Lembranças de uma Marota
1 Potter.
Notas iniciais
Me sentei na frente de Sofia Morgana, a diretora da E.M.B.B (Escola de Magia e Bruxaria Brasileira) tentando não perguntar o que eu tinha feito de errado. Eu só havia entrado na sala da diretora para falar das minhas notas excepcionais do fim do ano. Já estávamos de férias, só que minha família está na França (vão ficar lá por mais seis meses ou algo assim). Por isso, estou passando o primeiro dia de férias (e todos os outros dias) na escola. Que ironia, não?
Então, como que do nada, houve um estalo alto e logo haviam mais duas pessoas na sala. Um homem alto, já marcado pela idade, óculos de meia-lua, barba branca e uma veste impecável. Observei minha veste verde escuro. Eu era da casa Natureza. As casas eram definidas de acordo com a bandeira do país (Brasil, no caso, como já dei a entender antes) e não há uma maneira fixa de seleção. As casas são, Natureza, Riqueza, Águas e Paz. Bem estranho, não? Claro. Os da Natureza usam uniformes verdes. Riqueza, uniformes amarelos. Águas, uniformes azuis. E finalmente, Paz, usam um uniforme branco.
Mas voltando à esse momento, a outra pessoa, não era ninguém mais, ninguém menos que um garoto da minha idade, óculos redondos, cabelos pretos e rebeldes.
– Olá, Sofia. — disse o homem.
– Olá, Alvo. — a diretora olhou para mim. — Este é Alvo Dumbledore, diretor da Escola De Magia e Bruxaria de Hogwarts.
– Espera. — eu disse.-Hogwarts não é aquela escola do Reino Unido? Escócia, se não me engano...
– Isso mesmo, Natasha. Dumbledore está aqui, como já percebeu, com um outro jovem. — assenti com a cabeça.
– Este é Tiago. — continuou Morgana. — Tiago Potter.
Arregalei os olhos, surpresa. Olhei de Morgana para Tiago, de Tiago para Dumbledore e de Dumbledore de volta à Morgana.
– Algum... Parente meu?
– Ele é seu irmão, Natasha.
– Impossível, eu...
– Nasceu na Inglaterra, veio para o Brasil com dois anos e vive aqui desde então com seus pais adotivos trouxas e sua irmã, também trouxa.
Olhei para Dumbledore, inquieta.
– Que tipo de brincadeira sem graça é essa?
– Você vai voltar à Inglaterra, Natasha. A E.M.B.B já não é mais tão segura e Dumbledore pediu para que eu transferisse você para Hogwarts. A proteção de lá é muito melhor.
Acho que a saída é aceitar.
– Vou fazer minhas malas.
– Eu te ajudo.
Sorri.
– Obrigado Tiago.
Caminhamos pela escola (um tipo de prédio. Tenho medo dos elevadores. Depois explico melhor) até chegar ao andar dos dormitórios da Natureza.
– Porquê... Não usamos... Aquelas coisas ali?
Ele disse, apontando para os elevadores.
– Sou claustrofóbica.
– Entendi... Te espero aqui.
– Porquê? — perguntei.- Minhas amigas não mordem.
– Em Hogwarts, os garotos não podem entrar no dormitório feminino sem autorização de pelo menos uma das garotas.
Eu ri.
– Aqui não é Hogwarts. Não tem problema, Tiago.
Eu abri a porta e imediatamente um pássaro azul saiu voando.
– Su, já não falei para não soltar esse bicho como se fosse um gato? — eu disse, já entrando no quarto e gritando.
– Desculpe. Ela fugiu.
As garotas riram. Eu também.
– Entre, Tiago.
Ele entrou no quarto e ficou encarando o papel de parede "animado" com uma floresta.
– Quem é esse? — perguntou Su, os cabelos castanhos caindo-lhe nos olhos.
– Meu irmão. — respondi.
– Eu não sabia que você tinha irmão. — disse Camilla, pensativa e com os cabelos loiros (com uma mecha verde claro) presos em uma trança única.
– E eu não sabia até este exato momento. — Todas rimos e Tiago se senta na cama. — Eu...
– O que foi, Naty?
