazendo ambos caírem; após se recompor da queda percebeu estar em vantagem por estar por cima do príncipe de Mérem, mas fora violentamente retirado em pontapé certeiro realizado por Marcus. O jovem estendera sua mão esquerda ao seu irmão desabado ao chão que lentamente movera sua mão direita à ele afim de levantar-se.

— Precisa de ajuda maninho? – Disse Marcus em singelo sorriso levantando seu amigo.

— Aquele homem matou o rei – Disse com certo esforço – Se o pegarmos conseguiremos achar Agatha e provaremos nossa inocência! – Terminou por fim, já de pé.

— Então vamos pegá-lo! – Viraram-se até seu alvo fugitivo e partiram em corrida.

O homem calvo avançara em ataques semicirculares contra a menina de cabeleira roxa que esquivava-se facilmente em acrobacias por entre as mesas vazias.

— Você acha que pode me controlar!? Você acha, sua merdinha!? – Gritou.

— Saia... – Rosnou ela – De perto... – E então descontrolou-se liberando sua raiva – DA MINHA FILHA! – Gritou de forma sônica golpeando tanto o homem quanto ao resto dos bêbados briguentos ao seu lado nocauteando-os assim que bateram suas cabeças contra o chão, a parede, o teto, ou outro idiota.

O sujeito de longa cabeleira e corpo esguio continuara a se movimentar esquivando-se de cadeiradas velozes e golpes errôneos, correra contra uma barreira de homens que batalhavam contra os que antes compartilhavam de sua mesa e deslizou por baixo de uma mesa irregular acertando acidentalmente uma de suas pernas fazendo-a desabar. Os irmãos seguiram de forma sincronizada por entre a volumosa multidão abrindo caminho em socos e chutes até chegar à barreira de brutamontes, avistaram com clareza a silhueta fina abrindo ambas as portas e se deparando com um enorme individuo mascarado à sua frente, tentou vacilantemente passar por seu lado esquerdo e escapar daquele local, entretanto, fora esse seu erro fatal.

Sua altura altamente elevada surpreendera tanto o desesperado fugitivo como aos irmãos que tentavam determinadamente pegá-lo. Trajara ombreiras pontudas metálicas; tais ombreiras possuíam ornamentos que se assemelhavam à chifres draconianos; abaixo de suas ombreiras firmava-se uma longa capa azul escura que descera de seu torso até seus calcanhares escondendo praticamente toda a armadura que vestira por baixo.

O que mais deixara o homem magrelo amedrontado não seria seu porte alto, ou mesmo a sua força em conseguir segurá-lo com sua mão direita de modo firme e doloroso encaixando seus grossos dedos metálicos às aberturas de seus ossos, mas sim sua misteriosa e extravagante máscara; sua superfície era totalmente revestida do mais puro aço titânico, possuía duas cavidades superiores semelhantes à olhos semicerrados; à lateral de seu capacete caricato cravavam-se chifres ondulados e pontudos que subiam sobre o metal até revelar o que havia ao topo, uma larga boca amontoada de dentes do que parecia ser um filhote de dragão.

Esticou seu largo braço esquerdo para trás inclinando-se brevemente e de sua palma metálica que não havia nada iluminou-se na coloração amarelada e então empunhou o que viera a transformar-se numa larga e grossa espada negra. Estacou o sujeito facilmente em seu peito atravessando-o iluminando sua lamina por um momento, o sujeito cabeludo dolorosamente tentara gritar, porém gorfara uma quantidade absurdamente alta de sangue. O indivíduo mascarado levantou sua espada empunhada e rodopiou brevemente arremessando o corpo sangrento contra as portas destroçando-as por completo, e então esvoaçara por cima dos revoltos homens partindo ao meio algumas das colunas de madeira do local. Ao finalmente chocar-se contra a parede de concreto iluminou-se em uma coloração amarelada cintilando todo o estabelecimento, e por fim desapareceu em uma grande explosão fulminando a maioria dos briguentos daquele local.

— Merda! – Gritou a mulher de escamas – Ele nos achou.

— Ele quem!? – Indagaram os dois irmãos quase sem fôlego.

— Um dos senhores do medo – Respondeu friamente Aurora acima de uma mesa.

Um enorme buraco a parede fora aberto de onde ocorreu a explosão, facilitando assim a saída de todos os covardes dali, exceto os quatro recentes companheiros de viagem que fintavam o brutamontes atenciosamente para cada passo que dera. O impacto causou a imensa destruição do assoalho revelando um porão escondido de onde emitira um claro grito agudo vindo do fundo daquele local escuro e abafado. Novamente o mesmo grito, dessa vez mais nítido, dando a entender o “socorro” que a voz feminina clamara.

