Notas iniciais
✨ Oieee... Esse capítulo é perigosamente especial. Porque é aqui que a história deixa de ser apenas sobre flerte, tensão e descobertas e começa a virar amor de verdade. Mas vocês sabem como funcionam as coisas em romances assim, né? Quando tudo parece finalmente estar ficando bonito demais… o destino sempre encontra um jeito de complicar. 🌧️

🌧️ Capítulo 11 — The Story of Us

O silêncio dentro da residência dos Swan não era um vazio de sons; era uma entidade densa e carregada, um campo de força invisível que parecia comprimir as paredes da sala de estar. Bella permanecera imóvel sob o portal da entrada por o que pareceram minutos, sentindo o contraste gritante entre o calor residual dos lábios de Edward e a frieza cortante da atmosfera doméstica. O cheiro de café amanhecido e de chuva impregnada no tapete misturava-se ao peso do olhar de Charlie, que permanecia fixo nela com uma intensidade que transbordava a mera autoridade policial; era o olhar de um homem que via sua única âncora sendo arrastada por uma maré que ele não podia controlar. Ele não estava apenas esperando uma justificativa; ele estava exigindo uma verdade que temia ouvir.

— Bella… — disse ele novamente, a voz rouca, despida da crueza de minutos atrás, mas carregada de uma gravidade que fazia o peito de Bella arder. — O que, em nome de tudo o que é sagrado, está acontecendo entre você e aquele garoto? Entre você e Edward Cullen?

Ela respirou fundo, sentindo o ar frio expandir seus pulmões. Uma vez. Duas. O tremor em suas mãos foi sufocado pelo aperto que deu na alça da mochila. Ela levantou o queixo, encontrando os olhos do pai com uma lucidez que o pegou de surpresa. — Eu estou namorando com ele, pai. Eu estou com o Edward.

A resposta não foi um sussurro; foi uma declaração de independência lançada no centro da sala. O impacto foi físico. Charlie piscou repetidamente, como se a imagem da filha diante dele estivesse sofrendo uma distorção óptica. Ele cambaleou levemente para trás, apoiando a mão no encosto da poltrona gasta. — Você está… o quê?

— Namorando com ele — repetiu Bella, a voz agora ganhando uma nota de aço, cruzando os braços com uma firmeza que não vinha da defensiva, mas de uma convicção profunda que começava a florescer em seu cerne.

Charlie soltou um riso seco e sem alegria, um som que ecoou melancólico contra as janelas fustigadas pela chuva fina de Forks. Ele passou a mão pelo rosto, desfazendo o cansaço do turno dobrado. — Não… não, Bella… isso não pode ser sério. Você é uma garota brilhante, você tem o mundo inteiro pela frente. Por que ele?

— Porque ele é o primeiro que realmente me viu, pai — respondeu ela, a voz suavizando, mas sem perder a força.

— Você não conhece aquele garoto — retrucou ele imediatamente, a voz subindo de tom, assumindo aquela cadência de xerife que misturava proteção e julgamento institucional. — Você vê a jaqueta de couro e o mistério, mas eu vejo os relatórios. Edward Cullen vive no limite da delegacia. Briga em bares, direção perigosa, suspensões escolares que eu mesmo tive que assinar… ele é um desastre esperando para acontecer, Bella.

— Eu sei de tudo isso — interrompeu ela, sem desviar os olhos.

Charlie parou, a boca meio aberta. — Sabe?

— Sei. Eu sei exatamente quem ele era até ontem. Mas eu também sei quem ele foi hoje, às quatro da manhã, me levando para ver o sol nascer em La Push porque ele tinha medo de que eu nunca soubesse o quanto o mundo pode ser bonito se ele estivesse acompanhado — disse ela, sentindo as lágrimas arderem nos olhos. — Ele me contou coisas que ninguém mais sabe, pai. Ele me mostrou as feridas dele. Ele não é só aquele garoto que você vê atrás de uma grade ou assinando uma advertência. Ele está tentando… ele está tentando ser alguém por mim.

Charlie a encarou por um longo tempo, o silêncio entre eles apenas interrompido pelo tique-taque rítmico do relógio de parede. Havia uma luta interna visível em seu rosto, o policial querendo proteger a vítima, o pai querendo acreditar na felicidade da filha.

