Lenda Urbana
4 Uma morte horrível
Notas iniciais
— Já está na hora de dormir filha... — disse Marry terminando de limpar o chão. — Foi um grande dia.
- Acreditem em mim, passou alguém lá do lado de fora. — disse a garota.
- Agente acredita linda. — disse Pammy com um sorriso. — Eu vou trancar todas as portas e verificar as janelas.
- Vamos Dulce.
Marry e Dulce subiram as escadas para o andar superior da casa. Marry deitou sua filha na cama e a cobriu.
- Boa noite. — disse Marry beijando a filha.
- Mãe, você acredita em bruxas?
- Filha essas coisas não existem. São lendas urbanas. Já te disse que precisa saber que o que você lê em Harry Potter não acontece na vida real.
- Mas o Math disse que aqui nessa casa viva uma bruxa, e que ela roubava o último dente de leite das crianças, e depois amaldiçoava suas almas.
- Olha Dulce, o Nick disse que nunca ouviu falar da família Jhonson. Essa história desse garoto está estranha. Quero vê-lo depois.
- Tudo bem mãe.
Marry sorriu, depois foi até a porta.
- Mãe, deixe a luz do corredor acesa?
- Tudo bem meu anjo.
Marry saiu do quarto. Dulce se levantou, colocou a mão no bolso e tirou seu dente que caíra no acidente com a bicicleta. Ela foi até a cômoda, pegou um vidro vazio, colocou o dente dentro e escondeu o vidro na gaveta de meias. Depois voltou para a cama.
Pammy estava verificando as janelas quando ouviu barulhos na varanda. Ela abriu a porta da frente, saiu e começou a rodear a varanda em busca da origem do som.
- Quem está aí? — perguntou ela.
Sentado na rede estava Rique com um caderno e um livro nas mãos.
- Ah, você. Que susto. O que faz aqui? — ela se sentou ao lado dele na rede.
- Venho aqui toda noite estudar. Quero ir pra faculdade. A prova é na semana que vem. — disse o homem.
- Mesmo? Faculdade de quê?
- Engenharia elétrica. É meu sonho. Meus pais me diziam que fazer faculdade não me levaria a nada. Estranho, eu sei. Mas eles sempre me disseram que meu futuro era a fazenda. Queriam que eu cuidasse de tudo, mas não quero desistir dos meus sonhos.
- E você está certo. — disse ela. — Não se deve parar de sonhar. Nem sempre o que nossos pais querem pra gente, é o que realmente queremos. Meu pai queria que eu fosse médica, mas acabei sendo atriz. As pessoas sempre me disseram que eu me tornei atriz por minha aparência. Mas por trás disso tudo, eu sou aquela garota que sempre lutou pelo que quiz. Não desista Rique.
- Obrigado. Você é muito legal. — disse ele.
Os dois se aproximaram um do outro. Se não fosse os gritos de Dulce, haveria rolade um beijo.
- Dulce? — Pammy levantou da rede assustada e correu pra dentro de casa.
Na escada se encontou com Marry e Nick, ambos indo para o quarto da garota.
- Dulce! — gritou Marry.
Eles entraram no quarto de Dulce e viram a garota chorando sentada na cama.
- O que aconteceu filha?
- A bruxa mãe, ela esteve aqui. Eu acordei e vi ela toda de preto levantando meu travesseiro. Era ela!
- Se acalma. Nick, vá ver se tem alguém lá em baixo! — ordenou Marry.
Nick voltou para o primeiro andar. Pammy e Marry ajudaram Dulce a descer as escadas. Nick saiu na varanda e encontrou com Rique segurando uma mulher com capa preta pelo braço.
- Nick, eu a vi saindo da casa. — disse Rique. — É a senhorita McFeel. Da casa ao lado.
- Senhorita McFeel? — perguntou Nick.
Pammy, Marry e Dulce se juntaram aos rapazes. A velha de capa se virou pra eles. Parecia assustada.
- Vocês tem que ir embora. Toda essa agitação na casa desperou o mal. — ela disse. — Ela está aqui. Eu sinto a presença dela. Ela quer o dente da garota. — a velha apontou para Dulce. — Saiam da casa, ou haverá muito sangue.
- Senhorita McFeel, eu não te conheço direito, mas sendo você minha vizinha ou não, vou chamar a polícia quando entrar de novo na minha propriedade e assustar uma garotinha. — disse Nick.
- Não fui eu que assustei a garota. Foi ela. Eu a vi entrando na casa. Ela esteve no quarto da menina.
- Olha senhorita, saia!
A velha desceu as escadas, depois se virou pra eles novamente.
- O mal já está observando. Se não forem embora terá sangue esta noite. — dizendo isso, ela se virou e foi embora.
Dulce abraçou a mãe.
- Não era ela no meu quarto. — disse a garota.
- Tudo bem filha, já acabou.
- Bom, já sabemos pra quem não pedir açúcar. — disse Pammy sarcásticamente.
Depois todos voltaram pra dentro. Dulce foi dormir no quarto da mãe, continuava com muito medo.
Rique foi até o depósito. Retirou o lençól que cobria a serra de cortar madeira. Ele se abaixou, pegou as ferramentas e voltou a concertá-la. Depois de alguns ajustes ele ligou alguns botões e a máquina funcionou.
- Isso! Quem manda aqui? — perguntou ele.
Depois ele pegou um pedaço de um tronco de amdeira e o colocou na máquina. Em poucos segundos o tronco virou serragem.
Rique ouviu o barulho da porta do depósito.
- Quem é? — perguntou. — Senhorita McFeel, se o Nick te ver aqui ele vai pirar!
Um vulto com uma capa preta segurando nas mãos uma caixinha de música se aproximou por trás do garoto. Colocou a caixa no chão e pegou uma barra de ferro que estava no chão. Rique se virou com o barulho da caixinha de música, o que viu quese o fez vomitar. Era o rosto mais horrível que já vira. A coisa o atingiu com a barra de ferro na cabeça. Rique desmaiou.
Quando acordou estava amarrado a uma prancha e a coisa vestida de preto o empurrava para a serra. Não podia gritar, estava amordaçado. A coisa empurrou com mais força. Em alguns segundos, do outro lado da máquina saía algo vermelho, algo que não era suco de tomate.
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