— Marcus, desça lá embaixo e salve a mulher. Eu cuido desse grandalhão – Ordenou o príncipe.

A mulher e a garota entreolharam-se, e como em um comando mútuo, ambas removeram suas armas muito bem escondidas. Maya levantara rapidamente sua mão até suas costas e dela empunhou algo invisível que logo se revelou uma larga lança laminada dos dois lados, girou-a acostumando-se com o peso e então colocou-se em pose de batalha. Já a menina cruzou seus braços enfiando ambos em seu torso removendo adagas escondidas.

— Você tem certeza? – Indagou o jovem caçula franzindo sua testa.

— Apenas faça o que eu digo – Semicerrou seus olhos à ele, levantara sua mão direita e tocou-lhe o ombro de modo que o confortou e o fez acatar sua ordem – Caso tenha esquecido, eu ainda sou o melhor espadachim de Mérem.

Agachou-se por um momento avaliando a profundida do buraco, enfiara sua mão à um de seus bolsos retirando um minúsculo gancho metálico firmado à uma corda de aço; arremessou-a ao teto se prendendo de imediato, empunhou o cabo do gancho com firmeza e se jogou ao desconhecido.

Sir Gabriel empunhou rapidamente sua espada dourada com sua mão direita, balanceou-a e então mirou-a ao brutamontes firmado ao chão.

— Devolva a criança, Bevandra! – Urrou o enorme homem mascarado.

O senhor do medo se impulsionara e então correra à eles, levantou com firmeza sua gigantesca espada empunhada à sua mão esquerda e desferiu ataques horizontais mirados ao robusto príncipe que se agachara e rolara para esquerda passando lateralmente pelas grossas pernas metálicas; moveu rapidamente sua espada em ataque contra a canela do brutamontes. “Corra sem pernas agora, imbecil” pensara Gabriel assim que o atacara, entretanto não pôde tripudiar já que o grande homem ao invés de se ferir com o brutal golpe, simplesmente chutara a lamina da espada jogando-a ao vento em giros velozes, tão velozes que rapidamente cortaram a corda metálica em que seu irmão se pendurara momentos antes e continuou atravessando a brecha feita na parede destruída desaparecendo assim na forte chuva fora dali.

— Você só pode estar de brincadeira comigo – Enrijeceu seu rosto em feição confusa.

O brutamontes parou e virou-se até o príncipe prostrado movendo-se em passos pesados até ele, recuara sua grossa mão direta e então avançou contra Gabriel agarrando então seu pescoço e levantando-o acima de seu capacete metálico. Um forte grunhido foi emitido e dele surgira em alta velocidade a garota de cabeleira roxa pulando da beirada de uma mesa com seus dois pés alinhados desferindo então um forte chute contra o capacete do indivíduo mascarado de modo que o atordoou desequilibrando-se e despencando contra a parede ao seu lado. Após o chutar recuara executando um belo mortal para trás pousando seus pequenos pés ao chão.

— Reaja, idiota! – Disse raivosa puxando o atordoado príncipe para a esquerda deixando livre o caminho de Maya até o enorme agressor.

Esticara-se mantendo seu pé esquerdo afrente e seu direito logo atrás afim de suportar seu peso; segurou com firmeza sua lança e respirou suavemente permanecendo focada ao que viria a seguir. Dera uma ágil pirueta seguido de um pulo e então lançou sua arma até o atordoado brutamontes, entretanto o mesmo movera velozmente sua mão direita até a lança em movimento agarrando-a totalmente antes que atingisse seu peito. Maya sorriu com gosto, inclinou-se para trás e moveu-se novamente para frente liberando uma forte onda sônica com sua voz extremamente cortante, o som atingiu a lança rasgando a mão metálica que a empunhava fazendo-a largar seu cabo que se movimentara em extrema rapidez, logo após isso perfurara a grande armadura de seu torso atingindo finalmente seu peito cortando-o em cheio, o homem gritara excessivamente ecoando sua dor por todo o salão.

— Mantenha distância – Aconselhou-o largando-o ao chão e retornando empunhando suas adagas com firmeza em suas mãos.

