Lembre-se de mim
3 Memórias
Notas iniciais
(ETHAN)
Eu não podia suportar a ideia de perder a Alison, ela era uma das minhas únicas amigas de verdade, só que eu considerava ela mais que isso.
Eu estava andando de um lado pro outro pra tentar aliviar a tensão, mas não estava adiantando. Se o meu pai visse isso, eu teria que ouvir mais reclamações sobre o meu comportamento.
Não ande em círculos.
Comece a agir como um homem de verdade, Ethan.
Meu pai é o dono de uma grande construtora, ele espera que um dia eu assuma o lugar dele, por isso ele é tão exigente comigo. Era ruim viver sob as ordens dele, mas eu não queria decepcioná-lo.
Ouvi uma batida de leve na porta, eu abri e era a minha mãe. Ela tinha um rosto tão angelical, com olhos e cabelos castanhos, todos falavam que eu parecia com ela.
− Filho, seu pai quer falar com você, ele está esperando no escritório.
Meu pai provavelmente queria falar comigo sobre negócios, esse era o único assunto que nós tínhamos.
− Ok, obrigado.
Minha mãe me deu um beijo na bochecha e disse.
− Tentem não discutir de novo, ok?
Meu pai costumava ficar estressado comigo todos os dias.
− Ok, mãe.
Ela saiu de lá e eu fui pro escritório. Bati três vezes na porta e esperei.
− Entre− meu pai disse com a voz firme.
Abri a porta e vi meu pai sentado em sua poltrona de couro, em frente à uma mesa cheia de papéis que deveriam ter sido lidos e relidos por horas. Meu pai parecia um típico chefão da máfia.
− Bom dia, pai− eu disse e me sentei em frente à ele.
− Bom dia, Ethan.
− Por que o senhor me chamou?
− Nossa empresa fechou um ótimo negócio com o prefeito da cidade.
− Legal. Que negócio? − perguntei fingindo interesse.
− Vamos construir um novo shopping pra cidade.
Pelo menos ia ter algo novo aqui. Eu sempre sonhei em ir embora, mas eu não podia abandonar tudo.
− Eu quero que você assuma tudo− ele exclamou.
Eu nunca esperei que o meu pai fosse dizer isso, ele me deixou tão surpreso.
− Eu não sei se estou preparado pra fazer algo tão grande.
− Eu não te perguntei se você quer ou não. Você é Ethan Allen, você consegue, e nesses últimos dois anos, você me acompanhou em todos os negócios da empresa.
Tudo aquilo já estava me estressando.
− É que eu... − antes que eu terminasse de falar ele me interrompeu.
− Chega.
Nossa relação era assim. Eu acho que ele não me via como um filho, e sim como um projeto, algo que ele queira melhorar.
− Pode ir− ele falou e começou a examinar a papelada que estava sob a mesa.
Eu saí do escritório e fui direto pro meu quarto. Eu nunca tinha falado pro meu pai que eu não queria assumir a empresa, mas como eu era o único herdeiro, eu precisava.
Me joguei na cama, queria que aquele dia acabasse logo. Eu sentia tanta falta da Alison, era como se uma parte de mim não estivesse aqui. Eu ainda lembro do dia que nos conhecemos.
Já era tarde, eu estava estressado com a escola, então decidi ir dar uma volta.
Eu estava em uma rua deserta, quando vi uma garota loira falando com alguém no celular.
− Você pode vir me buscar? − a garota perguntou− É perigoso eu estar aqui sozinha a essa hora.
Eu estava a dois metros atrás dela, ela não tinha me visto ainda.
− Ok, mãe. Não demora, por favor− ela disse− Tchau.
A garota guardou o celular e se virou. Ela tomou um susto quando me viu.
− A quanto tempo você está aí? − a loira perguntou.
− Não muito.
− Você não é um serial killer, ou é?
Ela não parecia estar com medo.
− Tenho certeza que não− eu ri.
− Então por que está numa rua completamente vazia a essa hora?
− Acho que devo perguntar a mesma coisa.
− Tem razão. Já que não é um psicopata, me diz o seu nome, estranho.
− Meu nome é Ethan.
Ela estendeu a mão e eu a peguei.
− Alison.
Antes que ela soltasse, eu dei um beijo na mão dela.
− Parece que o cavalheirismo não morreu− ela disse surpresa.
Ela tinha algo diferente no olhar e na postura. Ela parecia ser extrovertida e audaciosa. Tinha algo nela que me atraía e eu não sabia explicar o que era.
− Então, Alison, é uma cidade pequena, como eu nunca te vi antes?
− Acabei de me mudar pra cá. Sou de Nova Iorque.
− Bem-vinda à Fort Collins.
Ela sorriu.
− Obrigada, estranho.
Olhei pra rua e vi um grande carro preto vindo. Alison acenou e depois voltou a olhar pra mim.
− Qual é mesmo o seu nome? − Alison perguntou.
− Ethan Allen.
O carro parou próximo de nós e o motorista buzinou.
− Espero te ver de novo, Ethan Allen.
Ela deu um sorriso e entrou no carro.
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