Lembre-se de mim

4 Abstinência


Notas iniciais
Quem é Sarah? Trilha sonora oficial: Artificial Nocturne- Metric I'm just as fucked up as they say I can't fake the daytime Found an entrance to escape into the dark

(SARAH)

− Conte a sua história, Sarah− a terapeuta pediu.

Eu estava deitada em um sofá no consultório da minha nova terapeuta, Ivy. Ela estava sentada em uma poltrona na minha frente, com um pequeno caderno de anotações. Era a minha primeira consulta.

− Isso é ridículo− eu falei com raiva.

Minha mãe estava me obrigando à ir nessas consultas, se eu não fosse, ela iria me mandar pra reabilitação.

− Me conta, eu estou tentando te ajudar− Ivy falou.

A paciência dela me irritava.

− Eu me envolvi com drogas, você já sabe.

− Como começou?

Respirei fundo, eu não gostava de falar sobre aquilo.

− Eu era a garota perfeita, era educada, gentil, só tirava boas notas, até que um dia, eu conheci alguém.

− Qual era o nome dele?

− Dylan. Um típico bad boy− contei− Eu acabei me envolvendo com ele, quando me dei conta, eu estava fumando cigarro e maconha.

− E depois?

Olhei pra Ivy e vi ela fazendo anotações.

− Depois passei pra cocaína, e aí foi pro crack. Eu me sentia tão bem quando usava, me sentia livre de tudo e todos. Depois de um tempo, a garota perfeita tinha desaparecido e eu não conseguia me reconhecer quando me olhava no espelho.

Pude sentir lágrimas escorrerem pelos meus olhos.

− Eu estava ficando com olheiras, minha pele estava tão feia, meu cabelo estava quebrado e sem vida.

− Como você se sentiu?

− Um lixo. Dylan me trocou por uma garota qualquer, eu fiquei arrasada e acabei dobrando o uso das drogas. Quando minha mãe parou de me dar dinheiro, comecei a vender a mobília do nosso apartamento, ela até achou que a nossa empregada estava nos roubando.

Dei uma risada nervosa.

− A minha mãe só descobriu tudo depois da minha primeira overdose, mas já era tarde, eu estava no fundo do poço.

Limpei as lágrimas e continuei.

− Ela não me queria mais por perto, então me mandou pra esse fim de mundo pra eu morar com o meu pai, até o Natal. Ela disse que se eu não voltasse a ser quem eu era antes, eu não voltaria mais pra Nova Iorque.

− Seu pai sabe das drogas? − Ivy perguntou intrigada com a minha história.

− Não. Ele nem imagina.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, eu esperava que Ivy fosse dizer algo, mas ela não disse.

− Tenho só dezoito anos e já me envolvi com cigarro, maconha, cocaína e crack. Tive duas overdoses e já passei dias na rua. Eu não tenho mais chances.

− Você que escolheu entrar nisso, então você pode escolher se quer sair ou não− ela me motivou.

Eu ri.

− Não é tão fácil assim. Depois que você começa, é muito difícil parar.

− Você tem que recomeçar, Sarah. Encontre um novo objetivo na vida. É normal essa abstinência.

− Eu estou viciada. Não consigo recomeçar.

− Eu estou aqui pra te dar apoio, pode contar comigo pra tudo.

− Claro, você está sendo paga pra isso− dei risada− Eu não tenho ninguém que esteja aqui por mim de verdade. Eu estou sozinha.

− Então encontre alguém. Ache alguma pessoa que faça você querer recomeçar.

Me levantei do sofá e peguei a minha bolsa.

− Nossa consulta acaba por aqui, Ivy− eu disse e saí da sala.

Entrei no elevador e apertei no botão do primeiro andar.

Será que a Ivy estava certa? E se eu achasse alguém, será que eu iria mudar? Eu iria testar essa teoria, sei que se eu largasse esse vício, eu poderia voltar pra a minha antiga casa e ter a vida que eu tinha antes.

Eu já estava decidida, quando o Natal chegasse, eu seria a mesma garota de antes, mas pra isso eu precisava achar alguém.

Notas finais
Sei que essa personagem vai ser a mais difícil de escrever. Comentem o que acharam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.