Lembre-se de mim
4 Novo Amor. Novas Emoções
Ao acabar a aula, vejo que meu pai já está me esperando no carro. Entro no carro, ele está sério. Parece que estou a uma eternidade no carro, ele não diz uma palavra. Um minuto depois, ele diz:
–Você não pode fazer o que você fez.
–Mas ela me provocou.
–Isso não é motivo, nós ruivos temos que ter uma boa reputação, você me deixou muito envergonhado! – ele olha para mim.
–Sinto muito – digo para ele. Será que alguém vai acreditar em mim? Penso. Uma lágrima escorre de meu olho. Estou chorando, não posso chorar, eu sou forte! Repito para mim mesma eu sou FORTE!
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Ao chegar em casa vou para o meu quarto, não estou com fome, e também não quero ficar cara a cara com meus pais durante o jantar. Não hoje.
Dou uma cochilada, e sou acordada pela minha mãe;
–Minha querida, — ela mexe em meu cabelo – o que aconteceu? Me conte, mamãe acreditará em você.
Eu conto tudo para ela, sei que posso contar com ela.
–Eu entendo filha, — ela beija minha testa – seu pai ficou bravo por causa da reputação dele, não é normal a cor de seu cabelo, mas isso não é culpa sua.
Eu não aguento e começo a chorar, incontrolavelmente nos braços de minha mãe. Ela me consola.
–Tudo vai passar querida.
–Sim mãe – digo mentindo. Sei que isso não vai passar...
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No dia seguinte.
Meu despertador toca, levanto, tomo banho e me visto para ir para a escola. Hoje decidi que pegaria o ônibus. Como meu cereal, olho para o relógio da cozinha, quase na hora da minha aula. Desço da cadeira, pego minha mala.
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Vou para o ônibus. Percebo que esqueci minha lancheira ontem na escola, não importa, não quero mais nada que me lembre da Flavia Valentona.
O ônibus está quase saindo quando embarco nele. Ao passar pelo motorista, um cara com cabelo preto, agora entendo por que minha mãe diz que eles ganham um salário menor que os ruivos e os loiros. Ele fica boquiaberto quando passo por ele.
Sento em um banco vazio, todos os outros estão cheios. No ultimo segundo um menino, loiro de olhos azuis entra no ônibus e se senta ao meu lado. Parece que ele é novo na escola.
Ele vira para mim e diz:
–Oi,
–Oi – digo muito corada.
–Como é seu nome?
–Kaku... Kakumei, — digo com vergonha.
–Belo nome, meu nome é Logan – diz ele. – O seu cabelo é lindo...
–Obrigada – eu estou virando um pimentão, estou muito vermelha. Ele repara e diz:
–Você está bem?
–Estou.
Escuto um grito que vem da parte da frente do ônibus:
–Estamos chegando na escola, se preparem para descer.
Ele estaciona em uma vaga para ônibus. Logan e eu descemos por ultimo.
–Qual o nome da sua professora?
–Lia, e a sua?
–Meu deus.
–O quê foi? – digo assustada.
–Somos da mesma turma.
Lembro da minha classe, minha mesa, com um lugar vago. Vou ter que dividir a mesa com ele. Ai não!
–Você sabe onde é a nossa classe? – ele diz empolgado.
–Sei, me segue eu te levo.
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Levo ele até a nossa classe, a professora está na frente da classe arrumando suas coisas. Ela nos percebe. Eu coro.
Eu entro e ela se vira para Logan.
–Venha aqui, — ela aponta para a frente de sua mesa. – Se apresente, por favor.
Percebo que ele também está corado. Ele começa a gaguejar e diz:
–Muito prazer, meu no... no... nome é Logan.
A classe diz:
–Bem vindo! – sem empolgação.
–Logan pode se sentar ali – ela aponta para minha mesa. – do lado de Kakumei.
Ele faz que sim com a cabeça, ao passar perto de uns meninos ouço sussurros:
–Ele vai sentar com a esquisita.
Não ligo. Ele senta do meu lado. De perto percebo como ele é bonito. Seu cabelo loiro e seus olhos azuis me encantam, me sinto diferente perto dele. Ele é lindo.
A professora começa a explicar geografia, não quero saber, estou apaixonada por alguém que eu nem conheço. Mas que me deixa com uma sensação de borboletas no estômago.
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