— Eu não confio nele, Bella. Não confio na sombra que ele carrega — disse ele por fim, a voz baixa, quase um segredo. Ele deu um passo à frente, colocando a mão no ombro dela. — Mas eu confio em você. Se você diz que há algo lá… eu vou tentar não prendê-lo na primeira curva. Mas se ele te machucar…

— Eu sei — Bella completou, abraçando o pai com uma urgência que dizia tudo o que ela não conseguia verbalizar. Ela sentia o peso daquela confiança. Não era uma bênção; era um voto de fé que tornava tudo muito mais real e, consequentemente, muito mais perigoso.

A chegada na escola naquela manhã foi como atravessar um campo minado de expectativas. O estacionamento estava saturado pelo cheiro de asfalto molhado e gases de escapamento, e o murmúrio nos corredores parecia ter subido uma oitava. Bella sentia-se como se estivesse caminhando sob um holofote invisível, mas antes que pudesse se esconder em seu armário, um vulto de energia cinética a interceptou.

— ONDE VOCÊ ESTAVA?! — O grito de Alice Brandon reverberou contra os armários de metal, fazendo duas calouras saltarem de susto. Ela praticamente voou na direção de Bella, os olhos arregalados sob a franja perfeita, as mãos gesticulando freneticamente como se estivesse tentando reger uma orquestra invisível. — Eu estava a um passo de ligar para o FBI, Bella! Imaginei sequestros, fugas românticas para o Alasca, o Jasper teve que me segurar para eu não invadir a casa do seu pai!

— Alice, respira — interrompeu Bella, segurando os pulsos da amiga para ancorá-la. — Eu estava com meu pai. Tivemos… uma conversa longa.

Alice parou bruscamente, os olhos estreitando-se enquanto processava a informação. — Com o Xerife? Por três horas? Você foi interrogada? Usaram o detector de mentiras?

— Quase isso — murmurou Bella, vendo Jasper se aproximar logo atrás com sua habitual calma imperturbável. Ele trocou um olhar de cumplicidade com Bella, um reconhecimento silencioso de que o terreno emocional estava instável.

— Ele basicamente passou o café da manhã lendo a ficha criminal do Edward para mim — explicou Bella, soltando um suspiro cansado.

Um som baixo de diversão veio de trás dela. Edward estava encostado na parede, a postura desleixada e um sorriso de canto que iluminava seu rosto de forma quase pecaminosa. — Eu sabia que ele ia fazer isso — comentou ele, passando a mão pelos cabelos bronzeados. — O sogrão está claramente obcecado pelo meu charme rebelde. É um sinal de respeito mútuo, eu diria.

Alice deu um salto, as mãos indo para a boca em um gesto dramático. — Espera… sogrão? Edward Cullen, você acabou de usar a palavra "sogrão"? Isso significa que… vocês estão…

— Sim — Edward interrompeu, os olhos encontrando os de Bella com uma possessividade suave. — Ela é minha namorada, Alice. Oficialmente.

O grito que Alice soltou atraiu a atenção de metade do corpo discente, mas ela não se importou. Ela abraçou Bella com tanta força que quase a tirou do chão, enquanto Jasper trocava um aperto de mão firme com Edward. — Finalmente — murmurou Jasper, um sorriso raro cruzando seus lábios. — Estava ficando difícil aguentar o mau humor dele no ensaio da banda.

— Então… agora a filha do xerife é oficialmente a propriedade do Cullen? — A voz de Emmett Mcartney surgiu como uma nota dissonante em uma sinfonia. Ele se aproximou com um sorriso provocador, os olhos brilhando com uma malícia que Bella não soube identificar. — Ganhou na loteria, hein, Cullen? Dois mil motivos para comemorar?

O efeito foi instantâneo e gélido. A temperatura ao redor de Edward pareceu despencar. O sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por uma máscara de rigidez que lembrava mármore. Ele deu um passo à frente, o corpo tenso como uma mola prestes a disparar.

— Repete isso, Emmett. — A voz saiu baixa, um rosnado contido que fez os pelos do braço de Bella se arrepiarem.

Emmett pareceu hesitar por um segundo, o sorriso vacilando diante da fúria crua nos olhos de Edward.

— Qual é, cara, foi só uma piada…

Edward avançou, mas a mão de Jasper foi como um grilhão em seu ombro, puxando-o de volta com uma autoridade que não aceitava contestação.

— Chega — disse Jasper, o tom de voz calmo mas perigosamente firme. — Não aqui. Não agora.