— Nem fodendo! – Levantou-se de prontidão enrugando sua testa em fúria – Eu nunca fujo de uma batalha – Aurora parou por um instante, olhou-o de soslaio cintilando seu olhar violeta que logo atingiu os olhos de Gabriel.

— Não se mexa – Ordenou-o friamente.

— Eu não vou me mexer – Repetiu subjugado à ela.

Em passos apressados seguiu até o brutamontes, conforme alternara seus pés à pequena caminhada, sentia dentro de si uma chama aumentar, e essa chama logo percorreu seu pequenino corpo dando voltas por suas pernas subindo até seu torso onde finalmente parara à seus braços que aos poucos deixariam a forma humana; suas mangas queimaram em chamas escuras revelando que sua pele adotara uma nova forma escamosa, assemelhada aos dragões.

O grandioso homem mascarado movera sua mão direita até a lança cravada em seu peito e a removera com certo esforço, urrara de modo que ecoou por todo o lugar, abafando-se somente pelos raios da chuva interminável afora. Levantara-se impulsionado pela vontade determinada de vingar-se e nem ao menos pensou, simplesmente arremessou a lança com incrível rapidez, a velocidade do trajeto fora tanta que nem mesmo Maya conseguira desviar-se restando-a ficar à mercê de seu próprio destino. Aurora enrugara suas sobrancelhas e fechou seus olhos concentrando-se por um momento e então moveu-se agilmente por entre os destroços em seu caminho para salvar sua mãe; impulsionou-se de uma cadeira jogando-se ao meio do trajeto da lança, infelizmente isso quebrara a cadeira em milhares de partes. Contudo, conseguira agarrar o cabo livrando-o de seu trajeto, porém, isso deu a livre oportunidade de seu inimigo dar sua cartada. O senhor do medo logo após jogar-lhe um projétil desviou sua atacante para salvar sua mãe, dando a brecha perfeita que precisara. Correu até o imobilizado homem recuando o cabo empunhado para trás, para logo impulsionar-se em uma limpa estacada que desferiu ao coração de Gabriel levantando-o de forma que atravessara ainda mais sua lamina.

— “Não se mexa” – Disse ironicamente – Esse é um ótimo conselho. Você não acha, Aurora? – O príncipe só conseguira cuspir sangue de seus lábios, não pode discordar de seu debochado atacante, restando-lhe somente aguardar o que viria a seguir.

Girou junto com sua espada arremessando o príncipe gravemente ferido às duas, Aurora movera-se em pirueta desviando-se do corpo voador jogado em sua direção; A ofegante Bevandra agarrara-o impedindo que se ferisse mais, o que já seria fatal em suas atuais condições, pois escorrera muito sangue de sua grande ferida.

Antes que pudesse terminar tal pirueta viu-se diante da máscara metálica e junto a ela uma grossa mão agarrou-a por seu pescoço; girara suas pernas movendo a garota de cabeleira roxa contra a parede chocando-se contra o concreto destroçando-o e então girou novamente, dessa vez arremessando-a contra a abertura do local agora destroçada. Pousou forçadamente batendo seu pequeno corpo contra o chão capotando sobre a lama poucas vezes.

— É bom saber que está desenvolvendo seus poderes – Disse abafadamente sobre seu capacete em passos desapressados enquanto atravessara o buraco feito por si mesmo – Entretanto não está boa o suficiente. Mas isso poderá ser melhorado quando eu levá-la de volta.

— Eu... – Rastejara sobre a terra enquanto molhara-se ainda mais na mesma proporção que se sujara, tentando de modo esforçado a levantar-se – Não quero voltar. Nunca serei o ratinho de testes de ninguém.

As gotas ficavam cada vez mais intensas conforme caíam, os trovões gritavam ainda mais alto tentando impedir o que seria inevitável. Chegou com facilidade até a pequenina enfurecida acompanhando-a ao seu lado admirando sua determinação rastejante.

— Tsc, tsc, tsc – Disse vagamente o enorme homem balanceando sua espada empunhada – Você é o que quisermos que seja, e no momento atual é a minha eterna caça – Levantara sua mão empunhada de forma que sua lamina ficara para baixo, e então cravou-a em suas costas fazendo-a berrar de dor; mesmo que nenhum dano a matasse literalmente, ainda sofrera igual – Mas não se ache especial, pois sabemos que ainda há mais dois a serem encontrados, só não se revelaram ainda.

— Aurora! – Gritou uma voz desesperada de dentro, passos apressados foram ressoados adentro dali.

