Lembrei De Você
2 Capítulo 2
Eu odeio aviões. Sério. É horrível não poder ir em um banheiro de verdade.
Bom, mas isso não vem ao caso. A pior coisa é que eu estou longe da minha família. Estou sozinha do lado de uma senhora, muito gorda com os cabelos grisalhos. Ela fica tomando água e arrotando. E isso está me irritando muito.
– Senhora, está tudo bem? — eu pergunto, sem querer ofender.
– Está sim, porque? — ela diz, de um jeito muito mal educado.
– Nada, é só que parece que a senhora está passando um pouco mal — digo tentando me safar da pergunta idiota que eu fiz.
– Bom, mas não estou — ela fala alto demais para a aeromoça escutar.
– Algum problema aqui? Esta garota está te atrapalhando, senhora?- a aeromoça pergunta, apontando para mim.
– Está me atrapalhando um pouquinho, será que eu poderia trocar de lugar com alguém? — Ela diz, com ar de quem está muito brava.
– Licença, eu não fiz nada para essa senhora, só perguntei se estava tudo bem com ela — Digo, de novo tentando me safar da enrascada.
– Então, senhorita, por favor não perturbe mais a senhora... -
Bom, mas isso não vem ao caso. A pior coisa é que eu estou longe da minha família. Estou sozinha do lado de uma senhora, muito gorda com os cabelos grisalhos. Ela fica tomando água e arrotando. E isso está me irritando muito.
– Senhora, está tudo bem? — eu pergunto, sem querer ofender.
– Está sim, porque? — ela diz, de um jeito muito mal educado.
– Nada, é só que parece que a senhora está passando um pouco mal — digo tentando me safar da pergunta idiota que eu fiz.
– Bom, mas não estou — ela fala alto demais para a aeromoça escutar.
– Algum problema aqui? Esta garota está te atrapalhando, senhora?- a aeromoça pergunta, apontando para mim.
– Está me atrapalhando um pouquinho, será que eu poderia trocar de lugar com alguém? — Ela diz, com ar de quem está muito brava.
– Licença, eu não fiz nada para essa senhora, só perguntei se estava tudo bem com ela — Digo, de novo tentando me safar da enrascada.
– Então, senhorita, por favor não perturbe mais a senhora... -
– Lancy, senhora Lancy — diz ela toda orgulhosa.
– Não perturbe mais a senhora Lancy! Se ela te incomodar novamente, me chame que mudo a senhora de lugar — fala a aeromoça.
Ufa, me safei dessa. Acho que não vou mais abrir minha boca, até chegar na Califórnia.
~*~
Dormi o resto da viagem inteira.
Chegando no aeroporto, fiz meu check-in e fui fazer umas compras no free shop. Lá encontrei minha mãe e Kacey.
– Mãe, foi horrível essa viagem, a pior da minha vida! — digo, correndo para os braços dela.
– Porque, o que aconteceu? — ela pergunta.
Explico toda a historia da senhora chata do meu lado e minha mãe ri o tempo inteiro. Ela ri porque não foi com ela.
Eu preciso comer. Tem um McDonald's ali do lado, mas minha mãe disse que a gente tem que comer a comida da minha tia, infelizmente.
~*~
Chegando na casa da minha tia, eu arrumei minhas malas e fui correndo jantar, nessa hora vi meus primos em cima da minha irmã. Quase fui lá mandar eles para o quarto, aí lembrei que estava com muita fome pra isso e que eles tem a minha idade.
A comida estava boa, mas eu preferia um lanche. Tudo bem Katie, supera. Era só um lanche.
Preciso perguntar para a minha tia se aquele numero de telefone é americano.
– Tia, olha esse numero aqui. Ele é americano? — pergunto, quando ela acaba de lavar a louça e senta no sofá ao meu lado.
– Deixa eu ver... É sim! Parece ser aqui da Califórnia — ela responde.
– Ah! Será que eu poderia ligar do telefone da sua casa para este número? — pergunto, com medo.
– Sim, claro! A vontade — estou começando a gostar bastando dessa minha tia.
Vou até a cozinha, pego o telefone e disco o número do papel.
– Alô? Quem está falando? — uma voz feminina, bem esganiçada, atende. Parece que eu a conheço.
– Aqui é Katie Bluds, quem fala? — Pergunto.
– Senhora Hudson, com quem você gostaria? — será que é a senhora Hudson que eu estou pensando? A senhora Hudson, mãe de Carter Hudson?.