– Eu... Eu vou embora, meninas.
O choque ficou estampado no rosto de Suzana e Camilla.
As duas vieram me abraçar.
Nós três somos amigas desde o primeiro ano.
– Para onde?
– Uma escola de Magia e Bruxaria na Escócia, Milla.
– ESCÓCIA? — gritaram.
– Você vai quase para o outro lado do mundo! — disse Su, já em lágrimas.
– Na verdade, eu vou só para a Inglaterra primeiro e depois, vou para essa escola. Vocês viram a Panda?
– Foi atrás da Lana.
– Lana? Panda? — Tiago parecia confuso.
– Lana é a Arara Azul que você viu saindo do quarto e Panda, é a minha gata. Ela tem pelos brancos e pretos. Por isso,Panda.
– Vamos logo. Dumbledore deve estar nos esperando.
Quando vi, Tiago estava com Panda na "gaiola" dela, minha mala pronta em mãos e com a porta aberta.
– Vamos maninha! — ele me apressou.
– Ok! — eu disse, revirando os olhos.
Me despedi de Su e Milla.
Sentiria saudades delas. Muitas saudades.
Às vezes sua vida desmorona e você não sabe o que te atingiu. Mas isso até que está sendo uma mudança boa. Muito boa.
[...]
– Você se parece tanto com sua mãe... — disse meu pai, durante o jantar. Me acostumei logo a chama-los de "pai e mãe".
– Não queremos que fique brava por termos deixado você no Brasil com uma família trouxa. — minha mãe voltava da cozinha com outra taça de sorvete de creme para cada um. — Naquela época, já era difícil cuidar do Tiago. E depois de quase um ano, você... E outros fatores que não vêm ao caso agora. Tente entender, Natasha.
– Não se preocupem. Não estou brava. — eu sorri, aceitando o sorvete.
– Você tem sorte. — disse Tiago.
– Porquê? — perguntei.
– Porque ainda estamos no começo das férias de Hogwarts. — Todos rimos. — Ah, e... Sirius e Remo vêm passar as férias aqui... Tinha esquecido de...
Então a campainha soou. Tiago fechou os olhos esperando, talvez, uma possível explosão dos nossos pai, que apenas se entreolharam.
– Eu atendo...? — eu disse.
Tiago concordou, reabrindo os olhos.
Me levantei. Caminhei até a porta, ajeitando o vestido branco. Observei meu sapato de salto, também branco. Meus pais trouxas não me deixavam usar salto.
"Muito adulto." diziam. "Você só tem catorze anos!"
Girei a maçaneta fria e abri a porta, dando de cara com dois adolescentes da minha idade.
– Olá? Estou na casa certa?
Disse o garoto que estava do lado esquerdo. Cabelos pretos, olhos azuis e um pouco mais baixo que eu. Lembrando que eu estou de salto. Ouvi Tiago vir da sala de jantar.
– Almofadinhas!
– Pontas! — Eles se abraçaram e o garoto bagunçou os cabelos de Tiago. — Me conte, Pontas. Quem é essa?
Ele me indicou com a cabeça. O outro garoto já entrava na casa, quieto. Ele tinha cabelos
castanhos quase loiros.
– É minha irmã, Sirius.
– Não sabia que tinha uma irmã.
– Pois, eu tenho, meu amigo.
– E qual é o seu nome? — ele me perguntou.
– Natasha Potter. — respondi sorrindo. Ele também sorriu.
– Sirius Black.
Fui apresentada à Lupin (Aluado) e Pettigrew (Rabicho). Só que Pettigrew não veio para cá. Estava de castigo por ter perdido vinte galeões, se não me engano.
Pelo que entendi, Tiago é o Pontas e Sirius é o Almofadinhas. O sentido dos apelidos? Não faço a mínima ideia.
Após o jantar, todos nos sentamos no sofá.
– Podem ficar acordados. Afinal, estão de férias.
– Obrigado mãe!
Gritou Tiago. Assim que eles subiram as escadas, os três sentaram em um círculo no carpete, pegaram pergaminhos, penas e tinta.
– Isso não faz muito sentido, Pontas!
– Não seja tão nerd nas férias, Aluado!