O senhor do medo removeu sua espada espalhando o sangue da pequena moça à água da chuva em contraste brutal; virou-se sobre os ombros e mirara sua larga espada à estalagem, num pequeno brilho que sua lamina emitira uma grande explosão fora ouvida, demolindo assim o estabelecimento e cessando a voz desesperada da Bevandra.

— Está na hora de irmos, garotinha – Terminou por fim, agarrando-a com sua mão direita e então a colocou acima de suas ombreiras cortantes – Caso estiver doendo é só avisar – Riu de forma debochada, jogando sua espada ao alto em giros intermináveis e ao final desses giros sua arma desaparecera em luzes que se abafaram logo pela tal escuridão.

Envolveu sua mão por dentro de sua capa segurando algo que escondera; raios de luzes azulados giravam sobre seu grande corpo de forma veloz, finalmente o véu de uma cintilante azul preencheu-o iluminando-o por completo e então quando a luz desapareceu, sumiu junto a ela restando somente a triste chuva e os rastros da batalha mortal.

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“O destino muitas vezes brincará,

Pois é o que faz de melhor,

Certamente o caminho de Gabriel fora o pior,

Mas sua melhor decisão feita em vida,

Foi mandar seu irmão salvar,

Alguém que ali não esperaria encontrar,

Desceu à resgate com surradas vestes,

E subiu como o herói e 55°rei de Glassty”. – Canto 1, Lendas de Valét – Adrian Hegreta II, o maior trovador do século 20.

Descia velozmente agarrado ao cabo de seu rapel metálico ressoando longos silvos que ecoavam perante aquele local fechado e escuro. De repente, sua corda rompeu-se se desgarrando de seu cabo caindo de cabeça àquele local escuro; chocou-se violentamente contra o chão pedregoso perdendo sua consciência.

— Hey, eu ouvi algo – Sussurrou uma voz feminina puxada em sons metálicos – Tem alguém aí? – Indagou.

E então recobrou seus sentidos, embora não estivesse em sua melhor forma naquele atual momento. Forçara suas mãos e joelhos a levantar-se e logo ficara de pé em meio a tal escuridão.

— É, você é bem perspicaz, sugiro que quando eu tirar a gente daqui tu sigas a carreira de detetive – Disse sarcasticamente.

Levantara seus olhos e tentara observar de onde caíra, via-se somente que gotas puxadas ao vento caíam pelo buraco pouco iluminado ao lado de fora. Estrondos e murmúrios abafados eram ressoados de cima, não conseguira assimilar além disso. Enfiara sua mão direita em sua gola desprotegida pela peça de armadura que faltara e dela retirara um isqueiro, moveu seu punho agarrado ao pequeno objeto distanciando-o de seu rosto e acendeu-o iluminando parcialmente aquele espaço.

— Já que veio me resgatar, meu pai que lhe mandou? – Indagou inquieta.

— Eu nem ao menos conheço o seu pai, mulher – Sorriu discretamente, enquanto caminhava calmamente até onde a voz aguda era emitida.

— Como diabos não o conhece? Ele é o rei! – Dissera elevando sua voz indignada, Marcus chegara cada vez mais perto iluminando as correntes presas à parede que a prendiam naquele úmido e frio lugar.

— Olhe moça, nada pessoal. Mas não estou interessado no “rei do gado” da região – E então a iluminara vendo com clareza seu rosto jovial e seus cabelos loiros desgrenhados enfeitados à minúsculas pedras de ágata; seu vestido antes lindo e charmoso, agora rasgado e sujo – Caralho, é você! Eu te achei!

Enfiara novamente sua mão trêmula aos bolsos e removera uma chave de cera, repreendida por seu pai, educadores e irmão, já que costumava adentrar lugares proibidos com isso; usara-a desbloqueando as algemas que a princesa fora obrigada à usar, e então a levantou com certa dificuldade, levantando sua mão esquerda sobre seus ombros e pescoço dando certo apoio à ela.

— Desculpe, mas nós nos conhecemos? – Balbuciou Agatha.

— Não, mas eu conheci o seu pai. Vou tirá-la daqui – Revirou-se em meio a escuridão, e engolindo seu orgulho indagou-a – Sabe onde fica a saída? – Nem ao menos lhe disse algo, simplesmente apontou à ele para a direita e por ali seguiram.

Um estreito corredor de escadas os levava até a saída, e por ali seguiram adiante, cansados, mas ainda sim sem parar ou pestanejar. Mais estrondos ecoavam logo acima deles, e ainda sim continuavam.

