Lembranças da Mulher de Cabelos Pretos e Ondulados

12 Um pouco de rebeldia, um prazer singular


Notas iniciais
Tenha uma boa leitura :)

Almoçamos, nos arrumamos e saímos para trabalhar.
–Alguma nova ideia para a festa? — pergunto enquanto esperamos o ônibus.
–Não. — ela me responde aparentemente desanimada.
Pego sua mão e ela olha para mim.
–Aconteceu alguma coisa?
–Não. — ela fala dando ombros, eu arqueio minha sobrancelha esquerda e ela decide falar depois de um longo suspiro — Só estou com medo de... Não sei, não sair como quero.
–Vai dar tudo certo, não se deixe levar com preocupações bobas... Estava pensando em fazermos no dia 28 de Outubro, o dia em que te pedi em namoro. — falo sorrindo me lembrando daquele dia.
–Boa idéia. — ela fala pegando minhas mãos.
–Então, fica assim?
–Sim — ela diz e longo em seguida me beija.

"Beth não me beija muito, mas quando beija me transporta a uma dimensão só nossa, um universo feito todinho de amor."

Damos sinal para o ônibus que hoje está um pouco mais vazio que o normal. Fomos uns doze quarteirões de distância, e fomos surpreendidos com um enorme congestionamento, o que nunca acontece.
O motorista se levanta do seu banco.
–Um caminhão sofreu um acidente a umas horas atrás, e é provável que o congestionamento só se desfaça durante a noite... O ônibus vai continuar aqui nessa pista, mas recomendamos que vocês terminem seu percurso a pé ou então decidam entre si se querem voltar, ou, ficar aqui...
Ele continua de pé, e começa a digitar algo no smartphone.
–Vamos no shopping? — pergunto a Beth sorridente.
–Você ficou louco? Não podemos sair em atividades informais. — ela pergunta arregalando os olhos.
–Eu sei... Mas ninguém precisa ficar sabendo que vamos ao shopping. Pegamos um ônibus que esteja voltando e dissemos que não conseguimos ir trabalhar, mas ficamos lá para ver se liberava. — digo sorrindo e arqueando as sobrancelhas.
–Hm, como meu namorado é rebelde... Vamos lá! — ela fala com um sorriso maníaco.
–Ei, nos vamos descer. — falo para o motorista.
–Tudo bem. — ele disse e logo em seguida abriu a porta.
Fomos andando ao shopping que não fica a mais ou menos meio quilômetro.
–Vamos comprar as roupas para a festa? — ela pergunta inclinando a cabeça.
–Claro! Só não temos muito dinheiro... Devo ter uns duzentos euros... no cartão que depositam meu salário.
–Tudo bem, por sorte tenho cem aqui. Tinha achado dentro de um cofre rosa, dentro do meu bauzinho e ia depositar no banco hoje, mas... Não me importo em gastar um dinheiro que tecnicamente nunca tive. — ela fala com os olhos semicerrados.
–Hm, tenho uma namorada rebelde. — digo a imitando.
Fomos a uma loja de roupas e assim que entramos ela viu um vestido jeans e saiu para prová-lo.
–Estou bonita? — ela diz levantando os braços e dando uma voltinha.
–Belíssima! — falo totalmente maravilhado.
Ela volta para dentro do provador, fica lá por uns poucos minutos e depois volta com sua roupa normal.
–Temos de achar sua roupa. — ela diz me puxando em direção a seção masculina da loja.
Fico olhando umas prateleiras enquanto ela olha outras.
–Que tal? — ela me pergunta enquanto me mostra uma camisa social vinho, uma calça jeans clara e uma sandália branca.
–Legal! Mas acho que para mim... Não seria muito legal. Que tal algo mais assim. — digo apontando para um manequim que vestido com uma calça jeans escura, uma camisa social branca e uma tênis marrom.
–Tem certeza? Acho que podemos trocar essa calça por uma bermuda xadrez. — ela sugere revirando os olhos.
–É pode ser... — digo dando ombros.
–Vá provar sua roupa. — ela fala com as mãos na cintura e semicerrando os olhos.
Visto a roupa e quando ela me vê bate palminhas.
–Você está um pão. — ela fala rindo.
–Aí sério?! — falo imitando a voz dela e rindo.
–Eu não falo assim... — ela diz extremamente indignada.
–Tudo bem. — falo rindo e volto ao provador para vestir minha roupa novamente.
Pagamos as roupas e saímos a procura de qualquer outra loja que nos interessasse.
–Vamos naquela ali?! — Beth me pergunta sorridente.
–Sim. — respondi enquanto entramos na loja.
Fomos olhando as prateleiras de acessórios, de vez enquanto Beth colocava as mãos no rosto e abria um pouco a boca, como se estivesse pronta para gritar.
–Eu quero esse! — ela disse pegando uma coroa de flores artificiais da prateleira. — Vai ficar legal com o vestido? — ela me pergunta entortando um pouco a boca.
–Vai ficar lindo! — falo sorrindo e logo em seguida a beijo.
–Eu te amo. — ela sussurra no meu ouvido sorrindo.
–Eu também... — falo enquanto limpava os cantos da boca dela, que estavam com uma mancha rosa do batom. — Sabe?! Você vai ser a noiva, ou noivante, mais linda do universo inteiro. — falo meio confuso com as palavras, mas sinceramente.
–Obrigada?! — ela fala visivelmente envergonhada e emocionada.
Ela desvia o olhar de mim e continua a olhar as vitrines. E eu não consigo tirar o sorriso do meu rosto.
–Então vou levar esse brinco e essa coroa... — ela disse sorrindo para mim.
–É, vai ficar legal... — falo sorrindo e tentando decifrar as profundezas dos seus olhos castanhos.
Ela vai até o caixa e paga os assessórios.

"Adoro olhar nos olhos dela... Eles me transmitem calma e me sinto conectado a ela, mas poucas vezes consigo desfrutar desse tão singular prazer, Beth não gosta muito de olhar nos meus olhos enquanto olho nos dela, sempre acha algo para olhar enquanto busco seus olhos e os segredos que eles escondem."

Notas finais
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