Respondeu Tiago. Sirius levantou as mãos para o alto.
– Porque nós não fazemos uma pegadinha com minha querida prima?
– Bellatrix? Está louco? Não me meto com aquela sua prima doida varrida nem que Merlin se materialize na minha frente!
Disse Tiago, fazendo uma careta. O sorriso de Sirius murchou. Me senti realmente excluída daquela realidade que está à minha frente.
– Tiago?
– Fala, maninha. — ele disse sem tirar os olhos dos pergaminhos.
– Posso ficar com vocês?
Tiago me olhou.
Sirius formou palavras com os lábios:
"Você é quem sabe. Se quer ela no grupo..."
O silêncio recaiu sobre a sala, por uns cinco minutos.
– Tá, senta aqui.
Me sentei entre Sirius e Tiago.
Tiago ficou cerca de meia hora me explicando o objetivo dos Marotos, o porquê da Animagia ilegal, o porquê de Snape ser nosso principal alvo e essas coisas...
– A primeira pegadinha do ano, ainda no Expresso, será sua maninha. Sua iniciação como Marota.
– O que eu tenho que fazer?
Perguntei, me sentando sobre as pernas.
– Entrar na cabine de Snape e ser uma Potter.
Ele disse, erguendo as mãos para o alto, como se fosse óbvio.
– Aí eu saio correndo pra não me ferrar antes do ano letivo começar, não é?
– Isso mesmo. E tome cuidado para não cruzar com uma certa ruivinha brava que atende por Lílian Evans, a melhor amiga do Ranhoso.
– Ok, entendi... Pelo menos acho que sim.
ESTAÇÃO KING'S CROSS, PLATAFORMA 9 3/4
– Eu não vou correr de encontro à uma parede de tijolos, Sirius! Será que eu sou a única pessoa sã desse lugar? Eu disse, tentando convencê-lo de que era loucura.
– Naty, tudo mundo está em sã consciência, não se preocupe! E pare de loucura! É só... Correr. Acha que vai bater?
– Geralmente é isso que acontece quando corremos de encontro a uma parede de tijolos, não é?
– Vamos perder o trem!
Ele gritou. Não tive tempo de fazer nada. Sirius me empurrava para a frente e encarei a parede. Eu não conseguia parar de correr. Era uma sensação boa. Meus cabelos pretos voavam. Trouxas nos encaravam:
– Delinquentes! — murmuravam. A parede está próxima. Fechei os olhos com medo do que poderia vir. Passei por algo frio e reabri os olhos.
A fumaça não me permitia enxergar muita coisa, mas o suficiente para ver o Expresso de Hogwarts, escarlate e altivo. Atrás de mim, vinha Sirius, com um sorriso maroto no rosto.
– Não faz mais isso.
– Porquê?
– Eu quase tive um ataque cardíaco!
Ele riu.
– Vamos. Tiago foi o primeiro a passar, então, já deve estar em alguma cabine. Vai indo na frente. Tenho que falar com uma pessoa.
Abri a boca para contestar sua saída.
– Sirius, eu... — Ele já estava longe. — Deixa pra lá.
Andei pela plataforma 9¾ procurando algum sinal de meus pais.
Sem sucesso.
Entrei no Expresso, desejando encontrar Tiago logo.
Enquanto andava pelo corredor cheio (lê-se apinhado de gente) procurando por algum sinal dos Marotos, passei por uma cabine, um tanto curiosa. Porquê? Ah, não sei. Chamou minha atenção.
Um garoto, de cabelos longos e pretos, um nariz razoavelmente grande, (eu poderia compará-lo à um Tucano, mas seria maldade minha e o fator que poderia me levar à Sonserina) e uma garota, ruiva. Ambos pareciam ter a minha idade e...
– Por Merlin, Naty! — gritou Tiago, do outro lado do corredor. — Vem logo, ou vamos deixar você para fora da cabine!
Revirei os olhos.
– Estou indo...
Caminhei até a cabine de Tiago. Ninguém novo, talvez exceto, a figura de Pedro Pettigrew, que comia (lê-se devorava) uma barra de chocolate. Então, o Expresso começou a andar. Pois agora, não havia volta. Estava indo para Hogwarts.