Edward respirava de forma audível, as narinas dilatadas, os punhos cerrados ao lado do corpo. Ele não olhou para mais ninguém, apenas para Emmett, com uma promessa silenciosa de retribuição que fez o outro recuar um passo. Bella sentiu um frio na espinha. Não era apenas uma briga de escola; era algo que tocava em uma ferida que ela ainda não conhecia. Quando o sinal tocou, Edward saiu sem dizer uma palavra, deixando para trás um rastro de tensão que o perfume dele não conseguia disfarçar.

A tarde na residência dos Cullen era banhada por uma luz âmbar que filtrava através das grandes janelas, criando um contraste acolhedor com o exterior sempre nublado de Forks. A casa exalava um luxo discreto, mas era a presença de Esme que realmente definia o ambiente. Ela recebeu Bella com um abraço que cheirava a baunilha e uma bondade tão autêntica que Bella sentiu as defesas que construíra contra o mundo desabarem em segundos. — Ele fala de você o tempo todo, querida — sussurrou Esme, guiando-os para a cozinha. — É bom ver uma luz nos olhos dele novamente.

Depois do café, Edward guiou Bella até seu quarto. O espaço era um santuário de caos organizado: estantes abarrotadas de clássicos da literatura, uma guitarra Gibson encostada num amplificador e discos de vinil espalhados pelo chão. Bella sentou-se na beirada da cama, sentindo a maciez dos lençóis escuros, enquanto Edward fechava a porta com um chute suave.

— A gente realmente deveria focar na Revolução Francesa — murmurou ela, abrindo o livro de história, embora sua concentração estivesse totalmente voltada para o rapaz à sua frente.

— Eu prefiro revoluções mais… contemporâneas — respondeu ele, sentando-se tão próximo que ela podia sentir o calor emanando de seu corpo. Ele não esperou por um argumento. Ele a beijou. Foi um beijo lento, exploratório, que começou com a doçura de um pedido e terminou com a urgência de uma necessidade.

Bella sentiu suas costas encontrarem o colchão, o peso de Edward sendo uma pressão bem-vinda contra seu corpo. Suas mãos perderam-se nos cabelos dele, puxando-o para mais perto enquanto o mundo lá fora deixava de existir. Mas, conforme as mãos dele deslizavam sob sua blusa, tocando a pele de suas costas com uma reverência trêmula, um freio invisível foi acionado na mente dela.

— Edward… — sussurrou ela contra os lábios dele, a respiração entrecortada. — Espere.

Ele parou instantaneamente. Seus olhos estavam escuros, a pupila dilatada pela paixão, mas ele se afastou o suficiente para olhá-la nos olhos.

— O que foi? Eu fiz algo errado?

— Não… não é isso — disse ela, sentando-se e ajeitando a roupa, sentindo o rosto queimar. — É que… eu não estou pronta. Eu quero que seja especial, Edward. Eu passei tanto tempo sendo invisível que, agora que alguém me vê, eu não quero que seja apenas mais um momento. Eu quero que seja certo. Que seja nosso.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de suas respirações pesadas. Edward a observou, e por um momento, Bella temeu ter destruído a magia do momento. Mas então, ele se inclinou e beijou sua testa com uma delicadeza que a fez querer chorar.

— Eu esperei dezoito anos para encontrar alguém como você, Senhorita Swan— disse ele, a voz baixa e sincera. — Eu posso esperar o tempo que for necessário para que você se sinta segura. Quando você estiver pronta, eu prometo… vai ser mágico.

Ele a puxou para um abraço casto, e ali, envolta pelo cheiro dele e pelo silêncio da casa, Bella sentiu que tinha encontrado seu lugar no mundo. Ela não sabia que, no andar de baixo, o celular de Edward vibrava com uma mensagem de Emmett: "O prazo está acabando, Cullen. Os dois mil estão na mesa. Vai contar pra ela ou eu conto?". Edward apertou Bella com mais força, uma sombra de desespero cruzando seu rosto enquanto ele percebia que a história deles, por mais encantada que fosse, estava sendo escrita sobre um terreno de areia movediça.

Notas finais
💭 E agora me contem uma coisa com sinceridade: vocês também sentiram o coração apertar no final? 😭 Porque enquanto Bella finalmente encontrou alguém que a enxerga de verdade…Edward está cada vez mais preso dentro da própria mentira e talvez o pior tipo de culpa seja aquela que nasce depois que o sentimento já ficou real demais para voltar atrás. Quero MUITO saber: vocês acham que ele vai contar a verdade sozinho… ou alguém vai destruir tudo antes? 👀