— Como se chama? – Indagou ela sussurrante.

— Marcus, Marcus Zandra – Respondeu rapidamente enquanto prestara total atenção afim de não tropeçar vacilantemente em algum degrau.

— Por que esse nome me é familiar? Ah, me lembrei – E de repente tremores de um forte impacto estenderam-se demolindo parcialmente o local abaixo de onde estiveram. Pararam naquele momento e esperaram o que viria a acontecer, nada ocorreu, exceto a jovem princesa que agarrara o jovem príncipe de Mérem em um abraço aninhando-se em seu peito, talvez por medo, frio ou algo a mais – Você quase foi meu cunhado – Sussurrara fintando-o perto de seus olhos.

— Sim – Esticou seus lábios em minúsculo sorriso – É melhor sairmos daqui.

E depois de um breve período chegaram à uma fina porta de madeira onde Marcus levantara seu pé esquerdo e com um mínimo de esforço desferira um pontapé que quebrara a fechadura e a abriu emitindo um estrondo contra os destroços jogados ao chão. Saíram dali e se depararam com uma enorme destruição ao seu redor, grandes estantes jogadas ao chão com líquidos das mais variadas cores espalhadas em contraste por cima das fileiras destroçadas. Telhados de azulejos que antes belos, agora em pó assim como os tijolos e madeiras dali. Caminharam em uma linha tênue por entre os destroços, a chuva os encontrara finalmente já que estiveram à falta de um teto para esconder-se dela.

— Mas o que aconteceu aqui? – Indagou-se vagamente.

— Ali – Apontou a jovem princesa desgarrando-se dele apontando à um homem queimado desabado por baixo de tábuas de madeira – Esse merda é o dono do bar, ele aceitou me prender aqui por uma quantia de moedas, porco!

Enquanto a jovem princesa praguejara, Marcus conseguira ver uma enorme poça de sangue em meio ao salão totalmente destruído, virou de ombros e percorreu com rapidez chegando à uma pilha de destroços acima de uma criatura escamosa, agachou-se perante ela; sua pele estivera repleta de feridas e queimaduras, alguns de seus chifres partidos pela metade.

— Jovem príncipe... – Disse após um gemido de dor – Vejo que encontrou a princesa de Glassty... – Enrugara sua testa tentando enxergar-lhe melhor.

— O que diabos aconteceu aqui!? Cadê o Gabriel!? – Indagou-lhe alto, chegando a gritar rudemente. Maya hesitara virando seu rosto para o monte de sangue e órgãos queimados. Marcus olhara atentamente para ali, e aos poucos começou a raciocinar o que houve – Não... não... – Sentara-se ali, olhara ao céu pondo ambas as mãos à sua cabeça passando seus dedos por seu cabelo encharcado – Isso não aconteceu! Meu irmão não está morto! – Agatha movera-se até ele suavemente pela chuva.

— Se acalme – Balbuciou a Bevandra com certo esforço.

— Me acalmar!? Tudo isso é culpa sua! Aquele homem não teria vindo atrás de nós se não fosse você e aquela garota dos infernos, ele não teria... – E despencou-se emocionalmente, urrando conforme chorava.

Maya parara de expressar qualquer emoção, seus grunhidos dolorosos cessaram conforme a fria chuva a acalentava. E seus olhos, frios e melancólicos estabilizaram-se em um único e cintilante olhar, ao garoto que estivera de luto por sua perda assim como estivera por perder sua filha.

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Eu, Rei Marcus Zandra. 55° Rei de Glassty. Decreto por meio deste comunicado, o banimento de todas as raças não-humanas do país. Em função aos eventos recentes de revoltas e o assassinato do antigo Rei Teigon. Você que não é humano tem até uma semana para sair de meus domínios, caso se recuse estará sujeito a prisão e pena de morte. E para qualquer um que ameace o meu reinado ou familiar próximo tenho um breve aviso: Você já está morto antes de sequer tentar. Logo após meu casamento com a Rainha Agatha, estive conversando com o delegado Caleb Timero e estaremos iniciando uma caçada com recompensa estimada em 2.000.000 de Dracos por cada Senhor do Medo que for morto e nos trouxerem sua cabeça como prova do feito. Esteja aberta a caçada!

FIM

Notas finais
Obrigado por ter lido até o fim, espero que tenha curtido a leitura. Essa história explica alguns eventos do meu livro que posteriormente lançarei, então caso tenha gostado desse aguarde o próximo, pois ele irá lhe surpreender ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!