– Um sapo de chocolate, maninha?
– Nunca comi antes, mas...
Peguei a caixinha roxa e dourada da mão de Tiago. Abri a caixa, e logo um sapo (lê-se um sapo de verdade) de chocolate pulou da caixa direto para a janela aberta. Quando estiquei a mão para pegar, o sapo pulou para fora do trem.
– Você se acostuma, maninha. Quem você tirou?
– Um tal de... Espera. Não tem nada aqui.
Eu virei a caixa de cabeça para baixo, esperando que algo caísse de lá.
– Que azar! Eu sempre quis tirar um Fundador... — disse Sirius, pensativo.
– Têm exatas 0,01% de chances de você, ou qualquer bruxo da face da Terra, nunca tirar um Fundador.
– Ah não, vai começar de novo. Pelo amor de Merlin, Aluado, pare com isso!
Tiago afundou no assento e Lupin, com uma careta, abriu o livro de Aritmância.
– Quando eu vou para a cabine do Sever... Ranhoso? — eu disse, tentando impedir que meu segundo sapo de chocolate suicida saísse pela janela do Expresso.
– Se quiser, agora. Mas tem que ser um feitiço bom.
– Eu tenho um... — tentei me lembrar das aulas de Feitiço, mas era difícil prestar atenção no ranzinza Jonas, o professor. — Araboglio.
– O que ele faz? — perguntou Sirius, se inclinando para ouvir melhor.
– É um conjunto de azarações, eu que criei... Ela deixa o "alvo" com o cabelo super longo, faz a pele ficar translúcida, e então...
– Então...?
– Furúnculos coloridos.
– É algo bem ridículo.
– Tente fazer melhor, Remo!
Eu disse. Ele me olhou com uma careta e voltou a ler. Pedro abriu uma caixa de Feijõezinhos de Todos os Sabores e todos nos servimos.
– Naty primeiro!
Revirei os olhos e coloquei um dos doces na boca.
O gosto de morango e açúcar invadiu minha boca.
– Algodão Doce de morango!
– Sorte de principiante!
– Eu vou até lá.
Tiago sorriu, maroto.
– Seja uma Potter!
Eu sorri. Cheguei perto de Tiago e sussurrei:
– Talvez um Obliviate o faça esquecer de quem fez aquilo com ele. Afinal, sou uma Potter, não sou? E... Só eu sei como reverter o Araboglio.
O sorriso de Tiago se alargou, e eu saí da cabine.
[...]
– Olá? Com licença... Perdi meu malão... Você o viu?
O garoto me encarou com os olhos negros.
– Não. Tente o feitiço Accio.- respondeu lentamente, já com os olhos voltados para o livro.
– Ah, então... Obrigado, e... Araboglio!
O efeito do feitiço era rápido. Em segundos, o cabelo de Ranhoso estava, agora, na altura das vestes, a pele, translúcida como a de um fantasma e por toda a pele, pequenos furúnculos coloridos.
Assim que percebeu o que estava acontecendo, ele perguntou:
– Mas, por Merlin...!?
– Obliviate.
Ele ficou sem reação e eu percebi que era minha hora de sair do palco. Fechei a porta da cabine e voltei tranquilamente até a cabine dos Marotos.
– E aí? — perguntou Sirius, enquanto eu entrava na cabine. Eu parei, sorri e fechei a porta.
– Tudo perfeito!
Houve um pouco de festa na cabine, e até Lupin tinha parado de ler.
– Genial. — disse Tiago. — E agora... Seu apelido.
O silêncio caiu sobre a cabine.
– Phynt.
– Porquê?
Senti os quatro me encarando.
– Essa não é a pergunta certa, Tiago. A pergunta certa é: Porquê não?
Acho que fiz eles pensarem nisso o resto da viagem, porque ficaram quietos como nunca.
– Qual é o contrafeitiço?
Perguntou Lupin, após um tempo razoável.
– Gorgolla Noxi.
– Feitiços bem elaborados. Parabéns.
– Obrigado.
Encarei a paisagem do lado de fora do Expresso. Eu me sentia realmente em casa.
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