– É... Hã... Ca-Carter está? — tomara que seja quem estou penasndo, não quero passar mico.
– Carter? Acho que sim. Um minuto — ufa, é a senhora Hudson que eu estava pensando.
–Hum, alô? Katie? Tudo bem? — diz ele, sem parecer me conhecer.
– Estou sim, eu só achei seu número nas minhas coisas e quis saber de quem era. Aqui quem fala é a Katie Bluds, do jardim de infância — digo, tentando lembra-lo de mim.
– Ah, sim, Katie! Nossa a quanto tempo! Você não estava morando em Londres? — diz ele, enfim lembrando de mim.
– Sim, é que estou passando as férias aqui na casa da minha tia — respondo.
–Ah, claro! Você quer ir a algum lugar amanhã á noite? Para lembrar dos velhos tempos — ele diz, com uma ponta de medo na voz.
– Pode ser! — respondo, também com medo. Carter realmente quer sair comigo?
– Então te vejo ás oito, no Café Donuts. Aquele perto da minha casa, lembra? — fala ele.
– Lembro sim. Pode deixar, tem encotro lá! — ai meu Deus, um encontro com Carter Hudson! Nunca achei que diria isso.
– Tá então, tchau. Até amanhã. — diz ele, e eu assusto, lembrando que estava ao telefone.
– Tchau, até amanhã! — desligo o telefone e sento na cadeira.
Primeiro dia aqui e eu já tenho um encontro com Carter Hudson, o menino que eu "namorei" no jardim de infância. Foi um namoro de criança, mas mesmo assim eu conto como meu primeiro namoro. Na verdade eu sou obrigada a contar pra não passar vergonha, porque depois dele só tive um namorado. E ele não foi bem um namorado porque a gente namorou só 3 semanas. E quando ele terminou comigo eu fiquei muito feliz, porque o menino era muito chato. Também não me entendo.
~*~
- Kacey, vem aqui — gritei.
- Que foi? — pergunta ela.
- Eu marquei um encontro amanhã! O que eu faço? — falo, em busca de ajuda para não pagar mico em outro encontro.
- Com quem? — pergunta ela, animada.
- Com um menino que eu estudei no pré, o Carter — falo, numa resposta rápida, querendo mesmo saber o que fazer no encontro.
- Aquele que você "namorou"? — pergunta ela, fazendo sinal de aspas com as mãos.
- Sim, esse mesmo — digo, rindo para desfarçar a vergonha.
– Bom, você já tem ele nas mãos, é só ser natural — ela diz, parecendo mais velha.
– Você vai me ajudar a pensar no que vestir — digo, olhando para a minha mala aberta, quase desarrumada.
– Claro que vou, não perderia essa — ela solta uma risada contagiante.
– Vem, vamos — digo, já pegando a primeira blusa e tacando longe.
– Ai! Que linda essa, usa ela! — Kacey joga uma blusa branca e preta com um panda na frente.
– Não, muito criança! Ele não vai me achar seria o bastante — digo, dando um risinho porque Kacey fez cara de brava quando eu disse que era muito criança.
– Ah, então essa! Um ar bem profissional e adulto — ela diz, me entregando uma camisa de botões preta.
– Não, muito adulta! Não quero parecer uma advogada — Digo, enquanto ela me olha com um olhar ameaçador.
– Estou quase desistindo — diz ela, em um tom de gozação.
Depois de quase duas horas procurando, achei a roupa perfeita. Uma blusa roxa e rosa listrada, uma calça jeans preta e uma bota de salto.
– Ufa, não aguentava mais ver roupa — digo, quando coloco as peças de roupa em cima da minha cama.
Quando finalmente minha irmã saiu do quarto, fiquei lembrando de como era bom ser criança e poder namorar quem quisesse sem realmente namorar. Bons tempos aqueles.
A hora da janta foi a melhor, até meus primos ficaram suportáveis. Foi divertido e eu comi demais.
~*~
– Filha, eu preciso de contar uma coisa — diz minha mãe, com uma cara abatida.
– O que mãe? Pode contar — digo.
– Nós não viemos aqui por que queria visitar sua tia... Estamos aqui porque eu e seu pai estamos nos divorciando — Uma lágrima escorre dos olhos dela ao dizer isto.
Fico por um momento em choque, não consigo falar, respirar, ouvir, nada. Então digo:
– Kacey já sabe disso?
– Não! Estou indo contar para ela agora — Diz ela, se afogando em lágrimas.
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